{"id":1130,"date":"2015-04-08T05:42:42","date_gmt":"2015-04-08T05:42:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1130"},"modified":"2015-04-08T00:53:54","modified_gmt":"2015-04-08T00:53:54","slug":"priorizando-a-satisfacao-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/priorizando-a-satisfacao-familiar\/","title":{"rendered":"Priorizando a satisfa\u00e7\u00e3o familiar"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><h3 style=\"text-align: justify;\"><em>Como afastar os intrusos que trabalham contra&nbsp;a harmonia entre a felicidade da fam&iacute;lia e o&nbsp;trabalho do pastor<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O&nbsp;chamado ao minist&eacute;rio pastoral pode ser uma das experi&ecirc;ncias mais plenas e recompensadoras que algu&eacute;m pode ter. Por&eacute;m, esse mesmo chamado pode ser muito desafiador e perigoso. Especificamente, o dia a dia de um pastor pode ter grandes efeitos negativos sobre sua vida pessoal, familiar e seu casamento. Para alguns, isso pode n&atilde;o ser novidade, mas a impot&ecirc;ncia que persegue muitos pastores enquanto eles tentam fugir das minas terrestres ao redor de seu casamento e fam&iacute;lia deixam muitos feridos e mutilados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, antes que algu&eacute;m me considere pessimista, devo dizer que me alegro muit&iacute;ssimo com as gera&ccedil;&otilde;es de pastores que t&ecirc;m compartilhado nesse aben&ccedil;oado trabalho a salva&ccedil;&atilde;o comprada pelo sangue de Cristo, e a capacita&ccedil;&atilde;o do povo de Deus para a vida de servi&ccedil;o. Muitos deles batizam em nome da Divindade, dedicam crian&ccedil;as a Deus, sepultam santos que descansam em Jesus, animam muitos que est&atilde;o desencorajados, oficiam a uni&atilde;o de casais felizes, desafiam jovens a viver por Cristo, pregam fervorosos serm&otilde;es, e mais, muito mais. O minist&eacute;rio pastoral &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria! Diante disso, somos levados a perguntar: Acaso pode haver alguma coisa negativa em t&atilde;o nobre chamado? Pode haver algum perigo em sua execu&ccedil;&atilde;o? Sim, pode. De fato, h&aacute; muitos perigos!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Fatores de estresse<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos anos atr&aacute;s, tive a oportunidade de estudar sobre fam&iacute;lias pastorais, e achei fascinante fazer isso. Muitas dessas fam&iacute;lias partilham cinco principais fatores de estresse: mobilidade, baixa compensa&ccedil;&atilde;o financeira, elevadas demandas, baixo apoio social e intromiss&atilde;o nos limites familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas denomina&ccedil;&otilde;es, os pastores mudam frequentemente de uma igreja para outra e de uma cidade para outra. Essas mudan&ccedil;as envolvem rompimento de la&ccedil;os familiares, contatos sociais, amizades e institui&ccedil;&otilde;es sociais que ajudam na sobreviv&ecirc;ncia e no bem-estar. Esposa e filhos podem ter que se separar do trabalho e da escola, para que a transi&ccedil;&atilde;o seja relativamente pac&iacute;fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com respeito &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o, em algumas regi&otilde;es do mundo o pastorado est&aacute; entre as de menor n&iacute;vel, em rela&ccedil;&atilde;o a outras ocupa&ccedil;&otilde;es. Embora esteja no topo com respeito ao n&iacute;vel educacional, os pastores est&atilde;o inferiorizados na escala salarial. Na verdade, ocupam o 325&ordm; lugar entre 432 ocupa&ccedil;&otilde;es. O chamado ao minist&eacute;rio frequentemente pressup&otilde;e voto de pobreza. Essa voca&ccedil;&atilde;o que demanda certo estilo de vida parece ser incompat&iacute;vel com a capacidade que tem o pastor de mant&ecirc;-lo. Por essa raz&atilde;o, a fam&iacute;lia tende a ser financeiramente restringida, o que tem s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es para a satisfa&ccedil;&atilde;o conjugal e &agrave; estabilidade emocional.[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As exig&ecirc;ncias que envolvem tempo representam grande desafio para os pastores. Enquanto tenta dividir o tempo entre fam&iacute;lia, igreja local e a organiza&ccedil;&atilde;o, ele corre em muitas dire&ccedil;&otilde;es e algumas coisas ficam desatendidas. Muitas vezes, a fam&iacute;lia &eacute; negligenciada. O efeito de trabalhar 24 horas por dia &eacute; grosseiramente subestimado. Isso pode minar a constitui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, emocional e espiritual do pastor e roubar de seu casamento a vitalidade que pode ser sustentada apenas por investimento de tempo qualitativo e energia. As falhas p&uacute;blicas e particulares dos pastores testemunham, em parte, a ang&uacute;stia das demandas de tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apoio social &eacute; uma quest&atilde;o fundamental para os pastores. Um dos enganos mais sutis do minist&eacute;rio &eacute; a cren&ccedil;a de que, pelo fato de os pastores trabalharem com pessoas e estarem sempre com elas, as necessidades sociais deles sejam automaticamente satisfeitas. Mas, a realidade do minist&eacute;rio frequentemente &eacute; contradit&oacute;ria &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades sociais. Se tal satisfa&ccedil;&atilde;o envolve intera&ccedil;&atilde;o caracterizada por abertura, desafio, responsabilidade, permanente amizade rec&iacute;proca, posso dizer que o minist&eacute;rio, conforme &eacute; praticado, n&atilde;o permite essa intera&ccedil;&atilde;o entre o pastor e os membros da congrega&ccedil;&atilde;o, e outras pessoas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Pedestal e &ldquo;antifraterniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma caracter&iacute;stica do minist&eacute;rio pastoral &eacute; descrita por alguns como &ldquo;norma de &lsquo;antifraterniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.[2] Essa norma impede o pastor de ter amigos &iacute;ntimos. Os relacionamentos s&atilde;o passageiros e as necessidades emocionais do pastor e fam&iacute;lia n&atilde;o s&atilde;o satisfeitas no contexto geral. Outra caracter&iacute;stica do minist&eacute;rio &eacute; conhecida como &ldquo;efeito pedestal&rdquo;. Frequentemente, o pastor &eacute; promovido por sua congrega&ccedil;&atilde;o e se afasta da experi&ecirc;ncia humana comum. O pastor valoriza e busca essa promo&ccedil;&atilde;o e, assim, n&atilde;o experimenta muito do relacionamento com a congrega&ccedil;&atilde;o. At&eacute; mesmo o estabelecimento de um relacionamento terap&ecirc;utico para ajudar na solu&ccedil;&atilde;o de um problema emocional ou familiar tem-se mostrado amea&ccedil;ador para muitos pastores. A linha que separa o pastor de seu trabalho &eacute;, na melhor das hip&oacute;teses, muito vaga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pastor e sua fam&iacute;lia &ldquo;pertencem ao povo&rdquo; e t&ecirc;m pouco espa&ccedil;o f&iacute;sico e emocional para viverem livres de restri&ccedil;&otilde;es, expectativas, exig&ecirc;ncias e julgamento sobre eles. A intromiss&atilde;o no espa&ccedil;o particular pode causar s&eacute;rios efeitos no pastor e na fam&iacute;lia dele. Viver numa &ldquo;casa de vidro&rdquo; pode criar uma hipervigil&acirc;ncia debilitadora que mant&eacute;m o pastor em um desgastante estado de alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha tentativa de testar os efeitos desses estressores na satisfa&ccedil;&atilde;o conjugal, paternal, bem como na satisfa&ccedil;&atilde;o do c&ocirc;njuge iluminou o assunto em an&aacute;lise. Quando os fatores de mobilidade, compensa&ccedil;&atilde;o, exig&ecirc;ncias de tempo, falta de apoio social e intromiss&atilde;o nos limites familiares foram colocados num modelo de estat&iacute;stica, revelaram-se influenciadores na satisfa&ccedil;&atilde;o conjugal, paternal e na satisfa&ccedil;&atilde;o do casal. Em uma observa&ccedil;&atilde;o mais atenta, a intromiss&atilde;o nos limites familiares e o apoio social pareceram ser apenas os &uacute;nicos fatores de influ&ecirc;ncia na satisfa&ccedil;&atilde;o conjugal do cl&eacute;rigo e esposa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisemos, agora, algumas quest&otilde;es que podem ser abordadas pelos&nbsp;pastores e administradores, a fim de ajudar a maximiza&ccedil;&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o familiar pastoral. Com isso, quero dizer que o pastor deve assumir a responsabilidade pessoal de gerenciar essas quest&otilde;es, tendo em vista fins positivos. A fam&iacute;lia deve se engajar em medidas de prote&ccedil;&atilde;o, a fim de assegurar que seus limites n&atilde;o sejam comprometidos, al&eacute;m de administrar outros fatores estressores que enfrentam. Os administradores da Igreja, nas inst&acirc;ncias superiores, tamb&eacute;m devem estabelecer medidas de prote&ccedil;&atilde;o e procedimentos que minimizem os impactos negativos sobre o pastor e fam&iacute;lia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Vasos de barro<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Receio que, no treinamento de homens para o minist&eacute;rio, pouco seja discutido sobre as maiores exig&ecirc;ncias sist&ecirc;micas da vida ministerial, que podem ser potenciais para desestabiliza&ccedil;&atilde;o pessoal e familiar. Nesse contexto, h&aacute; o pensamento enganoso de que ajudar outros seja mais importante do que cuidar de si mesmo e da fam&iacute;lia. Sei o que voc&ecirc; pode estar pensando: &ldquo;Isso n&atilde;o acontece comigo. Na verdade, nunca acontecer&aacute;.&rdquo; Nesse caso, agrade&ccedil;o por voc&ecirc; ajudar a ilustrar o argumento que pretendo desenvolver. Somos muitos desatentos a isso. Podemos continuar falando sobre o enigma da invulnerabilidade, d&uacute;vida sobre relacionamentos, sentimento de culpa por n&atilde;o trabalhar mais, identidade com base no fazer em vez de ser, e a perpetua&ccedil;&atilde;o do mito de perfei&ccedil;&atilde;o na vida, no trabalho e na fam&iacute;lia. Nesse contexto, essas s&atilde;o quest&otilde;es sist&ecirc;micas e todas t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com casamento e fam&iacute;lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algo tem que mudar para o pastor e fam&iacute;lia, tem que ser uma conscientiza&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica do cuidado de si mesmo e da fam&iacute;lia. De outro modo, lutaremos eternamente com a mesma quest&atilde;o de neglig&ecirc;ncia de si mesmo e da fam&iacute;lia, que leva a desastrosas consequ&ecirc;ncias para a vida, a sa&uacute;de e o bem-estar de todos. Isso n&atilde;o faz parte do chamado divino. Esse chamado inclui um modelo de cuidado pr&oacute;prio e da fam&iacute;lia, entre outras coisas, e demonstra&ccedil;&atilde;o de como carregar a verdade de Deus &ldquo;em vasos de barro&rdquo;, enquanto vivemos em um mundo real. Perfeitamente? Jamais! Por&eacute;m, a luta &eacute; em si mesma o maior testemunho do poder de Deus que se aperfei&ccedil;oa na fraqueza.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Responsabilidade do pastor<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns modelos de vida ministerial levam o pastor a trabalhar em um ambiente hostil &agrave; prosperidade do casamento e da fam&iacute;lia. O pastor que se mantiver &agrave; dist&acirc;ncia das pessoas, pintando-se como super-homem invulner&aacute;vel, n&atilde;o desfrutar&aacute; relacionamento nutritivo m&uacute;tuo e sofrer&aacute; isolamento e solid&atilde;o, entre outras coisas, embora trabalhe entre grande n&uacute;mero de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proponho que o modelo de &ldquo;chefe executivo&rdquo; (CEO) de lideran&ccedil;a pastoral n&atilde;o seja apropriado. O pastor n&atilde;o &eacute; o CEO de uma corpora&ccedil;&atilde;o, mas uma pessoa colocada entre outras pessoas, para ensinar e exemplificar a vontade de Deus. O relacionamento pastoral &eacute; mais de amizade com a congrega&ccedil;&atilde;o, o que facilita a constru&ccedil;&atilde;o de uma comunidade aut&ecirc;ntica. Nessa comunidade aut&ecirc;ntica, pastor e esposa podem viver e crescer com outros casais, encorajando-se, apoiando-se e desafiando-se mutuamente nesta jornada chamada vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagino que uma resposta &agrave; ideia anterior seja que essa amizade deve ser encontrada em outros lugares e entre seus pares. As conversas entre pastores n&atilde;o s&atilde;o usualmente a respeito de nutri&ccedil;&atilde;o emocional m&uacute;tua. Creio que, se o minist&eacute;rio for exercido como Jesus fazia, alguns dos atuais desafios possam ser anulados ou se tornar mais administr&aacute;veis. Jesus Se aproximou de homens e mulheres durante Seu minist&eacute;rio, e derrubou os muros de separa&ccedil;&atilde;o e hipocrisia que havia entre os escribas intelectuais, os fil&oacute;sofos saduceus e o &ldquo;povo comum&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de apoio social nutridor tem significativas implica&ccedil;&otilde;es sobre a nutri&ccedil;&atilde;o paternal e conjugal. Um casamento necessita de comunidade, assim como esse tipo de parceria necessita de tempo para florescer. Isso pode acontecer com os cl&eacute;rigos na congrega&ccedil;&atilde;o. Os filhos podem se alegrar com o pedestal por algum tempo, mas logo come&ccedil;ar&atilde;o a se revoltar contra a press&atilde;o da &ldquo;casa de vidro&rdquo;. Com apropriados limites, esse modelo sugerido pode servir a grandes objetivos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Desafio das esposas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser dif&iacute;cil desafiar as esposas dos pastores a assumir responsabilidade pessoal pela satisfa&ccedil;&atilde;o conjugal e paternal. Muitas delas sentem com se fosse um sacril&eacute;gio desafiar o envolvimento no trabalho do pastor e exigir dele maior participa&ccedil;&atilde;o na vida familiar. &ldquo;Como ousarei fazer isso?&rdquo;, &eacute; a pergunta que brotar&aacute;, diante de tal desafio. Ent&atilde;o, mais do que solu&ccedil;&atilde;o, isso &eacute; parte do problema. Pelo fato de o chamado ministerial ser considerado intoc&aacute;vel (o &ldquo;efeito pedestal&rdquo;), frequentemente a esposa sofre em sil&ecirc;ncio e lentamente desenvolve atitudes negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao minist&eacute;rio e ao Deus do pastor. Algumas vezes resvala para o cinismo e &oacute;dio em rela&ccedil;&atilde;o ao chamado e tudo o que for associado a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme disse algu&eacute;m, &ldquo;se voc&ecirc; faz o que sempre tem feito, conseguir&aacute; o que sempre tem conseguido&rdquo;. N&atilde;o posso culpar ningu&eacute;m aqui, mas muitas esposas precisam ser ensinadas a se levantar contra as for&ccedil;as que amea&ccedil;am seu casamento e vida familiar, e ajudar o esposo pastor a tra&ccedil;ar os limites que preservam a integridade dos relacionamentos conjugal e paternal. Elas necessitam ver o pastor&nbsp;como uma pessoa real, com inclina&ccedil;&otilde;es comuns aos seres humanos, e que necessita ser desafiado muito frequentemente. Fazendo assim, elas estabelecer&atilde;o o tom alegre de sua uni&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pastores necessitam refletir profundamente sobre suas opini&otilde;es e filosofia sobre a intromiss&atilde;o nos limites da fam&iacute;lia, e investir bastante tempo e energia at&eacute; que sejam vitoriosos. Em certo sentido, o pastor pode ter a melhor agenda entre outras profiss&otilde;es, mas essa quest&atilde;o nem sempre &eacute; soberana. O pastor bem com a esposa t&ecirc;m que priorizar os limites da fam&iacute;lia ou ela ser&aacute; grandemente prejudicada. Nossos filhos podem ser negligenciados enquanto visitamos fielmente outras fam&iacute;lias. A gera&ccedil;&atilde;o mais jovem de casais pastorais necessita saber que eles devem estabelecer h&aacute;bitos positivos o mais cedo poss&iacute;vel.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O papel dos administradores<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trabalho do pastor, transfer&ecirc;ncias de uma igreja para outra s&atilde;o inevit&aacute;veis. N&atilde;o me oponho a essas mudan&ccedil;as pastorais que ajudam a estabelecer a igreja em v&aacute;rios lugares. Em minha experi&ecirc;ncia, aceitei toda mudan&ccedil;a como sendo um chamado e estive pronto para marchar segundo as ordens superiores. Por&eacute;m, penso que muitas vezes as mudan&ccedil;as s&atilde;o feitas sem a m&iacute;nima considera&ccedil;&atilde;o sobre os desafios e poss&iacute;veis perturba&ccedil;&otilde;es ao equil&iacute;brio pessoal, familiar e congregacional. A esposa do pastor dificilmente &eacute; considerada, muito menos consultada, na ocasi&atilde;o da transfer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais mudan&ccedil;as podem afetar as liga&ccedil;&otilde;es emocionais, a estabilidade profissional, os planos educacionais da esposa e dos filhos, al&eacute;m do minist&eacute;rio da pr&oacute;pria esposa, entre outras coisas. Uma transfer&ecirc;ncia pode ter significado totalmente diferente para o pastor. Por exemplo, pode representar uma chance de reciclar habilidades e serm&otilde;es em outro lugar, afastar-se dos problemas da igreja anterior, ser &ldquo;promovido&rdquo; para uma igreja maior. Mas, tudo isso pode n&atilde;o ter significado para a esposa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os l&iacute;deres do Campo podem fazer maior bem, ao considerar as necessidades de toda a fam&iacute;lia nessas mudan&ccedil;as; trabalhar para criar significado compartilhado com as esposas bem como ajud&aacute;-las na adapta&ccedil;&atilde;o ao novo ambiente. Embora as mudan&ccedil;as sejam inevit&aacute;veis, elas podem ser mais bem recebidas pelas esposas, caso suas necessidades tamb&eacute;m sejam consideradas. Os administradores podem ser mais intencionais em estabelecer planos de trabalho e diretrizes que permitam ao pastor estar presente no lar, visando ao fortalecimento e crescimento familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o faz muito tempo, ao conversar com um grupo de pastores a respeito dos desafios ao bem-estar da fam&iacute;lia pastoral, ouvi de um deles, rec&eacute;mcasado, o seguinte: &ldquo;Desde que me casei, ainda n&atilde;o pude me sentar ao lado de minha esposa na igreja.&rdquo; Se isso for verdadeiro, sugere uma cultura ministerial que coloca o interesse pelo bem-estar dos membros da congrega&ccedil;&atilde;o acima do interesse pelo bemestar da esposa, e que, ao ministrar, o pastor n&atilde;o deve ocupar a mente com as necessidades e o conforto da esposa. Se procurarmos ouvir sobre o ponto de vista da esposa a respeito do minist&eacute;rio e o impacto que ele exerce sobre ela todos os dias, inclusive o s&aacute;bado, as revela&ccedil;&otilde;es nos far&atilde;o pensar seriamente. Lentamente, mas com certeza, muitas das esposas acabam por desprezar as coisas que afastam delas o c&ocirc;njuge, sendo por causa disso tentadas a reduzir microscopicamente o significado do minist&eacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Necessitamos remar contra essa mar&eacute; e criar uma experi&ecirc;ncia mais rica, nascida da valoriza&ccedil;&atilde;o, do respeito e honra &agrave; fam&iacute;lia, vendo como inimiga qualquer coisa ameace substitu&iacute;-la como primeiro objetivo de nosso afeto e aten&ccedil;&atilde;o, embora amemos o povo de Deus e devamos trabalhar pela salva&ccedil;&atilde;o dele.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Conselhos oportunos<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluo, deixando aqui alguns conselhos aos casais pastorais:<\/p>\n<ul>\n<li>Planejem sua vida e seu trabalho de modo a assegurar-se de que a esposa e a fam&iacute;lia tenham o melhor do seu tempo e energia. Construam mem&oacute;rias em lugares especiais, fazendo algo agrad&aacute;vel juntos. Fa&ccedil;am com que os momentos passados na igreja sejam especiais para a esposa e os filhos. Sua congrega&ccedil;&atilde;o ficar&aacute; feliz e entusiasmada ao ver como voc&ecirc;s se tratam na igreja. Os membros podem esquecer o serm&atilde;o, mas n&atilde;o se esquecer&atilde;o disso.<\/li>\n<li>Aprendam a desenvolver habilidades de administra&ccedil;&atilde;o financeira, e coloquem-nas em pr&aacute;tica no lar, a fim de evitar dificuldades nessa &aacute;rea.<\/li>\n<li>Criem uma cultura de vulnerabilidade a seu respeito. N&atilde;o deem a impress&atilde;o de que est&atilde;o acima de tudo e de todos. Sejam aut&ecirc;nticos. Falem sobre seus desejos e lutas para ser o melhor esposo e pai, a melhor esposa e m&atilde;e, que desejam e podem ser. Pe&ccedil;am ora&ccedil;&otilde;es aos irm&atilde;os em seu favor e orem em favor deles.<\/li>\n<li>A esposa do pastor deve ter identidade pr&oacute;pria. Deve se envolver no pr&oacute;prio chamado, em vez de depender que a igreja o indique. Isso a proteger&aacute; contra alguns efeitos negativos da vida na igreja.<\/li>\n<li>Cultivem amizades. Nossas necessidades sociais devem ser satisfeitas. A intera&ccedil;&atilde;o com amigos nos deixa sempre bem-humorados. Ao lado disso, seja o melhor amigo de sua esposa.<\/li>\n<li>Estabele&ccedil;am limites saud&aacute;veis em torno de seu casamento. Desfrutem ao m&aacute;ximo seu dia de descanso. Resistam a toda intromiss&atilde;o em seu espa&ccedil;o privativo familiar.<\/li>\n<li>N&atilde;o se deixem iludir com pressupostos. Comuniquem-se. Falem, ou&ccedil;am e observem. O casamento e a fam&iacute;lia s&atilde;o maravilhosos presentes de Deus. Apreciem-nos! Pratiquem a mordomia familiar. Os dividendos dessa pr&aacute;tica extrapolam os limites deste mundo.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer&ecirc;ncias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 D. Mace e V. Mace, What&rsquo;s Happening to Clergy Families? (Nashville, TN: Abingdon, 1982).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 T. Blackbird e P. Wright, &ldquo;Pastor&rsquo;s Friendship: Project Overview and an Exploration of the Pedestal Effect&rdquo;, Journal of Psychology and Theology 13 (1985), p. 274-283.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como afastar os intrusos que trabalham contra&nbsp;a harmonia entre a felicidade da fam&iacute;lia e o&nbsp;trabalho do pastor O&nbsp;chamado ao minist&eacute;rio pastoral pode ser uma das experi&ecirc;ncias mais plenas e recompensadoras que algu&eacute;m pode ter. Por&eacute;m, esse mesmo chamado pode ser muito desafiador e perigoso. 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