{"id":1176,"date":"2015-04-27T05:18:01","date_gmt":"2015-04-27T05:18:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1176"},"modified":"2015-04-13T21:23:30","modified_gmt":"2015-04-13T21:23:30","slug":"que-o-trabalho-na%cc%83o-nos-separe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/que-o-trabalho-na%cc%83o-nos-separe\/","title":{"rendered":"Que o trabalho na\u0303o nos separe"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: justify;\">Quando ti&#769;nhamos 18 meses de casados, nasceu nosso primeiro filho. Um me&#770;s depois, ingressamos no semina&#769;rio, a fim de nos prepararmos para o ministe&#769;rio. Pore&#769;m, depois de dez anos, nossos sonhos pastorais tinham se convertido em pesadelos conjugais. Aconselha&#769;vamos outros casais, enquanto nossa pro&#769;pria relac&#807;a&#771;o estava partida. Embora nunca tive&#769;ssemos mencionado a palavra &ldquo;divo&#769;rcio&rdquo;, no&#769;s dois sabi&#769;amos que nosso casamento estava ruindo. Semelhantes a dois na&#769;ufragos, luta&#769;vamos desesperadamente em busca do ar de que tanto necessita&#769;vamos, ate&#769; chegarmos a um ponto quase sem possibilidade de retorno.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 17\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta e&#769; a histo&#769;ria de nosso naufra&#769;gio, e tambe&#769;m de nossa surpreendente experie&#770;ncia com a grac&#807;a de Deus, que curou e restaurou nosso casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Primeiros sonhos <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Depois de quatro difici&#769;limos anos no semina&#769;rio, Matias finalmente se formou. Ti&#769;nhamos conquistado o pre&#770;mio, e agora a vida ficaria melhor, pois, acredita&#769;vamos que seria mais fa&#769;cil e normal. Em junho daquele ano, assumimos nossa primeira congregac&#807;a&#771;o, uma pequena igreja rural. Eu alimentava expectativas e sonhos para aquela congregac&#807;a&#771;o. Em termos pra&#769;ticos, imaginei que teri&#769;amos um sala&#769;rio adequado a&#768;s nossas necessidades. Em termos espirituais, acompanhava com entusiasmo e orgulho meu esposo, partilhando meus dons, ideias e minha paixa&#771;o pelo ministe&#769;rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Pore&#769;m, a realidade da igreja logo lanc&#807;ou por terra nossos sonhos. No primeiro Natal, programei um encontro especial para a congregac&#807;a&#771;o. Durante muitos dias, preparei a casa para esse encontro de amor, decorando-a cuidadosamente e preparando deliciosos quitutes para os convidados. No dia marcado, depois de esperar muito tempo, apareceu apenas uma pessoa. Fiquei profundamente desiludida.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados alguns meses, planejei receber cada fami&#769;lia da igreja, separadamente, em nossa casa. Tendo em ma&#771;os a lista de membros, obedeci a&#768; ordem alfabe&#769;tica. Foi um transtorno geral. Uma das fami&#769;lias tinha tre&#770;s garotos que quase destrui&#769;ram a casa, sujando tapetes, quebrando cadeiras e outros objetos. Vencida mais uma vez, nem cheguei a&#768; letra B.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 18\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas experie&#770;ncias me fizeram sentir rejeitada e desvalorizada pela igreja. Na&#771;o encontrava meu lugar na congregac&#807;a&#771;o. Acho que nem os irma&#771;os sabiam como se ligar a mim. Vivendo em um povoado com uma cultura que eu na&#771;o entendia, me sentia como algue&#769;m que foi lanc&#807;ado em um lago rodeado por uma densa treva. Precisava encontrar o meio de nadar ate&#769; a&#768; praia, mas na&#771;o tinha a menor ideia de como fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Matias se entregava cada vez mais ao trabalho, comecei a construir um muro de protec&#807;a&#771;o ao redor dos meus sentimentos. Quando mais ele avanc&#807;ava, mais eu me refugiava em minha pro&#769;pria carcac&#807;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Eu na&#771;o tinha grandes expectativas quanto a&#768; igreja nem sobre meu casamento, mas esperava grandes coisas de mim mesmo. Infelizmente, na&#771;o percebia qua&#771;o profundamente essas expectativas estavam ligadas a&#768;s feridas na&#771;o curadas da minha alma. Sonhava em ser um pastor &ldquo;fiel&rdquo; que amasse as pessoas, pregasse sermo&#771;es inspiradores e desenvolvesse uma visa&#771;o nova para a congregac&#807;a&#771;o. E esperava que Ju&#769;lia me ajudasse nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiquei surpreso quando ela falou de sua frustrac&#807;a&#771;o e da dor que sentia como esposa de pastor. Dizia sentir que todos na igreja eram mais importantes do que ela, mas eu na&#771;o conseguia entender a profundidade de sua angu&#769;stia. Pensava que ela necessitava apenas resolver a questa&#771;o de seu aborrecimento e tristeza; por isso, minimizei seus sentimentos e me entreguei com ainda mais fervor a&#768; tarefa de edificar a igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco tempo depois do nascimento de nosso quarto filho, nossa filha me chamou no escrito&#769;rio da igreja: &ldquo;Papai, volte para casa. Mama&#771;e esta&#769; cai&#769;da no cha&#771;o; acho que esta&#769; morta!&rdquo; Suspirei e voltei para casa a fim de reanimar minha melodrama&#769;tica esposa. Eu estava convencido de que era um bom pastor e esposo. Afinal, dedicava um dia semanalmente a&#768; fami&#769;lia. Embora a igreja fosse minha obsessa&#771;o, pelo menos ficava em casa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando olho para tra&#769;s, percebo que eu valorizava a igreja e meus filhos, mas na&#771;o tinha ideia de como fazer o mesmo com Ju&#769;lia. E minha excessiva ocupac&#807;a&#771;o e arroga&#770;ncia na&#771;o me permitiam aprender.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Rumo ao desprezo <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Fiz um voto de na&#771;o me converter em uma esposa de pastor amargurada. Enta&#771;o, tratei de desenvolver uma vida a&#768; parte da igreja e dos sonhos que ti&#769;nhamos alimentado no passado. Se Matias na&#771;o estava disponi&#769;vel para mim nem a igreja mostrava interesse em aproveitar meus dons &ndash; eu pensava &ndash;, na&#771;o via por que devia passar a vida sozinha e triste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiz um curso na a&#769;rea de aconselhamento e me lancei a um ministe&#769;rio paralelo numa cli&#769;nica. Obrigava-me a assistir a&#768; igreja, mas, para mim, ela era a congregac&#807;a&#771;o de Matias. Eu havia organizado reunio&#771;es sociais e nos lares, estudos bi&#769;blicos, cultos de orac&#807;a&#771;o e semina&#769;rios; pore&#769;m, como tudo terminou em aparente fracasso, me senti vencida. A igreja e eu na&#771;o combina&#769;vamos. Ale&#769;m disso, a meu ver, Matias havia permitido que ela consumisse sua vida pessoal e nosso casamento. Ele na&#771;o soube estabelecer limites, animando as pessoas a invadir nossa vida pessoal quando bem entendessem. No seu dia livre, o corpo de Matias ficava em casa, mas a mente e o corac&#807;a&#771;o continuavam com a igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na igreja, havia uma pessoa que conhecia profundamente minhas lutas, uma mulher chamada Nancy, que se tornou nossa mediadora. A&#768;s vezes, ela ficava ate&#769; tarde da noite, ouvindo o relato de minha agonia. Partilhava a desilusa&#771;o sentida por Matias, me confrontava ternamente com meu erro, minha necessidade de entender a perspectiva de quem pertencia a&#768; congregac&#807;a&#771;o. Animava-me a perseverar na tarefa de tentar mudar gradualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matias partilhava seu desgosto para comigo. Nancy tambe&#769;m o confrontava com seu erro e o animava a investir mais em nosso casamento. Ela estava conduzindo um processo extraordina&#769;rio de aconselhamento, tentando reparar as brechas de nosso desprezo mu&#769;tuo. O esforc&#807;o dela permitiu que nossa fra&#769;gil unia&#771;o durasse um tempo mais, pore&#769;m, eu na&#771;o me via como pecadora na situac&#807;a&#771;o. Era conveniente culpar Matias por tudo; mas, parte de minha solida&#771;o e angu&#769;stia nada tinha que ver com ele nem com a congregac&#807;a&#771;o. As feridas de minha infa&#770;ncia impediam que eu confiasse nos outros. Tambe&#769;m me era difi&#769;cil aceitar as boas pessoas da igreja pelo que eram. Em vez disso, fechei meu corac&#807;a&#771;o, inclusive aos que tentavam me amar, ainda que fosse a&#768; maneira deles.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Eu sentia que estava realizando meus sonhos pastorais: sermo&#771;es transformadores, um grupo revitalizado de jovens, uma igreja em crescimento e lideranc&#807;a influente na comunidade. Mas, havia uma profunda ferida em meu corac&#807;a&#771;o. Precisava desesperadamente da afirmac&#807;a&#771;o do povo. A aprovac&#807;a&#771;o das pessoas era mais importante que a de minha esposa. Estava tirando &ldquo;dez&rdquo; no pastorado, pore&#769;m, &ldquo;zero&rdquo; no meu casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de curar essa ferida, o sucesso pastoral abriu-a mais ainda. Buscava aplausos da congregac&#807;a&#771;o, mas o aborrecimento de Ju&#769;lia tornou amargo o reconhecimento das pessoas. Quando algue&#769;m perguntava por ela, eu dava alguma desculpa; pois ela passava mais tempo na cli&#769;nica de aconselhamento. Somente Nancy conhecia nossa histo&#769;ria, pois eu me esforc&#807;ava para esconder os conflitos. A necessidade de esconde&#770;-los produziu em mim sentimentos de tristeza e ira. A ira me levava a buscar a forma de controlar Ju&#769;lia; e, quanto mais tentava, mais ela escapava de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocasionalmente, surgia alguma fai&#769;sca de amor entre as cinzas do desprezo. Numa noite de Natal, esta&#769;vamos sentados entre pape&#769;is e caixas de presentes. Felizes, as crianc&#807;as abriam os pacotes. Tomei-a pela ma&#771;o e confessei: &ldquo;Este ano foi muito difi&#769;cil. Voce&#770; na&#771;o sabe quanto lamento! Realmente, amo voce&#770;!&rdquo; Ju&#769;lia explodiu em pranto. Abrac&#807;amo-nos e choramos juntos. Foi um momento de ternura, que reacendeu nosso desejo de intimidade e companheirismo.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 19\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, na&#771;o se pode curar, num instante, um casamento quebrado; e eu na&#771;o sabia qua&#771;o profundamente Deus queria transformar minha pro&#769;pria vida. Na&#771;o conseguia compreender o corac&#807;a&#771;o ferido de Ju&#769;lia. Ela estava aborrecida comigo e com a igreja. Chegava tarde da cli&#769;nica, e acaba&#769;vamos discutindo. Eu voltava tarde das reunio&#771;es da igreja, e acaba&#769;vamos discutindo. Nossos sonhos haviam se transformado em desde&#769;m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Tratamento de choque <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>O pastorado na&#771;o era mau. Eu trabalhava menos que muitos colegas; passava mais tempo com nossos filhos, em comparac&#807;a&#771;o com a maioria dos pais da igreja. Que mais ela podia querer? Durante tre&#770;s anos, ela me dizia que se sentia sozinha, ferida, ignorada e desvalorizada. Eu ouvia, mas na&#771;o a entendia. Achava que esse era um problema dela, na&#771;o meu. Lentamente, a vi se afastando da igreja e de minha vida. Finalmente, no vera&#771;o de 1995, enquanto participa&#769;vamos de um retiro com os jovens, Ju&#769;lia me chamou para dar uma noti&#769;cia devastadora. Enquanto conversa&#769;vamos, percebi que ela ja&#769; na&#771;o estava aborrecida; sua voz era de indiferenc&#807;a. Disse-me, enta&#771;o: &ldquo;Ja&#769; na&#771;o sei se o amo. Estou confusa, porque acho que amo outra pessoa.&rdquo;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Eu na&#771;o tinha ideia de qua&#771;o profundamente me havia fundido em meu pro&#769;prio erro. Depois de quatro gestac&#807;o&#771;es, me sentia deformada e feia. A atenc&#807;a&#771;o que aquele homem me dedicava na cli&#769;nica me fazia sentir formosa e atraente. Em vez buscar encher o vazio de meu corac&#807;a&#771;o em Deus, comecei a gostar do interesse que ele me demonstrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na&#771;o chegamos a ter relacionamento fi&#769;sico, mas minhas emoc&#807;o&#771;es estavam completamente sufocadas nele. Sentia como se vivesse uma vida dupla: era esposa do pastor, ma&#771;e de quatro filhos e amante de um homem muito atraente. O poder sedutor dessa vida oculta comec&#807;ava a consumir minhas paixo&#771;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Eu tinha minhas suspeitas quanto a esse homem, mas sempre que perguntava, ela me assegurava que na&#771;o eram mais que colegas de trabalho. Finalmente, aquela que vivia longe de mim, dos filhos e da igreja conseguiu captar minha atenc&#807;a&#771;o. Durante os seis meses seguintes, entrei num tempo de arrependimento e tristeza. Percebi o que estava perdendo por causa de minha neglige&#770;ncia e correria ministerial. Arrependi-me de como havia tratado Ju&#769;lia. Sabia que precisava reconquistar seu afeto, assim como fiz durante o namoro e noivado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus expo&#770;s, com feroz e insistente miserico&#769;rdia, o erro em minha vida; minhas prioridades erradas, minha frieza para com Ju&#769;lia, meus i&#769;dolos arraigados. Sempre estivera disponi&#769;vel para a igreja, mas ausente da esposa. Durante cinco anos, havia utilizado as demandas do ministe&#769;rio para ignorar o corac&#807;a&#771;o da minha companheira de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tambe&#769;m comecei a entender que minha a&#770;nsia por sucesso no ministe&#769;rio tinha muita relac&#807;a&#771;o com meus conflitos; minha falta de intimidade, meu desejo de reconhecimento e conquista. Agora, desejava profundamente me aproximar de Deus e de minha esposa. Impulsionado pelo quebrantamento, desejava aprender a valorizar Ju&#769;lia.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Tempo de arrependimento <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Quando Matias comec&#807;ou a mudar, minha surpresa foi profunda. Em seu trabalho, pela primeira vez, ele comec&#807;ou a estabelecer limites e a se negar a algumas demandas do povo. Mais que isso, ele buscou meu corac&#807;a&#771;o. Em seu dia livre, realmente se desvinculava do trabalho. Ao sairmos de fe&#769;rias, deixava a igreja para tra&#769;s e centralizava-se em mim e em nossos filhos. Na&#771;o ligava para o escrito&#769;rio para saber como estavam as coisas, nem lia livros relacionados com o pastorado. Mesmo assim, eu ainda na&#771;o estava pronta para lhe entregar novamente meu corac&#807;a&#771;o. Sentia muito medo, e ainda continuava emocionalmente ligada ao colega de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No vera&#771;o de 1996, Matias foi transferido para uma igreja tre&#770;s vezes maior, a 120 km de onde esta&#769;vamos. Imaginei que os requerimentos do novo trabalho voltariam a devorar meu esposo e seus esforc&#807;os para voltar a me amar. Pore&#769;m, ele na&#771;o permitiu que isso acontecesse, mantendo-se fiel aos limites estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, minha aventura emocional veio a&#768; luz e o diretor do centro de aconselhamento me confrontou: &ldquo;Voce&#770;s dois ficam muito tempo juntos. Acaso, voce&#770; esta&#769; enamorada dele?&rdquo; Confessei que nutria sentimentos fortes por ele, mas na&#771;o havi&#769;amos tido relac&#807;o&#771;es. Fui comunicada que aquela era uma situac&#807;a&#771;o intolera&#769;vel na organizac&#807;a&#771;o e fui despedida. O colega tambe&#769;m foi despedido e na&#771;o mais tivemos contato.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 20\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando perdi meu trabalho, entrei num peri&#769;odo de arrependimento e dor. Apesar das minhas racionalizac&#807;o&#771;es, aquela relac&#807;a&#771;o na&#771;o era o modo correto de responder a&#768; infelicidade que eu experimentava no casamento. Era pecado! E fui descoberta. Senti-me exposta, envergonhada e cheia de remorso. Dilacerava-me saber que havia entristecido Matias e nossos filhos. E comecei a enfrentar algumas feridas que ainda tinha, desde a infa&#770;ncia, relacionadas com traic&#807;a&#771;o, abandono e solida&#771;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofri com a perda de amigos e de apoio, pois as pessoas do centro de aconselhamento tinham sido como fami&#769;lia para mim. Repentinamente, esses relacionamentos desapareceram. Entrei em depressa&#771;o, emagreci muito e fui trabalhar como garc&#807;onete. Entretanto, Matias jamais me virou as costas. Perdi tudo o que considerava importante &ndash; meu trabalho, sucesso e fantasia emocional &ndash; e comecei a recuperar tudo o que Deus valorizava.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Reconstruc&#807;a&#771;o <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Quando Ju&#769;lia perdeu o emprego e eu percebi qua&#771;o profundos eram seus sentimentos pela outra pessoa, nosso casamento comec&#807;ou a mudar, apesar da profunda dor que eu sentia. Era como ouvir um me&#769;dico dizer depois de uma cirurgia de ca&#770;ncer: &ldquo;Acho que pudemos salvar em tempo&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ju&#769;lia me disse que o relacionamento com o outro homem havia terminado, tudo tinha sido um engano, e ela estava comprometida a reconstruir nosso casamento. De minha parte, eu estava decidido a na&#771;o permitir a volta das condic&#807;o&#771;es que a tinham levado a buscar afeto em outro homem.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esse tempo, tambe&#769;m comec&#807;amos o projeto de construir nossa casa pro&#769;pria. Juntos, escolhemos o terreno, fizemos a planta com todos os detalhes. Durante os cinco meses da construc&#807;a&#771;o, sempre comenta&#769;vamos que a casa se parecia com nosso casamento. Inicialmente, a u&#769;nica coisa que vi&#769;amos era o terreno vazio; pore&#769;m, lentamente se transformou na bela casa que compartilha&#769;vamos juntos. Fomos inundados pelo desejo e esperanc&#807;a de um futuro melhor do que o caminho que havi&#769;amos trilhado ate&#769; enta&#771;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Quatro anos depois de reconstruir a confianc&#807;a e estabelecer novos padro&#771;es para nosso relacionamento, Matias aceitou ser o pastor de uma grande igreja em outro estado. Embora, eu soubesse que aquela era a vontade de Deus, na&#771;o pude evitar o sentimento de temor: &ldquo;Que acontecera&#769; se ele voltar a ser como antes?&rdquo; Os fantasmas do passado, que eu imaginava derrotados, comec&#807;aram a me atemorizar novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo se tornou em ira que, com freque&#770;ncia, era dirigida a Matias. Pequenos incidentes detonavam reac&#807;o&#771;es iradas e isso fustigava meu esposo. Sabia que necessitava de aconselhamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Durante o tempo de transic&#807;a&#771;o, um sa&#769;bio conselheiro nos ajudou. Por exemplo, uma noite quando tivemos que pousar num hotel, Ju&#769;lia me pediu que fosse a&#768; recepc&#807;a&#771;o buscar mais uma toalha e um sabonete. Quando voltei com a toalha, mas sem o sabonete, ela explodiu. Posteriormente, falei ao conselheiro sobre o que me pareceu ser um esca&#770;ndalo ridi&#769;culo por causa de um sabonete. Ele me respondeu: &ldquo;A ira dela na&#771;o tem que ver com o sabonete. Ela sente medo da mudanc&#807;a. Aborrece-se porque teme que voce&#770; na&#771;o a escute, nem a considere. Ela e&#769; o sabonete. Ira&#769; voce&#770; deixa&#769;-la por causa de outras coisas?&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas intervenc&#807;o&#771;es sa&#769;bias nos ajudaram no preparo para a mudanc&#807;a. Deixamos de focalizar os detalhes e comec&#807;amos a ouvir o que cada um estava dizendo. Procurei melhorar minha capacidade para ouvir o corac&#807;a&#771;o dela.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(20.000000%, 40.000000%, 50.000000%);\">Grac&#807;a para o futuro <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Em 2001, assumimos uma nova igreja. Nossa filha esta&#769; na Universidade e temos tre&#770;s adolescentes em casa. Ju&#769;lia e eu estamos unidos no trabalho do Senhor. Que privile&#769;gio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Ju&#769;lia<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Na&#771;o tem sido fa&#769;cil. Mudar a fami&#769;lia e acostuma&#769;-la a uma nova cultura, em certos momentos, foi muito doloroso. Poucos meses depois de nossa mudanc&#807;a, dois avio&#771;es se estatelaram nas torres ge&#770;meas, apenas a 80 km de nossa igreja. A angu&#769;stia provocada pela perda de alguns amigos durou muitos meses. No ano passado, foi diagnosticado ca&#770;ncer em minha tireoide. Embora seja um tipo de ca&#770;ncer facilmente trata&#769;vel, foi muito difi&#769;cil receber a noti&#769;cia. A pressa&#771;o que sinto por tantas situac&#807;o&#771;es complicadas, ocasionalmente me perturba e esgota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de tudo, em meio a&#768;s necessidades dos nossos filhos, sesso&#771;es de quimioterapia e dezenas de novas pessoas na igreja, Matias tem sido fiel em me acompanhar. A igreja tem me rodeado com amor. Durante a fase mais intensa do tratamento, os irma&#771;os providenciavam nossas refeic&#807;o&#771;es dia&#769;rias. Alguns desses irma&#771;os, agora, sa&#771;o meus companheiros de ministe&#769;rio. No ano passado, fui a&#768; comissa&#771;o, falei sobre alguns projetos e pedi orac&#807;o&#771;es. Todos os membros se mostraram muito carinhosos. De fato, tenho encontrado verdadeiros amigos na igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; font-style: italic;\">Matias<\/span><span style=\"font-weight: bold;\">: <\/span>Sou agradecido a Deus pelas Suas muitas miserico&#769;rdias para conosco. Nossa peregrinac&#807;a&#771;o ate&#769; aqui foi muito dolorosa. Algumas vezes, ambos tivemos que ser confrontados com nossos erros e fraquezas. Pore&#769;m, das cinzas de nossa vida, Deus reconstruiu nosso casamento e colocou nosso ministe&#769;rio no rumo certo. A partir do caos, a abundante grac&#807;a de Deus permitiu o ressurgimento da felicidade entre no&#769;s.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando ti&#769;nhamos 18 meses de casados, nasceu nosso primeiro filho. Um me&#770;s depois, ingressamos no semina&#769;rio, a fim de nos prepararmos para o ministe&#769;rio. Pore&#769;m, depois de dez anos, nossos sonhos pastorais tinham se convertido em pesadelos conjugais. Aconselha&#769;vamos outros casais, enquanto nossa pro&#769;pria relac&#807;a&#771;o estava partida. 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