{"id":1893,"date":"2015-12-10T05:55:54","date_gmt":"2015-12-10T05:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=1893"},"modified":"2015-12-01T10:58:58","modified_gmt":"2015-12-01T10:58:58","slug":"teodiceia-do-grande-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/teodiceia-do-grande-conflito\/","title":{"rendered":"Teodiceia do grande conflito"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><div class=\"page\" title=\"Page 22\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><em>&ldquo;A certeza de que estamos ligados a um poder maior do que qualquer inimigo e&#769; uma fonte de conforto e forc&#807;a&rdquo; <\/em><\/h3>\n<div class=\"page\" title=\"Page 22\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Um dos meus professores favoritos na faculdade foi o professor de Religia&#771;o. Aquele professor apreciava os&nbsp;temas que ensinava. Era bom comunicador e gostava de estar com os alunos. Tinha um tremendo senso de humor e era estudioso.<\/p>\n<p>Dois anos depois de minha formatura, eu soube que ele estava enfrentando problemas de sau&#769;de. O diagno&#769;stico logo se tornou conhecido: &ldquo;esclerose mu&#769;ltipla&rdquo;. Enta&#771;o, a faculdade me pediu que cobrisse uma de suas aulas por algumas semanas durante sua licenc&#807;a me&#769;dica. Ele conseguiu voltar a&#768; sala de aulas e ensinar durante algum tempo, mesmo estando em uma cadeira de rodas. Mas o avanc&#807;o da doenc&#807;a tornou isso impossi&#769;vel. Finalmente se aposentou e foi morar em outra comunidade. Certo dia, durante a visita do pastor da igreja, ele comentou: &ldquo;Toda guerra tem vi&#769;timas. Ha&#769; uma grande guerra acontecendo no Universo entre o bem e o mal, e eu sou uma das vi&#769;timas desse conflito.&rdquo;<\/p>\n<p>A presenc&#807;a e propagac&#807;a&#771;o do sofrimento no mundo e&#769; um grande desafio a&#768; nossa crenc&#807;a religiosa. Se Deus e&#769; perfeito, bondoso e poderoso, perguntam os filo&#769;sofos, como Ele pode, enta&#771;o, permitir a existe&#770;ncia do sofrimento? Se Deus realmente Se importa comigo, por que Ele permite que eu sofra? Ao longo dos anos, as pessoas te&#770;m respondido a essas questo&#771;es de maneiras diversas. Algumas acreditam que os planos de Deus sa&#771;o perfeitos, e embora na&#771;o possam compreender tudo, creem que o sofrimento seja parte do plano divino. Outras&nbsp;pessoas acreditam que o sofrimento na&#771;o e&#769; da vontade de Deus, mas resultou dos erros que algumas de Suas criaturas cometeram. E ainda outras argumentam que o sofrimento tem seus benefi&#769;cios, e no&#769;s podemos aprender e crescer em resposta a ele.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Essas e outras formas de responder ao sofrimento, as teodiceias como sa&#771;o frequentemente chamadas, te&#770;m recebido atenc&#807;a&#771;o especial dos estudiosos. Cada uma tem seus pontos fortes, cada uma levanta algumas questo&#771;es e, o mais importante, as pessoas que sofrem descobrem no sofrimento uma fonte de encorajamento pessoal.<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Um inimigo fez isso&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>Diante de sua grande perda, meu professor chamou de &ldquo;teodiceia do conflito co&#769;smico&rdquo; a batalha em que os seres humanos esta&#771;o envolvidos entre as forc&#807;as do bem e do mal. No centro desse conflito esta&#769; a imponente figura do arqui-inimigo de Deus. Esse inimigo e&#769; o u&#769;nico responsa&#769;vel por tudo o que esta&#769; errado e enfermo nas coisas criadas por Deus. Essa figura aparece em diversas partes da Bi&#769;blia. Um exemplo bem conhecido e&#769; o pro&#769;logo do livro de Jo&#769; (capi&#769;tulos 1 e 2).<\/p>\n<p>O Senhor permitiu que Satana&#769;s testasse Seu servo fiel. Ale&#769;m disso, o diabo tambe&#769;m apareceu como grande adversa&#769;rio de Jesus, tentando-O no deserto (Mt 4:1-11; Lc 4:1-13). O livro do Apocalipse apresenta um vi&#769;vido retrato desse conflito co&#769;smico: &ldquo;Houve peleja no Ce&#769;u. Miguel e os Seus anjos pelejaram contra o draga&#771;o. Tambe&#769;m&nbsp;pelejaram o draga&#771;o e seus anjos; todavia, na&#771;o prevaleceram; nem mais se achou no Ce&#769;u o lugar deles. E foi expulso o grande draga&#771;o, a antiga serpente, que se chama diabo e Satana&#769;s, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os seus anjos&rdquo; (Ap 12:7-9).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para muitos que sofrem, a ideia de um conflito co&#769;smico e&#769; de particular ajuda. Compreendem que seu sofrimento na&#771;o vem de Deus, mas de algo totalmente oposto a Deus e causado por um poder diabo&#769;lico que faz tudo o que pode a fim de tornar misera&#769;vel nossa vida. Assim, em vez de ficarmos perguntando por que Deus permite, ou se Ele tem a intenc&#807;a&#771;o de usar o sofrimento para algum propo&#769;sito, nossa resposta deve ser: &ldquo;Um inimigo fez isso&rdquo; (Mt 13:28), e lanc&#807;ar a culpa sobre esse inimigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos u&#769;ltimos anos, a figura do diabo tem aparecido com pouca freque&#770;ncia nas discusso&#771;es filoso&#769;ficas sobre o &ldquo;mal&rdquo;. Contudo, para alguns pensadores, a ideia do arqui-inimigo de Deus e&#769; indispensa&#769;vel para uma abordagem correta do sofrimento. Por exemplo, Gregory A. Boyd, em sua &ldquo;cosmovisa&#771;o da guerra trinita&#769;ria&rdquo;, coloca a responsabilidade pelos sofrimentos do mundo diretamente sobre o diabo.[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em relac&#807;a&#771;o a&#768; pergunta: &ldquo;Devemos culpar Deus pelo sofrimento?&rdquo;, Boyd responde com um enfa&#769;tico &ldquo;na&#771;o!&rdquo;[2] Deus tem inimigos, ele argumenta, e esses te&#770;m grande poder. Eles sa&#771;o os responsa&#769;veis pelas tristezas e desgrac&#807;as do mundo. Satana&#769;s e sua corte, que uma vez foi angelical e agora e&#769; demoni&#769;aca, sa&#771;o as forc&#807;as que atuam por tra&#769;s do conflito e do derramamento de sangue da histo&#769;ria humana. Sua interfere&#770;ncia com os processos da natureza tem transformado o mundo, de um lar perfeito planejado por Deus, em um ambiente sinistro e ameac&#807;ador, marcado pela dor, enfermidade e morte.[3]<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 23\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Ainda de acordo com Boyd, o conceito de uma guerra co&#769;smica responde a&#768;s indagac&#807;o&#771;es e aos questionamentos suscitados pelo sofrimento: Como pode um Ser perfeito permitir isso? Por que tenho que sofrer? A existe&#770;ncia do sofrimento na&#771;o foi algo confuso para os que viveram durante a e&#769;poca da histo&#769;ria bi&#769;blica, ele observa, nem para aqueles dos se&#769;culos seguintes. Ao contra&#769;rio, eles estavam cientes da presenc&#807;a dos poderes do mal, e atribui&#769;ram os males da vida a esses poderes, na&#771;o a Deus. Se o Universo e&#769; habitado por uma hoste de seres que se opo&#771;em a Deus, e causam morte e destruic&#807;a&#771;o, na&#771;o e&#769; de surpreender o fato de que sofremos. Surpreendente seria se na&#771;o sofre&#770;ssemos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da teodiceia do conflito co&#769;smico, na&#771;o sofremos porque Deus deseja que soframos, mas sim, porque vivemos em uma zona de guerra. Sofremos porque os inimigos de Deus esta&#771;o ativos no mundo e nos tornamos vulnera&#769;veis a seus ataques.[4] Assim, e&#769; inu&#769;til procurar uma raza&#771;o ou finalidade especi&#769;fica para o sofrimento.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando aceitamos a cosmovisa&#771;o bi&#769;blica desse conflito, o problema intelectual do mal se transforma no problema pra&#769;tico do mal.&rdquo;[5] Livres, enta&#771;o, do o&#770;nus de explicar ou compreender o sofrimento, e fortalecidos pela vito&#769;ria alcanc&#807;ada pela morte e ressurreic&#807;a&#771;o de Jesus, somos chamados a nos unir a Deus resistindo a&#768;s forc&#807;as do mal e aliviando o sofrimento.<\/p>\n<p><strong>Conflito dos se&#769;culos<\/strong><\/p>\n<p>Gregory Boyd na&#771;o esta&#769; sozinho entre os estudiosos crista&#771;os que atribuem ao diabo o papel proeminente na culpa pelo sofrimento humano. Em sua opinia&#771;o, Ellen G. White[6] e&#769; &ldquo;quem relaciona essa perspectiva de guerra com o problema do mal e a doutrina de Deus, mais profundamente que qualquer<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>outro na histo&#769;ria da igreja&rdquo;.[7] O tema central da teodiceia descrita por Ellen G. White aparece no ti&#769;tulo de sua se&#769;rie de livros mais influentes, O Conflito dos Se&#769;culos, bem como no ti&#769;tulo de seu livro mais influente, O Grande Conflito Entre Cristo e Satana&#769;s. Conforme menciona o prefa&#769;cio desse livro, seu propo&#769;sito e&#769; &ldquo;apresentar uma soluc&#807;a&#771;o satisfato&#769;ria para o grande problema do mal&rdquo;.[8]<\/p>\n<p>A&#768; semelhanc&#807;a de Boyd, Ellen G. White apresenta o sofrimento humano dentro da moldura do conflito co&#769;smico. O conflito comec&#807;ou com uma revolta contra Deus entre o mais alto ni&#769;vel de seres criados, e isso somente vai terminar quando os inimigos de Deus perecerem e os propo&#769;sitos amorosos de Deus para Sua criac&#807;a&#771;o, finalmente, forem concretizados. Nessa perspectiva, o diabo e&#769; a fonte de todos os males do mundo, e tudo o que faz com que a vida humana seja misera&#769;vel e&#769;, em u&#769;ltima ana&#769;lise, atribui&#769;do a&#768; nossa participac&#807;a&#771;o em sua rebelia&#771;o contra Deus.<\/p>\n<p>Antes dessa rebelia&#771;o, Lu&#769;cifer foi um ser majestoso, querubim-cobridor e li&#769;der da hoste angelical (Ez 28:14, 15). A despeito de sua elevada posic&#807;a&#771;o e grande intelige&#770;ncia, ele, de maneira misteriosa e inexplica&#769;vel, questionou a autoridade de Deus. Lu&#769;cifer despertou suspeitas em seus companheiros e, quando a oposic&#807;a&#771;o deles se tornou declarada, foram expulsos do Ce&#769;u.<\/p>\n<p>Quando Ada&#771;o e Eva comeram da a&#769;rvore proibida, sua deslealdade a Deus os deixou vulnera&#769;veis aos ataques dos inimigos de Deus. Desde enta&#771;o, Satana&#769;s e seus anjos te&#770;m estado ocupados &ldquo;causando estragos&rdquo; na Terra. Essas forc&#807;as sinistras sa&#771;o responsa&#769;veis por tudo o que ameac&#807;a a vida e o bem-estar humano, desde as cata&#769;strofes naturais e doenc&#807;as orga&#770;nicas ate&#769; o pecado individual, em todas as suas manifestac&#807;o&#771;es. Sob a apare&#770;ncia de atividade humana, o curso da Histo&#769;ria consiste no conflito entre Deus e Satana&#769;s, enquanto esses grandes poderes prosseguem em seus objetivos contrastantes para a Terra, cada um tentando contrafazer e prejudicar o trabalho do outro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ellen G. White menciona que a questa&#771;o central no grande conflito e&#769; o cara&#769;ter de Deus, ou, mais precisamente, a reputac&#807;a&#771;o de Deus.[9] A persistente acusac&#807;a&#771;o de Lu&#769;cifer e&#769; que Deus e&#769; tirano e abusivo, indigno da devoc&#807;a&#771;o de Suas criaturas. Para resolver o conflito, Deus providenciou uma revelac&#807;a&#771;o definitiva do Seu cara&#769;ter. A da&#769;diva de Seu pro&#769;prio Filho demonstra vividamente o amor divino e expo&#771;e a nulidade das acusac&#807;o&#771;es de Satana&#769;s. A cruz foi o ponto da virada na grande controve&#769;rsia. Com a morte de Cristo, &ldquo;rompidos os u&#769;ltimos vi&#769;nculos entre Satana&#769;s e o mundo celestial&rdquo;. Enta&#771;o, &ldquo;todo o Ce&#769;u triunfou na vito&#769;ria do Salvador. Satana&#769;s foi derrotado, e soube que seu reino estava perdido&rdquo;.[10] Quando o mal for finalmente erradicado do Universo, a &ldquo;terri&#769;vel experie&#770;ncia de rebelia&#771;o&rdquo; servira&#769; como &ldquo;perpe&#769;tua salvaguarda a todos os seres santos, impedindo-os de ser enganados quanto a&#768; natureza da transgressa&#771;o, livrando-os de cometer pecado e sofrer seu castigo&rdquo;.[11]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Du&#769;vidas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma teodiceia e&#769; mais drama&#769;tica do que essa do conflito co&#769;smico, destacando a enigma&#769;tica figura de Lu&#769;cifer, o anjo querubim cobridor que se tornou o arqui-inimigo de Deus. Mas, como toda tentativa de explicar o surgimento do mal no mundo de Deus, essa abordagem levanta algumas questo&#771;es importantes. Uma delas diz respeito a&#768; sua plausibilidade. Existiria, de fato, um conflito co&#769;smico acontecendo ao nosso redor? Estari&#769;amos rodeados de personagens invisi&#769;veis? Sera&#769; possi&#769;vel que existem realmente poderes sobre-humanos influenciando o curso da nossa natureza e histo&#769;ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa visa&#771;o das coisas parece na&#771;o ter sentido diante da perspectiva moderna de vida. Hoje, instintivamente as pessoas se voltam para a cie&#770;ncia e a tecnologia a fim de compreender o mundo em que vivemos, em vez de forc&#807;as sobrenaturais. Elas raramente falam sobre anjos, demo&#770;nios ou outras personalidades invisi&#769;veis para explicar as coisas que acontecem.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 24\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Ha&#769; tambe&#769;m pessoas que questionam o real conceito de um conflito co&#769;smico. A ideia de um agente sobre-humano, cuja revolta engloba todo o Universo e se torna uma verdadeira ameac&#807;a para o governo de Deus, parece incoerente a&#768; luz do conceito tradicional de poder e sabedoria divinos. Como poderia um ser criado representar um se&#769;rio desafio para Deus? Afinal de contas, como Criador, Deus na&#771;o somente trouxe o Universo a&#768; existe&#770;ncia; mas, e&#769; pelo Seu poder que tudo o que existe e&#769; sustentado, momento apo&#769;s momento.Portanto, se tudo o que foi criado deve sua existe&#770;ncia a Deus, como poderia qualquer criatura, ate&#769; mesmo a mais altamente exaltada, representar uma real ameac&#807;a a Deus? O que esses seres inteligentes esperavam ganhar ao contestar a supremacia divina, se eles sabiam que Deus poderia aniquila&#769;-los instantaneamente?<\/p>\n<p><strong>Apelo atrativo do conflito<\/strong><\/p>\n<p>Quaisquer que sejam as questo&#771;es levantadas, ha&#769; muitas pessoas que acham a ideia de um conflito co&#769;smico na&#771;o somente plausi&#769;vel, mas u&#769;til. Boyd afirma que o secularismo, com sua negac&#807;a&#771;o do sobrenatural, ja&#769; na&#771;o e&#769; ta&#771;o influente como antes. Com o &ldquo;despertar po&#769;s-moderno&rdquo; das u&#769;ltimas de&#769;cadas, as &ldquo;estruturas das modernas categorias naturalistas ocidentais&rdquo; esta&#771;o se tornando cada vez mais irrelevantes, e as pessoas esta&#771;o menos dispostas a descartar a perspectiva de outras eras histo&#769;ricas e outras eras implausi&#769;veis, &ldquo;primitivas&rdquo;, ou &ldquo;supersticiosas&rdquo;.[12]<\/p>\n<p>E&#769; claro que, em ni&#769;vel popular o sobrenatural nunca perdeu sua atrac&#807;a&#771;o. Anjos te&#770;m sido destaque no cinema e na televisa&#771;o. Milho&#771;es de pessoas esta&#771;o intrigadas com o diabo. Ele e&#769; um personagem familiar em filmes e novelas. Aparece com destaque em uma gama de feno&#770;menos religiosos, evocando respostas que va&#771;o desde medo, repulsa, desafio e admirac&#807;a&#771;o, ate&#769; mesmo a adorac&#807;a&#771;o. E ele ainda aparece na psicologia popular.[13]<\/p>\n<p>Outro fator aponta para uma sobre-humana fonte do mal. Certas formas de sofrimento sa&#771;o de tal magnitude que desafiam&nbsp;a compreensa&#771;o. De fato, somente uma causa sobre-humana e de proporc&#807;o&#771;es co&#769;smicas poderia explica&#769;-las. O Holocausto criou a ideia plausi&#769;vel do diabo para muitos no se&#769;culo 20. Todos no&#769;s podemos nos lembrar de casos de crueldade e viole&#770;ncia, ta&#771;o ultrajantes, ta&#771;o ale&#769;m do que os seres humanos podem suportar e sequer imaginar, que eles clamam por alguma explicac&#807;a&#771;o co&#769;smica. Eles se tornam remotamente compreensi&#769;veis quando atribui&#769;dos a uma fonte demoni&#769;aca sobre-humana e sobrenatural.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Hoje, parece natural falar de sofrimento em grande escala, e com linguagem carregada de conotac&#807;o&#771;es co&#769;smicas. A ideia de que forc&#807;as sobre-humanas se encontram por tra&#769;s dos conflitos morais e&#769; apresentada em uma esfera profundamente intuitiva, como indicam filmes populares como, por exemplo: &ldquo;O senhor dos ane&#769;is&rdquo; e &ldquo;Homem de ac&#807;o&rdquo;. Contudo, por tra&#769;s desses espeta&#769;culos que divertem muitas pessoas, esta&#769; um fantasma que nos assombra.<\/p>\n<p><strong>Conflito e libertac&#807;a&#771;o<\/strong><\/p>\n<p>A raza&#771;o mais importante para refletir cuidadosamente sobre esse conflito co&#769;smico e&#769; a poderosa noc&#807;a&#771;o da libertac&#807;a&#771;o divina que ele transmite. Para essa teodiceia, Deus na&#771;o Se tornou um executivo independente, presidindo serenamente o cosmos como um CEO no canto de uma sui&#769;te, em um pre&#769;dio de escrito&#769;rios, num arranha-ce&#769;u, longe do embaralhado das ruas abaixo. Ele esta&#769; poderosamente atuando no mundo, desafiando os agentes do mal e resistindo-os em cada uma de suas ac&#807;o&#771;es. Essa imagem de Deus pode ser tranquilizadora para as pessoas que se sentem impotentes diante das forc&#807;as dispostas contra elas.<\/p>\n<p>Ha&#769; aqueles cujas perdas te&#770;m o potencial de deixa&#769;-los completamente derrotados e destituir sua vida de significado. Ha&#769; pessoas, como meu professor de anos atra&#769;s, cuja doenc&#807;a devastadora tirou a sau&#769;de e encerrou a carreira que ele tanto amava. Tambe&#769;m ha&#769; pessoas ta&#771;o escravizadas pelos vi&#769;cios, que esses vi&#769;cios te&#770;m esgotado suas energias e empobrecido sua vontade, a tal&nbsp;ponto que, na esfera dos reme&#769;dios naturais ou tratamentos convencionais, nada pode ajudar. Quando falham programas de recuperac&#807;a&#771;o, cursos de autoajuda e medicamentos, as pessoas podem sentir que esta&#771;o sob o domi&#769;nio de um inimigo que possui forc&#807;a sobrenatural. Enta&#771;o, para elas, a ideia da vito&#769;ria e libertac&#807;a&#771;o divinas pode constituir a u&#769;nica base para a esperanc&#807;a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A certeza de que estamos ligados a um poder infinitamente superior a qualquer de seus inimigos, e qualquer um dos nossos inimigos, e&#769; uma fonte de conforto e forc&#807;a. Assim, a noc&#807;a&#771;o de um conflito co&#769;smico, com a garantia de que Deus pode derrotar tudo que nos prejudica e ameac&#807;a, e que, finalmente, erradicara&#769; inteiramente o sofrimento, pode desempenhar um importante papel na &ldquo;teodiceia pra&#769;tica&rdquo;. Isso da&#769; forc&#807;as para aqueles que enfrentem enormes desafios ocasionados pelo sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refere&#770;ncias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Gregory A. Boyd, God at War: The Bible and Spiritual Conflict (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 _______________, Is God to Blame? Beyond Pat Answers to the Problem of Suffering (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 _______________, Satan and the Problem of Evil: Constructing a Trinitarian Warfare Theodicy, p. 247.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 _______________, Is God to Blame? Beyond Pat Answers to the Problem of Suffering, p. 105.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 _______________, God at War: The Bible and Spiritual Conflict, p. 291.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Ver Ann Taves, Fits, Trances, and Visions: Experiencing Religion and Explaining Experience From Wesley to James (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1999), p. 153-165.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Gregory A. Boyd, God to War: The Bible and Spiritual Conflict, p. 307.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 Ellen G. White O Grande Conflito, p. xii.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 Ver Sigve K. Tonstad, Saving God&rsquo;s Reputation: The Theological Function of &ldquo;Pistis Iesou&rdquo; in the Cosmic Narratives of Revelation (Nova York: T &amp; T Clark, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nac&#807;o&#771;es, p. 761, 758.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 _______________, O Grande Conflito, p. 499.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12 Gregory A. Boyd, God at War: The Bible and Spiritual Conflict, p. 61-63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13 Ver M. Scott Pecj, People of the Lie: The Hope for Healing Human Evi (Nova York: Simon &amp; Schuster, 1983).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A certeza de que estamos ligados a um poder maior do que qualquer inimigo e&#769; uma fonte de conforto e forc&#807;a&rdquo; Um dos meus professores favoritos na faculdade foi o professor de Religia&#771;o. Aquele professor apreciava os&nbsp;temas que ensinava. Era bom comunicador e gostava de estar com os alunos. 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