O comitê de ética do instituto de pesquisas bíblicas da conferência geral publica declarações sobre transgenerismo

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 Mudança de sexo – Uma posição atual

A ascensão de questões transgêneras à proeminência social levanta questões importantes para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em particular, a questão da cirurgia de mudança de sexo (também chamada de cirurgia de redesignação de sexo) desafia a Igreja com questões sensíveis. Embora toda a questão transgênera seja importante, o objetivo deste documento se limita a fornecer alguma orientação a respeito da cirurgia de mudança de sexo. Reconhecemos que as questões relacionadas com a cirurgia de mudança de sexo não são apenas clínicas, mas envolvem seres humanos que estão experimentando profundo estresse emocional enquanto lutam com sua própria identidade de gênero. Essas pessoas precisam de nosso amor, orações, apoio e orientação.

Há duas áreas de perguntas para os crentes em relação à cirurgia de mudança de sexo. A primeira é se aqueles que já são membros da Igreja, mas experimentam tensões de identidade de gênero deveriam realizar a cirurgia de mudança de sexo. A segunda diz respeito àqueles que primeiro fizeram a cirurgia de mudança de sexo e, em seguida, vieram a Cristo e à Igreja.

Os crentes e a cirurgia de mudança de sexo

A identificação de gênero de uma pessoa geralmente se alinha com o próprio sexo de seu nascimento. Às vezes, no entanto, influências genéticas, cromossômicas, hormonais e intra-uterinas podem resultar em ambigüidade na diferenciação sexual anatômica. Nessas situações, o desenvolvimento anatômico da genitália pode resultar em um espectro de transtornos abrangendo uma gama de variações entre definitivamente feminino e manifestadamente masculino. Os nascidos com genitália ambígua podem muito bem se beneficiar com tratamento cirúrgico corretivo.

Há também outro grupo de pessoas cuja identidade de gênero anatômico é claramente masculina ou feminina, mas que se identifica com o sexo oposto de seu sexo biológico. Essas pessoas, às vezes, solicitam intervenção cirúrgica para mudar sua genitália para se aproximar do sexo oposto. Elas são o foco das seguintes considerações:

(1) Enquanto as lutas e desafios das pessoas identificadas como transgêneras têm alguns elementos em comum com as lutas de todos os seres humanos, nós reconhecemos a singularidade da sua situação existencial e a limitação de nosso conhecimento em tais questões.

(2) Como cristãos, nós olhamos para a Palavra de Deus em busca de orientação. Em primeiro lugar, a partir de uma perspectiva bíblica do ser humano é uma unidade psicossomática. Isto significa que a identidade sexual não pode ser totalmente independente do seu corpo como é frequentemente afirmado. De fato, nas Escrituras, a nossa identidade de gênero é, em grande medida, determinada pelo nosso sexo de nascimento, com Deus como sendo o autor da identidade de gênero (Gn 1:27; 5: 1, 2; Mc 10:6; Sl 139: 13, 14). Em segundo lugar, a Bíblia nos lembra que cada pessoa com sua mente e psique é parte da criação corrompida pelo pecado (Rm 3:9; 7:17; 8:20-23; Jr 17:9; Gl 5:17) que precisa ser renovada por Deus (Rm 12: 2). Nossas emoções, sentimentos e percepções não são indicadores plenamente confiáveis dos desígnios, ideais e verdade de Deus (Pv 14:12; 16:25). Precisamos de orientação de Deus, através das Escrituras, para determinar o que está em nosso melhor interesse (2 Tm 3:16).

(3) Um ser humano é feito para ser uma entidade sexual indivisível. A alegação de que alguns indivíduos experimentam uma identidade sexual psicológica incompatível com seu sexo biológico revela um tipo grave de dicotomia psicológica. Tal distúrbio psicológico ou quebrantamento é uma expressão dos nocivos efeitos do pecado em seres humanos. Ainda não está claro, no entanto, se esta perturbação ou quebrantamento pode ser superado através da cirurgia de mudança de sexo. Tal tratamento pode perturbar o paciente, ainda mais.

(4) Até agora, as cirurgias de mudança de sexo são irreversíveis. Pessoas submetidas a estes procedimentos têm de utilizar hormônios pelo resto das suas vidas, o que indica que uma identidade sexual integrada não é alcançada através de uma cirurgia. A cirurgia não resolve o problema completamente. O que agrava a situação é que conquanto a cirurgia seja irreversível, as pessoas podem mudar psicologicamente enquanto crescem e amadurecem, buscando novamente uma nova identidade

(5) Em alguns casos, a cirurgia de mudança de sexo pode ser motivada por um desejo sofisticado por atividade homossexual. Submeter-se a uma cirurgia de mudança de sexo a fim de satisfazer o desejo homossexual para ter relações sexuais com uma pessoa do mesmo sexo violaria o princípio bíblico ético e moral de que a atividade sexual deve ser limitada ao casamento heterossexual.

(6) As Escrituras chamam os seres humanos para gerir suas emoções e paixões, trazendo-as sob o senhorio de Cristo (Gl 5:24; Tg 4:7). Impulsos e identidades sexuais não devem ser satisfeitas com o fundamento de que, uma vez considerados normais ou naturais, devemos deixar a natureza seguir seu curso. O pecado e o mal corromperam a natureza humana, incluindo a identidade de gênero e a sexualidade. Enquanto a autodisciplina é indispensável para trazer ambos em harmonia com os valores e princípios bíblicos, Deus prometeu o Espírito Santo para nos ajudar a enfrentar os nossos impulsos pecaminosos e nossa atração pelo pecado.

(7) Uma vez que a cirurgia não resolve a situação, alguém provavelmente encontrará mais plenitude e cura ao aprender a viver com a sua condição sexual com uma dicotomia real ou percebida em sua identidade sexual enquanto se inclina ao Senhor constantemente em busca de ajuda.

Por essas razões, o comitê da ética do instituto de pesquisas bíblicas da conferência geral alerta fortemente contra um procedimento tão radical e irreversível e insta aos pastores e membros da igreja para que demonstrem cuidado e respeito em direção àqueles que estão lutando com esse assunto desafiador. Devessem os indivíduos buscar a cirurgia de mudança de sexo a fim de contornarem os princípios bíblicos a respeito da sexualidade humana e da maneira própria para a satisfação de tais desejos, e eles estariam agindo contra a vontade revelada de Deus. A Igreja deve permanecer fiel ao seu compromisso com a vontade do Senhor ressuscitado como revelada nas Escrituras e, dessa forma, deve mostrar amor por todos.

Novos conversos com cirurgia de mudança de sexo antes da conversão

A situação torna-se ainda mais complexa no caso de pessoas que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo antes de vir a conhecer Jesus como seu Salvador e Senhor pessoal. Como deve a Igreja lidar com eles quando eles pedem para se tornar membros da comunidade de crentes? Para responder a esta questão crucial fazemos as seguintes recomendações:

(1) Que tratemos essas pessoas com amor e respeito, demonstrando nosso sério interesse em seu bem-estar. Os envolvidos nesse diálogo devem fazer o possível para evitar agravar a condição emocional dos novos convertidos. Adicionar dor a pessoas que foram feridas a maior parte de suas vidas não é uma expressão do amor cristão.

(2) Que reconheçamos que Deus os chamou para a salvação no estado em que foram encontrados por Ele, na falta de integridade, e que eles aceitaram o chamado para a salvação.

(3) Que não venhamos a coagir essas pessoas para inverter a sua cirurgia. Poderia se argumentar que, embora o Senhor nos encontre em um estado de fragmentação, Ele quer transformar e restaurar a nós, e que, portanto, novos crentes devem começar um processo de reversão médica que irá levá-los de volta o mais próximo possível de sua condição física antes da cirurgia. Tal tentativa criaria problemas significativos porque a reversão cirúrgica completa continua a ser impossível, e até mesmo uma reversão parcial pode comprometer seriamente a saúde das pessoas envolvidas.

(4) Que não neguemos a condição de membros da igreja a pessoas que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo, mas que estão comprometidos com o Senhor e Sua vontade. A única coisa que podemos requerer deles biblicamente é o que a Bíblia exige de todos nós: que permitamos que o Espírito do Senhor nos traga cura interior para nós e que vivamos uma vida de pureza moral e sexual enquanto olhamos para a frente, para o momento em que o Senhor irá restaurar a integridade para todos nós.

A natureza irreversível da cirurgia de mudança de sexo, o fato de que o Senhor toca os corações de pessoas transgêneras e as aceita como Suas filhas, bem como o reconhecimento de que nosso corpo por completo ainda não foi redimido (Rm 8:23), deve nos fazer ser muitos cuidadosos em nossas interações com eles. Nosso respeito e cuidado por essas pessoas seguem o exemplo de Cristo que servia aos outros mesmo mantendo-se plenamente comprometido com Deus e com Sua vontade revelada.

O casamento de pessoas que passaram pela cirurgia de mudança de sexo Uma posição atual

A questão sobre se o casamento deve ser considerado por pessoas que sofreram cirurgia de mudança de sexo2 ou se isso deve ser desencorajado pela Igreja Adventista é uma questão delicada.3 Muitas vezes as pessoas afetadas já sofreram emocionalmente e espiritualmente por causa de seus sentimentos de incongruência de gênero e pela rejeição dos outros. Então eles precisam de todo o nosso amor e respeito.

Contudo, se o casamento de pessoas transexuais for considerado, algumas poucas observações são apropriadas.

(1) A Bíblia ensina claramente que de acordo com o plano e desígnio de Deus apenas um homem e uma mulher podem se unir em casamento. Nos termos mais fortes Jesus confirmou o casamento heterossexual e descartou a poligamia, bem como as relações homossexuais. Normas bíblicas são normativas para a humanidade em todos os tempos e em todas as circunstâncias. Portanto, a elas é preciso aderir quando se pondera sobre um casamento de pessoas transexuais.

(2) O Comitê de Ética do instituto de pesquisa bíblica atualmente trabalha com a suposição de que um homem transgênero que passou pela cirurgia de mudança de sexo para ser mulher deve ser considerado mulher e que uma mulher transgênera que passou pela cirurgia de mudança de sexo para ser homem deve ser considerada homem, ainda que o novo estado não seja perfeito como a dependência de terapia hormonal indica. Se uma pessoa transgênera não passou cirurgia de mudança de sexo, a comissão considera que a pessoa é homem ou mulher de acordo com seu sexo biológico, mesmo que a pessoa tenha adotado um primeiro nome associado ao sexo oposto de seu sexo biológico.

(3) Isto significaria que um casamento entre um homem não-transgênero e um homem transgênero ou entre uma mulher não-transgênera e uma mulher seria entendido como uma relação homossexual4, proibida pela Escritura.

(4) Uma pessoa transgênera pode ser atraída por pessoas do mesmo sexo, mas pode não gostar de relações sexuais, por exemplo, como um homem com outro homem e, assim, pode procurar a cirurgia de mudança de sexo, o que abriria o caminho para relações sexuais com um homem, mas agora como uma mulher. Tal comportamento parece ser uma forma sofisticada de comportamento homossexual que também militaria contra a perspectiva bíblica a respeito da homossexualidade

(5) Quanto à questão de saber se uma pessoa transgênera cirurgicamente alterada deve tentar reverter a cirurgia feita, não esperamos que as pessoas que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo tentem voltar ao seu estado anterior, porque atualmente a cirurgia de mudança de sexo é irreversível. Sob esta suposição seria teoricamente possível para uma mulher transgênera se casar com um homem e um homem transgênero com uma mulher, a menos que a cirurgia de mudança de sexo tenha sido realizada por desejos homossexuais. No entanto, mesmo sendo o casamento potencialmente possível, acreditamos que as pessoas transgêneras que tiveram uma cirurgia de mudança de sexo devem se abster de procurá-lo.

(6) Um casamento entre uma pessoa transgênera e uma pessoa não-transgênera pode ser um desafio enorme, especialmente se uma total transparência estiver ausente. O parceiro não-transgênero precisa saber que o futuro cônjuge originalmente tinha o mesmo sexo biológico que o outro parceiro ainda tem. Alguns parceiros podem ser capazes de viver com tal situação, enquanto outros podem achar que desafiador ou mesmo impossível viver em um relacionamento conjugal com uma pessoa transgênera. Além disso, as questões sobre relações sexuais e filhos têm de ser levantada entre os parceiros que querem se casar. Por exemplo, uma pessoa transgênera que era homem e se tornou mulher não pode ter filhos naturalmente.

(7) Mesmo se ambos os parceiros fossem transgêneros, as razões para se casar, questões de sexualidade, ter filhos, formarem uma família, etc. militariam contra tal casamento.

(8) Por mais que o casamento heterossexual de parceiros não-transgêneros seja uma bênção, ele também significa trabalho e ajuste dos parceiros para o outro. Isso não termina após um período inicial de alguns meses ou mesmo de vários anos, mas continua enquanto o casamento existir. Hoje, alguns casamentos heterossexuais estão terminando em divórcio, mesmo depois de trinta ou quarenta anos, porque os cônjuges não podem mais ficar uns dos outros por suas idiossincrasias e atitudes comportamentais padrão. Se isto é verdade para os casamentos que são celebrados por pessoas que não tiveram suas identidades de gênero comprometidas de alguma forma, é um desafio ainda maior para as pessoas que entram em um relacionamento conjugal com fortes fardos psicológicos como consequência do sentimento de estar preso num corpo do outro sexo. O casamento não é uma maneira de trazer a cura psicológica a pessoas que lutam com problemas de identidade de gênero.

Por essas razões nós fortemente advertimos pessoas transgêneras contra o casamento de um transgênero. Contudo, mesmo que a igreja desaprove a decisão de um casal em se casar, o pastor local ainda deve ministras àqueles que foram confiados ao seu cuidado.

1 O comitê de ética do Instituto de Pesquisas Bíblicas está em divida com Ángel M. Rodríguez em cujo trabalho estas afirmações estão baseadas, e.g., https://adventistbiblicalresearch.org/sites/default/files/pdf/sex-change%20surgery.pdf

2 Outras designações são cirurgia de redesignação de sexo, cirurgia de redesignação de gênero, cirurgia de afirmação de sexo, cirurgia de confirmação de gênero, ou cirurgia de realinhamento de sexo.
3 Para a questão se o comitê do BRI recomendaria ou desencorajaria a mudança de sexo, veja a afirmação sobre a cirurgia de mudança de sexo.

4 Veja essas duas declarações oficiais da Igreja Adventista sobre homossexualismo http://www.adventist.org/information/officialstatements/statements/article/go/0/homosexuality/vitality/ser vice/ e http://www.adventist.org/information/officialstatements/statements/article/go/0/same-sex- unions/beliefs/en/.

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