{"id":1841,"date":"2015-11-26T05:32:23","date_gmt":"2015-11-26T05:32:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1841"},"modified":"2015-11-22T20:45:50","modified_gmt":"2015-11-22T20:45:50","slug":"a-cruz-e-o-santuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/a-cruz-e-o-santuario\/","title":{"rendered":"A cruz e o santua\u0301rio"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><div class=\"page\" title=\"Page 10\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><em>Por que precisamos das duas coisas?<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro Right With God Right Now, Desmond Ford argumenta que a expiac&#807;a&#771;o foi completada na cruz e que na&#771;o ha&#769; necessidade de ac&#807;o&#771;es subsequentes no santua&#769;rio celestial, pois a salvac&#807;a&#771;o e&#769; plenamente experimentada pelo crente. Usando como base Romanos 3:21-26, ele enfatiza que Deus na&#771;o poderia ter perdoado o pecado enquanto sua penalidade na&#771;o estivesse paga, de modo que a cruz foi necessa&#769;ria para habilita&#769;-Lo a perdoar. Na&#771;o e&#769; que Deus seja controlado por leis fora dEle mesmo, Ford argumenta. Absolutamente na&#771;o! Deus e&#769; controlado pelo que Ele e&#769;, significando que Sua lei e&#769; nada mais que a expressa&#771;o exterior do Seu pro&#769;prio cara&#769;ter. Portanto, a cruz foi necessa&#769;ria, Ford conclui, e sobre ela, Aquele contra quem o ser humano pecou pagou a penalidade, a fim de que o pecador pudesse ser perdoado e salvo.[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A&nbsp;despeito das muitas dificuldades que Romanos 3:21-26 envolve, a interpretac&#807;a&#771;o de Ford dessa passagem na&#771;o apresenta grandes problemas. Pore&#769;m, acaso seria possi&#769;vel concluir, a partir dela, que a cruz foi o lugar em que a expiac&#807;a&#771;o se completou e que a cruz e&#769; tudo o que Deus necessita para a nossa salvac&#807;a&#771;o? E&#769; o ministe&#769;rio de Jesus no santua&#769;rio celestial, conforme defendido pela teologia adventista do se&#769;timo dia, uma contradic&#807;a&#771;o ao que Ele realizou no Calva&#769;rio, ou algo que rouba do crente a seguranc&#807;a da salvac&#807;a&#771;o aqui e agora?[2]<\/p>\n<div class=\"page\" style=\"text-align: justify;\" title=\"Page 11\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><strong>Considerac&#807;o&#771;es preliminares<\/strong><\/p>\n<p>Por causa da maneira pela qual Romanos 3:21-26 resume o conceito de Paulo sobre a justificac&#807;a&#771;o pela fe&#769;, esses versos te&#770;m sido descritos como &rdquo;o centro e o corac&#807;a&#771;o&rdquo; da epi&#769;stola aos Romanos.[3] A passagem aparece depois de uma longa sec&#807;a&#771;o na qual o apo&#769;stolo deixa absolutamente claro que toda a humanidade, tanto judeus como gentios, foi afetada pelo pecado e, por isso, e&#769; culpada diante de Deus (Rm 1:18&ndash;3:20). Pore&#769;m, ha&#769; boas noti&#769;cias: A justic&#807;a salvadora de Deus foi extraordinariamente revelada na morte expiato&#769;ria de Jesus Cristo, como a u&#769;nica resposta possi&#769;vel para o drama humano causado pelo pecado (v. 21-26). Pore&#769;m, tal resposta e&#769; efetiva unicamente para aqueles que creem (v. 22). A fe&#769; na&#771;o e&#769; a condic&#807;a&#771;o para a justificac&#807;a&#771;o, mas e&#769; o instrumento por meio do qual o pecador recebe a&nbsp;justificac&#807;a&#771;o.[4] Toda jacta&#770;ncia, portanto, e&#769; exclui&#769;da (v. 27). A fe&#769; estabelece a incapacidade &ndash; na&#771;o a nulidade &ndash; da lei (v. 31); consequentemente, da autoconfianc&#807;a humana em qualquer tipo de realizac&#807;a&#771;o moral (v. 28, 29).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 11\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Ao falar a respeito da morte de Jesus &ndash; &ldquo;Seu sangue&rdquo; (v. 25) sendo uma clara refere&#770;ncia a ela &ndash; Paulo utilizou duas meta&#769;foras para explicar sobre qual base Deus justifica o pecador. A objec&#807;a&#771;o impli&#769;cita parece o&#769;bvia: Como pode um Deus justo justificar o ser humano injusto sem comprometer Sua justic&#807;a? A resposta vem, primeiramente, sob a meta&#769;fora de redenc&#807;a&#771;o (<em>apolytro&#769;sis<\/em>; v. 24), que era aplicada a escravos comprados no mercado para que fossem postos em liberdade. Quando isso acontecia, dizia-se que eles haviam sido redimidos (Lv 25:47-55). A mesma meta&#769;fora tambe&#769;m e&#769; usada no Antigo Testamento, com relac&#807;a&#771;o ao povo de Israel que havia sido redimido tanto do cativeiro egi&#769;pcio quanto do cativeiro babilo&#770;nico (Dt 7:8; Is 43:1). Semelhantemente, aqueles que estiveram escravizados pelo pecado e completamente incapazes de se libertar a si mesmos foram redimidos por Deus, ou comprados do cativeiro, por meio do sangue de Jesus, que foi derramado como prec&#807;o pelo resgate (Mc 10:45; 1Pe 1:18, 19; Ap 5:9).<\/p>\n<p>A segunda meta&#769;fora e&#769; propiciac&#807;a&#771;o ou expiac&#807;a&#771;o (<em>hilaste&#769;rion<\/em>; Rm 3:25), tomada do contexto litu&#769;rgico &ndash; mais precisamente, sacrifi&#769;cio. Propiciac&#807;a&#771;o ou expiac&#807;a&#771;o aponta para o sacrifi&#769;cio substitutivo da morte de Jesus no&nbsp;sentido de que Ele voluntariamente experimentou na cruz toda a intensidade da ira de Deus contra o pecado (Rm 1:18; 5:9; 1Ts 1:10).5 Assim, Ele fez a reconciliac&#807;a&#771;o entre o pecador e Deus. A morte e&#769; o sala&#769;rio do pecado (Rm 6:23; cf Ez 18:20). Assim como, segundo o Antigo Testamento, o animal sacrificado tomava o lugar do pecador e morria em seu lugar (Lv 17:10; cf Gn 22:13), tambe&#769;m a morte de Jesus foi o perfeito sacrifi&#769;cio antiti&#769;pico que liberta da maldic&#807;a&#771;o da lei aqueles que creem (Gl 3:10, 11, 13; cf 2Co 5:14, 15; Hb 2:9) e os reconcilia com Deus. Havia diversos sacrifi&#769;cios na vida religiosa de Israel, e todos eles tiveram seu cumprimento no sacrifi&#769;cio de Jesus, feito uma vez por todas (He 9:12,26-28; 10:12), &ldquo;o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo&rdquo; (Jo 1:29; cf Is 53:5, 6).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" style=\"text-align: justify;\" title=\"Page 11\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Justic&#807;a de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez, a questa&#771;o mais controversa em nossa passagem seja entender se a justic&#807;a de Deus, ou &ldquo;Sua justic&#807;a&rdquo; (v. 25, 26) tem o mesmo significado nos versos 21 e 22. A interpretac&#807;a&#771;o tradicional, que aparentemente se encaixa melhor no contexto, e&#769; que, naqueles versos, <em>dikaiosyne&#769; autou<\/em> se refere a um atributo de Deus, significando que Deus e&#769; justo, enquanto nos versos 25 e 26 ela deve ser entendida como um dom de Deus, a justic&#807;a que Ele atribui a&#768;queles que creem.[6] Sendo assim, os versos 25 e 26 diferem dos versos 21 e 22 no sentido de que Paulo na&#771;o esta&#769; falando sobre o que Deus fez para justificar o pecador, mas a respeito do que Ele fez para justificar, ou vindicar, a Si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, o que Paulo faz aqui e&#769; apresentar um argumento racional para a necessidade da morte de Jesus. E&#769; por isso que ele usa o termo forense <em>endeixis<\/em> (&ldquo;prova&rdquo;, &ldquo;demonstrac&#807;a&#771;o&rdquo;) duas vezes nesse contexto (v. 25, 26), ao passo que no verso 21 ele usa a forma passiva do verbo <em>phaneroo&#769;<\/em> (&ldquo;revelar&rdquo;, &ldquo;tornar conhecido&rdquo;). Esses dois termos na&#771;o sa&#771;o equivalentes. Enquanto <em>phaneroo&#769;&nbsp;<\/em>enfatiza o que e&#769; revelado, isto e&#769;, o pro&#769;prio sujeito do verbo, logo a voz passiva &ndash; exatamente como no caso de <em>apokalypto&#769;<\/em> em 1:17 &ndash; <em>endeixis<\/em> sempre aponta a alguma coisa diferente (cf 2Co 8:24), tentando estabelecer sua validade ou compelindo sua aceitac&#807;a&#771;o como verdade.[7]<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 12\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Portanto, a ideia e&#769; que Deus enviou Jesus Cristo como <em>hilaste&#769;rion<\/em> [propiciac&#807;a&#771;o] &ldquo;no presente&rdquo; (v. 26, o tempo da morte histo&#769;rica de Jesus, com a finalidade de provar Sua justic&#807;a porque, em Sua &ldquo;tolera&#770;ncia&rdquo; (<em>anoche&#769;<\/em>), Ele &ldquo;passou por alto&rdquo; (<em>paresis<\/em>) os pecados anteriormente cometidos (v. 25).[8] De acordo com Paulo, ao fazer isso, Deus criou um problema legal para Si mesmo, pois um Deus justo na&#771;o pode simplesmente &ldquo;inocentar o culpado&rdquo; (E&#770;x 34:7; cf Dt 25:1). Se Ele assim o faz, pode ser acusado de ser conivente com o mal, o que e&#769; a negac&#807;a&#771;o de Sua pro&#769;pria natureza.[9] Mas, como foi exatamente que Deus passou por alto os pecados anteriores?<\/p>\n<p>De acordo com a interpretac&#807;a&#771;o tradicional, que remonta a Anselmo de Canterbury no se&#769;culo onze, Deus na&#771;o passou por alto os pecados, ao na&#771;o puni-los.[10] Mas, aparentemente ha&#769; um problema aqui, pois como pode a cruz provar a justic&#807;a de Deus em relac&#807;a&#771;o aos pecados anteriormente cometidos e na&#771;o punidos? A menos que Paulo esteja se referindo a&#768;quelas pessoas que foram justificadas por Deus, o argumento na&#771;o faz sentido. Pore&#769;m, temos apenas que nos lembrar do seguinte: (1) Os pecados na&#771;o sa&#771;o punidos hoje, mais do que o eram antes; (2) todos os pecadores dos tempos do Antigo Testamento, mais cedo ou mais tarde, deixaram de existir; o que de certa forma poderia significar que eles na verdade foram punidos. (3) Nos tempos do Antigo Testamento, Deus nem sempre deixou impunes os pecados, como o pro&#769;prio Paulo afirmou (Rm 1:24-32; cf 5:12-14; 6:3; 7:13; 1Co 10:5, 8, 10).<\/p>\n<p>Portanto, o apo&#769;stolo parece ter em mente os pecadores arrependidos que foram justificados por Deus antes da cruz. A evide&#770;ncia para isso,&nbsp;ale&#769;m de <em>endeixis<\/em>, e&#769; a ligac&#807;a&#771;o da justic&#807;a de Deus com Seu direito de justificar (v. 26). Enta&#771;o, a ideia na&#771;o e&#769; simplesmente que Deus reteve a punic&#807;a&#771;o dos pecados quando Ele deveria te&#770;-la imposto, mas que Ele passou por alto tais pecados, ao justificar, sem respaldo legal por assim dizer (cf Hb 10:4), aqueles que os cometeram.[11] Por exemplo, esse foi o caso de Abraa&#771;o e Davi (cf Rm 4:1-8). Ao perdoar pecados em um tempo em que o sangue propiciato&#769;rio ainda na&#771;o havia sido derramado (ver Hb 9:15), Deus colocou Seu pro&#769;prio cara&#769;ter em jogo, suscitando se&#769;rias du&#769;vidas a respeito de Sua suposta justic&#807;a (Sl 9:8; Is 5:16).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 12\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Assim, se a intenc&#807;a&#771;o de Deus ao apresentar Jesus Cristo como <em>hilaste&#769;rion<\/em> foi demonstrar Sua justic&#807;a, de modo que &ldquo;no tempo presente&rdquo; Ele possa ser &ldquo;justo e justificador&rdquo; daqueles que creem em Jesus (Rm 3:26), isso parece implicar que nos tempos anteriores Ele teria sido somente uma dessas duas coisas &ndash; somente justificador, sugerindo que Ele na&#771;o era justo quando agia como tal. A noc&#807;a&#771;o de Deus na&#771;o agindo com justic&#807;a, ou na&#771;o sendo justo, parece soar como blasfe&#770;mia, pore&#769;m, esse e&#769; exatamente o significado das palavras de Paulo nessa passagem. Ele usou a linguagem forense para descrever as implicac&#807;o&#771;es da maneira pela qual Deus tratou com os pecados no passado e, por extensa&#771;o, tambe&#769;m no presente, pois na&#771;o ha&#769; du&#769;vida de que o pecado e&#769; um problema humano, mas, uma vez perdoado, torna-se um problema divino. Deus e&#769; quem tem que prestar contas por ele. Talvez, nada exista mais contradito&#769;rio a&#768; Sua santidade e justic&#807;a que Seu ato de justificar o i&#769;mpio (Hb 4:5). Mas a&nbsp;Bi&#769;blia deixa claro que Deus tambe&#769;m e&#769; amor, e a tensa&#771;o entre amor e justic&#807;a foi resolvida na cruz (Rm 5:6-11).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perda&#771;o e eliminac&#807;a&#771;o de pecados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma coisa esta&#769; clara em Romanos 3:21-26, e&#769; que a cruz da&#769; a Deus o direito de perdoar e justificar. A cruz e&#769; tudo o que Deus necessita para implementar salvac&#807;a&#771;o. Na cruz, todos os sacrifi&#769;cios do Antigo Testamento encontraram seu cumprimento, incluindo o que era oferecido no Dia da Expiac&#807;a&#771;o. Enta&#771;o, por que necessitamos de uma doutrina do santua&#769;rio celestial, conforme e&#769; reivindicado pelos adventistas do se&#769;timo dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra grega <em>hilaste&#769;rion<\/em> tambe&#769;m e&#769; usada no Novo Testamento para a tampa de ouro sobre a arca da alianc&#807;a no lugar santi&#769;ssimo do santua&#769;rio israelita (Hb 9:5; cf E&#770;x 25:17-22). A arca era o supremo si&#769;mbolo da presenc&#807;a de Deus entre Seu povo. Usualmente chamada de &ldquo;propiciato&#769;rio&rdquo;, essa tampa, sombreada pelas asas de dois querubins, era de fato o lugar em que se realizava a segunda fase do ritual da propiciac&#807;a&#771;o &ndash; ou expiac&#807;a&#771;o.[12] Na primeira fase, os pecados eram perdoados e transferidos para o santua&#769;rio (Lv 4:3-7, 13-18, 22-25, 27-30). Na segunda fase, que ocorria uma vez anualmente, no Dia da Expiac&#807;a&#771;o, o santua&#769;rio era purificado de tais pecados (Lv 16:15-19). Na verdade, o Dia da Expiac&#807;a&#771;o na&#771;o tratava de perda&#771;o; o termo na&#771;o ocorre em Levi&#769;tico 16 e nem em 23:27-32. O Dia da Expiac&#807;a&#771;o era a ocasia&#771;o em que o santua&#769;rio e o povo eram purificados, e os pecados finalmente e definitivamente eliminados (Lv 16:29-34; 23:27-32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, perdoar pecados e eliminar pecados na&#771;o sa&#771;o a mesma coisa. O perda&#771;o, que era real e efetivo, era conseguido por meio dos sacrifi&#769;cios regulares (Lv 17:10, 11), quando os pecados eram transferidos para o santua&#769;rio, isto e&#769;, para o pro&#769;prio Deus. &ldquo;Deus assume a culpa dos pecadores para declara&#769;-los justos. Se Deus perdoa pecadores, Ele assume a&nbsp;culpa deles.&rdquo;[13] Pore&#769;m, os pecados necessitavam ser apagados, e isso era feito no Dia da Expiac&#807;a&#771;o. Duas coisas, enta&#771;o, devem ser vindicadas: o direito de Deus para perdoar e a aptida&#771;o do pecador para ser perdoado, que nada mais e&#769; que sua fiel aceitac&#807;a&#771;o do perda&#771;o de Deus.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 13\">\n<div class=\"layoutArea\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"column\">\n<p>Em outras palavras, o perda&#771;o tem dois lados: o lado daquele que o oferece e o lado daquele que o recebe. No que se refere a&#768; salvac&#807;a&#771;o, os dois lados devem ser vindicados: o lado de Deus, do contra&#769;rio Ele podia ser acusado de arbitrariedades; e o lado humano, sena&#771;o o resultado seria universalismo, que e&#769; a ideia de que toda a humanidade finalmente sera&#769; salva. Se a salvac&#807;a&#771;o e&#769; pela fe&#769;, ela necessita ser aceita. Portanto, assim como o sacrifi&#769;cio vindica a prerrogativa de Deus para perdoar (Rm 3:25, 26), uma espe&#769;cie de investigac&#807;a&#771;o e&#769; necessa&#769;ria, a fim de demonstrar que o perda&#771;o foi verdadeiramente aceito. Somente quando os dois lados do perda&#771;o sa&#771;o clara e plenamente vindicados, pode a culpa &ndash; a responsabilidade legal &ndash; ser finalmente retirada do pro&#769;prio Deus.<\/p>\n<p>E&#769; por isso que necessitamos de ambos, a cruz e o santua&#769;rio, o sacrifi&#769;cio e o Dia da Expiac&#807;a&#771;o. Naquele dia, o mais importante do calenda&#769;rio religioso de Israel, visto que marcava a purificac&#807;a&#771;o final do santua&#769;rio e do povo, era exigido que todos cessassem suas atividades e se humilhassem em plena submissa&#771;o a Deus (Lv 23:27). Aqueles que na&#771;o seguissem as instruc&#807;o&#771;es, o que implica alguma forma de escruti&#769;nio, eram eliminados do meio do povo e destrui&#769;dos, mesmo que tivessem sido perdoados anteriormente (v. 29, 30).<\/p>\n<p>Na cruz, o pro&#769;prio Deus levou sobre Si o castigo do pecador (1Co 15:3; 2Co 5:14, 15; 1Pe 2:24; 3:18). Ele pagou o prec&#807;o do resgate e derramou o sangue propiciato&#769;rio para nossa salvac&#807;a&#771;o. Essa e&#769; a raza&#771;o pela qual Jesus teve que morrer, para que fo&#770;ssemos salvos. No santua&#769;rio, o compromisso do crente para com Deus e&#769; verificado, de modo a demonstrar que Ele agiu corretamente em perdoar esta ou&nbsp;aquela pessoa. De maneira nenhuma a cruz pode demonstrar que Deus e&#769; justo quando Ele justifica um pecador individual &ndash; o lado humano do perda&#771;o. A cruz da&#769; a Deus o direito de perdoar. Como sacrifi&#769;cio de expiac&#807;a&#771;o, a cruz foi perfeita e completa, mas apenas isso na&#771;o pode vindicar a genuinidade de nossa fe&#769; em Jesus Cristo como nosso Salvador. E&#769; necessa&#769;rio algo mais &ndash; para trazer expiac&#807;a&#771;o a&#768; sua fase final &ndash; e e&#769; aqui que o santua&#769;rio entra em cena.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p>Enta&#771;o, o santua&#769;rio na&#771;o tem nada que ver com obras, assim como o perda&#771;o tambe&#769;m na&#771;o o tem. O apo&#769;stolo Paulo e&#769; absolutamente claro sobre isso em Romanos 8:31-39. Quando sa&#771;o acusados de inelegibilidade para a salvac&#807;a&#771;o por causa de seus pecados, aqueles que depositaram sua confianc&#807;a em Jesus podem descansar na seguranc&#807;a de que Ele esta&#769; intercedendo em favor deles diante de Deus. Eles nada te&#770;m a temer, pois nada existe nem ningue&#769;m que seja capaz de separa&#769;-los &ldquo;do amor de Deus que esta&#769; em Cristo Jesus nosso Senhor&rdquo; (v. 39; cf 1Jo 1:9)<\/p>\n<p>A salvac&#807;a&#771;o na&#771;o ocorre uma vez para sempre; mas fora de no&#769;s mesmos, nada existe em todo o Universo que possa nos afastar da salvac&#807;a&#771;o de Deus (cf Jo 6:37). &ldquo;Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um corac&#807;a&#771;o sincero e com plena convicc&#807;a&#771;o de fe&#769;&hellip; Apeguemo-nos com firmeza a&#768; esperanc&#807;a que professamos, pois aquele que prometeu e&#769; fiel&rdquo; (Hb 1:22, 23). Essa e&#769; a mensagem do santua&#769;rio.<\/p>\n<p>Refere&#770;ncias:<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 13\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>1&nbsp;Desmond Ford, Right With God Right Now: How God Saves People as Shown in the Bible&rsquo;s Book of Romans (Newcastle: Desmond Ford, 1999), p. 43-55. Num determinado ponto de sua discussa&#771;o, Ford tambe&#769;m reage contra a assim chamada Teoria da Influe&#770;ncia Moral, segundo a qual a cruz na&#771;o era realmente necessa&#769;ria, que a morte de Jesus na&#771;o foi sena&#771;o um gesto de Deus, para mostrar que Ele nos ama, o que significa que Ele podia&nbsp;<span style=\"line-height: 1.5;\">ter perdoado pecados sem a cruz (44-48). Entretanto, o principal argumento de Ford e&#769; que &ldquo;o antigo Dia da Expiac&#807;a&#771;o nada tem que ver com o se&#769;culo 19. Ele aponta para a cruz de Cristo. Foi ali que a expiac&#807;a&#771;o final e completa foi realizada. O Calva&#769;rio foi o u&#769;nico lugar&nbsp;<\/span>de completa expiac&#807;a&#771;o. No&#769;s olhamos apenas&nbsp;para o Calva&#769;rio, na&#771;o para um evento ou data inventada pelo homem&rdquo; (55), Sobre a Teoria da Influe&#770;ncia Moral, ver tambe&#769;m John R. W. Stott, The Cross of Christ (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1986), p. 217-226.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p>2 Este artigo segue a interpretac&#807;a&#771;o reformada tradicional quanto a&#768; doutrina de Paulo sobre justificac&#807;a&#771;o, particularmente com respeito&nbsp;a questo&#771;es como &ldquo;obras da lei&rdquo; (Rm 3:20; Gl 2:16; 3:2, 5, 10), que se referem ao conceito&nbsp;de que o favor de Deus e&#769; conquistado por meio de boas obras e obedie&#770;ncia a todas as prescric&#807;o&#771;es da lei; bem como a&#768; expressa&#771;o pistis Christou (Rm 3:22, 26; cf Gl 2:16, 20; 3:22; Fp 3:9), que e&#769; compreendida como &ldquo;fe&#769; em Cristo&rdquo;, antes que &ldquo;fe&#769; [plenitude] de Cristo&rdquo;, conforme e&#769; argumentado pela assim chamada Nova Perspectiva Sobre Paulo. A respeito disso ver Thomas R. Schreiner, New Testament Theology: Magnifying God in Christ (Grand Rapids: MI Baker, 2008), p. 528-534.<\/p>\n<p>3 C. E. B. Cranfield, A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans (Edinburgh: T&amp;T Clark, 1975), p. 199.<\/p>\n<p>4 &ldquo;Fe&#769; e&#769; o olho que olha para Ele [Cristo], a ma&#771;o que recebe Seu dom gratuito, os la&#769;bios que bebem a a&#769;gua da vida&rdquo;; John R. W. Stott, Romans: God&rsquo;s Good News for the World (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1994), p. 117.<\/p>\n<p>5 Ver Mark D. Baker e Joel B. Green, Recovering the Scandal of the Cross: Atonement in New Testament and Contemporary Contexts (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2011), p. 45-49, 70-83.<\/p>\n<p>6 D. A. Carson, The Glory of the Atonement: Biblical, Theological and Practical Perspectives (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2004), p. 124, 125, 138.<\/p>\n<p>7 BDAG, p. 332.<\/p>\n<p>8 Tem havido esforc&#807;os no sentido de se&nbsp;traduzir paresis como &ldquo;perda&#771;o&rdquo;. A maioria dos inte&#769;rpretes, pore&#769;m, esta&#769; convencida de que na&#771;o existe suficiente apoio le&#769;xico para essa traduc&#807;a&#771;o. Ver, por exemplo, Sam K. Williams, Jesus&rsquo;s Death as Saving Event: The Background and Origin of a Concept (Missoula, MT: Scholars Press, 1975), v. 2, p. 23-25.<\/p>\n<p>9 Conforme disse William Barclay, &ldquo;o natural seria dizer: &lsquo;Deus e&#769; justo, portanto, condena&nbsp;o pecador como um criminoso&rsquo;&rdquo;; The Letter to the Romans (Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 1975), p. 69.<\/p>\n<p>10 Leon Morris, The Epistle to the Romans (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1988), p. 183.<\/p>\n<p>11 &ldquo;Deus &lsquo;adiou&rsquo; a retribuic&#807;a&#771;o completa devida aos pecados na Antiga Alianc&#807;a, permitindo que pecadores estivessem diante dEle&nbsp;sem que uma adequada &lsquo;satisfac&#807;a&#771;o&rsquo; dos requerimentos de Sua santa justic&#807;a fosse provida&rdquo;; Douglas Moo, The Epistle to the Romans (Grand Rapids, MI: 1995), p. 240.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">12 Por causa disso, em muitas li&#769;nguas modernas, hilaste&#769;rion em Hebreus 9:5, bem como no equivalente hebraico em E&#770;xodo 25:17-21&nbsp;e outras passagens do Antigo Testamento (kappo&#769;ret) e&#769; traduzida como &ldquo;propiciato&#769;rio&rdquo;, conforme Jero&#770;nimo fazia na Vulgata Latina. A palavra &ldquo;propiciato&#769;rio&rdquo;, que e&#769; mais uma interpretac&#807;a&#771;o do que traduc&#807;a&#771;o, foi introduzida por William Tyndale, sob a influe&#770;ncia do termo alema&#771;o gnadenstul, da Bi&#769;blia de Lutero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13 Martin Pro&#776;bstle, Where God and I Meet: The Sanctuary (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2013), p. 55.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que precisamos das duas coisas? Em seu livro Right With God Right Now, Desmond Ford argumenta que a expiac&#807;a&#771;o foi completada na cruz e que na&#771;o ha&#769; necessidade de ac&#807;o&#771;es subsequentes no santua&#769;rio celestial, pois a salvac&#807;a&#771;o e&#769; plenamente experimentada pelo crente. 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