{"id":3780,"date":"2017-04-06T15:10:33","date_gmt":"2017-04-06T18:10:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=3780"},"modified":"2017-04-12T11:18:07","modified_gmt":"2017-04-12T14:18:07","slug":"salvacao-hermeneutica-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/salvacao-hermeneutica-e-cultura\/","title":{"rendered":"Salva\u00e7\u00e3o, Hermen\u00eautica e Cultura"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"> \n#cmsmasters_row_6a21d239309bc .cmsmasters_row_outer_parent { \n\tpadding-top: 0px; \n} \n\n#cmsmasters_row_6a21d239309bc .cmsmasters_row_outer_parent { \n\tpadding-bottom: 50px; \n} \n\n\n.wp-post-image {\ndisplay: none;\n}<\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><div id=\"cmsmasters_row_6a21d23930335\" class=\"cmsmasters_row cmsmasters_color_scheme_default cmsmasters_row_top_default cmsmasters_row_bot_default cmsmasters_row_boxed\">\n<div class=\"cmsmasters_row_outer_parent\">\n<div class=\"cmsmasters_row_outer\">\n<div class=\"cmsmasters_row_inner\">\n<div class=\"cmsmasters_row_margin\">\n<div class=\"cmsmasters_column one_first\">\n<div class=\"cmsmasters_text\">\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Salva&ccedil;&atilde;o, Hermen&ecirc;utica e Cultura<\/strong><\/h4>\n<h6><strong><em>Lael Caesar<\/em><\/strong><\/h6>\n<p><sup><em>&Eacute; doutor em estudos hebraicos e sem&iacute;ticos <\/em><em>(University of Wisconsin) e editor associado da Adventist Review<\/em><\/sup><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2017\/04\/Captura-de-Tela-2017-04-06-a%CC%80s-15.11.29.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3783\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2017\/04\/Captura-de-Tela-2017-04-06-a%CC%80s-15.11.29.png\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2017\/04\/Captura-de-Tela-2017-04-06-a%CC%80s-15.11.29.png 297w, https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2017\/04\/Captura-de-Tela-2017-04-06-a%CC%80s-15.11.29-70x70.png 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/p>\n<address>A cultura &eacute; tudo, em toda parte, o tempo todo. &Eacute; &ldquo;o mundo do significado humano, a soma total das obras de um povo [&hellip;] Sua vis&atilde;o do que &eacute; ser plenamente humano&rdquo;.<sup>1<\/sup> A hermen&ecirc;utica b&iacute;blica e a cultura humana s&atilde;o muitas vezes entrela&ccedil;adas e quase concorrentes insepar&aacute;veis. Apesar da autoridade transcendental da f&eacute;, n&oacute;s lemos e vivemos a B&iacute;blia dentro de contextos humanos e sociais. No entanto, &eacute; razo&aacute;vel e necess&aacute;rio que tenhamos uma compreens&atilde;o adequada da conex&atilde;o entre cultura e hermen&ecirc;utica, de modo que a intera&ccedil;&atilde;o das duas n&atilde;o mine a autoridade da Palavra de Deus, mas produza efeitos salv&iacute;ficos apropriados, com uma v&aacute;lida interpreta&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica que possa ser acess&iacute;vel e efetivamente transmitida atrav&eacute;s das culturas.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A pergunta-chave<\/strong><\/p>\n<p>A quest&atilde;o exige cuidado, como mostra o retrato global do Adventismo do S&eacute;timo Dia. Cerca de 20 milh&otilde;es de pessoas, em 215 pa&iacute;ses, visitam uma congrega&ccedil;&atilde;o adventista a cada manh&atilde; de s&aacute;bado. Como regra, as cren&ccedil;as fundamentais baseadas nas Escrituras determinam a cren&ccedil;a, o estilo de vida e o culto adventistas. No entanto, porque a cultura &eacute; &ldquo;o mundo do significado humano&rdquo;,<sup>2<\/sup> na Guiana, por exemplo, a f&eacute; na transcend&ecirc;ncia das Escrituras &eacute; apenas parte do ambiente social guian&ecirc;s. A interpreta&ccedil;&atilde;o australiana encontra dificuldades ao querer impor seu estilo de m&uacute;sica e de roupa aos adventistas do Zimb&aacute;bue. E que crit&eacute;rios de Nova D&eacute;li podem melhor definir as sauda&ccedil;&otilde;es ou a arquitetura t&iacute;pica do adventismo em Nova Guin&eacute;? Quem define a ortodoxia entre os membros batizados em todo o mundo?<\/p>\n<p>Essas quest&otilde;es podem ser sintetizadas na seguinte pergunta: De quem &eacute; a hermen&ecirc;utica b&iacute;blica? Como afirma Huston Smith, o mundo chega at&eacute; n&oacute;s, e n&oacute;s vamos a ele, com conceitos, cren&ccedil;as e desejos incorporados que filtram seus sinais de entrada de formas que diferem em cada grupo, classe social e indiv&iacute;duo. Contra o car&aacute;ter global do adventismo est&aacute; o fato reconhecido por C. Ellis Nelson de que a congrega&ccedil;&atilde;o individual &eacute; &ldquo;a sociedade prim&aacute;ria dos crist&atilde;os&rdquo;.<sup>4<\/sup> &ldquo;Quanto mais se agrupam em torno dessas institui&ccedil;&otilde;es, as pessoas compartilham a mesma vis&atilde;o comum ou estilo comportamental [&hellip;] os quais aprovam&rdquo;.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Mais do que os registros denominacionais, a congrega&ccedil;&atilde;o local reflete com maior precis&atilde;o a teologia, as percep&ccedil;&otilde;es, a consci&ecirc;ncia e a identidade cultural da maioria dos milh&otilde;es de membros encontrados nos relat&oacute;rios mundiais da igreja. Talvez aqueles que preferem um servi&ccedil;o lit&uacute;rgico mais &ldquo;conservador&rdquo; estejam geograficamente pr&oacute;ximos, mas praticamente separados daqueles a quem julgam &ldquo;progressistas&rdquo; ou &ldquo;liberais&rdquo; em outra congrega&ccedil;&atilde;o a 20 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. Atualmente, nem a homogeneidade racial nem &eacute;tnica nem cronol&oacute;gica garantem qualquer semelhan&ccedil;a entre congrega&ccedil;&otilde;es dentro da mesma cidade ou bairro.<\/p>\n<p>Contudo, diferen&ccedil;as e varia&ccedil;&otilde;es humanas de percep&ccedil;&atilde;o e comportamento n&atilde;o significam que o evangelho seja inacess&iacute;vel ou incompreens&iacute;vel. A objetividade humana, mais do que a inteligibilidade b&iacute;blica, permanece perpetuamente aberta a questionamentos. Como Smith afirma, &ldquo;nossos conceitos, cren&ccedil;as e desejos afetam as cosmovis&otilde;es&rdquo;.<sup>6<\/sup> Isso significa que, como seres humanos, consideramos no&ccedil;&otilde;es que possu&iacute;mos e preconceitos nem sempre assim rotulados para determinar nossas atitudes em rela&ccedil;&atilde;o a novas ideias. Nossa realidade &ldquo;&eacute; mediada por [&hellip;] <em>um sentido que lhe damos<\/em> no contexto de nossa cultura ou nosso per&iacute;odo hist&oacute;rico, interpretada a partir de nosso horizonte particular e nossas pr&oacute;prias formas de pensamento&rdquo;.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Com isso em vista, a transfer&ecirc;ncia confi&aacute;vel de dados de mente para mente, escola para escola ou cultura para cultura deve ser reconhecida como um desafio real. No entanto, apesar da multiplicidade de obst&aacute;culos interpretativos estabelecidos ao longo do caminho hermen&ecirc;utico, a compreens&atilde;o e seu comportamento correspondente podem ainda ser poss&iacute;veis entre partes radicalmente discordantes.<\/p>\n<p><strong>O desafio de Osborne<\/strong><\/p>\n<p>Grant R. Osborne lan&ccedil;ou um desafio hermen&ecirc;utico ao corpo docente da faculdade de Teologia da Universidade de Marburg. O autor reconhece que muitos deles abordar&atilde;o seu texto sob diferentes pressupostos,<sup>8<\/sup> mas insiste: &ldquo;A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; se eles concordar&atilde;o, mas se eles podem entender meus argumentos. N&atilde;o estarei por perto para esclarecer minhas ideias, ent&atilde;o certamente essa comunica&ccedil;&atilde;o escrita carece da din&acirc;mica do discurso oral. Al&eacute;m disso, leitores sem o necess&aacute;rio preparo filos&oacute;fico sem d&uacute;vida ter&atilde;o dificuldades com os conceitos envolvidos. Entretanto, ser&aacute; que isso significa que nenhum esclarecimento pode transmitir o significado que eu procuro comunicar nesses par&aacute;grafos? Acho que n&atilde;o.&rdquo;<sup>9<\/sup><\/p>\n<p>Os colegas de Osborne n&atilde;o compartilham sua f&eacute; na historicidade da B&iacute;blia. A discord&acirc;ncia existe porque um lado n&atilde;o acredita que o outro tenha declarado corretamente os fatos ou interpretado corretamente os dados. &Agrave;s vezes, discord&acirc;ncias ocorrem por causa de mal-entendidos. Entretanto, mesmo esses mal-entendidos s&atilde;o baseados na percep&ccedil;&atilde;o de que as coisas n&atilde;o foram apresentadas da maneira como deveriam.<\/p>\n<p>O mais surpreendente em tudo isso &eacute; o sucesso divino em comunicar aos habitantes da Terra o evangelho da gra&ccedil;a. Nenhuma sociedade humana, separada por &eacute;poca, ci&ecirc;ncia, idade ou f&eacute;, pode estar t&atilde;o distante quanto a dist&acirc;ncia entre o C&eacute;u e a humanidade ca&iacute;da. No entanto, a B&iacute;blia testifica que Deus conseguiu revelar a verdade sobre Si mesmo para n&oacute;s de uma maneira singular, que nos permite ser salvos nele.<\/p>\n<p>As hist&oacute;rias b&iacute;blicas de pessoas que conseguiram compreender e praticar a verdade divina atestam a efic&aacute;cia da mais dram&aacute;tica de todas as comunica&ccedil;&otilde;es transculturais. Examinaremos dois epis&oacute;dios da vida de Abra&atilde;o, o pai de todos os que creem (Rm 4:11), e destacaremos algumas de suas implica&ccedil;&otilde;es para nosso assunto.<\/p>\n<p><strong>Hist&oacute;ria 1: Abra&atilde;o responde ao chamado<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;O Deus da gl&oacute;ria apareceu a Abra&atilde;o, nosso pai, quando estava na Mesopot&acirc;mia, antes de habitar em Har&atilde;, e lhe disse: <em>Sai da tua terra e da tua parentela e vem para a terra que eu te mostrarei<\/em>. Ent&atilde;o, saiu da terra dos caldeus e foi habitar em Har&atilde;. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra em que v&oacute;s agora habitais&rdquo; (At 7:2-4).<\/p>\n<p>Curiosamente, Tera, n&atilde;o Abra&atilde;o, dirigiu a caravana que partiu de Ur (Gn 11:31). A mudan&ccedil;a de Tera para Har&atilde;, no norte, parece coerente com a declara&ccedil;&atilde;o de Josu&eacute; de que ele serviu a outros deuses (Js 24:2). As cidades de Ur e Har&atilde; adoravam a mesma divindade, o deus da lua, Sin. Como chefe da fam&iacute;lia, Tera pode ter optado pelas vantagens econ&ocirc;micas de Har&atilde;: pastagens f&eacute;rteis, trigo e cevada preservados da &aacute;gua salgada do golfo, e a oportunidade de fornecer servi&ccedil;os para caravanas que viajavam entre a Mesopot&acirc;mia e o territ&oacute;rio hitita. Abra&atilde;o s&oacute; foi a Cana&atilde; ap&oacute;s a morte de seu pai (Gn 12:5).<\/p>\n<p><strong>An&aacute;lise<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel identificar pelo menos cinco grupos diferentes nessa hist&oacute;ria. Dois deles demonstram uma mudan&ccedil;a radical, deixando suas normas culturais e adotando os comportamentos divinamente apresentados a Abra&atilde;o. Os parentes do patriarca que permaneceram em Ur quando ele se mudou constituem o primeiro grupo (v. 1, 2). Depois, houve aqueles parentes deixados em Har&atilde; quando ele saiu dessa cidade.<\/p>\n<p>Posteriormente, Jac&oacute; foi at&eacute; eles para encontrar uma esposa entre os familiares de sua m&atilde;e, na casa de Naor, irm&atilde;o de Abra&atilde;o (28:4; 29:1-6). Na sequ&ecirc;ncia, houve pessoas que Abra&atilde;o encontrou em Har&atilde; e que se juntaram a ele (v. 5). O quarto grupo vivia em Har&atilde; e n&atilde;o seguiu o patriarca quando ele deixou a cidade. Por &uacute;ltimo, o quinto grupo &eacute;, naturalmente, o principal: Abra&atilde;o e seus companheiros que deixaram Ur e continuaram juntos por todo o caminho, via Har&atilde;, &agrave; terra de Cana&atilde;.<\/p>\n<p>O comportamento variado dos grupos nos ajuda a ponderar acerca de duas quest&otilde;es que Osborne levanta sobre entendimento. Ele pergunta (1) se &eacute; poss&iacute;vel aos leitores saberem o que significa um documento escrito e; (2) se &eacute; importante saber o que o documento significa.<sup>10<\/sup> Excetuando aqueles que agem de modo insensato, as diversas respostas mostram como pessoas com disposi&ccedil;&atilde;o mental e pr&aacute;tica diferentes podem responder &agrave; revela&ccedil;&atilde;o. Muitos comportamentos contradit&oacute;rios seguem o estudo b&iacute;blico; contudo, a aceita&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a entre a verdade divinamente revelada e a natureza humana significa a abertura ao elemento miraculoso, enquanto buscamos maneiras de compartilhar o evangelho com a humanidade.<\/p>\n<p>A B&iacute;blia fala consistentemente sobre as pessoas. Seu pensamento bin&aacute;rio desagrada aqueles que integrariam o inferno e o c&eacute;u numa uni&atilde;o coerente: &ldquo;Enganoso &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecer&aacute;?&rdquo; (Jr 17:9). &ldquo;A mentalidade da carne&rdquo;, o ser humano natural, &ldquo;&eacute; inimiga de Deus&rdquo; (Rm 8:7, NVI). A B&iacute;blia tamb&eacute;m denuncia o dano hermen&ecirc;utico, que transforma amargo em doce, escurid&atilde;o em luz, mal em bem (Is 5:20). Isso n&atilde;o constitui simplesmente em discordar sobre como considerar aspectos em que todos est&atilde;o de acordo. Significa discordar sobre o que &eacute; verdade.<\/p>\n<p>Seja qual for nosso racioc&iacute;nio, ignorar o contraste ou procurar evit&aacute;-lo confunde o prop&oacute;sito da autorrevela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica de Deus. Essa revela&ccedil;&atilde;o &eacute; projetada para expor o abismo entre a pureza divina e nossa vergonha, Sua bondade e nossa corrup&ccedil;&atilde;o, Seu dom de vida eterna e nossas obras de morte. &ldquo;Jesus&rdquo; significa Salvador do pecado (Mt 1:21), n&atilde;o conciliador do pecado e da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hist&oacute;ria 2: A alian&ccedil;a de Abra&atilde;o com Deus<\/strong><\/p>\n<p>A segunda hist&oacute;ria da vida de Abra&atilde;o envolve seu desejo por um herdeiro. Por n&atilde;o ter filhos, seguindo um costume de seus dias, Abra&atilde;o sugere a Deus que seu servo Eliezer, nascido em sua casa, seja seu sucessor (Gn 15:2, 3). De acordo com a cultura da &eacute;poca, a perpetua&ccedil;&atilde;o do nome e da riqueza da fam&iacute;lia era imperativa; por isso, se fosse necess&aacute;rio, um herdeiro seria designado por meio de ado&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de ser o respons&aacute;vel pela heran&ccedil;a, o escolhido deveria cuidar dos pais at&eacute; o dia do sepultamento deles.<sup>11<\/sup><\/p>\n<p>No entanto, Deus n&atilde;o &eacute; persuadido. Ele redireciona os planos de Abra&atilde;o e reeduca seu pensamento sobre o princ&iacute;pio da f&eacute;. O patriarca aceita, e o Senhor credita sua f&eacute; nele &ldquo;como justi&ccedil;a&rdquo; (v. 6). Mais adiante (v. 7-21), Deus complementa e expande o ensinamento, mais uma vez, no contexto da intera&ccedil;&atilde;o entre a cultura familiar local e a exce&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica da revela&ccedil;&atilde;o divina.<\/p>\n<p>O relato apresenta Deus como suserano, envolvido no estabelecimento de uma alian&ccedil;a com Seu povo vassalo na pessoa de Abra&atilde;o. No ritual que estabelecia o tratado, os animais eram abatidos, cortados em peda&ccedil;os, e as por&ccedil;&otilde;es dispostas em duas fileiras, com um corredor entre elas. As partes na alian&ccedil;a passavam entre as fileiras &ldquo;enquanto faziam um juramento que invocava esquartejamento similar caso n&atilde;o guardassem sua parte da alian&ccedil;a&rdquo;.<sup>12<\/sup> Entretanto, em G&ecirc;nesis 15, Deus passa sozinho entre as pe&ccedil;as. O compromisso do Senhor em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alian&ccedil;a pode ser visto no Calv&aacute;rio, onde Cristo pagou por nossa transgress&atilde;o, a fim de nos resgatar para Ele.<\/p>\n<p><strong>Sete princ&iacute;pios<\/strong><\/p>\n<p>Dissemos que a mensagem b&iacute;blica de salva&ccedil;&atilde;o (1Co 10:11, 2Tm 3:15) &eacute; sobre uma cultura divina, estranha &agrave; Terra. Suas verdades nos alcan&ccedil;am porque o conte&uacute;do comunicado por Deus &eacute; compreens&iacute;vel e altera nossas cren&ccedil;as e nossos comportamentos anteriores. Gostaria de propor alguns princ&iacute;pios extra&iacute;dos das duas hist&oacute;rias apresentadas que podem nos ajudar a difundir a cultura do C&eacute;u a outros seres humanos, assim como o pr&oacute;prio Deus a apresentou a Abra&atilde;o h&aacute; muito tempo. Uma mensagem consistente desses relatos que analisamos &eacute; que a interven&ccedil;&atilde;o divina na cultura existente torna o lugar de Sua atividade o <em>locus<\/em> de uma nova cultura e de outro mundo. Aqui est&atilde;o sete princ&iacute;pios que podemos aplicar &agrave; rela&ccedil;&atilde;o cultura-hermen&ecirc;utica:<\/p>\n<\/address>\n<address>\n<ol>\n<li>\n<pre><em> Alteridade<\/em>. Deus n&atilde;o &eacute; igual a Abra&atilde;o. Ele &eacute; diferente, seja de Abra&atilde;o ou de qualquer outra pessoa. Os mensageiros de Deus para todas as culturas humanas, embora pecadores, devem ser diferentes tamb&eacute;m: s&atilde;o &ldquo;ra&ccedil;a eleita, sacerd&oacute;cio real, na&ccedil;&atilde;o santa, povo de propriedade exclusiva de Deus&rdquo; (1Pe 2:9). Desculpar-se por essa alteridade desagrada a Deus, que nos comissionou.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>\n<pre><em> Mutualidade<\/em>. Quando Deus Se aproximou de Abra&atilde;o como mission&aacute;rio, Ele o envolveu, reconhecendo sua intelig&ecirc;ncia (Gn 12:1). O Senhor assume certa compatibilidade com o alvo de Seu trabalho. Sua alteridade n&atilde;o &eacute; necessariamente alienante, embora alguns possam fazer dela motivo para rejei&ccedil;&atilde;o. Deus trabalha para eliminar qualquer aspecto de Sua alteridade perif&eacute;rico &agrave; Sua ess&ecirc;ncia. Devemos agir assim tamb&eacute;m. Nada daquilo que for dispens&aacute;vel deve persistir se isso se revelar hostil ao prop&oacute;sito mission&aacute;rio. Assim o Verbo Se tornou carne e armou Sua tenda entre n&oacute;s (Jo 1:14). Os representantes do Senhor n&atilde;o trabalhar&atilde;o a partir da perspectiva da superioridade. Eles reconhecer&atilde;o a intelig&ecirc;ncia das pessoas e trabalhar&atilde;o com base na reciprocidade.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>\n<pre><em> Autoridade.<\/em> Afastar elementos dispens&aacute;veis que inibem a miss&atilde;o n&atilde;o significa que o Senhor &eacute; igual a Abra&atilde;o. Sua tarefa mission&aacute;ria exige autoridade. Deus como mission&aacute;rio apresenta elementos desconhecidos, dos quais Abra&atilde;o precisa, e que ser&atilde;o plenamente supridos por Ele. O Senhor convida o patriarca a mudar, a deixar sua condi&ccedil;&atilde;o confort&aacute;vel para explorar o desconhecido (Gn 12:1).<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>\n<pre><em> Respeito.<\/em> O respeito, como o princ&iacute;pio da mutualidade, deve ser compartilhado por ambas as partes. Deus respeita Abra&atilde;o, que devolve a defer&ecirc;ncia; Ele n&atilde;o o for&ccedil;a. O Senhor oferece o novo, a promessa e a escolha. O ato de Abra&atilde;o envolve a decis&atilde;o de mudar, de ser diferente de seu pai, Tera, um id&oacute;latra (Js 24:2). Contudo, o patriarca demonstra muito respeito por sua fam&iacute;lia, mesmo decidindo pela mudan&ccedil;a. Apesar do chamado de Deus, ele seguiu Tera a Har&atilde;, permaneceu com ele l&aacute;, e s&oacute; saiu ap&oacute;s sua morte (At 7:2-4). Deus afirma que liderou Abra&atilde;o por todo esse caminho (Js 24:2, 3). Missionalmente falando, o respeito &eacute; um princ&iacute;pio geral, demonstrado a todos, n&atilde;o apenas a alguns. O Senhor respeitou Abra&atilde;o. Abra&atilde;o respeitou o Senhor. O patriarca tamb&eacute;m respeitou seu pai, que n&atilde;o entendia seu Deus. Acomodar-se &agrave; fam&iacute;lia n&atilde;o convertida n&atilde;o significa necessariamente falta de convers&atilde;o ou indisposi&ccedil;&atilde;o para seguir a verdade. A partir do exemplo do Pai de todos os que creem, &eacute; poss&iacute;vel entender que alguns permanecem em sua condi&ccedil;&atilde;o porque podem estar demonstrando respeito.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>\n<pre><em> Sinceridade.<\/em> O quinto princ&iacute;pio &eacute; a sinceridade, um desafio aos cr&iacute;ticos. O Senhor n&atilde;o dissimula em Seu falar nem o mission&aacute;rio que vai em Seu nome. Deus &eacute; quem Ele &eacute; porque Seu modo de agir &eacute; t&atilde;o certo quanto o modo como fala. Deus e o mission&aacute;rio s&atilde;o apresentados dessa maneira. O respeito pela individualidade e pelo trabalho do Esp&iacute;rito Santo na consci&ecirc;ncia nos permite aceitar a sinceridade do outro. Conforme Pedro disse ao mentiroso Ananias, isso &eacute; uma quest&atilde;o entre o ser humano e Deus (At 5:4). &Agrave;s vezes, o Senhor exp&otilde;e a hipocrisia, quando julga que deve faz&ecirc;-lo.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"6\">\n<li>\n<pre><em> Integridade.<\/em> A integridade &eacute; o sexto princ&iacute;pio missional extra&iacute;do da hist&oacute;ria de Abra&atilde;o. O Deus que prometeu a grandeza ao patriarca (12: 2, 3) refor&ccedil;ou Sua palavra quando passou entre os animais cortados diante de Abra&atilde;o (Gn 15:17). Vemos nessa a&ccedil;&atilde;o contracultural, que n&atilde;o h&aacute; reservas em rela&ccedil;&atilde;o ao compromisso divino. Integridade &eacute; integridade. Deus est&aacute; totalmente comprometido com a miss&atilde;o. Ele avaliou o custo antes da funda&ccedil;&atilde;o do mundo. Seus representantes devem avaliar o custo ou se prepararem para a trag&eacute;dia. Caminhamos para o desastre pessoal e institucional sendo parcialmente comprometidos, inconstantes e ao fazermos uso de suborno, quando a seriedade n&atilde;o pode persuadir.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"7\">\n<li>\n<pre><em> Confian&ccedil;a.<\/em> O s&eacute;timo princ&iacute;pio sobre salva&ccedil;&atilde;o, hermen&ecirc;utica e cultura &eacute; a confian&ccedil;a. Confian&ccedil;a pode ser definida como a vontade de acreditar, em vez de suspeitar sinceramente de toda cren&ccedil;a. Os hip&oacute;critas abusam da confian&ccedil;a divina, mas, por Seu amor, Ele ainda d&aacute; &agrave;queles que pedem e n&atilde;o Se desviar&aacute; daqueles que desejam tomar emprestado (Mt 5:42). Se tivermos medo de confiar, estaremos muito limitados para crescer. Todas as recompensas de Suas promessas dependem da confian&ccedil;a que opera pela obedi&ecirc;ncia. Se n&atilde;o confiarmos o suficiente para nos rendermos &agrave; Sua vontade e Seu poder, ent&atilde;o, Ele n&atilde;o pode agir em nosso favor. Confian&ccedil;a conta como evid&ecirc;ncia de coisas n&atilde;o vistas. Sem confian&ccedil;a, &eacute; imposs&iacute;vel agrad&aacute;-Lo. Sem confian&ccedil;a, nossa per&iacute;cia exeg&eacute;tica n&atilde;o importa. Quer concordemos ou n&atilde;o, sem confian&ccedil;a n&atilde;o chegaremos a lugar algum.<\/pre>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/address>\n<address>Se nossas incurs&otilde;es hermen&ecirc;uticas e interven&ccedil;&otilde;es culturais demonstrarem o compromisso com esses princ&iacute;pios, homens e mulheres ouvir&atilde;o nossas exposi&ccedil;&otilde;es, ver&atilde;o nossas boas obras e glorificar&atilde;o nosso Pai que est&aacute; nos c&eacute;us (Mt 5:16)<\/address>\n<h5><strong>&nbsp;<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>1 Kevin J. Vanhoozer, &ldquo;The World Well Staged?&rdquo; em D. A. Carson e John D. Woodbridge, eds.,&nbsp;<em>God and Culture: Essays in Honor of Carl F. H. Henry&nbsp;<\/em>(Grand Rapids: Eerdmans, 1993), p. 9.<\/p>\n<p>2 Ibid.<\/p>\n<p>3 Huston Smith,&nbsp;<em>Why Religion Matters: The Fate of the Human Spirit in an Age of Disbelief&nbsp;<\/em>(San Francisco: Harper San Francisco, 2001), p. 205.<\/p>\n<p>4 Ellis Nelson,&nbsp;<em>Where Faith Begins&nbsp;<\/em>(Richmond, VA: John Knox, 1967), p. 183.<\/p>\n<p>5 Wade Clark Roof e William McKinney,&nbsp;<em>American Mainline Religion: Its Changing Shape and Future&nbsp;<\/em>(New Brunswick, NJ: Rutgers UP, 1987), p. 69.<\/p>\n<p>6 Smith, p. 205.<\/p>\n<p>7 Stephen B. Bevans,&nbsp;<em>Models of Contextual Theology&nbsp;<\/em>(New York: Orbis, 1992), p. 2.<\/p>\n<p>8 &ldquo;Presuposi&ccedil;&otilde;es&rdquo; se referem ao quadro mental dentro do qual interpretamos individualmente nossos dados. O que vemos, ouvimos, sentimos, como acessamos e processamos cognitivamente o que pensamos que temos acessado &eacute; informado e controlado por nossas pressuposi&ccedil;&otilde;es. Para mais informa&ccedil;&otilde;es sobre pressuposi&ccedil;&otilde;es, ver Lael Caesar, &ldquo;Examining Validity: The Bible As Text of History&rdquo;, em Humberto Rasi, ed.,&nbsp;<em>Christ in the Classroom<\/em>:&nbsp;<em>Adventist Approaches to the Integration of Faith and Learning&nbsp;<\/em>(Silver Spring, MD: General Conference of Seventh-day Adventists, 1996), p. 1-20, 5; e Caesar, &ldquo;Hermeneutics, Culture, and the Father of the Faithful&rdquo;,&nbsp;<em>Journal of the Adventist Theological Society&nbsp;<\/em>13\/1 (Spring 2002): p. 91-114.<\/p>\n<p>9 Grant R. Osborne,&nbsp;<em>The Hermeneutical Spiral: A Comprehensive Introduction to Biblical Interpretation&nbsp;<\/em>(Downers Grove: InterVarsity, 1991), p. 376, 377.<\/p>\n<p>10 Osborne, p. 401.<\/p>\n<p>12 Alfred J. Hoerth,&nbsp;<em>Archaeology and the Old Testament&nbsp;<\/em>(Grand Rapids: Baker, 1998), p. 102, 103.<\/p>\n<p>13 Ibid., p. 103.<\/p>\n<p>(Doado gentilmente pelo Pr. Wellington Barbosa, editor da Revista Minist&eacute;rio)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"cmsmasters_row_6a21d239309bc\" class=\"cmsmasters_row cmsmasters_color_scheme_default cmsmasters_row_top_default cmsmasters_row_bot_default cmsmasters_row_boxed\">\n<div class=\"cmsmasters_row_outer_parent\">\n<div class=\"cmsmasters_row_outer\">\n<div class=\"cmsmasters_row_inner\">\n<div class=\"cmsmasters_row_margin\">\n<div class=\"cmsmasters_column one_first\">\n<div class=\"custom_css\">\n\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Salva\u00e7\u00e3o, Hermen\u00eautica e Cultura Lael Caesar \u00c9 doutor em estudos hebraicos e sem\u00edticos (University of Wisconsin) e editor associado da Adventist Review A cultura \u00e9 tudo, em toda parte, o tempo todo. \u00c9 \u201co mundo do significado humano, a soma total das obras de um povo [...] Sua vis\u00e3o do que \u00e9 ser plenamente humano\u201d.1...","protected":false},"author":3,"featured_media":3781,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3815,3813],"tags":[],"class_list":["post-3780","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-teologicos","category-artigos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - 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