{"id":1658,"date":"2015-09-14T05:27:06","date_gmt":"2015-09-14T05:27:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1658"},"modified":"2015-09-09T17:29:10","modified_gmt":"2015-09-09T17:29:10","slug":"a-visa%cc%83o-do-crucificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/a-visa%cc%83o-do-crucificado\/","title":{"rendered":"A visa\u0303o do crucificado"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><div class=\"page\" title=\"Page 17\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo especialistas em arte renascentista, a tela a o&#769;leo de Caravaggio, pintada em 1601 e&#769; uma das mais impressivas entre todas as que procuram retratar o momento da conversa&#771;o de Paulo na estrada de Damasco. Ela esta&#769; exposta na igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma. Na tela, que mede 2,30 m x 1,75 m, Paulo, ou Saulo, que era seu nome de nascimento, e&#769; uma figura alquebrada, enfraquecida pelo brilho divino, erguendo os brac&#807;os para cima, enquanto seus olhos, cegados pela intensa luz, sa&#771;o incapazes de apreender toda a dramaticidade do momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imponente cavalo domina a cena, mas ele e&#769; indiferente a&#768; luz que derrubou aquele que nele montava. O idoso cavalaric&#807;o permanece fiel ao seu dever, segurando o animal, mas a cabec&#807;a inclinada e o cenho franzido sugerem temor e espanto diante de algo aparentemente milagroso, mas incompreensi&#769;vel. Ele pode ver Saulo estendido no cha&#771;o e o animal movendo as patas, nada mais. Cavalo e cavalaric&#807;o sa&#771;o apenas coadjuvantes no episo&#769;dio do milagre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Momento drama&#769;tico <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saulo, cuja gravidade e mundo foram virados de cabec&#807;a para baixo, jaz inerte no cha&#771;o, fisicamente cego pela luz, pore&#769;m voltado para o ce&#769;u; brac&#807;os levantados, ma&#771;os espalmadas esperando ajuda, suplicando por respostas. Era a imagem da derrota e da incapacidade. Era um homem em crise enfrentando aquele que foi o momento mais cri&#769;tico de toda a sua vida.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 18\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Saulo era o que havia de melhor no judai&#769;smo daquela e&#769;poca. Aluno de destaque na escola rabi&#769;nica de Tarso, onde nascera, foi conduzido a Jerusale&#769;m, com cerca de quinze anos, para estudar com o maior mestre fariseu de seus dias, o rabino Gamaliel (At 22:3). Ali, ele foi instrui&#769;do em todos os conhecimentos e deveres da lei judaica, tornando-se zeloso na pra&#769;tica de sua religia&#771;o. Como ele mesmo disse em sua carta aos ga&#769;latas, &ldquo;sendo extremamente zeloso das tradic&#807;o&#771;es&rdquo; (Gl 1:14).<\/p>\n<p>Segundo Ellen G. White, os rabinos o consideravam &ldquo;jovem altamente promissor, e grandes esperanc&#807;as eram acariciadas com respeito a ele como capaz e zeloso defensor da antiga fe&#769;&rdquo; (<span style=\"font-style: italic;\">Atos dos Apo&#769;stolos<\/span>, p. 112). E, por causa do papel desempenhado no apedrejamento de Esteva&#771;o, acabou sendo eleito membro do Sine&#769;drio, a suprema corte religiosa em Israel (<span style=\"font-style: italic;\">Ibid<\/span>.). Ela tambe&#769;m o descreve como sendo corajoso, independente e perseverante. De mente lo&#769;gica, era capaz de arrazoar com clareza extraordina&#769;ria. Seus talentos e preparo eram tais que ele podia servir quase que em qualquer atividade humana (<span style=\"font-style: italic;\">Ibid<\/span>., p. 124).<\/p>\n<p>Foi assim que ele partiu para Damasco, a fim de capturar aqueles a quem considerava hereges: os seguidores de um tal Jesus de Nazare&#769;. Tinha aproximadamente 24 anos; ta&#771;o novo, mas ja&#769; investido de poder para cumprir uma missa&#771;o de grande responsabilidade.<\/p>\n<p>Mas, agora, ali esta&#769; ele: alquebrado e impotente, sendo golpeado outra vez, quando uma estranha voz lhe fala em li&#769;ngua hebraica: &ldquo;Saulo, Saulo, por que Me persegues?&rdquo; Em desespero de alma, Saulo lanc&#807;a ao ar uma pergunta, desejando que sua suspeita na&#771;o fosse verdade: &ldquo;Quem e&#769;s Tu, Senhor?&rdquo; Com horror e indizi&#769;vel angu&#769;stia, ele ouve a resposta: &ldquo;Eu sou Jesus, a quem tu persegues&rdquo; (At 9:4, 5).<\/p>\n<p>Ningue&#769;m ao redor podia imaginar que naquele momento Deus estava mais uma vez intervindo na histo&#769;ria humana. Saulo, pore&#769;m, na&#771;o apenas o sabia, como tambe&#769;m na&#771;o tinha nenhuma du&#769;vida sobre a identidade dAquele que lhe respondera: era o mesmo Jesus cuja causa uma vez ele tinha rejeitado e, agora, perseguia com o&#769;dio fana&#769;tico e impiedoso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A voz ainda acrescenta: &ldquo;Dura coisa e&#769; recalcitrares contra os aguilho&#771;es&rdquo; (At 26:14). Aguiha&#771;o e&#769; uma ponta de ferro afiada na extremidade de uma vara usada para cutucar bois, guiando-os ou estimulando-os ao trabalho. A frase era, na verdade, um prove&#769;rbio usado entre os gregos para indicar resiste&#770;ncia inu&#769;til como a do boi que, lutando contra o aguilha&#771;o, somente consegue se ferir ainda mais. A forma pela qual Jesus lhe dirigiu essas palavras na&#771;o deixa du&#769;vida de que Saulo ja&#769; havia sido exposto a&#768; mensagem do evangelho, tendo-a rechac&#807;ado. Isso deve ter acontecido no episo&#769;dio de Esteva&#771;o, em cujo julgamento ele aparece pela primeira vez no relato bi&#769;blico.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Lembranc&#807;as decisivas <\/span><\/p>\n<p>O livro de Atos indica com relativa clareza que Saulo foi um dos que se opuseram a Esteva&#771;o e tramaram sua morte. Para ele, o Jesus de Esteva&#771;o na&#771;o havia sido sena&#771;o um farsante e apo&#769;stata, algue&#769;m cujos ensinos contrariavam a pro&#769;pria esse&#770;ncia da religia&#771;o judaica. Seus seguidores precisavam ser destrui&#769;dos; e Sua memo&#769;ria, totalmente apagada da Terra.<\/p>\n<p>A morte violenta de Esteva&#771;o foi para Saulo um aparente triunfo, mas, diz Ellen White, ele &ldquo;na&#771;o po&#770;de apagar de sua memo&#769;ria a fe&#769; e consta&#770;ncia do ma&#769;rtir e a glo&#769;ria que lhe resplandeceu no rosto&rdquo; (<span style=\"font-style: italic;\">Ibid<\/span>., p. 101). E&#769; nesse sentido que ele recalcitrava contra os aguilho&#771;es. Inutilmente, procurava apagar aquelas lembranc&#807;as, mas isso apenas o incomodava e o feria ainda mais. Agora, pore&#769;m, na&#771;o havia mais como resistir. O pro&#769;prio Jesus em pessoa lhe aparecera e a imagem do rosto do Salvador foi forte demais para ser esquecida. Por isso, ficaria para sempre gravada em sua mente. &ldquo;No Ser glorioso que estava diante dele, viu o Crucificado&rdquo; (<span style=\"font-style: italic;\">Ibid<\/span>., p. 115). Uma inundac&#807;a&#771;o de luz invadiu-lhe os mais entenebrecidos recessos do espi&#769;rito, e sua vida nunca mais seria a mesma. Aqueles foram momentos drama&#769;ticos. De repente, tudo o que Saulo era ou julgava ser, se desmoronara. Seu orgulho farisaico, suas mais profundas convicc&#807;o&#771;es religiosas, seus sonhos e ambic&#807;o&#771;es, tudo rui&#769;ra. Ele mesmo caiu por terra, indefeso, incapaz, diante dos olhares estarrecidos daqueles que o acompanhavam. Mas, ao se levantar, embora ainda cego, fraco e confuso, ja&#769; na&#771;o era mais o mesmo. &ldquo;Naquela hora, de iluminac&#807;a&#771;o celeste, o espi&#769;rito de Saulo agiu<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">com nota&#769;vel rapidez&rdquo; (<span style=\"font-style: italic;\">Ibid<\/span>.). Naqueles poucos minutos em que esteve atirado ao solo, as profecias messia&#770;nicas, as mesmas que Esteva&#771;o costumava citar, lhe vieram a&#768; mente e ele po&#770;de compreende&#770;-las. Compreendeu que Jesus era o Messias prometido e como Sua rejeic&#807;a&#771;o e crucifixa&#771;o tinham sido claramente preditas pelos profetas. Lembrou-se do serma&#771;o de Esteva&#771;o diante do sine&#769;drio, da visa&#771;o e das palavras proferidas pelo ma&#769;rtir. Aquilo que os li&#769;deres judeus afirmavam na&#771;o passar de blasfe&#770;mia, agora, Saulo sabia ser a mais pura verdade. Ele tambe&#769;m se lembrou, com indizi&#769;vel terror, da forma brutal como Esteva&#771;o perdera a vida, do sofrimento e aflic&#807;a&#771;o que ele mesmo havia causado a va&#769;rios outros fie&#769;is que, por amor a Cristo, depuseram a vida com coragem e dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Novo rumo <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tre&#770;s dias se passariam ate&#769; que Saulo recebesse a visita de Ananias, recobrasse a visa&#771;o e fosse batizado. Dez anos se passariam ate&#769; sua primeira viagem missiona&#769;ria. Seu ministe&#769;rio se estenderia por mais de trinta anos; mas, naquele momento, ele ja&#769; na&#771;o mais era o mesmo. Jamais perderia de vista a experie&#770;ncia e a visa&#771;o da estrada de Damasco. A visa&#771;o de Jesus estaria sempre diante de seus olhos e isso lhe seria bem mais que uma simples lembranc&#807;a do passado: seria um poder que lhe traria renovado sentido a&#768; vida, que lhe permitiria reorganizar conceitos e valores pessoais e que o levaria a trabalhar pelo Mestre, ate&#769; morrer.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 19\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O zelo missiona&#769;rio que demonstraria seria bem maior que o de qualquer outro apo&#769;stolo: &ldquo;trabalhei muito mais do que todos eles&rdquo;, declarou (1Co 15:10). Teria coragem para enfrentar toda e qualquer oposic&#807;a&#771;o. Levaria o evangelho aos pontos mais longi&#769;nquos do Impe&#769;rio Romano &ndash; &ldquo;de Jerusale&#769;m ao Ili&#769;rico&rdquo; (Rm 15:19) &ndash; sem jamais vacilar, sem recuar. Deixaria tudo, sofreria praticamente todos os infortu&#769;nios e revezes possi&#769;veis a um mortal. Dez anos antes de completar seu ministe&#769;rio, Paulo ja&#769; contabilizava: Cinco quarentenas de ac&#807;oites, tre&#770;s surras com vara, um apedrejamento, tre&#770;s naufra&#769;gios, uma noite e um dia na voragem do mar e inconta&#769;veis perigos nos rios, nas cidades e nos desertos; perigos entre judeus, entre gentios e falsos irma&#771;os; perigos em trabalhos e fadiga, em fome e sede, frio e nudez (2Co 11:24-27).<\/p>\n<p>Finalmente, morreria violentamente como ma&#769;rtir nas ma&#771;os de um imperador demente e sanguina&#769;rio. Em nenhum momento, pore&#769;m, o apo&#769;stolo se deixou abalar. Jamais permitiu que sofrimento, decepc&#807;a&#771;o, ou mesmo a perspectiva da morte, apagasse de sua memo&#769;ria a visa&#771;o de sublime e gloriosa de Jesus e o chamado que lhe foi feito.<\/p>\n<p>Wilber Alexander afirmou que &ldquo;nenhuma genui&#769;na experie&#770;ncia crista&#771; comec&#807;a sem que, de algum modo, em algum lugar, algue&#769;m tenha uma visa&#771;o de Cristo&rdquo;. Parafraseando-o, eu diria que &ldquo;nenhuma genui&#769;na vocac&#807;a&#771;o ministerial comec&#807;a sem que, de algum modo, em algum lugar, algue&#769;m tenha uma visa&#771;o de Cristo&rdquo;. E&#769; a visa&#771;o que ocasiona o chamado. E&#769; o chamado que valida o ministe&#769;rio. Visa&#771;o e chamado sa&#771;o insepara&#769;veis. Foi assim com Moise&#769;s, junto a&#768; sarc&#807;a ardente; com Jaco&#769;, no vale de Jaboque; com Josue&#769;, junto ao Jorda&#771;o; com Isai&#769;as, no templo, e com muitos outros. E quanto a no&#769;s?<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Mudanc&#807;a de conceitos <\/span><\/p>\n<p>A visa&#771;o de Paulo na estrada de Damasco marcou indelevelmente pelo menos tre&#770;s aspectos fundamentais de sua vida. Primeiro, sua religia&#771;o. Como bom fariseu, ele pautava sua vida e religia&#771;o pela lei de Deus. Na&#771;o somente procurava obedecer rigorosamente a todos os mandamentos, como tambe&#769;m acreditava que, ao assim fazer, alcanc&#807;ava me&#769;ritos diante de Deus. Ele mesmo se disse irrepreensi&#769;vel &ldquo;no tocante a&#768; justic&#807;a que ha&#769; na lei&rdquo; (Fp 3:6).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Nada havia de errado com o cumprimento da lei, visto que ela foi dada justamente para ser cumprida. O problema e&#769; que, como a maioria dos judeus da e&#769;poca, o Paulo pre&#769;-Damasco procurava viver pela justic&#807;a que ha&#769; na lei, esperando assim conquistar o favor divino. Ele na&#771;o conseguia entender que a lei na&#771;o foi dada com essa finalidade, que na&#771;o ha&#769; vida nem justic&#807;a na lei que possa expiar pecados ou nos colocar numa posic&#807;a&#771;o correta diante de Deus. Era como se um ve&#769;u estivesse posto sobre seu corac&#807;a&#771;o (2Co 3:15). Mas, a visa&#771;o de Cristo transformou sua vida e sua religia&#771;o. Tudo o que antes ele valorizava, todas as coisas das quais se orgulhava e pelas quais vivia passaram a ser consideradas sem valor.<\/p>\n<p>A visa&#771;o da estrada de Damasco em nada diminuiu o interesse de Paulo para com a lei, muito menos sua disposic&#807;a&#771;o em obedecer aos mandamentos e fazer a vontade de Deus. Aquela visa&#771;o apenas o levou a fazer de Cristo o centro de sua religia&#771;o e de sua vida. Ele disse: &ldquo;Para mim, o viver e&#769; Cristo, e o morrer e&#769; lucro&rdquo; (Fp 1:21).<\/p>\n<p>Nossa experie&#770;ncia tem que ser marcada pela visa&#771;o de Cristo e Sua grac&#807;a. Ao falarmos sobre Cristo, ao apresenta&#769;-Lo ao povo, precisamos faze&#770;-lo com a autoridade de quem O conhece pessoal e intimamente. Talvez, o maior desafio do pastor seja viver a religia&#771;o. Ter genui&#769;na experie&#770;ncia de fe&#769; com Deus e com Cristo, seu Salvador, consiste no mais importante requisito para o pastor.<\/p>\n<p>Por causa de nossos talentos, habilidades ou realizac&#807;o&#771;es pessoais, na&#771;o e&#769; difi&#769;cil acharmos que somos bons, superiores aos outros ou que merecemos alguma coisa. Oportunidades para isso na&#771;o faltam na forma de aplausos, elogios ou ate&#769; &ldquo;promoc&#807;o&#771;es&rdquo;. Mas, a experie&#770;ncia de Paulo deve ser constante lembranc&#807;a de que nossas supostas credenciais e&#769;tnicas, religiosas ou profissionais nada significam diante da sublimidade de Cristo. Somente a visa&#771;o da estrada de Damasco podera&#769; fazer com que tenhamos uma visa&#771;o clara de no&#769;s mesmos, daquilo que somos ou realizamos. A contemplac&#807;a&#771;o de Cristo nos leva a olhar para no&#769;s mesmos, para a pobreza, pequenez, insuficie&#770;ncia e indignidade que nos caracterizam. Diante da sublimidade de Cristo, mesmo nosso melhor e&#769; nada, e em nada contribuira&#769; para melhorar nossa posic&#807;a&#771;o diante de Deus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que o mundo ou o ministe&#769;rio possam nos oferecer e&#769; superficial ou passageiro. O que realmente tem valor e perdura e&#769; nossa relac&#807;a&#771;o com Cristo. Uma relac&#807;a&#771;o de fe&#769;, forte o bastante para que nunca deixemos de enxergar a face de Cristo. Fe&#769; que nos leve a internalizar a visa&#771;o dEle de tal modo que Sua imagem se reflita nas ca&#770;maras mais profundas de nosso corac&#807;a&#771;o. Fe&#769; pela qual a imagem de Cristo ofusque nosso eu, para que Ele possa viver em no&#769;s. Enta&#771;o poderemos dizer: &ldquo;Estou crucificado com Cristo; logo, ja&#769; na&#771;o sou em quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fe&#769; no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim&rdquo; (Gl 2:20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Novo comprometimento <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A visa&#771;o de Cristo afetou o senso de missa&#771;o de Paulo. Antes de Damasco, ele era um <span style=\"font-style: italic;\">shaliah<\/span>, apo&#769;stolo do judai&#769;smo, levando terror e destruic&#807;a&#771;o a&#768;queles a quem considerava inimigos da fe&#769; judaica. Depois, um apo&#769;stolo de Jesus, levando perda&#771;o e salvac&#807;a&#771;o aos pecadores. Assim que se recuperou do impacto da visa&#771;o e foi batizado por Ananias, ele comec&#807;ou a pregar &ldquo;sem detenc&#807;a&rdquo;, sem consultar carne nem sangue (Gl 1:16). Tamanho era seu senso de missa&#771;o, que ele se considerava em de&#769;bito para com todos, por causa do evangelho (Rm 1:14, 15).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 20\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Paulo na&#771;o escolhia audie&#770;ncia. Gregos ou ba&#769;rbaros, sa&#769;bios ou ignorantes, todos precisavam ouvir a mensagem de Jesus e Sua grac&#807;a. Ele se sentia devedor para com todos. Uma visa&#771;o de Cristo, semelhante a&#768; de Paulo, deve afetar nosso senso de missa&#771;o. Na&#771;o devemos querer outra coisa, sena&#771;o falar de Jesus, leva&#769;-Lo a outros. O ministe&#769;rio na&#771;o consiste apenas em fazer se&#769;ries de confere&#770;ncias e dar estudos bi&#769;blicos. Ha&#769; outras atividades importantes, que na&#771;o podem ser negligenciadas. Mas, o cumprimento da missa&#771;o evange&#769;lica sempre deve ser o substrato, a mola propulsora e objetivo supremo do nosso trabalho.<\/p>\n<p>E&#769; tudo uma questa&#771;o de prioridade; pois, a igreja na&#771;o existe sena&#771;o com o propo&#769;sito de proclamar as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para Sua luz (1Pe 2:9). Por isso, nosso interesse maior deve ser pregar a tempo e fora de tempo, quer seja oportuno quer na&#771;o, quer tenhamos resultados imediatos ou na&#771;o. &ldquo;Porque na&#771;o me enviou Cristo para batizar&rdquo;, disse Paulo, &ldquo;mas para pregar o evangelho; na&#771;o com sabedoria de palavras, para que se na&#771;o anule a cruz de Cristo&rdquo; (1Co 1:17). Em maior ou menor nu&#769;mero, os batismos vira&#771;o, mas sempre como be&#770;nc&#807;a&#771;os do Espi&#769;rito, e na&#771;o pelas realizac&#807;o&#771;es humanas; pois e&#769; o Espi&#769;rito quem convence &ldquo;o mundo do pecado, da justic&#807;a e do jui&#769;zo&rdquo; (Jo 16:8). Nosso dever e&#769; pregar.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Pregac&#807;a&#771;o cristoce&#770;ntrica <\/span><\/p>\n<p>Na estrada de Damasco, Cristo Se tornou o novo centro tambe&#769;m da pregac&#807;a&#771;o de Paulo (Gl 3:1). Ele fundou as igrejas da Gala&#769;cia, em sua segunda viagem missiona&#769;ria, e sua pregac&#807;a&#771;o ali estava em completa harmonia com a religia&#771;o que ele mesmo passara a professar, ou seja, pregou a Cristo e este crucificado. Mas, foi com espanto que ele soube que os crentes ali deixados estavam abandonando Cristo e migrando para uma vida centrada na lei e nos me&#769;ritos humanos (Gl 1:6-9; 3:1-5). Onde quer que pregasse, suas mensagens eram cristoce&#770;ntricas. Para Paulo, pregar o evangelho era proclamar Jesus Cristo sempre em relac&#807;a&#771;o a&#768; Sua obra redentora. Tudo o mais girava em torno da verdade central de que &ldquo;Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores&rdquo; (1Tm 1:15).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Salvar do pecado, e ao mesmo tempo &ldquo;nos ensinando para que, renegadas as paixo&#771;es e impiedades vivamos, no presente se&#769;culo, sensata, justa e piedosamente&rdquo;(Tt 2:11, 12). Essa era a mensagem que Paulo pregava, quer fosse oportuno, quer na&#771;o. Nem o tempo nem as dificuldades fizeram com que ele mudasse a abordagem. Assim, o tema de cada serma&#771;o que apresentamos deve ser Cristo, como Aquele que salva o ser humano do pecado e o coloca numa relac&#807;a&#771;o correta com Deus.<\/p>\n<p>Ha&#769; sempre o risco de perdermos de vista o antes e o depois do evangelho. Ou seja, o verdadeiro problema para o qual o evangelho e&#769; a soluc&#807;a&#771;o e as implicac&#807;o&#771;es dessa soluc&#807;a&#771;o. Do que exatamente Jesus nos salva? Por que precisamos desse evangelho? Quando diminui&#769;mos a e&#770;nfase na realidade do pecado, o resultado inevita&#769;vel e&#769; um cristianismo sentimental.<\/p>\n<p>O problema do perfeccionismo que tem ressurgido e feito estragos em muitas igrejas talvez na&#771;o seja sena&#771;o heranc&#807;a do evangelho emocional que comec&#807;ou a ser pregado em nosso meio poucas de&#769;cadas atra&#769;s. Para fugir do legalismo, fomos para o extremo de um evangelho relacional, um Cristo que era a soluc&#807;a&#771;o para todos os traumas existenciais e psicolo&#769;gicos do ser humano &ndash; tudo, menos Salvador do pecado. A sub-e&#770;nfase no problema do pecado acabou distorcendo nossa pregac&#807;a&#771;o, fazendo com que ela perdesse a espinha dorsal da tri&#769;plice mensagem ange&#769;lica que sempre a caracterizou. Em esse&#770;ncia, o evangelho que era pregado em muitos de nossos pu&#769;lpitos em pouco ou nada diferenciava do de outros grupos crista&#771;os. Como resultado, muitos ouviam nossas pregac&#807;o&#771;es e se uniam a outras igrejas. Semea&#769;vamos e outros colhiam. Acho bem possi&#769;vel que foi esse evangelho descontextualizado do pecado e de pouca ou nenhuma implicac&#807;a&#771;o e&#769;tica e doutrina&#769;ria que acabou trazendo de volta, como reac&#807;a&#771;o contra&#769;ria, a e&#770;nfase legalista numa vida perfeita aqui e agora, e na necessidade de tal perfeic&#807;a&#771;o para alcanc&#807;armos o Ce&#769;u. Em outras palavras, um abismo atrai outro abismo (Sl 42:7). Ou, como disse Jesus, um demo&#770;nio nunca vem sozinho (Lc 11:26).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(50.000000%, 25.000000%, 15.000000%);\">Mensagem transformadora <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo jamais pregou a cruz sem falar, antes, no pecado que impregna o corac&#807;a&#771;o humano. Ele na&#771;o pregava a Cristo sem apresenta&#769;-Lo como a justic&#807;a salvi&#769;fica de Deus. Embora Cristo sempre fosse o perfeito modelo a ser seguido, ele nunca afirmou que seria possi&#769;vel alcanc&#807;ar a perfeic&#807;a&#771;o nesta vida. Nos anos finais de seu ministe&#769;rio, pouco antes de sua morte, ele escreveu: &ldquo;Quanto a mim, na&#771;o julgo have&#770;-lo alcanc&#807;ado; mas uma coisa fac&#807;o: esquecendo-me das coisas que para tra&#769;s ficam e avanc&#807;ando para as que esta&#771;o diante de mim, prossigo para o alvo, para o pre&#770;mio da soberana vocac&#807;a&#771;o de Deus em Cristo Jesus&rdquo; (Fp 3:13, 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos pregar a Cristo, como Aquele que salva do pecado, que nos coloca no caminho da santificac&#807;a&#771;o e que, em Sua segunda vinda, nos transformara&#769; para finalmente sermos como Ele e&#769;. Para isso, e&#769; necessa&#769;rio que no&#769;s O conhec&#807;amos pessoalmente, intimamente. Que tenhamos uma visa&#771;o dEle como a que Paulo teve na estrada de Damasco. Uma visa&#771;o parcial, embac&#807;ada ou ofuscada por interesses pessoais e temporais, por comodismo, neglige&#770;ncia ou falta de fe&#769;, nada adiantara&#769;. Se na&#771;o tivermos essa visa&#771;o, nossos mais diligentes esforc&#807;os esta&#771;o destinados ao mais estrondoso fracasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tivermos a visa&#771;o do Crucificado e formos fie&#769;is a&#768; nossa nobre vocac&#807;a&#771;o, a igreja podera&#769; esperar grandes coisas de no&#769;s. Deus operara&#769; grandes coisas por no&#769;s.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo especialistas em arte renascentista, a tela a o&#769;leo de Caravaggio, pintada em 1601 e&#769; uma das mais impressivas entre todas as que procuram retratar o momento da conversa&#771;o de Paulo na estrada de Damasco. Ela esta&#769; exposta na igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma. 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