{"id":335,"date":"2014-06-11T06:00:20","date_gmt":"2014-06-11T06:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=335"},"modified":"2014-08-15T02:03:35","modified_gmt":"2014-08-15T02:03:35","slug":"o-ministerio-pastoral-esta-mais-estranho-que-costumava-ser-o-desafio-pos-modernismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-ministerio-pastoral-esta-mais-estranho-que-costumava-ser-o-desafio-pos-modernismo\/","title":{"rendered":"O Minist\u00e9rio Pastoral Est\u00e1 Mais Estranho do que Costumava Ser: O Desafio do P\u00f3s-modernismo"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum parece surgir onde quer que os ministros se re&uacute;nam: o minist&eacute;rio pastoral est&aacute; mais estranho do que costumava ser. N&atilde;o que o minist&eacute;rio esteja mais dif&iacute;cil, mais cansativo ou mais exigente&hellip; est&aacute; apenas diferente &ndash; e cada vez mais estranho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse sentimento de estranheza deve-se &agrave; propaga&ccedil;&atilde;o da cultura e da filosofia p&oacute;s-modernista; provavelmente, o movimento cultural e intelectual mais importante do atual s&eacute;culo XXI. Que diferen&ccedil;a o p&oacute;s-modernismo tem causado? Para saber, basta olhar para a m&iacute;dia moderna, para a cultura popular e para a forma como algumas pessoas arregalam os olhos, desconcertadas, quando falamos sobre a verdade, o sentido da vida e moralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p&oacute;s-modernismo desenvolveu-se entre os acad&ecirc;micos e artistas, mas rapidamente se espalhou para toda a cultura. O p&oacute;s-modernismo refere-se basicamente ao desaparecimento da modernidade e ao surgimento de um novo movimento cultural. A modernidade, cosmovis&atilde;o dominante desde o Iluminismo, foi suplantada pelo p&oacute;s-modernismo, que tanto amplia, como nega certos princ&iacute;pios e s&iacute;mbolos centrais da era moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; claro que muito da literatura a respeito do p&oacute;s-modernismo &eacute; absurda e dif&iacute;cil de ser levada a s&eacute;rio. Quando a maioria dos personagens eminentes do p&oacute;s-modernismo fala ou escreve, geralmente o resultado &eacute; uma linguagem inarticulada que se parece mais com um teste de vocabul&aacute;rio do que com um argumento bem fundamentado. No entanto, o p&oacute;s-modernismo n&atilde;o deve ser deixado de lado como algo sem import&acirc;ncia ou irrelevante. Essa n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de preocupa&ccedil;&atilde;o somente entre os acad&ecirc;micos e a vanguarda &ndash; esse novo movimento representa um desafio crucial &agrave; igreja crist&atilde; e ao pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o p&oacute;s-modernismo pode n&atilde;o ser considerado como um movimento ou uma metodologia. Ele pode ser melhor descrito como uma disposi&ccedil;&atilde;o mental que se afasta das certezas da era moderna. Essa disposi&ccedil;&atilde;o mental &eacute; o cerne do desafio p&oacute;s-moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que delineia essa disposi&ccedil;&atilde;o mental p&oacute;s-moderna? Esse novo movimento &eacute; &uacute;til para a nossa proclama&ccedil;&atilde;o do evangelho? Ou a era p&oacute;s-moderna traz um grande afastamento da verdade crist&atilde;? Uma olhada nos aspectos fundamentais do p&oacute;s-modernismo pode ser &uacute;til.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A Desconstru&ccedil;&atilde;o da Verdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a natureza da verdade venha sendo debatida ao longo dos s&eacute;culos, o p&oacute;s-modernismo tem transformado esse debate em seu carro-chefe. Embora a maioria dos argumentos ao longo da hist&oacute;ria tenha se focalizado nas afirma&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas acerca da verdade, o p&oacute;s-modernismo rejeita at&eacute; mesmo a mera no&ccedil;&atilde;o da verdade como algo imut&aacute;vel, universal, objetivo ou absoluto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; compreende a verdade como algo estabelecido por Deus e revelado atrav&eacute;s da auto-revela&ccedil;&atilde;o de Deus nas Escrituras. A verdade &eacute; eterna, imut&aacute;vel e universal. Nossa responsabilidade &eacute; regrar a nossa mente em conformidade com a verdade revelada de Deus e testemunhar essa verdade. Servimos a um salvador que identificou-se como sendo &ldquo;o Caminho, a Verdade e a Vida&rdquo; e exigiu f&eacute; nEle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci&ecirc;ncia moderna, em si mesma um produto do Iluminismo, rejeitou a revela&ccedil;&atilde;o de Deus como fonte da verdade e colocou o m&eacute;todo cient&iacute;fico em seu lugar. A modernidade tentou estabelecer a verdade baseada na precis&atilde;o cient&iacute;fica, atrav&eacute;s do processo do pensamento indutivo e da investiga&ccedil;&atilde;o. As outras disciplinas tentaram seguir o exemplo dos cientistas, estabelecendo uma verdade objetiva por meio do pensamento racional. Os modernistas estavam confiantes de que a sua abordagem produziria verdades universais e objetivas por interm&eacute;dio da raz&atilde;o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os p&oacute;s-modernistas rejeitam tanto a abordagem dos crist&atilde;os quanto a dos modernistas no assunto da verdade. Conforme a teoria p&oacute;s-modernista, a verdade n&atilde;o &eacute; universal, n&atilde;o &eacute; objetiva ou absoluta e n&atilde;o pode ser determinada pelos m&eacute;todos normalmente aceitos. Ao inv&eacute;s disso, os p&oacute;s-modernistas argumentam que a verdade &eacute; constru&iacute;da socialmente, que ela &eacute; plural e inacess&iacute;vel &agrave; raz&atilde;o universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme afirma o fil&oacute;sofo p&oacute;s-moderno Richard Rorty, a verdade &eacute; fabricada e n&atilde;o descoberta. De acordo com os desconstrucionistas, uma ramifica&ccedil;&atilde;o influente dos p&oacute;s-modernistas, toda verdade &eacute; constru&iacute;da socialmente. Ou seja, os grupos sociais constroem a sua pr&oacute;pria &ldquo;verdade&rdquo; para servir aos seus interesses. De acordo com o argumento de Michel Foucault, um dos te&oacute;ricos p&oacute;s-modernistas mais importantes, toda reivindica&ccedil;&atilde;o da verdade &eacute; constru&iacute;da para servir &agrave;queles que est&atilde;o no poder. Dessa forma, o papel do intelectual &eacute; desconstruir a reivindica&ccedil;&atilde;o da verdade para libertar a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquilo que tem sido entendido e afirmado como sendo a verdade, declaram os p&oacute;s-modernistas, nada mais &eacute; do que uma estrutura de pensamento conveniente, planejado para oprimir aqueles que n&atilde;o est&atilde;o no poder. A verdade n&atilde;o &eacute; universal, porque cada cultura estabelece a sua pr&oacute;pria verdade. A verdade n&atilde;o &eacute; objetivamente real, pois toda verdade &eacute; meramente constru&iacute;da &ndash; como afirmou Rorty, a verdade &eacute;&nbsp;<em>fabricada<\/em>&nbsp;e n&atilde;o&nbsp;<em>descoberta<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o &eacute; preciso ter muita imagina&ccedil;&atilde;o para perceber que esse relativismo radical &eacute; um desafio direto ao evangelho crist&atilde;o. A nossa reivindica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; pregar uma verdade entre muitas. N&atilde;o cremos que o evangelho crist&atilde;o &eacute; uma verdade constru&iacute;da pela sociedade, mas sim a Verdade que liberta pecadores do pecado &ndash; e ela &eacute; objetiva, universal e historicamente verdadeira. E como o falecido Francis Schaeffer nos instruiu, a igreja crist&atilde; deve lutar pela&nbsp;<em>verdade verdadeira<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A Morte da Metanarrativa<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto que os p&oacute;s-modernistas acreditam que toda verdade &eacute; constru&iacute;da socialmente, devemos resistir a qualquer apresenta&ccedil;&atilde;o de uma verdade absoluta, universal e estabelecida. Todas as vastas e maravilhosas assevera&ccedil;&otilde;es acerca da verdade, do sentido da vida e da exist&ecirc;ncia humana s&atilde;o rejeitadas como &ldquo;metanarrativas&rdquo; que reivindicam muito mais do que aquilo que podem oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Fran&ccedil;ois Lyotard, provavelmente o mais famoso p&oacute;s-modernista europeu, definiu o p&oacute;s-modernismo nestes termos: &ldquo;Simplificando ao extremo,&nbsp;<em>p&oacute;s-modernismo<\/em>&nbsp;&eacute; a incredulidade contra as metanarrativas&rdquo;.[i]&nbsp;Assim sendo, todos os grandiosos sistemas filos&oacute;ficos est&atilde;o mortos, e todas as assevera&ccedil;&otilde;es culturais s&atilde;o limitadas; tudo o que resta s&atilde;o hist&oacute;rias aceitas como verdade por diferentes grupos e culturas. As afirma&ccedil;&otilde;es sobre uma verdade universal &ndash; as metanarrativas &ndash; s&atilde;o opressivas, &ldquo;totalit&aacute;rias&rdquo; e devem ser rejeitadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema nessa quest&atilde;o, &eacute; l&oacute;gico, &eacute; que o cristianismo n&atilde;o faz sentido sem o evangelho &ndash; que &eacute; uma metanarrativa. Na verdade, o evangelho crist&atilde;o &eacute; nada menos do que a&nbsp;<em>Metanarrativa de todas as metanarrativas<\/em>. Para o Cristianismo, abandonar a reivindica&ccedil;&atilde;o de que o evangelho &eacute; uma verdade universal e objetivamente estabelecida &eacute; o mesmo que abandonar o ponto essencial da nossa f&eacute;. O cristianismo &eacute; a grandiosa metanarrativa da reden&ccedil;&atilde;o. Nossa hist&oacute;ria come&ccedil;a com a cria&ccedil;&atilde;o do Deus soberano e onipotente; continua por meio da queda da humanidade no pecado e da reden&ccedil;&atilde;o dos pecadores por interm&eacute;dio da obra substitutiva de Cristo na cruz; e promete um duplo destino eterno para toda a humanidade &ndash; os redimidos, para sempre com Deus, na gl&oacute;ria; e os n&atilde;o-redimidos, no castigo eterno. Essa &eacute; a mensagem que pregamos &ndash; e ela &eacute; uma metanarrativa gloriosa e transformadora de vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o pregamos o evangelho como se fosse uma narrativa dentre muitas narrativas verdadeiras ou como a &ldquo;nossa&rdquo; narrativa, paralelamente &agrave;s narrativas aut&ecirc;nticas dos outros. N&atilde;o podemos recuar, afirmando que a verdade b&iacute;blica &eacute; simplesmente&nbsp;<em>para n&oacute;s<\/em>. A nossa reivindica&ccedil;&atilde;o &eacute; que a B&iacute;blia &eacute; a Palavra de Deus para todos. Isso &eacute; profundamente ofensivo para a cosmovis&atilde;o p&oacute;s-modernista, que ataca, com imperialismo e opress&atilde;o, a todos quantos asseveram verdades universais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O Falecimento do Texto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a metanarrativa est&aacute; morta, logo, os maravilhosos textos por detr&aacute;s das metanarrativas tamb&eacute;m est&atilde;o mortos. O p&oacute;s-modernismo afirma que &eacute; uma fal&aacute;cia atribuir significado a um texto, ou mesmo ao que o autor disse. O leitor &eacute; quem estabelece o significado, e nenhum controle limita o significado da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques Derrida, l&iacute;der da literatura desconstrucionista, descreve essa mudan&ccedil;a nos termos &ldquo;morte do autor&rdquo; e &ldquo;morte do texto&rdquo;. O significado&nbsp;<em>fabricado<\/em>, mas n&atilde;o&nbsp;<em>descoberto<\/em>, &eacute; criado pelo leitor no ato da leitura. O texto deve ser desconstru&iacute;do para que possa libertar-se do autor e permanecer um texto vivo, como uma palavra livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse novo m&eacute;todo de hermen&ecirc;utica explica muitos dos correntes debates na literatura, na pol&iacute;tica, no direito e na teologia. Todos os textos &ndash; quer sejam as Sagradas Escrituras, a Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos ou as obras de Mark Twain &ndash; s&atilde;o submetidos ao criticismo e &agrave; disseca&ccedil;&atilde;o esot&eacute;rica, tudo em nome da liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os p&oacute;s-modernistas, os textos revelam uma mensagem oculta, com inten&ccedil;&otilde;es opressoras da parte do autor e, por essa raz&atilde;o, devem ser desconstru&iacute;dos. Essa n&atilde;o &eacute; uma mera quest&atilde;o de import&acirc;ncia acad&ecirc;mica. &Eacute; o argumento por detr&aacute;s das muitas interpreta&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas da Constitui&ccedil;&atilde;o, feitas pelos ju&iacute;zes; das apresenta&ccedil;&otilde;es dos assuntos na m&iacute;dia e da fragmenta&ccedil;&atilde;o da erudi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica moderna. O surgimento de escolas de interpreta&ccedil;&otilde;es voltadas para grupos de interesse como o das feministas, dos liberalistas, dos homossexuais e v&aacute;rios outros &eacute; a quest&atilde;o central desse princ&iacute;pio p&oacute;s-moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conseq&uuml;entemente, a B&iacute;blia &eacute; submetida &agrave; uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o radical, geralmente com pouca ou nenhuma considera&ccedil;&atilde;o pelo significado &oacute;bvio do texto ou pela inten&ccedil;&atilde;o evidente do autor humano. Os textos que n&atilde;o agradam a mente p&oacute;s-modernista s&atilde;o rejeitados como opressivos, patriarcais, heterossexuais, homof&oacute;bicos ou deturpados por outros preconceitos ideol&oacute;gicos ou pol&iacute;ticos. A autoridade do texto &eacute; negada em nome da liberta&ccedil;&atilde;o, e as interpreta&ccedil;&otilde;es mais fantasiosas e rid&iacute;culas s&atilde;o celebradas como &ldquo;convincentes&rdquo; e at&eacute; mesmo &ldquo;aut&ecirc;nticas&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; claro que a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;morte do autor&rdquo; assume um significado completamente novo quando aplicado &agrave;s Escrituras, pois reivindicamos que a B&iacute;blia n&atilde;o &eacute; meramente palavras de homens, mas sim a Palavra de Deus. A insist&ecirc;ncia p&oacute;s-modernista na morte do autor &eacute; inerentemente ate&iacute;sta e anti-sobrenatural. A reivindica&ccedil;&atilde;o de uma revela&ccedil;&atilde;o divina &eacute; descartada como apenas mais uma das exterioriza&ccedil;&otilde;es do poder opressivo. Quando a verdade &eacute; negada, o que prevalece &eacute; a terapia. A quest&atilde;o crucial muda de &ldquo;O que &eacute; a verdade?&rdquo; para &ldquo;O que faz com que eu me sinta bem?&rdquo;. Essa tend&ecirc;ncia cultural tem se desenvolvido ao longo do s&eacute;culo, mas agora tem alcan&ccedil;ado propor&ccedil;&otilde;es &eacute;picas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura que confrontamos est&aacute; quase que completamente submissa ao que Philip Reiff chamou de &ldquo;triunfo da terap&ecirc;utica&rdquo;. Num mundo p&oacute;s-moderno, todas as quest&otilde;es acabam girando em torno do eu. Portanto, tudo o que resta como alvo de muitas abordagens educacionais e teol&oacute;gicas &eacute; elevar a auto-estima. Categorias de palavras como &ldquo;pecado&rdquo; s&atilde;o rejeitadas como opressivas e prejudiciais &agrave; auto-estima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As abordagens terap&ecirc;uticas s&atilde;o dominantes numa cultura formada de indiv&iacute;duos que n&atilde;o t&ecirc;m sequer a certeza de que a verdade existe &ndash; mas que est&atilde;o convictos de que nossa auto-estima deve permanecer intacta. O certo e o errado s&atilde;o descartados como lembran&ccedil;as obsoletas de um passado opressivo. Em nome de nossa pr&oacute;pria &ldquo;autenticidade&rdquo;, rejeitaremos todos os padr&otilde;es morais inconvenientes e substituiremos a preocupa&ccedil;&atilde;o com o&nbsp;<em>certo<\/em>&nbsp;e o&nbsp;<em>errado<\/em>&nbsp;pela afirma&ccedil;&atilde;o dos nossos&nbsp;<em>direitos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Teologia &eacute; igualmente reduzida &agrave; terapia. Sistemas teol&oacute;gicos inteiros, bem como suas abordagens, s&atilde;o constru&iacute;das de modo a reduzir o seu alvo a nada mais do que &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o da auto-estima de indiv&iacute;duos e grupos especiais. Essas teologias do &ldquo;sentir-se bem&rdquo; dispensam a &ldquo;negatividade&rdquo; dos textos b&iacute;blicos ofensivos ou at&eacute; mesmo a B&iacute;blia inteira. Categorias de palavras como &ldquo;perdi&ccedil;&atilde;o&rdquo; e julgamento ficam de fora. No lugar delas est&atilde;o as vagas no&ccedil;&otilde;es sobre aceita&ccedil;&atilde;o sem arrependimento e completude sem reden&ccedil;&atilde;o. Podemos n&atilde;o saber (ou nos importar) se somos salvos ou perdidos, mas certamente nos sentimos bem melhor acerca de n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O Decl&iacute;nio da Autoridade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto que a cultura p&oacute;s-moderna est&aacute; comprometida com uma vis&atilde;o radical de liberta&ccedil;&atilde;o, todas as autoridades devem ser subvertidas. Dentre todas as autoridades destronadas est&atilde;o: textos, autores, tradi&ccedil;&otilde;es, metanarrativas, a B&iacute;blia, Deus e todos os governos no c&eacute;u e na terra. Exceto, &eacute; claro, a autoridade dos te&oacute;ricos p&oacute;s-modernistas e dos personagens eminentes da cultura, que exercem o seu poder em nome dos povos oprimidos em toda parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os p&oacute;s-modernistas, aqueles que est&atilde;o em posi&ccedil;&atilde;o de autoridade utilizam seu poder para continuarem no poder e servirem aos seus pr&oacute;prios interesses. Suas leis, tradi&ccedil;&otilde;es, textos e &ldquo;verdade&rdquo; nada mais s&atilde;o do que aquilo que &eacute; projetado para mant&ecirc;-los no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a autoridade dos l&iacute;deres governamentais passa a ser corro&iacute;da, da mesma forma como a autoridade dos professores, dos l&iacute;deres comunit&aacute;rios, dos pais e dos pastores. Enfim, a autoridade de Deus &eacute; rejeitada como sendo totalit&aacute;ria e autocr&aacute;tica. E como os pastores s&atilde;o representantes dessa deidade autocr&aacute;tica, devemos resistir &agrave; autoridade deles de igual modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doutrinas, tradi&ccedil;&otilde;es, credos e confiss&otilde;es de f&eacute; &ndash; tudo deve ser rejeitado e taxado como algo que limita a auto-express&atilde;o e representa &amp;a autoridade opressiva. Os pregadores s&atilde;o tolerados, contanto que ap&oacute;iem as mensagens terap&ecirc;uticas que elevam a auto-estima; e resistidos, sempre que introduzem reivindica&ccedil;&otilde;es sobre a autoridade divina ou &agrave; verdade universal em seus serm&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A Destitui&ccedil;&atilde;o da Moralidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ivan, na novela de Fyodor Dostoyevsky,&nbsp;<em>Os Irm&atilde;os Karamasov,<\/em>&nbsp;estava certo; se Deus est&aacute; morto, tudo &eacute; permiss&iacute;vel. O Deus permitido no p&oacute;s-modernismo n&atilde;o &eacute; o Deus da B&iacute;blia, mas sim uma vaga id&eacute;ia de espiritualidade. N&atilde;o h&aacute; t&aacute;buas da lei, nem os Dez Mandamentos&hellip; n&atilde;o h&aacute; regras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A moralidade, juntamente com outros alicerces culturais, &eacute; descartada como opressiva e totalit&aacute;ria. Um relativismo moral abrangente &eacute; a marca da cultura p&oacute;s-moderna. N&atilde;o estou dizendo que os p&oacute;s-modernistas relutam em utilizar uma linguagem moral. Ao contr&aacute;rio, a cultura p&oacute;s-modernista est&aacute; recheada de discurso moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A homossexualidade, por exemplo, &eacute; abertamente defendida e aceita.&amp; O avan&ccedil;o dos estudos sobre gays e l&eacute;sbicas nas universidades, o aparecimento do poder pol&iacute;tico homossexual e as imagens er&oacute;ticas homossexuais, agora comuns na cultura popular, marcam essa dram&aacute;tica reviravolta moral. A homossexualidade n&atilde;o &eacute; mais considerada um&nbsp;<em>pecado<\/em>. A&nbsp;<em>homofobia<\/em>&nbsp;&eacute; criticada como se fosse pecado, e as reivindica&ccedil;&otilde;es por toler&acirc;ncia aos &ldquo;estilos de vida alternativos&rdquo; agora se transformaram em reivindica&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas para a celebra&ccedil;&atilde;o de&amp; todos os estilos de vida como moralmente iguais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michael Jones descreveu a modernidade como &ldquo;promiscuidade sexual racionalizada&rdquo;, e a p&oacute;s-modernidade &eacute; a sua extens&atilde;o l&oacute;gica. Michael Foucault, que argumentou que toda moralidade sexual &eacute; um abuso de poder, clamou para que o p&oacute;s-modernismo celebrasse a &ldquo;perversidade polimorfa&rdquo;. Ele viveu e morreu dedicando-se a esse estilo de vida, e sua profecia tem se cumprido nesta d&eacute;cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O Minist&eacute;rio Crist&atilde;o numa Era P&oacute;s-moderna<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p&oacute;s-modernismo representa o &uacute;nico desafio a ser encarado pelo Cristianismo nesta gera&ccedil;&atilde;o. Walter Truett Anderson descreveu a realidade p&oacute;s-moderna em seu engenhoso livro&nbsp;<em>Reality Isn&rsquo;t What it Used to Be<\/em>&nbsp;(A Realidade n&atilde;o &eacute; Como Costumava Ser).[ii]&nbsp;Walter Truett Anderson,&nbsp;<em>Reality Isn&rsquo;t What it Used to Be<\/em>. San Fran&rdquo;&gt;[ii]&nbsp;Esta &eacute; a reivindica&ccedil;&atilde;o central do p&oacute;s-modernismo: a realidade n&atilde;o &eacute; o que costumava ser, e jamais o ser&aacute; novamente. Agora, a humanidade &eacute; maior de idade; faremos nossa pr&oacute;pria verdade; definiremos nossa pr&oacute;pria realidade e nos empenharemos pela nossa auto-estima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa cultura, o minist&eacute;rio pastoral &eacute; mais estranho do que costumava ser. Atualmente, os conceitos p&oacute;s-modernos de verdade reinam na era p&oacute;s-moderna, e at&eacute; mesmo nos bancos das igrejas p&oacute;s-modernas. Pesquisas indicam que a maioria crescente daqueles que professam ser crist&atilde;os rejeitam at&eacute; mesmo a no&ccedil;&atilde;o de uma verdade absoluta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &ldquo;morte do texto&rdquo; fica evidente pela resist&ecirc;ncia &agrave; prega&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica em muitas igrejas. Os ouvidos p&oacute;s-modernos n&atilde;o querem mais ouvir o &ldquo;assim diz o Senhor&rdquo; do texto b&iacute;blico. Uma vez que a verdade &eacute; fabricada e n&atilde;o descoberta, podemos projetar a nossa pr&oacute;pria religi&atilde;o ou espiritualidade pessoal e omitir doutrinas e mandamentos morais inconvenientes. O p&oacute;s-modernismo promete que o indiv&iacute;duo pode construir uma estrutura pessoal de espiritualidade, livre de interfer&ecirc;ncias ou autoriza&ccedil;&atilde;o externas. Sob o lema: &ldquo;N&atilde;o existe outra verdade como a minha verdade&rdquo;, as crian&ccedil;as do p&oacute;s-modernismo estabelecer&atilde;o seu pr&oacute;prio sistema doutrinal e desafiar&atilde;o a corre&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gene Veith, de&atilde;o da Faculdade Ci&ecirc;ncias Humanas, na universidade de Conc&oacute;rdia, contou-nos sobre um jovem que afirmava ser crist&atilde;o, professava crer em Cristo e amava a B&iacute;blia, mas tamb&eacute;m cria na reencarna&ccedil;&atilde;o. Seu pastor confrontou sua cren&ccedil;a na reencarna&ccedil;&atilde;o dirigindo o jovem para Hebreus 9.27. O texto foi lido: &ldquo;E, assim como aos homens est&aacute; ordenado morrerem uma s&oacute; vez, vindo, depois disto, o ju&iacute;zo&rdquo;. O jovem voltou o olhar para o seu pastor e respondeu: &ldquo;Bem, essa &eacute; a sua interpreta&ccedil;&atilde;o&rdquo;.[iii]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nome do p&oacute;s-modernismo,&nbsp;<em>qualquer coisa<\/em>&nbsp;pode ser explicada como uma quest&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o. O conceito dos jogos de linguagem&nbsp;<em>wittgenstein<\/em>declara que cada senten&ccedil;a deve ser avaliada com cuidado. Um conceito t&atilde;o claro e &oacute;bvio como a primeira linha do Credo Apost&oacute;lico: &ldquo;Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do c&eacute;u e da terra&rdquo; deve ser analisado nos termos das inten&ccedil;&otilde;es do falante. Essa confiss&atilde;o assevera a cren&ccedil;a de que Deus &eacute;, de fato, o criador do c&eacute;u e da terra ou essa afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; um mero sentimento pessoal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estranheza do minist&eacute;rio pastoral na era p&oacute;s-moderna pode ser vista em estudos b&iacute;blicos que n&atilde;o estudam a B&iacute;blia, mas s&atilde;o exerc&iacute;cios psicol&oacute;gicos de auto-conhecimento, com o tipo de moralidade self-service, praticada por muitos membros de igreja; e a crescente aceita&ccedil;&atilde;o de outras religi&otilde;es como caminhos v&aacute;lidos para a salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura moderna &eacute; revoltada contra a verdade, e o p&oacute;s-modernismo n&atilde;o &eacute; nada sen&atilde;o a forma mais recente dessa revolta. Nesses tempos estranhos, o minist&eacute;rio pastoral clama por convic&ccedil;&otilde;es n&atilde;o dilu&iacute;das e por uma apolog&eacute;tica fiel. As tenta&ccedil;&otilde;es para comprometer a mensagem s&atilde;o grandes, e a oposi&ccedil;&atilde;o que se levanta contra todo aquele que tem a pretens&atilde;o de pregar a verdade absoluta e eterna &eacute; severa. Entretanto, essa &eacute; a tarefa da igreja crist&atilde;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos compreender o p&oacute;s-modernismo, ler os escritos de seus te&oacute;ricos e aprender sua linguagem. Isso &eacute; muito mais um desafio mission&aacute;rio do que um exerc&iacute;cio intelectual. N&atilde;o podemos nos dirigir a uma cultura p&oacute;s-moderna a menos que entendamos sua mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a sua pr&oacute;pria natureza, o p&oacute;s-modernismo est&aacute; condenado &agrave; auto-destrui&ccedil;&atilde;o. Seus princ&iacute;pios centrais n&atilde;o podem ser aplicados de maneira consistente. (Apenas pe&ccedil;a para que um acad&ecirc;mico p&oacute;s-moderno aceite &ldquo;a morte do texto&rdquo; nas cl&aacute;usulas de seu contrato). A igreja deve continuar a ser o povo da verdade, apegando-se &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es de Cristo, e batalhando pela f&eacute; que uma vez por todas foi entregue aos santos. O p&oacute;s-modernismo rejeita qualquer men&ccedil;&atilde;o a uma verdade que foi entregue &ldquo;uma vez por todas&rdquo;, mas a igreja n&atilde;o pode comprometer o seu testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O minist&eacute;rio pastoral est&aacute; mais estranho do que costumava ser. No entanto, esta &eacute; uma era de grandes oportunidades para evangeliza&ccedil;&atilde;o, pois &agrave; medida que os deuses do p&oacute;s-modernismo morrem, a igreja testemunha a Palavra da Vida. Em meio &agrave; uma era p&oacute;s-moderna, nossa tarefa &eacute; testemunhar a Verdade e recolher os cacos &agrave; medida que a cultura se despeda&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[i]&nbsp;Jean-Francois Lyotard,&nbsp;<em>The Postmodern Condition: A report on Knowledge<\/em>, trans. Geoff Bennington and Brian Massumi, &ldquo;Theory and History of Literature,&rdquo; vol. 10. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1984. p. 24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[ii]&nbsp;Walter Truett Anderson,&nbsp;<em>Reality Isn&rsquo;t What it Used to Be<\/em>. San Francisco: Harper and Row, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[iii]&nbsp;Gene Veith, &ldquo;Catechesis, Preaching, and Vocation,&rdquo; in&nbsp;<em>Here We Stand<\/em>, ed. James Boice and Ben Sasse. Grand Rapids: Baker Book House, 1996. pp. 82-83.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Traduzido por: Wal&eacute;ria Coicev<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revis&atilde;o: Tiago Santos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">Do original em ingl&ecirc;s: Ministry is stranger than it used to be: The Chalange of Postmodernism<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje em dia, uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum parece surgir onde quer que os ministros se re&uacute;nam: o minist&eacute;rio pastoral est&aacute; mais estranho do que costumava ser. N&atilde;o que o minist&eacute;rio esteja mais dif&iacute;cil, mais cansativo ou mais exigente&hellip; est&aacute; apenas diferente &ndash; e cada vez mais estranho. 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