{"id":1593,"date":"2015-08-27T05:26:26","date_gmt":"2015-08-27T05:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1593"},"modified":"2015-08-20T12:28:33","modified_gmt":"2015-08-20T12:28:33","slug":"a-familia-entre-cinco-revoluc%cc%a7o%cc%83es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/a-familia-entre-cinco-revoluc%cc%a7o%cc%83es\/","title":{"rendered":"A fami\u0301lia entre cinco revoluc\u0327o\u0303es"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><h3 style=\"text-align: justify;\"><em>Para que tenhamos uma sociedade honesta e justa, precisamos demais pessoas que trabalhem efetivamente pela reconstruc&#807;a&#771;o do nu&#769;cleo familiar<\/em><\/h3>\n<div class=\"page\" title=\"Page 26\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A histo&#769;ria das civilizac&#807;o&#771;es e da cultura revela que comunidades compostas por fami&#769;lias bem estruturadas tendem a prosperar, ao passo que a desintegrac&#807;a&#771;o do nu&#769;cleo familiar pode gerar o colapso do sistema social de convive&#770;ncia. Mas, as mudanc&#807;as na estrutura social acabam afetando tambe&#769;m a vida familiar.<\/p>\n<p>Nos u&#769;ltimos duzentos anos, va&#769;rias correntes ideolo&#769;gicas e comportamentais deixaram suas marcas sobre a estrutura social da civilizac&#807;a&#771;o ocidental. As revoluc&#807;o&#771;es industrial, feminista, sexual, tecnolo&#769;gica e ciberne&#769;tica transformaram radicalmente o estilo de vida da sociedade em que vivemos. Isso nos leva a indagar: Em que sentido tais transformac&#807;o&#771;es acabaram alterando tambe&#769;m a configurac&#807;a&#771;o da fami&#769;lia em sua estrutura social? Que alterac&#807;o&#771;es na fami&#769;lia esta&#771;o ameac&#807;ando a existe&#770;ncia da sociedade contempora&#770;nea?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: #576614;\">Revoluc&#807;a&#771;o industrial <\/span><\/p>\n<p>Nas comunidades agropecua&#769;rias e artesanais da era pre&#769;-industrial, os membros da fami&#769;lia em geral trabalhavam e se divertiam juntos. Era na fami&#769;lia que as novas gerac&#807;o&#771;es aprendiam valores culturais e habilidades profissionais. O convi&#769;vio entre pais e filhos tendia a unir a fami&#769;lia atrave&#769;s de fortes lac&#807;os afetivos. Mesmo ainda na&#771;o dispondo das comodidades da vida moderna, o senso de pertencer a uma fami&#769;lia bem estruturada gerava em seus componentes a seguranc&#807;a necessa&#769;ria para enfrentar os desafios da vida comunita&#769;ria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A transformac&#807;a&#771;o de sociedades pre&#769;-industriais em industriais foi um processo que iniciou no fim do se&#769;culo 18, na Inglaterra, e que logo se espalhou pela Franc&#807;a, Alemanha e outros pai&#769;ses ocidentais. O impacto desse processo acabou dividindo o mundo em pai&#769;ses ricos (industrializados) e pai&#769;ses pobres (na&#771;o industrializados). Entre os dois extremos oscilam os pai&#769;ses emergentes, que comec&#807;aram a se industrializar mais tarde, em grande parte, com a implantac&#807;a&#771;o de indu&#769;strias multinacionais origina&#769;rias dos pai&#769;ses ricos.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 27\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O processo de industrializac&#807;a&#771;o do trabalho gerou mudanc&#807;as na vida social e familiar. Proprieta&#769;rios e administradores dos monopo&#769;lios industriais e comerciais da e&#769;poca conseguiam dar a&#768;s suas fami&#769;lias maior comodidade, conforto e projec&#807;a&#771;o social. Ja&#769; a classe trabalhadora era muitas vezes explorada por longas jornadas de trabalho e pagamento quase insignificante pelos servic&#807;os prestados. Essa classe tinha dificuldades para sustentar uma fami&#769;lia composta de va&#769;rios filhos, especialmente se estes ainda na&#771;o tivessem idade para trabalhar. Lutas trabalhistas aumentaram, mais tarde, os direitos dos empregados, dando-lhes melhores condic&#807;o&#771;es de vida e maior poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Nas comunidades pre&#769;-industriais, os membros da fami&#769;lia partilhavam do trabalho, em atividades agropecua&#769;rias ou mesmo artesanais. Mas, a revoluc&#807;a&#771;o industrial tirou do lar a figura do &ldquo;chefe de fami&#769;lia&rdquo;, e tambe&#769;m gerou separac&#807;a&#771;o entre o sistema familiar de vida e o sistema industrial de trabalho. Com a desapropriac&#807;a&#771;o das terras e a formac&#807;a&#771;o de grandes monopo&#769;lios industriais, muitas fami&#769;lias se mudaram para a cidade, onde pais e filhos pudessem trabalhar para conseguir o sustento.<\/p>\n<p>Trabalhando entre doze e catorze horas por dia, e morando distante da indu&#769;stria, os membros da fami&#769;lia quase na&#771;o dispunham de tempo para estar juntos. Tal convi&#769;vio era prejudicado ainda mais quando o pai era convocado para a guerra, e nela morria. Nesse caso, o sustento da fami&#769;lia ficava por conta da ma&#771;e e dos filhos. Crianc&#807;as o&#769;rfa&#771;s ou filhos de fami&#769;lias pobres eram obrigados a trabalhar em servic&#807;os insalubres e perigosos, como nas minas de carva&#771;o ou nas pro&#769;prias fa&#769;bricas.<\/p>\n<p>Se a sociedade industrial e de consumo facilitou a aquisic&#807;a&#771;o de recursos e de bens, ela tambe&#769;m passou a valorizar mais a produtividade industrial coletiva do que o desenvolvimento pessoal do ser humano. Sob o novo paradigma industrial de trabalho, pais e filhos muito se distanciaram do convi&#769;vio dome&#769;stico.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: #576614;\">Revoluc&#807;a&#771;o feminista <\/span><\/p>\n<p>A fami&#769;lia comec&#807;ou a assumir nova configurac&#807;a&#771;o tambe&#769;m sob o impacto da revoluc&#807;a&#771;o feminista. Embora as mulheres formassem geralmente a metade da populac&#807;a&#771;o (e em alguns casos ate&#769; mais) das diferentes regio&#771;es do mundo, ate&#769; o se&#769;culo 18, elas eram discriminadas pela sociedade, e sua voz nem sempre era ouvida na comunidade. Consideradas inferiores aos homens, na&#771;o tinham direito ao voto nem acesso a&#768; educac&#807;a&#771;o superior.<\/p>\n<p>Ainda no fim do se&#769;culo 18, mulheres francesas comec&#807;aram a lutar em favor do cuidado de pessoas desprotegidas na sociedade da e&#769;poca. Nos Estados Unidos, um dos mais importantes marcos no ini&#769;cio do movimento feminista foi a primeira convenc&#807;a&#771;o sobre os &ldquo;direitos da mulher&rdquo; realizada em Seneca Falls, Nova York, em agosto de 1848. Nessa e&#769;poca, mulheres ativistas americanas lutavam contra os problemas sociais da escravatura e da intemperanc&#807;a. Para elas, a abstine&#770;ncia de bebidas alcoo&#769;licas ajudaria os maridos a poupar o dinheiro gasto com bebida e tambe&#769;m a ser menos violentos em casa. Sem muito espac&#807;o para suas reformas, elas passaram a buscar, posteriormente, maior influe&#770;ncia social atrave&#769;s do direito ao ensino superior e ao voto poli&#769;tico.<\/p>\n<p>Entre as de&#769;cadas de 30 e 40, o movimento feminista americano lutava pela igualdade salarial em relac&#807;a&#771;o aos homens. Com a publicac&#807;a&#771;o da obra de Betty Friedan, intitulada <span style=\"font-style: italic;\">The Feminine Mystique <\/span>(1963), o movimento assumiu uma conscie&#770;ncia psicolo&#769;gica autenticamente feminista, mas logo comec&#807;ou a advogar uma postura antago&#770;nica a&#768; vida matrimonial. Cansadas de suportar maus tratos ou neglige&#770;ncia do esposo machista, rude, omisso e preguic&#807;oso, muitas mulheres passaram a ver o divo&#769;rcio como a melhor soluc&#807;a&#771;o para os problemas matrimoniais. Considerando o casamento monoga&#770;mico uma forma de escravida&#771;o para a mulher, militantes mais radicais do movimento chegaram a se declarar publicamente anti-homem, antifami&#769;lia e pro&#769;-lesbianismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A revoluc&#807;a&#771;o feminista contribuiu para diminuir a explorac&#807;a&#771;o da mulher e para que ela tivesse os mesmos direitos profissionais e sociais do homem. Ingressando no mercado de trabalho, a mulher tem ajudado a equilibrar o orc&#807;amento familiar, especialmente nos casos de desemprego do marido. Com sua sensibilidade, atuando na vida pu&#769;blica, ela tem contribui&#769;do para tornar o mundo mais humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a revoluc&#807;a&#771;o feminista, em seu modo mais radical, acabou tambe&#769;m inibindo o interesse pela maternidade em muitas mulheres. Mesmo entre as que ainda aceitavam a maternidade, a func&#807;a&#771;o da ma&#771;e dentro do lar se restringiu quase que somente a&#768; gestac&#807;a&#771;o, sem muito interesse pela educac&#807;a&#771;o pessoal dos filhos nos primeiros anos da infa&#770;ncia. Se a revoluc&#807;a&#771;o industrial afastou o pai, a revoluc&#807;a&#771;o feminista afastou a ma&#771;e do convi&#769;vio familiar. Com isso, os filhos foram confiados aos cuidados de baba&#769;s, outros familiares, ou creche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: #576614;\">Revoluc&#807;a&#771;o sexual <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma terceira corrente que se demonstrou a mais erosiva para a fami&#769;lia, foi a revoluc&#807;a&#771;o sexual. No ini&#769;cio do se&#769;culo 20, filosofias humanistas comec&#807;avam a encarar os valores morais da abstine&#770;ncia sexual fora do casamento como meros &ldquo;tabus&rdquo; religiosos que deviam ser abandonados para que o ser humano pudesse atingir sua plena liberdade psicossocial. Com uma postura cada vez mais existencialista, muitas pessoas passaram a viver sob a premissa de que ningue&#769;m tem o direito de legislar como os indivi&#769;duos devem satisfazer seus impulsos sexuais. O &ldquo;amor&rdquo; comec&#807;ou a ser visto como na&#771;o mais necessitando do compromisso social imposto por uma certida&#771;o de casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No prefa&#769;cio da obra de James R. Petersen, intitulada <span style=\"font-style: italic;\">The Century of Sex,<\/span>[1] Hugh M. Heffner identifica &ldquo;tre&#770;s fatores vitais&rdquo; que contribui&#769;ram para o despertamento sexual americano no ini&#769;cio do se&#769;culo 20. Ao se mudarem das a&#769;reas rurais para as cidades, as pessoas de moralidade<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 28\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>mais ri&#769;gida foram &ldquo;libertadas&rdquo; pelo processo de urbanizac&#807;a&#771;o. Segundo, novas formas de transporte permitiram que as pessoas se &ldquo;aventurassem&rdquo; em lugares mais distantes de seus ci&#769;rculos sociais. Terceiro, o surgimento da comunicac&#807;a&#771;o de massa fez com que os sonhos sexuais se tornassem &ldquo;visi&#769;veis&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas o processo de liberalizac&#807;a&#771;o do comportamento sexual atingiu seu cli&#769;max com a contracultura das de&#769;cadas de 60 e 70. Revoltados com a cultura da e&#769;poca, especialmente com a Guerra do Vietna&#771;, muitos jovens americanos aderiram ao lema: &ldquo;Fac&#807;a amor, na&#771;o guerra&rdquo;. Deixando a fami&#769;lia, muitos deles passavam a viver em afastadas colo&#770;nias de <span style=\"font-style: italic;\">hippies<\/span>, encontrando no sexo, nas drogas e na mu&#769;sica <span style=\"font-style: italic;\">rock&rsquo;n roll <\/span>o ambiente propi&#769;cio para extravasar suas paixo&#771;es carnais.<\/p>\n<p>Por essa mesma e&#769;poca surgiram, nos Estados Unidos e em alguns pai&#769;ses europeus, movimentos em favor dos direitos dos homossexuais. Na de&#769;cada de 90, cada vez mais pessoas admitiam publicamente que mantinham relac&#807;o&#771;es homossexuais. Diante da crescente onda de infidelidade matrimonial e do sexo sem restric&#807;o&#771;es, estudos comprometidos com a psicologia evolucionista pretendem justificar, com base nas caracteri&#769;sticas gene&#769;ticas e nas constituic&#807;o&#771;es hormonais de cada indivi&#769;duo, a tende&#770;ncia ou na&#771;o ao liberalismo sexual.[2] Assim, o ser humano acaba na&#771;o mais sendo considerado responsa&#769;vel pelo seu desenfreado comportamento sexual.<\/p>\n<p>A revoluc&#807;a&#771;o sexual contribuiu para desmitificar o velho erro teolo&#769;gico de que sexo e&#769; pecado, mesmo dentro do casamento, se na&#771;o for para mera procriac&#807;a&#771;o. Ajudou a criar a nova conscie&#770;ncia de que a mulher na&#771;o e&#769; apenas objeto de prazer sexual para o homem. Ale&#769;m disso, os contraceptivos desenvolvidos a partir de 1960, quando a pi&#769;lula comec&#807;ou a ser comercializada nos Estados Unidos, ajudaram a reduzir o nu&#769;mero de filhos por fami&#769;lia e a deter a explosa&#771;o demogra&#769;fica.<\/p>\n<p>Mas, essa revoluc&#807;a&#771;o tambe&#769;m trouxe consigo se&#769;rios problemas sociais.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Sem o amparo socioecono&#770;mico provido por um casamento legal, um nu&#769;mero crescente de &ldquo;ma&#771;es solteiras&rdquo; recorria aos pro&#769;prios pais em busca de ajuda, para elas e para as crianc&#807;as que geravam. Muitos desses pais, que ja&#769; haviam criado a pro&#769;pria fami&#769;lia, foram obrigados a reassumir as func&#807;o&#771;es paterna e materna, em uma idade agora bem mais avanc&#807;ada, e sem o devido planejamento para isso.<\/p>\n<p>Pore&#769;m, muitas ma&#771;es solteiras na&#771;o possui&#769;am pais nem familiares dispostos a ampara&#769;-las. Diante disso, o governo do respectivo pai&#769;s foi obrigado a buscar soluc&#807;o&#771;es efetivas para o problema. Recursos da verba pu&#769;blica foram injetados em servic&#807;os me&#769;dicos, creches e ate&#769; em programas de assiste&#770;ncia a &ldquo;fami&#769;lias monoparentais&rdquo; (onde um ou mais filhos vivem so&#769; com a ma&#771;e ou so&#769; com o pai). Ao mesmo tempo em que os meios de comunicac&#807;a&#771;o de massa estimulam o sexo extraconjugal, programas governamentais visam a educar as novas gerac&#807;o&#771;es, na&#771;o tanto a&#768; abstine&#770;ncia sexual antes do casamento, como a&#768; pra&#769;tica &ldquo;segura&rdquo; do sexo, sem riscos de gravidez ou de contaminac&#807;a&#771;o com doenc&#807;as sexualmente transmissi&#769;veis.<\/p>\n<p>Se as revoluc&#807;o&#771;es industrial e feminista distanciaram os membros da fami&#769;lia, a revoluc&#807;a&#771;o sexual contribuiu para que muitas fami&#769;lias rui&#769;ssem, principalmente nos pai&#769;ses desenvolvidos, popularizando o conceito de que casamento monoga&#770;mico na&#771;o passa de um velho e ultrapassado tabu. A busca desenfreada de satisfac&#807;a&#771;o sexual, sem qualquer preocupac&#807;a&#771;o com valores morais e implicac&#807;o&#771;es sociais, tem limitado a liberdade e o direito de escolha das novas gerac&#807;o&#771;es. Os adeptos da revoluc&#807;a&#771;o sexual optaram por buscar para si mesmos a liberdade de na&#771;o se casarem, ignorando o direito dos seus filhos de nascerem em uma fami&#769;lia bem estruturada.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: #576614;\">Revoluc&#807;a&#771;o tecnolo&#769;gica <\/span><\/p>\n<p>A revoluc&#807;a&#771;o tecnolo&#769;gica exerceu grande impacto sobre a vida em fami&#769;lia. A invenc&#807;a&#771;o e o aperfeic&#807;oamento das ma&#769;quinas fotogra&#769;ficas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">e filmadoras permitem registrar e perpetuar momentos significativos da fami&#769;lia. O desenvolvimento de modernos equipamentos me&#769;dico-ciru&#769;rgicos tem contribui&#769;do para solucionar muitos problemas de sau&#769;de. Modernos meios de transporte te&#770;m permitido que as fami&#769;lias viajem com mais freque&#770;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, uma das maiores contribuic&#807;o&#771;es tecnolo&#769;gicas de todos os tempos foi o desenvolvimento da indu&#769;stria de pla&#769;sticos, especialmente a partir do ini&#769;cio do se&#769;culo 20. Com o tempo, muitos utensi&#769;lios dome&#769;sticos passaram a ser produzidos em pla&#769;stico, a um custo bem mais baixo do que o de similares feitos em metal. Embora a durabilidade dos pla&#769;sticos fosse, geralmente, menor do que a dos metais, muitas fami&#769;lias com menor poder aquisitivo foram beneficiadas por esses produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popularizac&#807;a&#771;o dos produtos de pla&#769;stico ou papel reflete a ideologia mais profunda do transito&#769;rio e do descarta&#769;vel, caracteri&#769;stica de uma sociedade que enfatiza mais o &ldquo;ter&rdquo; do que o &ldquo;ser&rdquo;. Na nova sociedade de consumo, produtos como fraldas, mamadeiras, coadores de cafe&#769;, passaram a ser usados uma so&#769; vez e, depois, jogados no lixo. A durabilidade de la&#770;minas de barbear, pec&#807;as de eletrodome&#769;sticos e automo&#769;veis diminuiu muito, incentivando a substituic&#807;a&#771;o perio&#769;dica, de forma a alimentar um complexo industrial-comercial paralelo de reposic&#807;a&#771;o de pec&#807;as. Cursos de economia e de produc&#807;a&#771;o industrial passaram a enfatizar a &ldquo;obsolesce&#770;ncia planejada&rdquo;, de modo a induzir pessoas a comprar novos modelos dos mesmos produtos que haviam adquirido anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na era do transito&#769;rio e do descarta&#769;vel, o desejo de ter o &ldquo;novo&rdquo; acabou levando o ser humano a romper com tudo aquilo que se considerava de natureza permanente, incluindo a fami&#769;lia. As novas gerac&#807;o&#771;es te&#770;m-se tornado cada vez mais descomprometidas em seu relacionamento com as coisas materiais e tambe&#769;m com os seres humanos. Fami&#769;lias ricas, principalmente nos Estados Unidos, preferem que os idosos pais fiquem em um asilo, do que com elas. Espera-se tambe&#769;m que os filhos, ao atingirem a adolesce&#770;ncia, deixem o lar, mesmo que ainda na&#771;o estejam casados. Em lugar de compromisso se&#769;rio com namoro ou noivado, muitos jovens preferem o prazer descomprometido do &ldquo;ficar&rdquo; (namoro que pode durar apenas um encontro).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 29\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Como se isso na&#771;o bastasse, a ideologia existencialista do transito&#769;rio e do descarta&#769;vel acabou estimulando tambe&#769;m a chamada &ldquo;cultura do divo&#769;rcio&rdquo;. Barbara D. Whitehead declara que &ldquo;o divo&#769;rcio e&#769; hoje parte da vida dia&#769;ria americana. Ele se encontra infiltrado em nossas leis e instituic&#807;o&#771;es, em nossas maneiras e costumes, em nossos filmes e shows de televisa&#771;o, em nossos romances e livros de histo&#769;rias infantis, e em nossos relacionamentos mais i&#769;ntimos e importantes&rdquo;.[3]<\/p>\n<p>Terezinha Fe&#769;res Carneiro esclarece que &ldquo;o casamento deixou de ser uma func&#807;a&#771;o social para se tornar uma fonte de gratificac&#807;a&#771;o pessoal&rdquo;.[4] Como resultado, muitos casais que na&#771;o conseguem resolver seus problemas de relacionamento optam por desfazer a fami&#769;lia atrave&#769;s de um divo&#769;rcio que lhes permita escolher um &ldquo;novo&rdquo; co&#770;njuge. Embora alguns autores existencialistas ignorem grande parte dos efeitos negativos do divo&#769;rcio sobre a fami&#769;lia, estudos revelam que o divo&#769;rcio dos pais, em muitos casos, acaba gerando nos filhos instabilidade psicossocial, baixa autoestima, inseguranc&#807;a quanto ao futuro, e outros problemas.<\/p>\n<p>A revoluc&#807;a&#771;o tecnolo&#769;gica tambe&#769;m alterou os efeitos da revoluc&#807;a&#771;o industrial sobre a fami&#769;lia. Se a revoluc&#807;a&#771;o industrial fez com que os pais deixassem de trabalhar em casa para servir na indu&#769;stria, a revoluc&#807;a&#771;o tecnolo&#769;gica, com sua e&#770;nfase na substituic&#807;a&#771;o do homem pela ma&#769;quina, acabou &ldquo;devolvendo&rdquo; a&#768;s fami&#769;lias muitos pais desempregados. Na tentativa de remediar a situac&#807;a&#771;o, muitos conseguiram ser reabsorvidos em outros empregos, e alguns, pelo menos, acabaram estabelecendo pequenas empresas familiares que lembram, em certo sentido, o trabalho em fami&#769;lia da era pre&#769;-industrial. Na&#771;o sa&#771;o poucos os casos em que pais desempregados, e sem formac&#807;a&#771;o educacional para ingressar em outros setores do mercado de trabalho, acabam perdendo a pro&#769;pria fami&#769;lia diante de uma inevita&#769;vel crise financeira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: #576614;\">Revoluc&#807;a&#771;o ciberne&#769;tica <\/span><\/p>\n<p>Outro fator que alterou o relacionamento familiar, especialmente das classes me&#769;dia e alta, foi a revoluc&#807;a&#771;o ciberne&#769;tica, ou seja, o desenvolvimento dos meios de comunicac&#807;a&#771;o nas u&#769;ltimas de&#769;cadas, marcado pelo surgimento, nos anos 60, de computadores ligados em rede com propo&#769;sitos militares. Os quarte&#769;is americanos controlavam, via rede, informac&#807;o&#771;es secretas que eram enviadas em pacotes a va&#769;rios terminais, e se juntavam em um terminal especi&#769;fico. Se os russos interceptassem algum pacote de informac&#807;o&#771;es, os outros podiam ser salvos.<\/p>\n<p>Na de&#769;cada de 80, surgiram algumas redes acade&#770;micas de computac&#807;a&#771;o nos Estados Unidos. No ini&#769;cio da de&#769;cada de 90, a internet surgiu como instrumento de comunicac&#807;a&#771;o mundial. A estrutura de divulgac&#807;a&#771;o de informac&#807;o&#771;es, controladas ate&#769; enta&#771;o apenas por grandes empresas, tornou-se acessi&#769;vel principalmente a&#768;s classes me&#769;dia e alta. Um mundo fanta&#769;stico de informac&#807;o&#771;es, as mais diversas, algo sem precedente na histo&#769;ria humana, esta&#769; hoje disponi&#769;vel a&#768;queles que te&#770;m acesso ao &ldquo;www&rdquo; (World Wide Web).<\/p>\n<p>A revoluc&#807;a&#771;o ciberne&#769;tica tambe&#769;m afetou a fami&#769;lia. No aspecto positivo, ela facilitou a comunicac&#807;a&#771;o entre os membros da fami&#769;lia, quando distantes, a um custo bem inferior ao de uma chamada telefo&#770;nica internacional ou a&#768; longa dista&#770;ncia. Contribuiu tambe&#769;m para que os membros de muitas fami&#769;lias trabalhem e estudem em casa, atrave&#769;s de diferentes redes de computac&#807;a&#771;o, sem necessidade de se deslocarem com tanta freque&#770;ncia como antes. Isso gerou na fami&#769;lia maior senso de &ldquo;convive&#770;ncia virtual&rdquo;. Pore&#769;m, a internet acabou despersonalizando, em certo sentido, o relacionamento familiar. A&#768;s vezes, mais tempo e&#769; dedicado a&#768; explorac&#807;a&#771;o de <span style=\"font-style: italic;\">sites<\/span>, recebimento e envio de <span style=\"font-style: italic;\">e-mails<\/span>, do que ao dia&#769;logo com familiares. Pais ocupados sa&#771;o tambe&#769;m tentados a pedir que os filhos naveguem na internet, em lugar de gastar tempo com eles. Ate&#769; casamentos virtuais te&#770;m sido realizados atrave&#769;s de videoconfere&#770;ncias. Ale&#769;m disso, o relacionamento sexual de muitos casais e os instintos sexuais de muitos filhos te&#770;m sido desvirtuados pelo envolvimento com o chamado &ldquo;cibersexo&rdquo; ou &ldquo;sexo virtual&rdquo;. No anonimato do &ldquo;ciberespac&#807;o&rdquo; da internet, o indivi&#769;duo escolhe como satisfazer seus instintos sexuais, com menos riscos e implicac&#807;o&#771;es sociais do que se envolvendo com um parceiro fora do casamento. Mas o sexo virtual acaba despersonalizando o impulso sexual do indivi&#769;duo e tambe&#769;m &ldquo;minimizando&rdquo;, em muitos casos, a mu&#769;tua atrac&#807;a&#771;o sexual dos co&#770;njuges.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">As cinco revoluc&#807;o&#771;es aqui consideradas desencadearam correntes ideolo&#769;gicas e comportamentais que te&#770;m corroi&#769;do, em grande parte, a base familiar da sociedade contempora&#770;nea. Para construirmos uma sociedade honesta e justa, e&#769; preciso resolver, antes, os problemas de relacionamento familiar, minimizando, tanto quanto possi&#769;vel, os efeitos negativos dessas revoluc&#807;o&#771;es sobre a fami&#769;lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo precisa hoje de mais fami&#769;lias bem estruturadas, que sirvam de modelos a ser imitados pelas novas gerac&#807;o&#771;es. Precisa tambe&#769;m de mais pessoas que trabalhem pela reconstruc&#807;a&#771;o do nu&#769;cleo familiar. Afinal, a sociedade so&#769; podera&#769; ser restaurada genuinamente, restaurando-se, primeiro, a pro&#769;pria fami&#769;lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-style: italic;\">Refere&#770;ncia:<br>\n<\/span>1 James R. Petersen, <span style=\"font-style: italic;\">The Century of Sex: Playboy&rsquo;s&nbsp;<\/span><span style=\"font-style: italic;\">History of the Sexual Revolution <\/span>(Nova York: Grove Press, 1999).<br>\n2 &nbsp;Robert Wright, <span style=\"font-style: italic;\">Time<\/span>, 15\/078\/1994, p. 26, 34.<br>\n3 &nbsp;Barbara D. Whitehead, <span style=\"font-style: italic;\">The Divorce Culture&nbsp;<\/span>(Nova York: Alfred A. Knopf, 1997), p. 3.<br>\n4 &nbsp;.Thai&#769;s Oyama e Lizia Bydlowski, <span style=\"font-style: italic;\">Veja<\/span>, 22\/03\/200, p. 120, 125.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que tenhamos uma sociedade honesta e justa, precisamos demais pessoas que trabalhem efetivamente pela reconstruc&#807;a&#771;o do nu&#769;cleo familiar A histo&#769;ria das civilizac&#807;o&#771;es e da cultura revela que comunidades compostas por fami&#769;lias bem estruturadas tendem a prosperar, ao passo que a desintegrac&#807;a&#771;o do nu&#769;cleo familiar pode gerar o colapso do sistema social de convive&#770;ncia. 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