{"id":2229,"date":"2016-04-15T07:00:41","date_gmt":"2016-04-15T07:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=2229"},"modified":"2017-04-20T16:08:52","modified_gmt":"2017-04-20T19:08:52","slug":"o-espirito-parakletos-no-quarto-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-espirito-parakletos-no-quarto-evangelho\/","title":{"rendered":"O Esp\u00edrito-par\u00e1kletos no Quarto Evangelho"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><h4 style=\"text-align: justify;\"><em>Amin A. Rodor, Th.D.<\/em><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Introdu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra grega&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>*<i>,&nbsp;<\/i>na literatura b&iacute;blica, &eacute; exclusiva do Novo Testamento, e ocorre de forma restrita, apenas nos escritos joaninos. Como um ep&iacute;teto, o termo &eacute; aplicado uma vez a Jesus (1Jo 2:1), que atua como um&nbsp;<i>intercessor\/advocatus&nbsp;<\/i>junto ao Pai, na corte celestial. Em cinco outras passagens, no quarto evangelho, contudo,&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como um t&iacute;tulo &eacute; aplicado a algu&eacute;m que: (a) n&atilde;o &eacute; Jesus; (b) n&atilde;o &eacute; primariamente um intercessor; e (c) n&atilde;o exerce sua fun&ccedil;&atilde;o no c&eacute;u, junto ao Pai. A tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, desde tempos primitivos,1&nbsp;e com boas raz&otilde;es, identificou o&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>no Evangelho de Jo&atilde;o, como sendo o Esp&iacute;rito Santo, a terceira pessoa da Trindade.2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando-se as obje&ccedil;&otilde;es recentes ao ensino b&iacute;blico quanto &agrave; personalidade do Esp&iacute;rito Santo e &agrave; Trindade,3&nbsp;o estudo deste tema no quarto evangelho &eacute; crucial, levando-se em conta que o Evangelho de Jo&atilde;o, provavelmente o &uacute;ltimo livro do Novo Testamento a ser escrito, representa o mais alto desenvolvimento teol&oacute;gico das Escrituras,4&nbsp;e, nas palavras de Vincent Taylor, &ldquo;o cl&iacute;max e coroa da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica a respeito do Esp&iacute;rito Santo&rdquo;.5&nbsp;N&atilde;o seria dif&iacute;cil, portanto, estabelecer que o estudo do tema no evangelho joanino &eacute; de fundamental import&acirc;ncia para se verificar como os crist&atilde;os, no final do primeiro s&eacute;culo, entenderam e consideraram o Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como observado por Raymond E. Brown, reconhecida autoridade no quarto evangelho, as cinco passagens em que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; mencionado no evangelho de Jo&atilde;o (Jo 14:15-17, 26; 15:26-27; 16: 7-11, 12-14), podem ser organizadas em quatro grupos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) &nbsp; A vinda do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e Seu relacionamento com o Pai: O&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;vir&aacute;, mas apenas quando Jesus partir (Jo 15:26; 16:7,8, 13). Ele procede do Pai (Jo 15:26). O Pai conceder&aacute; o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;a pedido de Jesus (Jo 14:16). Jesus, quando partir, enviar&aacute; o&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>da parte do Pai (Jo 16:7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(2)&nbsp;&nbsp; A identifica&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>: Ele &eacute; chamado &ldquo;outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&rdquo; (Jo 14:16). &Eacute;, tamb&eacute;m, o Esp&iacute;rito de Verdade<i>&nbsp;<\/i>(Jo 14:17; 15:226), e o Esp&iacute;rito Santo (Jo 14:26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(3)&nbsp;&nbsp; A rela&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;com os disc&iacute;pulos: Os disc&iacute;pulos reconhecem o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;(Jo 14:17). O&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>estar&aacute; com os disc&iacute;pulos e permanecer&aacute; com eles (Jo 14:16, 17). Ele<i>&nbsp;<\/i>ensinar&aacute; aos disc&iacute;pulos todas as coisas (Jo 14:26). Guiar&aacute; os disc&iacute;pulos a toda a verdade (Jo 16:13). Anunciar&aacute; aos disc&iacute;pulos as coisas que h&atilde;o de vir (Jo 16:13). Receber&aacute; e anunciar&aacute; o que &eacute; de Jesus (Jo 16:14). Glorificar&aacute; a Jesus (Jo 16:14). Testemunhar&aacute; em favor de Jesus (Jo 15:26). Relembrar&aacute; aos disc&iacute;pulos tudo o que Jesus lhes ensinou (Jo 14:26). O&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>falar&aacute; apenas o que ouvir e nada de Si mesmo (Jo 16: 13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(4)&nbsp;&nbsp; A rela&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;com o mundo: O mundo n&atilde;o pode receber o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;(Jo 14:17); O mundo n&atilde;o O v&ecirc; nem O conhece (Jo 14:17). No contexto do &oacute;dio e persegui&ccedil;&atilde;o movidos pelo mundo (Jo 15:18-25), o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;testemunhar&aacute; de Jesus (Jo 15:26). Ele tornar&aacute; evidente o erro do mundo acerca do pecado, da justi&ccedil;a e do ju&iacute;zo (Jo 16:8-11) .6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da sistematiza&ccedil;&atilde;o das cinco refer&ecirc;ncias ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>no quarto evangelho mencionadas acima, algumas caracter&iacute;sticas quanto &agrave; sua identidade emergem claras e al&eacute;m da d&uacute;vida razo&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) O&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; Jesus ou o Pai:7&nbsp;Jesus fala de &ldquo;outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&rdquo;,8&nbsp;implicando que seus disc&iacute;pulos j&aacute; possu&iacute;am um, que s&oacute; podia ser Ele mesmo. De fato, como mencionado em 1 Jo&atilde;o 2:1, Jesus &eacute; chamado de &ldquo;<i>par&aacute;kletos<\/i>&rdquo;.9&nbsp;E &eacute; precisamente Sua [de Jesus] partida, como veremos posteriormente, que abre espa&ccedil;o para o minist&eacute;rio deste outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;&ldquo;para compensar a perda da presen&ccedil;a vis&iacute;vel de Jesus.&rdquo;10&nbsp;A id&eacute;ia de que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; Jesus se fortalece pelas diferentes ocorr&ecirc;ncias, nas quais o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;testemunha de Jesus, O glorifica e age como Seu representante. Por outro lado, &eacute; evidente que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; o Pai, pois &eacute; precisamente o Pai quem O envia, em nome de Jesus, e apenas depois que Jesus tenha partido (Jo 14:26).11&nbsp;Deve-se observar ainda que, ao contr&aacute;rio de Jesus como&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;em 1 Jo&atilde;o 2:1, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no quarto evangelho n&atilde;o &eacute; primariamente um intercessor dos disc&iacute;pulos diante do Pai, mas o ajudador deles em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo. Significativamente, contrariando a err&ocirc;nea id&eacute;ia de que a doutrina da Trindade tenha sido originada em um per&iacute;odo posterior ao Conc&iacute;lio de Nic&eacute;ia (325 d.C.), Tertuliano (160-220 d.C.) claramente identifica o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;com o Esp&iacute;rito Santo, distinguindo-O das pessoas do Pai e do Filho. Diz ele, em sua famosa apologia&nbsp;<i>Contra Praxeas<\/i>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&hellip;[o Evangelho de Jo&atilde;o] continua a fornecer-nos declara&ccedil;&otilde;es do mesmo tipo, distinguindo o Pai e o Filho com as propriedades de cada um. Ent&atilde;o tamb&eacute;m h&aacute; o Paracleto ou Consolador, acerca do qual Ele prometeu orar ao Pai, e envi&aacute;-lo do c&eacute;u, depois que Ele tivesse ascendido para o Pai. Ele &eacute; chamado &ldquo;outro Consolador&rdquo;&hellip; Assim, a conex&atilde;o do Pai com o Filho, e do Filho com o Paracleto, produz tr&ecirc;s Pessoas coerentes, as quais, contudo, s&atilde;o distintas uma da outra. Estes tr&ecirc;s s&atilde;o uma ess&ecirc;ncia, n&atilde;o uma Pessoa, como &eacute; dito &ldquo;Eu e o Pai somos Um&rdquo; em respeito &agrave; unidade de subst&acirc;ncia, n&atilde;o &agrave; singularidade de n&uacute;mero.12<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo texto, Tertuliano observa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp&iacute;rito Santo, de fato, &eacute; o terceiro, distinto de Deus [o Pai] e do Filho&hellip; Eu testifico que o Pai, e o Filho e o Esp&iacute;rito s&atilde;o insepar&aacute;veis de cada um&hellip; e que eles s&atilde;o distintos um dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tertuliano ent&atilde;o conclui com l&oacute;gica que dificilmente poderia ser melhorada:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disto, n&atilde;o &eacute; o pr&oacute;prio fato de que eles tem nomes distintos [Pai, Filho e Esp&iacute;rito-Paracleto] equivalente a uma declara&ccedil;&atilde;o de que eles s&atilde;o distintos em personalidade?13<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; mera for&ccedil;a ou influ&ecirc;ncia &eacute; claro das diversas atividades exercidas, poss&iacute;veis apenas a uma pessoa:14&nbsp;Ele ensina, guia, &eacute; enviado, anuncia, recebe, glorifica, testemunha em favor, relembra, fala, convence, acusa, etc. Al&eacute;m disso, ao&nbsp;<i>par&aacute;kleto<\/i>s s&atilde;o atribu&iacute;dos pronomes pessoais. Jo&atilde;o torna a personalidade do Esp&iacute;rito mais evidente, atribuindo a Ele o t&iacute;tulo masculino&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e referindo-se ao Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;com pronomes pessoais (<i>&eacute;keinos&nbsp;<\/i>e<i>aut&oacute;s).<\/i>15<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(3) Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>,<i>&nbsp;<\/i>fica tamb&eacute;m evidente que Ele vem para os disc&iacute;pulos e habita com eles, guiando-os, ensinando a respeito de Jesus: Devemos observar, contudo, que Jo&atilde;o O retrata como o Esp&iacute;rito Santo, como j&aacute; sugerido, numa fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica: como a presen&ccedil;a pessoal de Jesus com os crist&atilde;os, durante o per&iacute;odo de Sua aus&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(4) A respeito do relacionamento do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;com o mundo, &eacute; &oacute;bvio que Ele &eacute; hostil ao mundo, colocando este em julgamento por seu pecado de descren&ccedil;a. O mundo n&atilde;o O pode receber, porque n&atilde;o O v&ecirc; nem O conhece (Jo 14:17).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O par&aacute;kletos joanino<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do estudo quanto &agrave; identidade do<i>&nbsp;par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no quarto evangelho<i>,&nbsp;<\/i>algumas quest&otilde;es emergem naturalmente: Se Ele realmente &eacute; o Esp&iacute;rito Santo, como mantido pelos crist&atilde;os e claramente indicado pelo pr&oacute;prio Jo&atilde;o: &ldquo;Mas aquele&nbsp;<i>Consolador, o Esp&iacute;rito Santo<\/i>, que o Pai enviar&aacute; em meu nome&rdquo;16&nbsp;(Jo 14:26), por que &eacute; este t&iacute;tulo atribu&iacute;do ao Esp&iacute;rito? Quais aspectos particulares das fun&ccedil;&otilde;es do Esp&iacute;rito Santo s&atilde;o atribu&iacute;das ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>? Al&eacute;m disto, por que o t&iacute;tulo &eacute; encontrado exclusivamente no evangelho joanino? Para estas quest&otilde;es cruciais voltaremos nossa aten&ccedil;&atilde;o, mais tarde, neste estudo. Nesta se&ccedil;&atilde;o concentraremos a aten&ccedil;&atilde;o nos aspectos ling&uuml;&iacute;sticos do termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O&nbsp;<i>background&nbsp;<\/i>hist&oacute;rico<i>&nbsp;<\/i>e o significado ling&uuml;&iacute;stico do termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>no Evangelho de Jo&atilde;o t&ecirc;m sido buscados em uma variedade de fontes e alternativas,17&nbsp;e seria desnecess&aacute;rio repeti-los aqui. Esfor&ccedil;os t&ecirc;m sido feitos, por exemplo, na tentativa de se encontrar um equivalente sem&iacute;tico para o t&iacute;tulo grego. Tais tentativas parecem enfatizar a convic&ccedil;&atilde;o de que se uma palavra hebraica ou aramaica, que tenha servido de base para a tradu&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, fosse encontrada, provavelmente saber&iacute;amos o significado prim&aacute;rio do termo. Contudo, at&eacute; o momento, os mais minuciosos estudos n&atilde;o conseguiram produzir um candidato sem&iacute;tico verdadeiramente aceit&aacute;vel.18De fato, como Brown observa, &ldquo;Esta busca para um equivalente hebraico pode ser em v&atilde;o,&rdquo;19provavelmente porque tanto no hebraico quanto no aramaico, a palavra foi transliterada do grego.20&nbsp;Al&eacute;m disto, como indicado por Johannes Behn, no seu cl&aacute;ssico estudo do termo, no&nbsp;<i>Theological Dictionary of the New<\/i>&nbsp;<i>Testament<\/i>, o uso joanino do termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o se ajusta facilmente &agrave; hist&oacute;ria da palavra em fontes seculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu&iacute;mos, ent&atilde;o, que, embora os antecedentes hist&oacute;ricos, religiosos e ling&uuml;&iacute;sticos do termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;possam ser considerados importantes para se determinar o seu significado no Novo Testamento, as decis&otilde;es quanto a tal significado ser&atilde;o consideravelmente subjetivas e de valor limitado, ao mesmo tempo que limitador. O significado de&nbsp;<i>par&aacute;kleto<\/i>s tem sido traduzido por uma variedade de palavras21&nbsp;tais como &ldquo;Consolador,&rdquo; &ldquo;Advogado,&rdquo; &ldquo;Ajudador,&rdquo;22&nbsp;&ldquo;Esp&iacute;rito de Verdade,&rdquo; &ldquo;Amigo,&rdquo; etc. No entanto, deve-se observar que nenhuma destas tradu&ccedil;&otilde;es consegue capturar de forma plena a complexidade das fun&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no quarto evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, a palavra&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>usada por Jo&atilde;o em seu evangelho n&atilde;o parece ser uma tradu&ccedil;&atilde;o direta de um t&iacute;tulo hebraico espec&iacute;fico, nem tem ela sua origem em um t&iacute;tulo no grego secular, talvez isto sugira que foi o uso crist&atilde;o que deu ao termo uma conota&ccedil;&atilde;o exclusiva a ele e, portanto, o seu significado &eacute; melhor decidido pelo contexto do que por dedu&ccedil;&otilde;es l&eacute;xicas. O que &eacute;, portanto, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>? Gerard Manley Hopkins est&aacute; provavelmente correto em sua resposta, lembrando que o termo &eacute; frequentemente traduzido por&nbsp;<i>Consolador<\/i>, mas o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;faz muito mais do que consolar. A palavra &eacute; grega, n&atilde;o possui um equivalente exato em nossa l&iacute;ngua. &Eacute; esclarecedor ter em mente que Jer&ocirc;nimo, ao traduzir&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, tinha &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m dos termos latinos&nbsp;<i>advocatus<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>consolator<\/i>, o costume da transliterac&atilde;o. Enquanto ele adota&nbsp;<i>advocatus&nbsp;<\/i>em 1 Jo&atilde;o 2:1, no evangelho, contudo, ele seguiu a alternativa da translitera&ccedil;&atilde;o, mantendo a palavra transliterada como&nbsp;<i>Paracleto<\/i>. R. Brown apropriadamente observa que seria s&aacute;bio fazermos o mesmo em tempos modernos, e optarmos por&nbsp;<i>Paracleto,<\/i>&nbsp;uma translitera&ccedil;&atilde;o aproximada do grego&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;o que preserva a singularidade da palavra, sem enfatizar um &uacute;nico aspecto do conceito em detrimento de outro. No m&iacute;nimo, isto serve como advert&ecirc;ncia para aqueles que querem comprimir o termo dentro de limites dogm&aacute;ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos observar, ainda, dois aspectos b&aacute;sicos quanto &agrave; identidade do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no quarto evangelho: Por um lado, embora ele possa ser considerado o &ldquo;dom da nova era,&rdquo; o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; um estranho, uma &ldquo;novidade,&rdquo; ou simples inven&ccedil;&atilde;o joanina, desconectado de ra&iacute;zes b&iacute;blicas. De fato, Jo&atilde;o &ldquo;n&atilde;o pinta um quadro sem paralelo em outras descri&ccedil;&otilde;es do Esp&iacute;rito Santo no Novo Testamento, mas enfatiza certos aspectos que j&aacute; est&atilde;o presentes [a&iacute;], e d&aacute; a eles nova orienta&ccedil;&atilde;o.&rdquo;23&nbsp;Esta conex&atilde;o e converg&ecirc;ncia de identidade entre o Esp&iacute;rito Santo e o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;ser&aacute; o foco de discuss&atilde;o na se&ccedil;&atilde;o seguinte deste trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Jo&atilde;o n&atilde;o faz uma simplista identifica&ccedil;&atilde;o entre o Esp&iacute;rito e o&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;sem os refinamentos teol&oacute;gicos que s&atilde;o uma marca inconfund&iacute;vel do seu evangelho. Devemos ter em considera&ccedil;&atilde;o que, independentemente do que ele tenha dito no evangelho acerca do&nbsp;<i>par&aacute;kletos,&nbsp;<\/i>ele est&aacute; escrevendo tendo em mente a obra completa de Cristo na cruz. Ele escreve da perspectiva do per&iacute;odo posterior &agrave; ascens&atilde;o, antecipando o relacionamento entre o ressuscitado Cristo e os Seus disc&iacute;pulos, al&eacute;m do relacionamento dEle com o mundo, atrav&eacute;s do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. Portanto, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>incorpora uma enorme complexidade de fun&ccedil;&otilde;es. Ele &eacute; uma testemunha de defesa de Jesus, e o representante dEle no contexto do Seu julgamento pelos Seus inimigos. O Paracleto &eacute;, por outro lado, um consolador dos disc&iacute;pulos,&nbsp;<i>assumindo o lugar de Jesus<\/i>&nbsp;<i>entre eles<\/i>. O Paracleto &eacute; o mestre, guia, e conselheiro dos disc&iacute;pulos e, assim, um ajudador. O relacionamento entre o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e Jesus &eacute; o tema da &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o do nosso estudo. E &eacute; precisamente a&iacute; que detectamos a profunda contribui&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica de Jo&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa do&nbsp;<i>par&aacute;kletos.<\/i><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pneumatologia tem sido considerada uma das mais distintivas caracter&iacute;sticas do quarto evangelho.24&nbsp;Refer&ecirc;ncias diretas e indiretas ao Esp&iacute;rito s&atilde;o in&uacute;meras e complexas, de tal forma que qualquer estudo do t&oacute;pico seria, no m&iacute;nimo, muito extenso.25&nbsp;Devemos notar que neste evangelho o Esp&iacute;rito Santo &eacute; regularmente associado com Jesus (como em 1:19-34; 3:5, 7:39, etc). A plena apresenta&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, contudo, &eacute; encontrada nas passagens concernentes ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>(14:16, 17, 26; 15:26; 16:7-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jo&atilde;o n&atilde;o encontramos uma f&oacute;rmula trinitariana como em Mateus26&nbsp;ou Paulo,27&nbsp;mas h&aacute;, pelo menos, quatro inst&acirc;ncias do modelo trinit&aacute;rio (1:29-35; 14:16, 26; 16:15). Mais claramente do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, Jo&atilde;o apresenta a divindade do Filho, e a personalidade do Esp&iacute;rito. Mais enfaticamente do que qualquer outro ele indica a distin&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao Pai como ao Filho. Mais diretamente do que qualquer outro, ele indica a miss&atilde;o do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>. Nisto Jo&atilde;o estabelece os fundamentos para a doutrina de uma Trindade co-igual, e fornece muito do material sobre o qual esta doutrina seria formulada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando nossa aten&ccedil;&atilde;o para o relacionamento entre o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e outros textos dos evangelhos sin&oacute;ticos e do livro de Atos, observamos em primeiro lugar que no quarto evangelho, se Jesus havia estado com os disc&iacute;pulos por alguns poucos anos, e voltou para o Pai, o Esp&iacute;rito Santo, contudo, permanece para sempre com eles, respondendo a quest&otilde;es enfrentadas pela Igreja no final do primeiro s&eacute;culo. A doutrina do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;em Jo&atilde;o implica a partida de Jesus do mundo e, naturalmente, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; retido em sua plenitude at&eacute; a cruz (Jo 7:39). N&atilde;o &eacute; sen&atilde;o quando Cristo afirma &ldquo;Eu vou para o meu Pai&rdquo;, que torna-se necess&aacute;rio, ou mesmo poss&iacute;vel, acrescentar: &ldquo;O Pai vos enviar&aacute; um outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>.&rdquo; O Esp&iacute;rito &eacute; o outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, que assume o lugar de Cristo, como advogado dos disc&iacute;pulos. At&eacute; ent&atilde;o, Jesus f&ocirc;ra o defensor deles enquanto estivera na Terra (Mc 2:18, 24). Agora Jesus cumpre este of&iacute;cio &ldquo;junto ao Pai&rdquo;, enquanto o Esp&iacute;rito, cuja esfera de a&ccedil;&atilde;o &eacute; a Terra, silencia os advers&aacute;rios terrenos do corpo de Cristo, ao longo da era crist&atilde;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta fun&ccedil;&atilde;o forense de &ldquo;dar testemunho&rdquo;, &ldquo;falar pelos disc&iacute;pulos&rdquo; e &ldquo;condenar o mundo&rdquo;, enfatizada nos textos do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;joanino, n&atilde;o est&aacute; dissociada da mesma &ecirc;nfase em outros textos em que o Esp&iacute;rito Santo aparece com as mesmas fun&ccedil;&otilde;es. Isto &eacute; evidente, por exemplo, em Mateus 10:20 (&ldquo;visto que n&atilde;o sois v&oacute;s quem falais, mas o Esp&iacute;rito do vosso Pai &eacute; quem fala por v&oacute;s&rdquo;), Marcos 13:11 (&ldquo;Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, n&atilde;o vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque n&atilde;o sois v&oacute;s os que falais, mas o Esp&iacute;rito Santo&rdquo;) e Atos 6:10, onde o Esp&iacute;rito Santo &eacute; apresentado protegendo os disc&iacute;pulos tamb&eacute;m em contexto de julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disto, se o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;vem apenas depois da partida de Jesus, o mesmo &eacute; verdade na descri&ccedil;&atilde;o de Lucas em Atos, quanto &agrave; vinda do Esp&iacute;rito. Isto se torna ainda mais distintivo quando observamos que a compreens&atilde;o de Lucas da ascens&atilde;o de Jesus partilha com Jo&atilde;o o conceito da ressurrei&ccedil;&atilde;o (Jo 20:17). O Pai concede o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;a pedido de Jesus (Jo 14:16), da mesma forma que o Pai concede o Esp&iacute;rito Santo &agrave;queles que O pedem (Lc 11:13). Se o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;testemunha em favor de Jesus por meio do testemunho dos disc&iacute;pulos, assim &eacute; a vinda do Esp&iacute;rito Santo em Atos, pois &eacute; precisamente Ele quem impulsiona os disc&iacute;pulos a falarem de Jesus e a demonstrarem ao mundo que Deus O havia ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verificamos um &iacute;ntimo relacionamento entre Jo&atilde;o 15:26, 27 e Atos 5:32: &ldquo;Ora, n&oacute;s somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Esp&iacute;rito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem&rdquo;.28&nbsp;Encontramos ainda uma converg&ecirc;ncia entre a fun&ccedil;&atilde;o de ensino do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;em Jo&atilde;o 14:26, onde &eacute; afirmando que &ldquo;Ele ensinar&aacute; [aos disc&iacute;pulos] todas as coisas e vos far&aacute; lembrar de tudo o que vos tenho dito,&rdquo; e a fun&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo em Lucas 12:12: &ldquo;&hellip;o Esp&iacute;rito Santo vos ensinar&aacute;, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer.&rdquo; Desta forma, quando Jo&atilde;o 14:26 identifica o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como o Esp&iacute;rito Santo, &ldquo;isto n&atilde;o &eacute; mera jun&ccedil;&atilde;o editorial de dois conceitos distintos&rdquo;,29&nbsp;como R. Brown observa. As similaridades e converg&ecirc;ncias entre o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e o Esp&iacute;rito Santo emergem mesmo num estudo comparativo superficial, entre aquilo que Jo&atilde;o diz e aquilo que os evangelhos sin&oacute;ticos e o livro de Atos, em particular, afirmam a respeito dele. Tentar se evadir &agrave; for&ccedil;a das evid&ecirc;ncias, sugerindo que o Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; Pai ou Filho, ou apenas uma for&ccedil;a, o&nbsp;<i>ruach<\/i>\/<i>pneuma<\/i>30&thinsp;de Deus, &eacute; simplesmente fazer uma leitura equivocada, preconceituosa e dogm&aacute;tica de evid&ecirc;ncias irrefut&aacute;veis, leitura informada por conclus&otilde;es e preconceitos desenvolvidos fora do c&iacute;rculo da revela&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Par&aacute;kletos e Jesus<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; importante observar que no pensamento joanino encontramos uma &iacute;ntima conex&atilde;o entre o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e Jesus. Praticamente tudo aquilo que Jo&atilde;o afirma deste personagem &eacute; dito de Jesus em outras partes do evangelho. Em outras palavras, o relacionamento entre o primeiro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>[Jesus]31&nbsp;e o segundo [o Esp&iacute;rito Santo] &eacute; dominante no quarto evangelho. N&atilde;o &eacute; de surpreender que o Esp&iacute;rito seja chamado pelo pr&oacute;prio Jesus, como j&aacute; visto, de &ldquo;outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>.&rdquo; O detalhado e preciso paralelismo entre o minist&eacute;rio do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;e o minist&eacute;rio de Jesus &eacute; exato para ser entendido como mera coincid&ecirc;ncia. Assim, uma vez que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;pode vir apenas quando Jesus partir, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, para todos os efeitos,<i>&nbsp;<\/i>&ldquo;&eacute; a presen&ccedil;a de Jesus quando Jesus est&aacute; ausente&rdquo;32&nbsp;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel deixar passar despercebido o fato de que no&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>Jesus cumpre Sua promessa de voltar para Seus disc&iacute;pulos (Jo 18:14). Percebemos, ent&atilde;o, que de todas as fun&ccedil;&otilde;es do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>nenhuma &eacute; mais central do que a de continuar a obra de Jesus. Observemos as precisas semelhan&ccedil;as:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4454\" src=\"http:\/\/centrowhite.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Untitled.png\" alt=\"\" width=\"827\" height=\"986\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, o paradoxo apresentado pela promessa de Jesus de que Sua obra na terra continuar&aacute; porque Ele ir&aacute; para o Pai &eacute; resolvido pelo Seu &ldquo;retorno,&rdquo; na pessoa do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. De fato, a vinda do Paracleto &eacute; o &ldquo;retorno&rdquo; de Jesus para os seus: Agora eles est&atilde;o nEle e Ele neles (Jo 14:20). Como J. Louis Martyn observa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas esta &eacute; uma uni&atilde;o dram&aacute;tica desempenhada em um drama de dois n&iacute;veis, de tal forma que ela cria uma crise epistemol&oacute;gica. O mundo, certamente, v&ecirc; apenas um n&iacute;vel deste drama.33<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo, devemos acrescentar, pode &ldquo;ver&rdquo; a tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de Jesus de Nazar&eacute;, uma figura do passado, cuja identidade pode ser debatida num formato&nbsp;<i>midr&aacute;shico<\/i>, sem, contudo, perceber a atua&ccedil;&atilde;o do Paracleto, a qual torna Jesus&nbsp;<i>contempor&acirc;neo<\/i>&nbsp;e presente nos atos e palavras dos disc&iacute;pulos (Jo 14:17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como observado acima, daquilo que Jo&atilde;o diz do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;em seu evangelho, &eacute; esta &iacute;ntima rela&ccedil;&atilde;o entre Ele e Jesus que emerge como o aspecto dominante. N&atilde;o &eacute; de surpreender que alguns int&eacute;rpretes cheguem a identificar o Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>, como o &ldquo;<i>alter ego<\/i>&nbsp;de Jesus&rdquo;34&nbsp;ou &ldquo;o outro Jesus.&rdquo;35&nbsp;Devemos observar, por um lado, que aquilo que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;ensina ou revela n&atilde;o constitui algo novo. Ele relembra aos disc&iacute;pulos aquilo que Jesus havia ensinado. Ele testemunha em favor de Jesus e O glorifica, tendo com Jesus a mesma rela&ccedil;&atilde;o que Este tivera com o Pai. Assim como Jesus n&atilde;o falou de Si, mas apenas aquilo que o Pai o ensinara (Jo 5:28). Da mesma forma que Jesus glorificara o Pai (Jo 12:28, 14:13, 17:14), o&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>d&aacute; testemunho dEle, e O glorifica. Por outro lado, contudo, o g&ecirc;nio da obra do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, como j&aacute; sugerido, &eacute; que Ele n&atilde;o meramente repete ou reencena Jesus. O&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>reinterpreta Jesus, torna-O presente e permanentemente atual na Igreja. Jesus e a gl&oacute;ria manifesta em Seu minist&eacute;rio, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o representam um per&iacute;odo ideal no passado, quando o reino de Deus irrompeu entre os homens, um per&iacute;odo para o qual seus disc&iacute;pulos olham com uma aura de saudosismo. O&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute; apenas um int&eacute;rprete de Jesus, mas Aquele que O reatualiza e reinterpreta para cada gera&ccedil;&atilde;o, tornando-O sempre atual, relevante e contempor&acirc;neo, n&atilde;o importando as mudan&ccedil;as e vari&aacute;veis do contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como R. Brown sugere, o quadro joanino do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>responde a dois problemas importantes na pr&oacute;pria composi&ccedil;&atilde;o do quarto evangelho, que n&atilde;o podem ser desconsiderados em nossa discuss&atilde;o, e de fato, respondem &agrave; quest&atilde;o suscitada anteriormente neste artigo, quanto &agrave; raz&atilde;o pela qual Jo&atilde;o atribui o t&iacute;tulo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;ao Esp&iacute;rito. O primeiro problema tem a ver com a dificuldade criada pela iminente morte da &uacute;ltima testemunha ocular, que constitu&iacute;a o &uacute;ltimo elo vis&iacute;vel entre a Igreja no final do primeiro s&eacute;culo e Jesus de Nazar&eacute;.36&nbsp;Como deveria a igreja reagir em face desta nova situa&ccedil;&atilde;o, quando o &uacute;ltimo v&iacute;nculo com Jesus parecia estar sendo cortado? Como enfrentar o perigo dela mesma tornar-se uma institui&ccedil;&atilde;o auto-suficiente, desconectada de Cristo? O conceito do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>responde a esta quest&atilde;o. Se as testemunhas oculares, como o pr&oacute;prio disc&iacute;pulo amado, haviam dado seu testemunho e guiado a Igreja, isto n&atilde;o f&ocirc;ra primariamente por causa da conex&atilde;o direta com Jesus. Uma vez que eles pr&oacute;prios n&atilde;o O haviam entendido (Jo 14:9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o testemunho apost&oacute;lico n&atilde;o &eacute; v&aacute;lido porque estes ap&oacute;stolos houvessem estado com Jesus, ou mesmo dependido da compreens&atilde;o que eles haviam tido dEle. A validade do testemunho deles dependeu primariamente do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, o qual tomou, depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o, o lugar de Jesus, para que os disc&iacute;pulos pudessem ser ensinados e relembrados de tudo o que Jesus ensinara. Os ap&oacute;stolos foram habilitados a testemunhar e interpretar Jesus, precisamente porque eles haviam recebido o&nbsp;<i>par&aacute;kletos.<\/i>&nbsp;Este permanece com todos aqueles que amam a Jesus (Jo 14:17), mesmo depois do desaparecimento das testemunhas oculares. Assim, a morte do &uacute;ltimo ap&oacute;stolo n&atilde;o quebra a corrente entre Cristo e a Igreja, porque o&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;que havia ensinado aos primeiros ap&oacute;stolos, continua com a Igreja, para gui&aacute;-la em toda a verdade, e permanece com as cont&iacute;nuas gera&ccedil;&otilde;es de disc&iacute;pulos. O&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; o verdadeiro v&iacute;nculo entre a Igreja e Jesus Cristo. Jo&atilde;o enfatiza que a fun&ccedil;&atilde;o de ensino do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o envolve nada novo, como observado acima; entretanto, isto n&atilde;o significa mera repeti&ccedil;&atilde;o. O papel do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; reinterpretativo, tornando Jesus contempor&acirc;neo para as sucessivas gera&ccedil;&otilde;es de disc&iacute;pulos37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo problema que o conceito do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;joanino responde &eacute; a quest&atilde;o da demora da&nbsp;<i>parousia<\/i>. Na conclus&atilde;o do Evangelho de Jo&atilde;o (Jo 21:18-23), Pedro, em di&aacute;logo com o Cristo ressuscitado, face &agrave; sugest&atilde;o do tipo de morte que ele sofreria (v. 18-19), vendo o &ldquo;disc&iacute;pulo amado&rdquo;, pergunta ao Senhor: &ldquo;e quanto a este?&rdquo; (v. 21). Jesus, como em outras circunst&acirc;ncias, repreende a curiosidade quanto ao futuro, formulando uma pergunta hipot&eacute;tica &ldquo;[e] Se eu quero que ele permane&ccedil;a at&eacute; que eu venha, que te importa?&rdquo; (v. 22). A frase &ldquo;at&eacute; que eu venha&rdquo;, implica um evento futuro, juntamente com a possibilidade de que este evento (a&nbsp;<i>parousia<\/i>) aconteceria dentro do per&iacute;odo de vida de Jo&atilde;o. O verso 23 acrescenta uma frase chave: &ldquo;Ent&atilde;o se tornou corrente entre os irm&atilde;os o dito que aquele disc&iacute;pulo n&atilde;o morreria.&rdquo; Isto fortemente sugere um quadro da Igreja no final do primeiro s&eacute;culo, convivendo com os evidentes sinais da proximidade da morte de Jo&atilde;o, sem o cumprimento do esperado retorno do Senhor.38<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, como R. Brown observa, &ldquo;a &ecirc;nfase joanina no Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>como a presen&ccedil;a de Jesus &eacute; a resposta do evangelista ao desencorajamento acerca da demora do segundo advento&rdquo;39. O ap&oacute;stolo indica que a aparente demora da&nbsp;<i>parousia<\/i>&nbsp;n&atilde;o deveria gerar solid&atilde;o ou desencanto, uma vez que Jesus j&aacute; est&aacute; presente com seus seguidores na pessoa do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. Isto n&atilde;o significa negar o cumprimento futuro do advento de Jesus, mas assegurar que, enquanto os crist&atilde;os aguardam este glorioso evento, eles n&atilde;o precisam ser v&iacute;timas do pessimismo escatol&oacute;gico, ou gastarem suas energias em expectativas especulativas. Ao contr&aacute;rio, eles devem ser confortados pelo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, o qual traz Jesus a eles. Desta maneira, combinada com outros aspectos de uma escatologia parcialmente realizada no quarto evangelho, a &ecirc;nfase no&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;sugere aos crist&atilde;os a permanente certeza da presen&ccedil;a de Jesus com eles. Ellen White belamente sumariza esta &ecirc;nfase: &ldquo;O Esp&iacute;rito Santo &eacute; o Consolador, em nome de Cristo. Ele personifica Cristo&rdquo;. Mas desfazendo qualquer confus&atilde;o quanto &agrave; pessoa do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, ela afirma: &ldquo;Contudo, ele [<i>o par&aacute;kletos<\/i>] &eacute; uma personalidade distinta.&rdquo;40<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Sum&aacute;rio e conclus&otilde;es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer que seja a origem final do termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, as linhas principais de interpreta&ccedil;&atilde;o do conceito s&atilde;o estabelecidas pelo pr&oacute;prio Jo&atilde;o no evangelho, e s&atilde;o suficientemente claras. Tais linhas de interpreta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o percept&iacute;veis se sumarizarmos as caracter&iacute;sticas do&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>no quarto evangelho como as estudamos, e ent&atilde;o considerarmos a forma com que Jo&atilde;o descreve como Jesus introduziu Suas promessas acerca deste Personagem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jo&atilde;o 14:15-17, descobrimos que: (1) Jesus interceder&aacute; junto ao Pai e o Pai conceder&aacute; outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>; (2) este outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;estar&aacute; com os disc&iacute;pulos para sempre, em aparente contraste com Jesus, que agora os est&aacute; deixando; (3) o outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; o Esp&iacute;rito de Verdade; (4) o mundo n&atilde;o O v&ecirc; ou conhece; (5) mas os disc&iacute;pulos O conhecem, pois Ele permanece com eles (cf. 20:22); (6) o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;&eacute; o Esp&iacute;rito Santo (Jo 14:25 e 26); (7) Ele ensina os crentes todas as coisas e (8) trar&aacute; &agrave; lembran&ccedil;a dos disc&iacute;pulos tudo o que Jesus ensinou; (9) o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;d&aacute; testemunho de Jesus (Jo 15:26-29); (10) quando o&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>vier, Ele acusar&aacute;, julgar&aacute;, e condenar&aacute; o mundo (Jo 16:5-11); (11) o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o falar&aacute; de Si, mas glorificar&aacute; a Jesus, dando testemunho dEle (Jo 16:12-15); e, finalmente, (12) Ele ensinar&aacute; aos crentes as coisas vindouras. Deste esbo&ccedil;o, e daquilo que discutimos ao longo deste artigo, &eacute; claro que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, embora Se pare&ccedil;a com Cristo e esteja intimamente ligado a Jesus, &eacute; um outro&nbsp;<i>consolador<\/i>, cuja fun&ccedil;&atilde;o principal &eacute; continuar a obra de Cristo, n&atilde;o podendo ser confundido quer com Jesus, quer com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto observado &eacute; a clara converg&ecirc;ncia e identifica&ccedil;&atilde;o entre o Esp&iacute;rito e o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. Embora as cinco passagens que tratam do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no quarto evangelho possam ser consideradas uma unidade, quando tomadas em conjunto, tais passagens s&atilde;o tamb&eacute;m consistentes com outras refer&ecirc;ncias ao Esp&iacute;rito nos evangelhos sin&oacute;ticos e livro de Atos. Particularmente Mateus 10:20 (&ldquo;visto que n&atilde;o sois v&oacute;s quem falais, mas o Esp&iacute;rito do vosso Pai &eacute; quem fala em v&oacute;s&rdquo;), e Marcos 13:11 (&ldquo;Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, n&atilde;o vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque n&atilde;o sois v&oacute;s os que falais, mas o Esp&iacute;rito Santo&rdquo;), identificam a ajuda que seria dada aos disc&iacute;pulos quando eles testemunhassem de Jesus em contexto forense, e fizerem sua defesa em corte, em termos id&ecirc;nticos &agrave; a&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>descrita no quarto evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobretudo, este artigo, de certa forma, concentrou-se no relacionamento entre Jesus e o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, pois &eacute; precisamente aqui que descobrimos a chave para o car&aacute;ter crucial da miss&atilde;o dEle no evangelho joanino, respondendo quest&otilde;es cruciais enfrentadas no final do primeiro s&eacute;culo, mas com proje&ccedil;&otilde;es para toda a era crist&atilde;, at&eacute; o final dos tempos. N&atilde;o &eacute;, portanto, acidental que a primeira passagem contendo a promessa de Jesus quanto ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;(Jo 14:16), seja seguida imediatamente pelo verso no qual Cristo afirma: &ldquo;N&atilde;o vos deixarei &oacute;rf&atilde;os, voltarei para v&oacute;s outros&rdquo; (v. 17-18). Jesus &ldquo;retorna&rdquo; para os disc&iacute;pulos por meio do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>, que &eacute; enviado para permanecer com eles, depois que Jesus parte. Isto constitui a contribui&ccedil;&atilde;o joanina quanto ao Esp&iacute;rito Santo: o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;continua, no per&iacute;odo p&oacute;s-ressurrei&ccedil;&atilde;o, reatualizando a presen&ccedil;a de Jesus&nbsp;<i>com<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>na<\/i>&nbsp;Igreja, por meio da era crist&atilde;, at&eacute; o fim dos tempos. &Eacute; precisamente a presen&ccedil;a do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;que impede que a Igreja se torne &oacute;rf&atilde;, desconectada do seu divino fundador. &Eacute; precisamente Ele que impede que os crist&atilde;os se tornem po&ccedil;os de &aacute;gua estagnada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que &eacute; ent&atilde;o o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;nas passagens do quarto evangelho? Ele &eacute; o Esp&iacute;rito Santo, investido da fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de continuar a presen&ccedil;a de Cristo com os Seus disc&iacute;pulos. Ele n&atilde;o &eacute; meramente a opera&ccedil;&atilde;o do poder divino no homem. Ele &eacute; uma pessoa. Uma pessoa distinta, mais explicitamente afirmada no evangelho de Jo&atilde;o do que em qualquer outro lugar do Novo Testamento. Uma pessoa distinta do Pai, pois, como vimos, Ele &eacute; enviado pelo Pai (Jo 14:26), e como a l&oacute;gica b&aacute;sica exige, ningu&eacute;m envia-se a si mesmo; dado pelo Pai (14:16) e procedendo do Pai (Jo 15:26). Distinto do Filho, pois Ele &eacute; enviado &ldquo;em nome do Filho&rdquo;(Jo 14:26), enviado pelo Filho (Jo 15:26), recebendo o que &eacute; do Filho (Jo 16:14), e &eacute; um &ldquo;outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&rdquo; (Jo 14:16). N&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m qualquer dificuldade real quanto &agrave; Sua personalidade. Ele n&atilde;o &eacute; meramente um dom impessoal ou poder abstrato, um f&ocirc;lego, nem &eacute; Ele uma met&aacute;fora a respeito de Jesus. Ele &eacute; uma pessoa real, t&atilde;o real quanto o pr&oacute;prio Cristo, cuja presen&ccedil;a na vida da Igreja, era e continua sendo, t&atilde;o crucial e cr&iacute;tica, a ponto de o pr&oacute;prio Jesus afirmar, com Sua f&oacute;rmula de introduzir quest&otilde;es solenes: &ldquo;Mas eu vos digo a verdade: conv&eacute;m que Eu v&aacute;, porque, se Eu n&atilde;o for, o Consolador [<i>par&aacute;kletos<\/i>] n&atilde;o vir&aacute; para v&oacute;s outros&rdquo; (Jo 16:7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que poderia ser mais importante para os disc&iacute;pulos do que a presen&ccedil;a de Cristo com eles? Dif&iacute;cil como isto possa parecer, aqui Jesus ensina claramente que a vinda do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;era mais vantajosa para Seus seguidores no per&iacute;odo p&oacute;s-cruz e ressurrei&ccedil;&atilde;o, do que a presen&ccedil;a dEle mesmo. Assim, contrariamente &agrave;s teorias antitrinitarianas, antigas e modernas, em rela&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo, n&atilde;o estamos diante de uma quest&atilde;o superficial, uma lux&uacute;ria interessante, mas dispens&aacute;vel e de import&acirc;ncia secund&aacute;ria, sujeita &agrave;s especula&ccedil;&otilde;es infundadas de teologias prec&aacute;rias. A crucial import&acirc;ncia do Esp&iacute;rito Santo para a Igreja pode ser percebida quando deixamos os evangelhos e entramos no livro de Atos, e testemunhamos a&iacute; a realiza&ccedil;&atilde;o daquilo que Jesus profetizara do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. Aqui entramos num novo mundo e sentimos o sopro de uma brisa nova. Nas palavras de J. Ritchie Smith, &ldquo;em uma &uacute;nica hora, o Esp&iacute;rito operou nos disc&iacute;pulos a transforma&ccedil;&atilde;o que tr&ecirc;s anos de comunh&atilde;o com Jesus n&atilde;o tinha efetuado&rdquo;41. Seria, ent&atilde;o, incompreens&iacute;vel que Jesus tivesse dito: &ldquo;&Eacute; para a vossa vantagem que Eu v&aacute;&hellip;&rdquo;? Seria incompreens&iacute;vel por que o Esp&iacute;rito Santo seja vital para a Igreja hoje, como foi no passado? Ou, seria dif&iacute;cil entender por que Satan&aacute;s est&aacute; t&atilde;o ativo, confundindo crist&atilde;os e obscurecendo a compreens&atilde;o deles sobre a pessoa e obra do Esp&iacute;rito Santo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, os crist&atilde;os n&atilde;o cr&ecirc;em na Trindade em fun&ccedil;&atilde;o de qualquer dogma inventado pela tradi&ccedil;&atilde;o ou conc&iacute;lios da Igreja. Da mesma maneira que eles n&atilde;o descr&ecirc;em dela porque vozes confusas e mal-informadas surgem com &ldquo;fogo estranho&rdquo; no altar do Senhor. Al&eacute;m de nossa l&oacute;gica fraca e raz&atilde;o finita, n&atilde;o dizemos, irracionalmente, que cremos em tr&ecirc;s deuses e um deus, ou, em tr&ecirc;s pessoas e uma pessoa, mas, logicamente, afirmamos que a B&iacute;blia ensina um &uacute;nico verdadeiro Deus em tr&ecirc;s Pessoas divinas: Pai, Filho e o Esp&iacute;rito Santo. Somos exortados a crer no que Deus nos revela em Sua Palavra, mesmo que n&atilde;o possamos entender isto plenamente, aqui e agora. Assim, se por um lado n&atilde;o ousamos crer mais do que aquilo que nos foi revelado, por outro lado, n&atilde;o nos atrevemos a aceitar menos do que aquilo que nos &eacute; ensinado nas Escrituras. Nossa consci&ecirc;ncia<\/p>\n<hr>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Adotamos neste texto o termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;transliterado do grego em vez de&nbsp;<i>Paracleto<\/i>, do latim.<\/p>\n<div class=\"bibliografia\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-1\">1<\/span>&nbsp;Para esta identifica&ccedil;&atilde;o em um per&iacute;odo muito antigo da hist&oacute;ria do cristianismo, veja Shepherd of Hermas, Mandate iii. 4, comparando com v. 1-2, em&nbsp;<i>Ante-Nicene Fathers<\/i>&nbsp;(Eerdmans: Grand Rapids, MI, 1976), 2:43. Tertuliano (160-225), em um per&iacute;odo consideravelmente anterior a Nic&eacute;ia, deu &agrave; Igreja a sua linguagem da &ldquo;Trindade,&rdquo; e das pessoas dentro da Trindade, distinguindo claramente a pessoa e obra do Esp&iacute;rito Santo, do Pai e do Filho. Tertuliano identifica o Paracleto\/Consolador com o Esp&iacute;rito Santo, em. Against Praxeas<i>&nbsp;<\/i>xxv, vii-ix,&nbsp;<i>Ante-Nicene Fathers<\/i>, 3:621, 603-604.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-2\">2<\/span>&nbsp;A doutrina da Trindade &eacute; dogma central da teologia crist&atilde;, isto &eacute;, que Deus existe&nbsp;<i>em tr&ecirc;s pessoas e uma subst&acirc;ncia<\/i>. Esta doutrina, ao longo dos s&eacute;culos, tem sido mantida pelos crist&atilde;os como um mist&eacute;rio. Se, por um lado, ela n&atilde;o pode ser conhecida pela raz&atilde;o humana desajudada ou independente da revela&ccedil;&atilde;o, por outro lado, ela tamb&eacute;m n&atilde;o pode ser plenamente demonstrada pela raz&atilde;o, mesmo depois de ter sido revelada. Embora os crist&atilde;os afirmem que tal mist&eacute;rio&nbsp;<i>esteja acima da raz&atilde;o<\/i>, ele n&atilde;o &eacute;, contudo,&nbsp;<i>contr&aacute;rio &agrave; raz&atilde;o<\/i>, ou incompat&iacute;vel com os princ&iacute;pios do pensamento racional. Tem havido em diferentes per&iacute;odos da hist&oacute;ria do cristianismo os que, em arrog&acirc;ncia, buscaram comprimir a Divindade dentro dos limites da fraca l&oacute;gica e raz&atilde;o humanas, sem se aperceberem, talvez, de que quando pudermos entender Deus plenamente, seremos como Ele, e, portanto, j&aacute; n&atilde;o precisaremos dEle. Nas Escrituras n&oacute;s n&atilde;o temos revela&ccedil;&atilde;o absoluta, apenas revela&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria. N&atilde;o sabemos tudo sobre Deus. N&atilde;o dizemos a Deus o que Ele deve ou n&atilde;o revelar de Si, mas em humildade e gratid&atilde;o recebemos e aceitamos aquilo que Ele, em Sua gra&ccedil;a e sabedoria, decidiu revelar. Evidentemente, se l&oacute;gica humana fosse o teste para nossa aceita&ccedil;&atilde;o de Deus e de Suas verdades, ser&iacute;amos for&ccedil;ados a deixar de fora a maior parte das categorias b&iacute;blicas: cria&ccedil;&atilde;o, pecado, queda, elei&ccedil;&atilde;o divina, exist&ecirc;ncia de Satan&aacute;s, milagres, encarna&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;a, salva&ccedil;&atilde;o, ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, segundo advento, ressurrei&ccedil;&atilde;o dos mortos, apenas para citar algumas. Todas estas no&ccedil;&otilde;es, em sua plenitude, encontram-se al&eacute;m de nossa raz&atilde;o fraca e enferma. Ou ser&aacute; que, para sermos &ldquo;l&oacute;gicos&rdquo;, devemos tamb&eacute;m nos descartar delas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-3\">3<\/span>&nbsp;O ensino b&iacute;blico quanto &agrave; Trindade, ao longo da hist&oacute;ria do cristianismo, tem se deparado com s&eacute;rios desvios da ortodoxia, variando de &ecirc;nfase e enfoques. Sabelianismo, monarquianismo modalista, pneumatoquianismo, arianismo, macedonianismo e socinianismo s&atilde;o antigas no&ccedil;&otilde;es unitarianas que ressurgiram em tempos recentes entre os m&oacute;rmons, testemunhas de Jeov&aacute; e Ci&ecirc;ncia Crist&atilde;, sem essencialmente nenhuma novidade. Mas, como sabemos, a mentira n&atilde;o morre f&aacute;cil. Outras vers&otilde;es recicladas e pioradas t&ecirc;m surgido na periferia do adventismo do s&eacute;timo dia, maquiadas com retoques prec&aacute;rios e pouco criativos. Este &eacute; o caso de alguns panfletos e folhetins que circulam em v&aacute;rios lugares e em sites da internet. Os livros&nbsp;<i>A Divindade<\/i>, que se apresenta como uma &ldquo;compila&ccedil;&atilde;o de diversos autores,&rdquo; e&nbsp;<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos Um&rdquo;<\/i>, de Ricardo Nicotra, caem nesta categoria: mal informados, sem solidez b&iacute;blica, teol&oacute;gica, hist&oacute;rica ou l&oacute;gica simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-4\">4<\/span>&nbsp;W. F. Howard observa que Jo&atilde;o &eacute; &ldquo;pela maioria dos crist&atilde;os considerado o cl&iacute;max da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica&rdquo;.&nbsp;<i>The Fourth Gospel in Recent Criticism and Interpretation<\/i>&nbsp;(London: The Epworth Press, 1965), 3. Em volume posterior, Howard insiste que a teologia joanina &ldquo;&eacute; a mais altamente desenvolvida do Novo Testamento&rdquo;.&nbsp;<i>Christianity According to St. John<\/i>&nbsp;(London: Duckworth, 1973), 19. Tal avalia&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do pensamento joanino para a teologia do Novo Testamento &eacute; comum entre outros eruditos b&iacute;blicos. Embora possamos admitir que, como geralmente observado, a teologia paulina seja obviamente mais abrangente, prevalece a compreens&atilde;o de que &ldquo;Jo&atilde;o &eacute; o Everest do estudo do Novo Testamento, tanto exegeticamente como teologicamente.&rdquo; W. Boyd Hunt, &ldquo;John&rsquo;s Doctrine of the Spirit,&rdquo;&nbsp;<i>Soutthwestern Journal of Theology<\/i>, 7\/8, 1966, 45. A. M. Hunter defende a mesma id&eacute;ia ao afirmar que nas m&atilde;os de Jo&atilde;o o evangelho &eacute; reexpresso para satisfazer as necessidades de uma comunidade espiritual mais ampla. &ldquo;[Jo&atilde;o] buscou uma [nova] categoria para expressar o significado do evangelho para todos os homens, judeus e gregos&rdquo;.&nbsp;<i>Introducing New Testament Theology<\/i>&nbsp;(Naperville: SCM Book Clook, 1957), 150. Veja tamb&eacute;m C.K. Barrett,&nbsp;<i>The Gospel According to St. John<\/i>&nbsp;(Philadelphia: The Westminster Press, 1978), 32, 49. Por outro lado, embora cristologia seja a &ecirc;nfase prim&aacute;ria do quarto evangelho, sua peneumatologia &eacute; reconhecidamente um dos seus maiores temas e &ldquo;uma das mais distintivas caracter&iacute;sticas do [quarto] evangelho&rdquo; (ver Hunter, 25). De fato, o cristinaismo &ldquo;de acordo com Jo&atilde;o &eacute; interpretado em termos do Esp&iacute;rito&rdquo; (Hunt, 46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-5\">5<\/span>&nbsp;Vincent Taylor, et. al.,&nbsp;<i>The Doctrine of the Holy Spirit<\/i>&nbsp;(London: The Epworth Press, 1938), 66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-6\">6<\/span>&nbsp;Raymond E. Brown,&nbsp;<i>The Gospel According to John XIII-XXI<\/i>&nbsp;(New York: Doubleday &amp; Company,&nbsp; 1979), 1135.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-7\">7<\/span>&nbsp;Na compreens&atilde;o truncada de Nicotra, o Esp&iacute;rito Santo\/Paracleto &eacute; ora confundido com Deus o Pai, ora com Deus o Filho. O que realmente surpreende, contudo, &eacute; a natureza prec&aacute;ria dos argumentos. Ver, por exemplo, sua interpreta&ccedil;&atilde;o de Atos 20:28 (<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos Um&rdquo;<\/i>, p. 19): &ldquo;Atendei por v&oacute;s e por todo o rebanho sobre o qual o&nbsp;<i>Esp&iacute;rito Santo vos constituiu bispos<\/i>, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual&nbsp;<i>ele comprou com o seu pr&oacute;prio sangue<\/i>.&rdquo; Dando sua interpreta&ccedil;&atilde;o, Nicotra arremata: &ldquo;No texto acima, Deus, atrav&eacute;s de Sua Palavra, est&aacute; afirmando que o Esp&iacute;rito Santo comprou a igreja com o seu proprio sangue. Sabemos que quem comprou a igreja com o Seu pr&oacute;prio sangue foi Jesus. Assim, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber que Deus est&aacute; chamando Jesus de Esp&iacute;rito Santo.&rdquo; Fant&aacute;stico, n&atilde;o fosse o car&aacute;ter grosseiro do argumento. No primeiro n&iacute;vel, o erro da conclus&atilde;o de Nicotra se explica por confus&atilde;o gramatical, pura e simples, ou, pior ainda, por m&aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de leitura de textos. O pronome pessoal&nbsp;<i>ele<\/i>&nbsp;(que &ldquo;comprou com o seu pr&oacute;prio sangue&rdquo;), n&atilde;o se refere ao Esp&iacute;rito Santo (na primeira parte da frase), mas a Deus (aquele a quem pertence a Igreja), na cl&aacute;usula imediatamente anterior. N&atilde;o fosse a apologia que Nicotra faz da ignor&acirc;ncia para a leitura da B&iacute;blia (ver&nbsp;<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos Um&rdquo;,&nbsp;<\/i>p. 9-13), ele poderia ter facilmente evitado este absurdo (ver F. F. Bruce&nbsp;<i>The Book of Acts<\/i>&nbsp;[Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1980], 416, nota 59). Bruce discute o grego deste texto, concluindo que a melhor leitura seria &ldquo;por meio do sangue do Seu pr&oacute;prio [<i>idiou<\/i>] filho.&rdquo; Veja em suporte, J. H. Moulton,&nbsp;<i>Grammar of NT Greek, I&nbsp;<\/i>[Edinburgh, 1906], 90). Por outro lado, A.T. Robertson, indiscut&iacute;vel autoridade no grego do NT, argumenta com base na leitura de alguns manuscritos (por exemplo, Aleph B Vulg), que&nbsp;<i>tou theou<\/i>&nbsp;refere-se a Jesus, chamado aqui, como em outras partes do Novo Testamento, de &ldquo;Deus,&rdquo; que derramou o Seu sangue pelo Seu rebanho (Robertson,&nbsp;<i>Introduction to Textual Cristicism of the N. T. A<\/i>.[Nashville, Broadman Press, 1930], 189); veja, ainda, Robertson,&nbsp;<i>Word Pictures in the New Testament, Vol. III, The Act of the Apostles<\/i>&nbsp;(Nashvile: Broadman Press, 1931), 353. Nas p&aacute;ginas 20 e 21 do seu&nbsp;<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos Um&rdquo;<\/i>, Nicotra, com o seu curioso m&eacute;todo de perguntas circulares, capaz de &ldquo;provar&rdquo; absolutamente qualquer coisa, indaga quem &eacute; o Consolador. Citando ent&atilde;o 2 Cor&iacute;ntios 1:3 e 4, onde o ap&oacute;stolo Paulo fala do &ldquo;Deus de toda consola&ccedil;&atilde;o, que nos conforta em toda a nossa tribula&ccedil;&atilde;o,&rdquo; ele conclui que Deus, o Pai &eacute; o Consolador. O argumento de Nicotra seria c&ocirc;mico, se n&atilde;o fosse tr&aacute;gico. Para dizer o m&iacute;nimo, parece que para Nicotra a B&iacute;blia foi escrita em portugu&ecirc;s. Embora Paulo afirme que Deus, aparentemente em refer&ecirc;ncia ao Pai, nos consola, ele n&atilde;o est&aacute; dizendo que o Pai seja o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, um t&iacute;tulo t&eacute;cnico, utilizado apenas no quarto evangelho para algu&eacute;m que n&atilde;o &eacute; o Filho e tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; o Pai (veja acima, p. 53 e 54), e &eacute; claramente indentificado como sendo o Esp&iacute;rito Santo (Jo 14:26). Al&eacute;m disto, devemos observar, ainda, que a tradu&ccedil;&atilde;o &ldquo;Consolador&rdquo; n&atilde;o esgota o rico significado do&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>joanino e da complexidade de Suas fun&ccedil;&otilde;es (veja abaixo). Finalmente, em Atos 9:31, &eacute; o Esp&iacute;rito Santo quem conforta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-8\">8<\/span>&nbsp;Como geralmente indicado,&nbsp;<i>allos<\/i>&nbsp;significa outro do mesmo tipo. C. K. Barret observa que, tomada adjetivamente,&nbsp;<i>allov&nbsp;<\/i>ou<i>&nbsp;par&aacute;kleton,<\/i>&nbsp;pode ser traduzido: Ele dar&aacute;: (a) outro Paracleto, ou (b) outra pessoa para ser um Paracleto (ver Barret,&nbsp;<i>The Gospel According to St. John<\/i>, 461)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-9\">9<\/span>&nbsp;A palavra traduzida em portugu&ecirc;s por &ldquo;advogado&rdquo;, &eacute; derivada do latim&nbsp;<i>advocatus<\/i>, considerada um dos equivalentes do termo grego&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>(veja Johannes Behen, Parakleto,&nbsp;<i>Theologiacal Dictionary of the New Testament&nbsp;<\/i>[Grand Rapids, MI, Eerdmans 1979], 801). O texto de 1 Jo&atilde;o 2:1, no qual Jesus &eacute; apresentado como exercendo um mist&eacute;rio intercessor, como advogado, junto ao Pai, no c&eacute;u, reflete, evidentemente, um contexto legal. Para ampla discuss&atilde;o sobre o significado de&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;em 1 Jo&atilde;o 2:1, ver I. Howard Marshal,&nbsp;<i>The International Comentary on the New Testament: The Epistles of John<\/i>&nbsp;(Grand Rapids, MI: Eerdmans), 118. F. F. Bruce observa que em 1 Jo&atilde;o 2:1, a &ldquo;advocacia de Jesus &eacute; exercida na corte celestial&hellip;. [em Jo&atilde;o 14:16-17] est&aacute; impl&iacute;cito que Ele [Jesus] tinha sido o advogado ou o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;dos disc&iacute;pulos na Terra. Isto Ele inha sido realmente, enquanto estivera com eles: Ele tinha sido o ajudador e o defensor deles, Aquele em cuja guia e apoio eles poderiam descansar; mas agora Jesus estava para deix&aacute;-los. Ele havia estado com eles por um curto per&iacute;odo de tempo, mas o &lsquo;outro&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&rsquo;&hellip; estaria com eles permanentemente e n&atilde;o apenas com eles, mas neles&rdquo; F. F. Bruce,&nbsp;<i>The Gospel of John<\/i>&nbsp;(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1983), 302.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-10\">10<\/span>&nbsp;F. F. Bruce. 302. Ellen White, em v&aacute;rios textos, concorre com esta no&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-11\">11<\/span>&nbsp;Uma indica&ccedil;&atilde;o da unidade de a&ccedil;&atilde;o entre as pessoas da divindade, Pai e Filho, &eacute; vista em Jo&atilde;o 15:26, onde &eacute; o pr&oacute;prio Jesus quem envia o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. O texto n&atilde;o deve ser visto como contr&aacute;rio a 14:26. Aqueles familiarizados, contudo, com a teologia medieval se lembrar&atilde;o como a controv&eacute;rsia&nbsp;<i>filioque<\/i>&nbsp;proveu o ambiente para a divis&atilde;o entre o cristianismo ocidental e oriental, em 1054.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-12\">12<\/span>&nbsp;Tertuliano. Against Praxeas<i>&nbsp;<\/i>xxv, vii-ix, em&nbsp;<i>Ante-Nicene Fathers<\/i>, 3:621, 603-604.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-13\">13<\/span>&nbsp;Ibid. Aqueles que defendem a insustent&aacute;vel teoria de que Trindade &eacute; um dogma de Constantino, posterior a Nic&eacute;ia, deveriam melhor se familiarizar com a hist&oacute;ria do Cristianismo. Refer&ecirc;ncias &agrave; Trindade s&atilde;o abundantes em fontes insuspeitas, mais de dois s&eacute;culos antes do Conc&iacute;lio de Nic&eacute;ia. Sugerimos a leitura de alguns volumes: o reconhecido, J. N. Kelly,&nbsp;<i>Early Cristian Doctrines<\/i>&nbsp;(New York: Harper &amp; Row, 1978), e Stanley M. Burgess,&nbsp;<i>The Spirit &amp; the Church: Antiquity<\/i>&nbsp;(Peabody, Massachusetts: 1984); Edmund J. Fortman,&nbsp;<i>The Triune God, A Historical Study of the doctrine of the Trinity<\/i>&nbsp;(Grand Rapids: Baker, 1982); e ainda o recente, Roger E. Olson e Christopher A. Hall,&nbsp;<i>The Trinity<\/i>, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2002). Estas obras focalizam o testemunho do cristianismo primitivo quanto &agrave; pessoa e obra do Esp&iacute;rito Santo, a partir do final do primeiro s&eacute;culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-14\">14<\/span>&nbsp;Como geralmente reconhecido, os tr&ecirc;s atributos prim&aacute;rios da personalidade s&atilde;o: mente\/intelecto, emo&ccedil;&otilde;es e vontade. Mera &ldquo;for&ccedil;a&rdquo; ou &ldquo;influ&ecirc;ncia&rdquo; ou&nbsp;<i>ruach\/pneuma<\/i>&nbsp;em sentido de f&ocirc;lego, n&atilde;o possui estes atributos. Claramente em Jo&atilde;o, bem como em uma outra enorme variedade de textos das Escrituras, o Esp&iacute;rito Santo exibe tais atributos. A &ldquo;mente&rdquo; do Esp&iacute;rito Santo, por exemplo, &eacute; claramente mencionada em 1 Cor. 2:10 &ldquo;&hellip;porque o Esp&iacute;rito a todas as coisas perscruta, at&eacute; mesmo as profundezas de Deus.&rdquo; A palavra grega traduzida aqui por &ldquo;perscruta&rdquo; significa &ldquo;cuidadosa investiga&ccedil;&atilde;o, exame minucioso.&rdquo; O Esp&iacute;rito, com Sua mente investiga as coisas de Deus, e as torna conhecidas por revela&ccedil;&atilde;o (o mesmo verbo &eacute; usado em Jo&atilde;o 5:39, &ldquo;<i>examinai&nbsp;<\/i>as Escrituras&hellip;&rdquo; como uma atividade poss&iacute;vel apenas a pessoas). Devemos observar que em Romanos 8:27 direta refer&ecirc;ncia &eacute; feita &agrave; mente do Esp&iacute;rito: &ldquo;E aquele que sonda os cora&ccedil;&otilde;es sabe qual &eacute; a&nbsp;<i>mente do Esp&iacute;rito<\/i>&hellip;&rdquo; Aqui &eacute; Deus o Pai quem perscruta a mente do Esp&iacute;rito. Novamente o mesmo verbo &eacute; utilizado. Como observa o altamente respeitado Arndt e Gingrich, em&nbsp;<i>Lexicon of the New Testament<\/i>, a palavra traduzida por &ldquo;mente&rdquo; neste verso significa, &ldquo;modo de pensar, disposi&ccedil;&atilde;o mental, alvo, aspira&ccedil;&atilde;o, busca&rdquo; (Willian F. Arndt e F. Wilbur Gingrich<i>, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature<\/i>&nbsp;[Chicago: The University Press, 1957], 874). E evidentemente, uma mera for&ccedil;a n&atilde;o tem um &ldquo;modo de pensar, disposi&ccedil;&atilde;o mental, alvo,&rdquo; ou &ldquo;aspira&ccedil;&atilde;o.&rdquo; No livro de Atos, em in&uacute;meras refer&ecirc;ncias, o Esp&iacute;rito Santo &eacute; descrito em termos que indicam ser Ele uma pessoa: que fala (1:16, 8:29), pro&iacute;be (16:6), pensa (15:28); indica (20:28); envia (13:4); testemunha (5:32); arrebata (8:39); impede (16:7); contra Ele se mente (5:3); tenta (5:9); Ele pode ser resistido (7:5). A estas cita&ccedil;&otilde;es do livro de Atos podem ser acrescentadas incont&aacute;veis outras do Novo Testamento em geral. E, francamente, se a linguagem tem qualquer significado, &eacute; imposs&iacute;vel compreender como tais evid&ecirc;ncias podem ser desconsideradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-15\">15<\/span>&nbsp;<i>&Eacute;keinos<\/i>&nbsp;em Jo&atilde;o 14:26, 15:26; 16:8 e 14;&nbsp;<i>aut&oacute;s<\/i>&nbsp;em 16:7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-16\">16<\/span>&nbsp;Como indicado pela autoridade de Barret, esta &eacute; a leitura da &ldquo;maioria dos manuscritos&rdquo; embora alguns manuscritos omitam&nbsp;<i>t&oacute; agion<\/i>&nbsp;(ver Barret, 467).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-17\">17<\/span>&nbsp;Um exaustivo estudo sobre o termo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, do ponto de vista ling&uuml;&iacute;stico e hist&oacute;rico, aparece em Gerhard Kittel, ed.,&nbsp;<i>Theological Dictionary of the New Testament<\/i>&nbsp;(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1979), vol. V, 800-814. Ver tamb&eacute;m, M. Migu&eacute;ns<i>, El Par&aacute;clito<\/i>&nbsp;(Jerusal&eacute;m, 1963); Para bibliografia exaustiva no t&oacute;pico, veja Barret,&nbsp;<i>The Gospel According to John<\/i>, 462. Veja, ainda, sobre a palavra&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>de v&aacute;rios autores,&nbsp;<i>Journal of the theologial Society<\/i>, new series I (1950): 7-15; J. G. Davies, idem, 4 (1953): 35-38; G. Bornkam, idem,&nbsp; 68-89, 90-103.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-18\">18<\/span>&nbsp;O. Betz, por exemplo, examina uma s&eacute;rie de palavras usadas em Qumran para descrever pessoas com fun&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;quelas do&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>no quarto evangelho<i>,&nbsp;<\/i>sem, contudo, estabelecer que qualquer destas palavras representem um equivalente real. Der Paraklet (Leidenm, 1963), 137, citado por J. Louis Martyn,&nbsp;<i>History &amp; Theology in the Fourth Gospel<\/i>&nbsp;(Nashville: Abingdon, 1979), 144. Para alguns int&eacute;rpretes, o termo grego foi transliterado para o hebraico e aramaico (Veja Barret, 462)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-19\">19<\/span>&nbsp;R. Brown,&nbsp;<i>The Gospel According to John<\/i>,&nbsp; 1136.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-20\">20<\/span>&nbsp;Para bibliografia neste ponto veja Barret, ibid., 462<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-21\">21<\/span>&nbsp;Para C.K. Barret, o significado de&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no Evangelho de Jo&atilde;o &eacute; melhor configurado considerando-se o uso de&nbsp;<i>parakalein<\/i>&nbsp;e outras palavras cognatas no Novo Testamento&nbsp;<i>(The Gospel of John<\/i>,<i>&nbsp;<\/i>462). Encontramos, assim, uma consider&aacute;vel variedade de significados atribu&iacute;dos ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos.<\/i>&nbsp;(1) Como forma passiva de&nbsp;<i>parakalein<\/i>, em seu sentido elementar (&ldquo;chamar para o lado de&rdquo;), significando &ldquo;algu&eacute;m que &eacute; chamado ao lado para ajudar;&rdquo; assim, um advogado, como no famoso texto de Tetuliano, &ldquo;<i>Paracletus, id est advocatus ad exorandum judicem&rdquo;&nbsp;<\/i>(Tertuliano,&nbsp;<i>De jejunio<\/i>, 13). Em algumas das antigas vers&otilde;es latinas, advocatus, &eacute; uma tradu&ccedil;&atilde;o literal deste sentido. Freq&uuml;entemente esta interpreta&ccedil;&atilde;o aparece combinada com o quadro extra&iacute;do de outras refer&ecirc;ncias do Novo Testamento, onde o Esp&iacute;rito Santo age em defesa dos disc&iacute;pulos, quando estes s&atilde;o colocados em julgamento (Mt 10:20, At 6:10). Assim, o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;se torna um advogado de defesa, o que sugere uma dimens&atilde;o forense &agrave; Sua obra. Tal fun&ccedil;&atilde;o &eacute; evidente em Jo&atilde;o 15:26, onde o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;atua como testemunha no julgamento de Jesus. O. M. F. Berrouard acrescenta que &ldquo;O&nbsp;<i>par&aacute;kletos&nbsp;<\/i>[tamb&eacute;m] &eacute; o defensor de Cristo diante da consci&ecirc;ncia dos crentes&rdquo; (Jean xvi.8-11, R.S.P.T. xxxiii [1949], 361-389). Devemos ter em mente, ainda, que o contexto das passagens relacionadas ao&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;indicam que os disc&iacute;pulos enfrentar&atilde;o persegui&ccedil;&atilde;o (Jo 15:18-25; 16:1-3, 32; 18:15), e em tais situa&ccedil;&otilde;es o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;os ensinar&aacute; o que dizer, o que refor&ccedil;a o aspecto forense de Sua obra. (2) Em sentido ativo, refletindo&nbsp;<i>parakalein<\/i>, em seu significado de &ldquo;interceder, apelar,&rdquo; da&iacute; um intercessor, um mediador, um representante. Em Jo&atilde;o 15: 13-14, o&nbsp;<i>par&aacute;kleto<\/i>s &eacute; um representante do ausente Cristo. A maioria dos Pais Gregos entendeu o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como um intercessor, embora alguns traduzam a palavra como &ldquo;consolador&rdquo; (veja Migu&eacute;ns, 213). O Esp&iacute;rito Santo &eacute; claramente um intercessor em Romanos 8:26. Mas todo o contexto aqui tem que ver com as ora&ccedil;&otilde;es dos santos, das quais o Esp&iacute;rito se torna o int&eacute;rprete. Assim, por meio do Esp&iacute;rito Santo, Deus o Pai, ouve aquilo que n&oacute;s n&atilde;o poder&iacute;amos dizer por n&oacute;s pr&oacute;prios; pelo Esp&iacute;rito Ele &ldquo;aceita aquilo que Ele mesmo tem a oferecer&rdquo; (Karl Barth,&nbsp;<i>The Epistle to the Romans<\/i>&nbsp;[London: Oxford University Press, 1968], 317. (3) Algumas tradu&ccedil;&otilde;es vertem o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como um &ldquo;ajudador,&rdquo; um &ldquo;amigo,&rdquo;como, por exemplo, na Tweentieth Century Translation, Moffatt, Goodspeed, etc. (4) Em sentido ativo, refletindo&nbsp;<i>parakalein<\/i>, como &ldquo;confortar,&rdquo; da&iacute; &ldquo;confortador\/consolador.&rdquo; Isto &eacute; refletido nas vers&otilde;es Antiga Latina, Lutero e Wycliffe, traduzindo&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como &ldquo;consolator.&rdquo; O elemento de consola&ccedil;&atilde;o aparece no contexto do &uacute;ltimo discurso (Jo 14:18,17; 16:16, 20-22). Assim, embora &ldquo;confortador&rdquo; n&atilde;o seja uma tradu&ccedil;&atilde;o adequada de&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, a palavra lan&ccedil;a luz em uma faceta do papel dele. (4) Relacionado com&nbsp;<i>paraklesis<\/i>, isto &eacute;, exorta&ccedil;&atilde;o e encorajamento, encontrado na prega&ccedil;&atilde;o do testemunho apost&oacute;lico. C. K. Barret (&ldquo;The Holy Spirit in the Fourth Gospel,&rdquo;&nbsp;<i>J.T. S<\/i>. I [1950]:1-15), sugere que o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;pode ser o t&iacute;tulo do Esp&iacute;rito, o qual falou na&nbsp;<i>paraklesis&nbsp;<\/i>(<i>admoesta&ccedil;&atilde;o\/advert&ecirc;ncia\/consola&ccedil;&atilde;o<\/i>)<i>&nbsp;<\/i>apost&oacute;lica, como em Atos 9: 31, uma refer&ecirc;ncia &agrave; Igreja andando na&nbsp;<i>paraklesi<\/i>s do Esp&iacute;rito Santo. Em Jo&atilde;o, embora o termo&nbsp;<i>paraklesis<\/i>&nbsp;n&atilde;o seja utilizado, h&aacute; muito que se ajusta &agrave; sugest&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>como mestre e guia dos disc&iacute;pulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-22\">22<\/span>&nbsp;A id&eacute;ia do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;como Ajudador &eacute; afirmada em rela&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo em Romanos 8:26, onde Esp&iacute;rito &ldquo;<i>ajuda&nbsp;<\/i>em nossas fraquezas.&rdquo; &ldquo;Ajudar&rdquo; aqui &eacute; o termo grego composto&nbsp;<i>suvavtilambanomai<\/i>,<i>&nbsp;<\/i>que aparece apenas em Lucas 10:40, quando Marta pede a Jesus que mande Maria &ldquo;ajud&aacute;-la&rdquo;. Nestas duas &uacute;nicas ocorr&ecirc;ncias, o verbo &eacute; utilizado em rela&ccedil;&atilde;o a pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-23\">23<\/span>&nbsp;Brown, p&aacute;g. 1139.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-24\">24<\/span>&nbsp;Ver W. Howard,&nbsp;<i>Christianity According to John<\/i>, 71-72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-25\">25<\/span>&nbsp;A literatura tratando do Esp&iacute;rito Santo no quarto evangelho &eacute; extensa. Veja o cl&aacute;ssico Henry Barclay Swete,&nbsp;<i>The Holy Spirit in the New Testament<\/i>&nbsp;(Grand Rapids, MI: Baker, 1976), 143 em diante. Para introduc&atilde;o &agrave; farta bibliografia veja W. Boyd Hunt, &ldquo;John&rsquo;s Doctrine of the Spirit,&rdquo; 43-65.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-26\">26<\/span>&nbsp;Mateus 28:19, contendo a f&oacute;rmula batismal trinitariana, representa uma das mais s&eacute;rias evid&ecirc;ncias quanto &agrave; doutrina b&iacute;blica da Trindade, uma das raz&otilde;es pelas quais Tertuliano utilizou a palavra latina&nbsp;<i>trinitas<\/i>, para descrever a divindade. O grego, neste texto, &eacute; de clareza inconfund&iacute;vel: o batismo &eacute; para ser administrado em um nome, n&atilde;o em tr&ecirc;s, o que implica consider&aacute;vel no&ccedil;&atilde;o de unidade. Contudo, o batismo &eacute; para ser realizado em nome de: o Pai, e o Filho e o Esp&iacute;rito Santo. Deve-se notar que cada um dos tr&ecirc;s substantivos est&aacute; conectado pela conjun&ccedil;&atilde;o grega&nbsp;<i>kai<\/i>&nbsp;(&ldquo;e&rdquo;) com o artigo definido, denotando, por outras construc&otilde;es gramaticais semelhantes no Novo Testamento, tr&ecirc;s pessoas distintas. Seria inconceb&iacute;vel falar-se em Mateus 28:19 de duas pessoas e uma influ&ecirc;ncia, ou f&ocirc;lego, como quer Nicotra em rela&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo. A gram&aacute;tica e a l&oacute;gica simplesmente n&atilde;o permitem tal uso. Curioso &eacute; que mesmo a&nbsp;<i>Tradu&ccedil;&atilde;o Novo Mundo,<\/i>&nbsp;a B&iacute;blia das Testemunhas de Jeov&aacute;, tendenciosa em seu unitarianismo, &eacute; absolutamente silente quanto a este texto de Mateus. Tal a for&ccedil;a da passagem, que n&atilde;o encontramos nenhum apendix, coment&aacute;rio, ou nota de rodap&eacute; em Mateus 28:19, oferecedo qualquer &ldquo;explica&ccedil;&atilde;o&rdquo; jeovista para a l&uacute;cida e transparente implica&ccedil;&atilde;o dele para o cardinal ensino crist&atilde;o da Trindade. Ver Robert H. Countess,&nbsp;<i>The Jehovah&rsquo;s Witnesses&rsquo; New Testament, A Critical Analysis of the New Word Translation of the Christian Greek Scriptures&nbsp;<\/i>(Phillipsburg, NJ.: Presbyterian and Reformed, 1987), 72-73. Entre os antitrinitarianos adventistas, por&eacute;m, tornou-se comum argumentar contra a autenticidade de Mateus 28:19 (Ver Nicotra,&nbsp;<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos<\/i>&nbsp;<i>Um&rdquo;<\/i>). Novamente, a desinforma&ccedil;&atilde;o &eacute; o grande problema de Nicotra. Alberto Timm trata em seu artigo, nesta edi&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<i>Parousia<\/i>, minunciosamente quanto &agrave; autenticidade deste texto. Aqui &eacute; suficiente referir-nos ao testemunho de algu&eacute;m do porte de Alfred Plummer, em seu indisput&aacute;vel coment&aacute;rio: &ldquo;Quanto &agrave; quest&atilde;o da genuinidade deste verso [Mt 28:19], podemos responder com a mais absoluta confian&ccedil;a: a passagem &eacute; encontrada em cada Manuscrito Grego existente, quer uncial ou cursivo e cada vers&atilde;o existente que contenha esta por&ccedil;&atilde;o de Mateus.&rdquo; (Alfred Plummer,&nbsp;<i>Exegetical Commentary on the Gospel According to St. Matthew<\/i>&nbsp;[Grand Rapids, MI: Baker, ed. 1982], 431). Plummer avan&ccedil;a para desacreditar toda a teoria criada em torno da forma como Eus&eacute;bio de Cesareia utilizou o famoso texto de Mateus (ibid., 432).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-27\">27<\/span>&nbsp;Ver 1 Cor&iacute;ntios 12:4-6 (&ldquo;O Espirito &eacute; o mesmo&hellip; O Senhor &eacute; o mesmo&hellip; Deus &eacute; o mesmo;&rdquo; Estas s&atilde;o reprodu&ccedil;&otilde;es fi&eacute;is do grego. Como em Mateus h&aacute; um paralelismo tri&uacute;no de tr&ecirc;s substantivos, tal paralelismo seria destru&iacute;do e perderia o seu sentido, se dois dos nomes s&atilde;o pessoas e o outro, um mero f&ocirc;lego\/for&ccedil;a\/influ&ecirc;ncia. Em 2 Cor&iacute;ntios 13:13 encontramos o que tem sido chamado de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o trinitariana: a imerecida gra&ccedil;a do Senhor Jesus, e o amor de Deus e a comunh&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo. Como em Mateus e 1 Cor&iacute;ntios, mencionados acima, o artigo est&aacute; presente antes de cada nome. Paulo tem em vista tr&ecirc;s entidades distintas. Al&eacute;m disto, cada artigo est&aacute; na forma genitiva singular &ndash;&nbsp;<i>tou<\/i>, embora o substantivo &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo; seja neutro (masculino e neutro s&atilde;o id&ecirc;nticos, no genitivo singular). Veja Robert H. Coutess, 72-73. O mesmo modelo trinitariano encontramos na introdu&ccedil;&atilde;o da carta aos Ef&eacute;sios (Ef 1:3, 5, 13). Para uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Trindade em Paulo, veja Edmund J. Fortman,&nbsp;<i>The Triune God<\/i>, 16 em diante; ver, ainda, Alasdair I. C. Heron,&nbsp;<i>The Holy Spirit<\/i>, (Philadxelphia: The Westminstr Press, 1983), 44-ss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-28\">28<\/span>&nbsp;Os primeiros disc&iacute;pulos eram tanto arautos das boas novas como testemunhas delas, e isto n&atilde;o por iniciativa pr&oacute;pria. Mas testemuhas sob a dire&ccedil;&atilde;o da Testemunha Divina, o Esp&iacute;rito Santo. Comunicado por Deus a todos os que obedecem o evangelho. &ldquo;Nestas palavras temos a marca da consci&ecirc;ncia apost&oacute;lica de serem possu&iacute;dos e habitados pelo Esp&iacute;rito, de tal forma que eles foram o Seu &oacute;rg&atilde;o de express&atilde;o,&rdquo; afirma F. F. Bruce,&nbsp;<i>The Book of Acts<\/i>, 32. Bruce, ent&atilde;o, faz neste contexto, a conex&atilde;o com Jo&atilde;o 15:26 e 27: &ldquo;Quando, por&eacute;m, vier o Paracleto, que eu vos enviarei da parte do Pai, O Esp&iacute;rito da verdade que dele procede, esse dar&aacute; testemunho de mim, e v&oacute;s tamb&eacute;m testemunhareis, porque estais comigo desde o princ&iacute;pio.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-29\">29<\/span>&nbsp;R Brown, 1.140.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-30\">30<\/span>&nbsp;Nicotra tenta justificar seu antitrinitarianismo afirmando que o Esp&iacute;rito (<i>ruach\/pneuma<\/i>), &eacute; apenas o f&ocirc;lego de Deus, como no caso do homem e, portanto, impessoal (ver&nbsp;<i>&ldquo;Eu e o Pai Somos Um&rdquo;<\/i>). Al&eacute;m do car&aacute;ter prec&aacute;rio deste tipo de teologia, que busca explicar Deus a partir do homem, revertendo ao absurdo de tentar &ldquo;criar Deus &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a do homem&rdquo;, (como no famoso dito de L. Feuerbach, &ldquo;O homem criou Deus segundo a sua imagem&rdquo;, ainda hoje muito estimado pela propaganda ate&iacute;sta), tal teologia n&atilde;o passa num teste simples de l&oacute;gica. Se o Esp&iacute;rito n&atilde;o tem realidade concreta porque&nbsp;<i>ruach\/pneuma<\/i>&nbsp;no homem significa apenas o seu fol&ecirc;go\/vento, Nicotra ser&aacute; for&ccedil;ado a admitir que Deus o Pai n&atilde;o tem realidade concreta, uma vez que as Escrituras afirmam que &ldquo;Deus &eacute; esp&iacute;rito [<i>pneuma<\/i>]&rdquo; (Jo 4:24). O mesmo &eacute; verdade em rala&ccedil;&atilde;o aos anjos claramente identificados como &ldquo;esp&iacute;ritos [<i>pneumata<\/i>] ministradores&rdquo; (Hb 1:14). O que dizer dos esp&iacute;ritos [<i>pveumatwv<\/i>] malignos\/imundos, na enorme quantidade de textos b&iacute;blicos? (ex.: 1Sm 16:14-15; 1Rs 22:23; Mt 10:1; Mc 1:23-27; 5:2-20; Lc 7:21, etc.). Ou ser&aacute; que eles tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m realidade concreta, porque s&atilde;o descritos como ruach e pneuma? Nicotra e seus seguidores deveriam considerar que as palavras, em qualquer l&iacute;ngua, particularmente no hebraico e no grego, podem ter significados diferentes, dependendo do seu contexto. A estat&iacute;stica torna evidente que a palavra &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo; (<i>ruach<\/i>) aparece 389 vezes no Antigo Testamento. Em 113 destes casos, o termo significa vento, 136 vezes ele designa o Esp&iacute;rito de Deus, e em 116 casos ele significa o esp&iacute;rito\/f&ocirc;lego do homem; 10 vezes&nbsp;<i>ruach<\/i>&nbsp;se refere a animais, 3 vezes a &iacute;dolos (Ver Herman Brandt,&nbsp;<i>O Esp&iacute;rito Santo<\/i>&nbsp;[S&atilde;o Leopoldo, RS: Sinodal, 1985], 124). Esta diversidade de usos, sugere, de in&iacute;cio, cautela na interpreta&ccedil;&atilde;o de &ldquo;ruach&rdquo;; do contr&aacute;rio, o termo pode ser reduzido a uma mera dimens&atilde;o antropol&oacute;gica, obscurecendo o fato de que, por sua natureza complexa,&nbsp;<i>ruach&nbsp;<\/i>deve ser visto, como indicado por H.W. Wolff, como uma &ldquo;no&ccedil;&atilde;o teo-antropol&oacute;gica&rdquo; (H.W. Wolff,&nbsp;<i>Antropologia do Antigo Testamento<\/i>&nbsp;[S&atilde;o Paulo, SP: Loyola, 1975], 52). Para uma significativa discuss&atilde;o sobre a variedade de significados das palavras&nbsp;<i>ruach&nbsp;<\/i>e&nbsp;<i>pneuma<\/i>, veja Alasdair I. C. Heron,&nbsp;<i>The Holy Spirit<\/i>, (Philadelphia: The Westminster Press, 1983), 3-38.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-31\">31<\/span>&nbsp;Embora Jesus tenha se tornado um&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;no c&eacute;u, indo para o Pai, depois da Sua ascens&atilde;o, como indicado em 1 Jo&atilde;o 2:1, as fun&ccedil;&otilde;es do Esp&iacute;rito-<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;s&atilde;o paralelas em cada detalhe em rela&ccedil;&atilde;o ao minist&eacute;rio terreno dEle [Jesus]. Este segundo paracleto faz precisamente o que Jesus fez (ensinando, testemunhando contra o mundo, guiando, e ajudando os disc&iacute;pulos). A conclus&atilde;o de que Jesus foi o &ldquo;primeiro Paracleto&rdquo; em seu minist&eacute;rio terreno parece inevit&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-32\">32<\/span>&nbsp;Brown, 128.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-33\">33<\/span>&nbsp;Martyn,&nbsp;<i>History &amp; Theology in the Fourth Gospel<\/i>, 150.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-34\">34<\/span>&nbsp;Ver F. F. Bruce,&nbsp;<i>The Gospel of John<\/i>, 302.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-35\">35<\/span>&nbsp;Ver Herschel H. Hobbs, &ldquo;Word Studies in the Gospel of John&rdquo;, em&nbsp;<i>Soutwestern Journal of Theology,<\/i>&nbsp;37 (1985), 78.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-36\">36<\/span>&nbsp;Alguns eruditos b&iacute;blicos mant&ecirc;m que um dos prop&oacute;sitos do quarto evangelho foi demonstrar a verdadeira conex&atilde;o entre a vida da Igreja no final do primeiro s&eacute;culo com o j&aacute; distante Cristo. Eles consideram o evangelho como uma tentativa de neutralizar o perigo de a igreja tornar-se, em si mesma, um tipo de salvador, suficiente em si pr&oacute;pria. Assim, o quarto evangelho busca enfatizar a necessidade de f&eacute; em Jesus, e demonstrar atrav&eacute;s de atos simb&oacute;licos, que a Igreja est&aacute; diretamente relacionada com o Senhor. Da&iacute;, conclu&iacute;mos, a &ecirc;nfase no&nbsp;<i>par&aacute;kletos,<\/i>&nbsp;como o verdadeiro v&iacute;nculo entre a vida da Igreja e Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-37\">37<\/span>&nbsp;O ato do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;de &ldquo;relembrar&rdquo; (<i>upomimvnskeiv<\/i>), aos disc&iacute;pulos, participa no car&aacute;ter da&nbsp;<i>avamvnsis<\/i>&nbsp;b&iacute;blica, isto &eacute;, a reinterpreta&ccedil;&atilde;o de maneira viva. O pr&oacute;prio Evangelho de Jo&atilde;o pode ser considerado um perfeito exemplo de como Ele exerceu Seu minist&eacute;rio de guiar os homens na verdade das palavras e atos de Jesus. O quarto evangelho representa a melhor demonstra&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>, uma vez que a&iacute;, Jo&atilde;o &eacute; guiado a reintepretar os desdobramentos e profundas implica&ccedil;&otilde;es das palavras e atos de Jesus, em um per&iacute;odo j&aacute; consideravelmente distante do minist&eacute;rio hist&oacute;rico de Jesus. Desta forma, o evangelho joanino &eacute; o melhor exemplo, ou mesmo o exemplo ideal, do papel do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>. Ao mesmo tempo, devemos ter em mente que a obra do&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o est&aacute; confinada ou restrita ao testemunho do disc&iacute;pulo amado, ou a qualquer outra das testemunhas primitivas de Cristo. Em outras palavras o&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o foi privil&eacute;gio apenas dos doze ou da igreja apost&oacute;lica. Aqueles s&atilde;o apenas modelos, tipos, daquilo que cada disc&iacute;pulo de Cristo, atrav&eacute;s da era crist&atilde;, deve ser. O&nbsp;<i>par&aacute;kletos<\/i>&nbsp;n&atilde;o &eacute;, ainda, privil&eacute;gio exclusivo de qualquer grupo dentro da Igreja. Em 1 Jo&atilde;o 2:20, 27, o ap&oacute;stolo amplia a fun&ccedil;&atilde;o de ensino do Esp&iacute;rito Santo: &ldquo;E v&oacute;s possu&iacute;s un&ccedil;&atilde;o que vem do Santo e todos tendes conhecimento&hellip; a un&ccedil;&atilde;o que dEle recebestes permanece em v&oacute;s, e n&atilde;o tendes necessidade de que algu&eacute;m vos ensine, mas com a sua un&ccedil;&atilde;o vos ensina a respeito de todas as coisas&hellip;&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-38\">38<\/span>&nbsp;O elemento de liga&ccedil;&atilde;o entre Jo&atilde;o 21:18-23 e os prop&oacute;sitos da composi&ccedil;&atilde;o do quarto evangelho foi trazido &agrave; minha aten&ccedil;&atilde;o por Wilson Paroschi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-39\">39<\/span>&nbsp;Brown, 1.131.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-40\">40<\/span>&nbsp;White, 20&nbsp;<i>Marnuscript Release<\/i>, 324.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"nota-rodape-41\">41<\/span>&nbsp;J.Ritchie Smith,&nbsp;<i>The Holy Spirit in the Gospels<\/i>&nbsp;(New York: The Macmillan Company, 1926), 298. Smith foi um professor em Princeton, particularmente interessado na teologia joanina. Seu livro pode parecer antigo, mas sua compreens&atilde;o &eacute; equilibrada e judiciosa.<\/p>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amin A. Rodor, Th.D. Introdu&ccedil;&atilde;o A palavra grega&nbsp;par&aacute;kletos*,&nbsp;na literatura b&iacute;blica, &eacute; exclusiva do Novo Testamento, e ocorre de forma restrita, apenas nos escritos joaninos. Como um ep&iacute;teto, o termo &eacute; aplicado uma vez a Jesus (1Jo 2:1), que atua como um&nbsp;intercessor\/advocatus&nbsp;junto ao Pai, na corte celestial. 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