{"id":38,"date":"2016-11-30T07:00:16","date_gmt":"2016-11-30T10:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/?p=38"},"modified":"2017-04-19T09:22:55","modified_gmt":"2017-04-19T12:22:55","slug":"fazer-a-partir-do-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/fazer-a-partir-do-ser\/","title":{"rendered":"Fazer a partir do ser"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: justify;\">Como desenvolver-se de tal maneira que aquilo que voc&ecirc; faz surge daquilo que voc&ecirc; &eacute;&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Dr. Berndt D. Wolter<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a boca fala daquilo que o cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; cheio (cf. Mt. 12:34), as nossas m&atilde;os inevitavelmente ir&atilde;o fazer aquilo que o nosso cora&ccedil;&atilde;o pede (cf. Ap. 20:13) e os nossos p&eacute;s nos levar&atilde;o aos lugares que o nosso cora&ccedil;&atilde;o deseja (cf. Pv. 6:18). Se o cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; buscando o que &eacute; bom, as nossas a&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o semelhantes a essa busca. Na verdade o fruto vai sempre mostrar qual a qualidade da &aacute;rvore, como diz a B&iacute;blia: &ldquo;pelos frutos os conhecereis&hellip;&rdquo; (cf. Mt. 7:16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realidade &eacute; que inevitavelmente aquilo que fazemos flui a partir daquilo que somos, mesmo que saibamos disfar&ccedil;ar bem e saibamos dar a impress&atilde;o de que somos aquilo que estamos falando ou fazendo. A mensagem daquilo que somos sempre fala muito mais alto do que aquilo que falamos ou fazemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Ser<br>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossa cultura brasileira, avaliamos as pessoas pelo que elas t&ecirc;m ou pelo seu desempenho. Somos conhecidos e valorizados por aquilo que temos ou fazemos, e n&atilde;o por aquilo que de fato somos. &Eacute; at&eacute; esquisito falar de nosso <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando nos apresentamos para algu&eacute;m, normalmente falamos o nosso nome e o que fazemos. Imagine se eu me apresentasse assim: &ldquo;Ol&aacute;, meu nome &eacute; Fulano, o prop&oacute;sito de Deus para a minha vida &eacute; ajudar pessoas a conhec&ecirc;-lo. Sou humilde e paciente, mas tenho dificuldades em ter paz no cora&ccedil;&atilde;o. Meus dons s&atilde;o de evangelismo e de aconselhamento. Muito prazer!&rdquo; N&atilde;o &eacute; muito estranho para n&oacute;s expormos o nosso <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span> dessa maneira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent&atilde;o vamos abordar o nosso tema: O que &eacute; esse ser? Como definir e delimitar o meu ser? Como definir e conhecer o ser de outros? Como esse ser se desenvolve? Qual &eacute; a finalidade de desenvolver o ser? Temos enfatizado o desenvolvimento de nosso ser de volta &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus? E o ser de outros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser &eacute; aquilo que nos diferencia de outras pessoas, de outro ser. Claro que nossa apar&ecirc;ncia, nossa personalidade, nossa hist&oacute;ria pessoal e nosso jeito de ser, d&atilde;o a marca distintiva para o que somos. Mas o ser &eacute; marcado principalmente por caracter&iacute;sticas interiores, veja Mt. 5; Gl. 5:22-23; 1 Co. 13. As marcas que distinguem nosso ser s&atilde;o a forma como amamos, onde estamos na escala de desenvolvimento da humildade, nossa habilidade de praticarmos bondade, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem no in&iacute;cio Deus fez Ad&atilde;o do p&oacute; da terra (cf. Gn. 2:7). Esse boneco de barro n&atilde;o teria nada que o diferenciasse de outro, que porventura Deus fizesse, a n&atilde;o ser o formato. Deus decidiu colocar nesse boneco um conte&uacute;do. Esse conte&uacute;do somado &agrave; parte f&iacute;sica desse boneco &eacute; o <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira maravilhosa Deus lhe deu vida (f&ocirc;lego de vida em hebraico &eacute; RUAH) e esse boneco de barro passou a <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span> alma vivente. Essa alma vivente, de repente, tinha tudo: intelig&ecirc;ncia, emo&ccedil;&otilde;es, vontade, espiritualidade, habilidade de se relacionar e de se socializar, livre arb&iacute;trio, capacidades e potenciais.1 Num milagre Deus fez de um boneco de barro um <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span> vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns vers&iacute;culos antes (cf. Gn. 1:28), quando a B&iacute;blia se concentra na sequ&ecirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o, Deus diz aos primeiros humanos: <b>&ldquo;Sede fecundos, multiplicai-vos&rdquo;. <\/b>As duas palavras (<b>rabah <\/b>e <b>parah<\/b>) tem a ver com a reprodu&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos em quantidade e ser ou tornar-se grande. O sentido secund&aacute;rio dessa dupla de palavras &eacute; de ampliar, alargar, aumentar, dar frutos. Parece que, apesar de dar &ecirc;nfase sobre a multiplica&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica, nesse vers&iacute;culo h&aacute; tamb&eacute;m a dimens&atilde;o de se desenvolver, se ampliar interiormente. Mas, o que precisa se desenvolver?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Composi&ccedil;&atilde;o do ser<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso ser &eacute; integral, insepar&aacute;vel e as partes que iremos delimitar s&atilde;o aqui separadas didaticamente apenas para facilitar a explica&ccedil;&atilde;o, pois dentro de n&oacute;s n&atilde;o h&aacute; partes nem separa&ccedil;&otilde;es, &eacute; um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ser integral &eacute; que precisamos crescer: mente, corpo e esp&iacute;rito,2 como Deus nos criou, tudo interligado, tudo influenciando tudo. Nada se desenvolve sozinho. Apesar de prestarmos aten&ccedil;&atilde;o nas partes, &eacute; no todo que o ser se desenvolve. Por exemplo, n&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m que se desenvolva bem mentalmente e seja saud&aacute;vel se n&atilde;o se dedicar ao desenvolvimento do corpo. Vamos ver como isso funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos analisar um quadro pintado, delimitarmos moldura, o pano sobre qual a pintura &eacute; feita e as diferentes tintas utilizadas. Tudo acaba sendo um quadro s&oacute; e n&atilde;o faria sentido se tiv&eacute;ssemos apenas partes separadas. Assim podemos tamb&eacute;m estudar a composi&ccedil;&atilde;o do nosso <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span> apesar de ser um todo insepar&aacute;vel. Veja as partes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo &eacute; o f&iacute;sico: ossos, m&uacute;sculos, pelos, &oacute;rg&atilde;os, etc. O corpo tem certa l&oacute;gica de funcionamento, h&aacute; certas leis que o regem. Se desconhecermos ou negligenciarmos o funcionamento do nosso corpo, o trataremos de maneira inadequada e, consequentemente, ele ser&aacute; prejudicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o iremos entrar em detalhes aqui, mas o corpo precisa ser tratado adequadamente com alimento de qualidade, &aacute;gua, descanso, exerc&iacute;cio, sol, ar puro, etc. Qualquer uma dessas caracter&iacute;sticas, se negligenciada, pode ser a origem de doen&ccedil;as e enfraquecimento do corpo. Quando utilizadas com equil&iacute;brio, o corpo desenvolver&aacute; for&ccedil;a, resist&ecirc;ncia, persist&ecirc;ncia e longevidade. O esporte &eacute; imprescind&iacute;vel para que o corpo esteja em sua melhor conforma&ccedil;&atilde;o. O trabalho &uacute;til &eacute; o que parece mais promover a intera&ccedil;&atilde;o do f&iacute;sico, mental e o espiritual, dando for&ccedil;a ao conjunto. Nas palavras de Ellen White: <b>&ldquo;a ocupa&ccedil;&atilde;o da mente e do corpo num trabalho &uacute;til &eacute; essencial como salvaguarda contra a tenta&ccedil;&atilde;o&rdquo; <\/b>3<b>.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mente &eacute; composta por emo&ccedil;&otilde;es, raz&atilde;o e vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz&atilde;o &eacute; onde os pensamentos acontecem. &Eacute; composta por l&oacute;gica, racioc&iacute;nio, criatividade, concentra&ccedil;&atilde;o, mem&oacute;ria, associa&ccedil;&atilde;o de ideias, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os movimentos internos que, em grande medida, d&atilde;o significado para a nossa vida. Avaliamos muito daquilo que nos confrontamos diariamente pelas emo&ccedil;&otilde;es que sentimos. Antipatias e simpatias por pessoas s&atilde;o muitas vezes estabelecidas com base nas emo&ccedil;&otilde;es. As emo&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas segundo a ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica s&atilde;o: culpa, &oacute;dio, vergonha, medo e amor. H&aacute; ainda outras emo&ccedil;&otilde;es como alegria, tranquilidade, satisfa&ccedil;&atilde;o, equil&iacute;brio, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a nossa sa&uacute;de psicol&oacute;gica vem da nossa habilidade de lidar com a realidade das nossas emo&ccedil;&otilde;es e de viv&ecirc;-las conscientemente. A intera&ccedil;&atilde;o adequada da raz&atilde;o com as emo&ccedil;&otilde;es possibilita &agrave; nossa estrutura psicol&oacute;gica um estado saud&aacute;vel e rea&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o de acordo com a realidade. As emo&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m s&atilde;o, somadas &agrave; raz&atilde;o, a base para as nossas decis&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vontade &eacute; uma intera&ccedil;&atilde;o entre emo&ccedil;&otilde;es e raz&atilde;o, a qual &eacute; dif&iacute;cil de ser exatamente delimitada. H&aacute; momentos que fazemos as nossas decis&otilde;es quase que inteiramente baseadas nas emo&ccedil;&otilde;es e outras vezes gastamos tempo para refletir e tomar uma decis&atilde;o estudada, com compreens&atilde;o das consequ&ecirc;ncias, baseada na raz&atilde;o. Ellen White escreve: <b>&ldquo;Este &eacute; o poder que governa a natureza do homem, o poder da decis&atilde;o ou de escolha. Tudo depende da reta a&ccedil;&atilde;o da_vontade. O poder da escolha deu-o Deus ao homem; a ele compete exerc&ecirc;-lo&rdquo; <\/b>4<b>. <\/b>Exercer essa caracter&iacute;stica da mente com sabedoria e emo&ccedil;&otilde;es sadias, que n&atilde;o traiam a escolha inteligente, &eacute; talvez o que mais pode determinar o rumo de uma vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espiritualidade, por sua vez, segue uma l&oacute;gica diferente dessas duas dimens&otilde;es anteriores do ser. Ela &eacute; regida por aquilo que n&atilde;o vemos e que n&atilde;o podemos medir pelos nossos sentidos (cf. 2 Co. 4:18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu primeiro serm&atilde;o, Jesus mostra o que &eacute; essencial para o ser humano se desenvolver na dire&ccedil;&atilde;o de Deus e apresenta os elementos b&aacute;sicos que comp&otilde;em a espiritualidade: humildade, mansid&atilde;o, simplicidade, justi&ccedil;a, limpeza de cora&ccedil;&atilde;o, miseric&oacute;rdia, paz, etc. Todas essas qualidades s&atilde;o invis&iacute;veis e imensur&aacute;veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, em G&aacute;latas 5:22-23, repete essas caracter&iacute;sticas invis&iacute;veis da espiritualidade e as de_ ne como sendo o pr&oacute;prio AMOR. Ele descreve assim: <b>&ldquo;O fruto do esp&iacute;rito &eacute; AMOR: alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansid&atilde;o, dom&iacute;nio pr&oacute;prio&rdquo; <\/b>5<b>. <\/b>Paulo tamb&eacute;m faz um paralelo po&eacute;tico (talvez tenha sido at&eacute; um hino) ao texto anterior em 1 Co. 13 onde repete quase a mesma coisa e expande o conceito de que o centro da espiritualidade &eacute; o AMOR, descrevendo os componentes desse AMOR vindo de Deus (cf. 1 Jo. 4:19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, se algu&eacute;m quer aprender a amar, deve investir em aprender a viver as partes que comp&otilde;em o amor. Ao crescer em alegria, paci&ecirc;ncia, bondade, a pessoa cresce em AMOR e,&nbsp; consequentemente, em espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser &eacute; a combina&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel de tr&ecirc;s &aacute;reas: f&iacute;sico, mental e espiritual. Existe alguma f&oacute;rmula m&aacute;gica para essas tr&ecirc;s &aacute;reas interagirem de maneira saud&aacute;vel? H&aacute; uma receita para funcionarmos perfeitamente como seres humanos? N&atilde;o! Mas existem princ&iacute;pios gerais norteadores, que se aplicam a todos os seres humanos. A compreens&atilde;o e a viv&ecirc;ncia deles em equil&iacute;brio, intelig&ecirc;ncia e bom senso, bem como o constante crescimento e ajuste nas &aacute;reas onde percebemos debilidade, s&atilde;o o segredo do desenvolvimento constante do <span style=\"text-decoration: underline;\">ser<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um ser doente<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento integral do ser &eacute; chamado na B&iacute;blia de santifica&ccedil;&atilde;o, sem a qual ningu&eacute;m ver&aacute; a Deus (cf. Hb. 12:14). Precisamos aprender a desenvolver essas caracter&iacute;sticas da mente, do corpo e do esp&iacute;rito. Se Deus nos deu um ser com essa complexidade, foi para que esse ser fosse desenvolvido. Se negligenciarmos isso, teremos decad&ecirc;ncia e adoecimento como resultado. Muitas vezes o adoecimento em uma &aacute;rea &eacute; respons&aacute;vel pelo adoecimento de todo o ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, se uma crian&ccedil;a foi abusada quando pequena, ela foi ferida em suas emo&ccedil;&otilde;es e, consequentemente, toda a sua psique est&aacute; abalada. Ao estar doente psicologicamente, &eacute; poss&iacute;vel que o seu rosto e o seu corpo mostrem esse desajuste ao longo do tempo. Tamb&eacute;m &eacute; prov&aacute;vel que ela desenvolva doen&ccedil;as anos depois, n&atilde;o pelo abuso em si, mas pelas lutas emocionais que vai ter com as lembran&ccedil;as, ou mesmo com o esquecimento do abuso. Os seus relacionamentos de adulto provavelmente ir&atilde;o sofrer e\/ou ficar&atilde;o marcados por toda a vida. Essa pessoa precisa se abrir com algu&eacute;m e estar num ambiente seguro para poder tratar das feridas emocionais, caso contr&aacute;rio, o epis&oacute;dio da inf&acirc;ncia, mesmo n&atilde;o sendo culpa da pessoa, vai impedir sua sa&uacute;de integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pessoa sem uma experi&ecirc;ncia significativa e relevante com Deus, que n&atilde;o se desenvolve espiritualmente, pode sofrer ao longo da vida de tal maneira que o corpo e a mente (raz&atilde;o, emo&ccedil;&otilde;es e vontade) sofrer&atilde;o juntos. Os efeitos nunca s&atilde;o diretos e nem diretamente mensur&aacute;veis, mas estar&atilde;o ali debilitando todo o ser. A vida fica parcialmente comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo &eacute; o de uma pessoa que n&atilde;o quer se desenvolver mentalmente, ela vai ser agente e v&iacute;tima de limita&ccedil;&otilde;es que afetar&atilde;o o ser todo. Uma pessoa que n&atilde;o instrui a raz&atilde;o fica n&atilde;o apenas desinformada, mas inconsciente de muita coisa que ocorre ao seu redor. Sem instru&ccedil;&atilde;o, uma pessoa restringe demasiadamente seus c&iacute;rculos sociais e oportunidades que Deus poderia lhe oferecer. O potencial que Deus apresenteou para ser desenvolvido fica restrito aos impulsos que v&ecirc;m de fora, produzidos por outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a pessoa n&atilde;o se desenvolve, os potenciais que Deus deu ficam sem ser desenvolvidos, o servi&ccedil;o que a pessoa poderia exercer n&atilde;o &eacute; realizado e o prop&oacute;sito de Deus para aquela vida fica frustrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O fazer inteligente<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exagerando a cena, se tomarmos uma multid&atilde;o de doentes (f&iacute;sica, psicol&oacute;gica, metal, social e\/ou espiritualmente) e anim&aacute;-los a fazer uma obra que n&atilde;o est&atilde;o capacitados a fazer, &eacute; poss&iacute;vel que fa&ccedil;amos mais mal do que bem. Ser&aacute; que o que estou querendo dizer aqui &eacute; que apenas pessoas completamente ajustadas, completamente sadias f&iacute;sica, mental e espiritualmente devem sair para trabalhar para o Senhor? N&atilde;o! Definitivamente n&atilde;o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre h&aacute; dois lados de uma a&ccedil;&atilde;o, aquele que d&aacute; e aquele que recebe o servi&ccedil;o prestado. Na ponta que recebe, o bem &eacute; limitado quando as pessoas que prestam o servi&ccedil;o de amor n&atilde;o est&atilde;o preparadas para faz&ecirc;-lo. Nas palavras de Ellen White: <b>&ldquo;em v&atilde;o se esfor&ccedil;am por cumprir uma obra para a qual est&atilde;o despreparados, enquanto aquela que podem fazer continua negligenciada. E por causa desta falta de coopera&ccedil;&atilde;o de sua parte, o trabalho maior &eacute; impedido ou frustrado&rdquo; <\/b>6<b>.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute;, no entanto, o efeito reflexo sobre quem se disp&otilde;e a servir: <b>&ldquo;<\/b>Todo raio de luz espargido sobre outros, refletir-se-&aacute; em nosso pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o. Toda<b> <\/b>palavra bondosa e compassiva que se dirija a um aflito, toda a&ccedil;&atilde;o praticada para aliviar um oprimido, e toda d&aacute;diva que se destina a suprir as necessidades de nossos semelhantes, dada ou feita tendo em vista a gl&oacute;ria de Deus, resultar&aacute; em b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os para o doador. Aqueles que assim trabalham, est&atilde;o obedecendo a uma lei do C&eacute;u, e h&atilde;o de receber a aprova&ccedil;&atilde;o de Deus. [&hellip;] O prazer de fazer bem a outros, comunica aos sentimentos um ardor que eletriza os nervos, vivifica a circula&ccedil;&atilde;o do sangue, e produz sa&uacute;de f&iacute;sica e mental&rdquo; <b>7<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto que eu quero chegar &eacute; que quando empreendemos a&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o fazem sentido aos que nelas est&atilde;o envolvidos, perde-se uma dimens&atilde;o inteira, mas quando h&aacute; o m&iacute;nimo de preparo, a a&ccedil;&atilde;o &eacute; boa tanto para quem recebe como para quem a pratica, e coopera para o desenvolvimento das duas partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Os dois lados<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, vamos inevitavelmente fazer a partir daquilo que somos. Essa &eacute; uma lei invari&aacute;vel. Isso exige que fa&ccedil;amos investimentos consider&aacute;veis nos membros da igreja, para que se desenvolvam e cres&ccedil;am. Uma percep&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica da religi&atilde;o e daquilo que Deus quer fazer est&aacute; fora de lugar e n&atilde;o ajuda aquele que presta o servi&ccedil;o, e aquele que o recebe fica confuso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O servi&ccedil;o instru&iacute;do, com pessoas preparadas (n&atilde;o perfeitas, j&aacute; que isso n&atilde;o existe), que entendem o seu crescimento e o de outros, que est&atilde;o empenhadas em seu desenvolvimento f&iacute;sico, mental e espiritual e que poder&atilde;o prestar um servi&ccedil;o muito mais elevado beneficiar&aacute; muito mais a ponta receptora, pois n&atilde;o&nbsp;s&atilde;o emitidas mensagens confusas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o servi&ccedil;o pode e deve ajudar as pessoas em seu desenvolvimento pessoal. &Eacute; infantil e imaturo pressupor que todos est&atilde;o prontos, capazes, dispostos e com a correta motiva&ccedil;&atilde;o. No entanto, envolver as pessoas explicando-lhes como aquele servi&ccedil;o vai influenciar em seu desenvolvimento &eacute; s&aacute;bio e coerente com o plano de Deus. Mais ainda, quando as pessoas entenderem que elas est&atilde;o em desenvolvimento do seu ser, entender&atilde;o melhor aqueles a quem est&atilde;o servindo e como aquilo que est&atilde;o fazendo contribuir&aacute; para o desenvolvimento das pessoas a quem est&atilde;o servindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pastor &eacute; Berndt Wolter &eacute; doutor em Teologia pela Andrews University e desde&nbsp;2007 tem servido como professor de Teologia Aplicada do SALT UNASP<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notas e Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Deus criou nossos primeiros pais com todas essas caracter&iacute;sticas&nbsp;interiores, capacidades e potenciais com&nbsp;uma estrutura b&aacute;sica capaz de ser desenvolvida. O ser&nbsp;humano teria participa&ccedil;&atilde;o em seu crescimento e desenvolvimento&nbsp;como ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Perseguimos a compreens&atilde;o b&iacute;blica aqui de esp&iacute;rito,&nbsp;n&atilde;o alguma invas&atilde;o da filosofia grega ou religi&atilde;o pag&atilde;.&nbsp;Esp&iacute;rito &eacute; a centelha de vida em n&oacute;s colocada por Deus&nbsp;e que volta a Deus quando morremos. N&atilde;o defendemos&nbsp;a ideia de um ser invis&iacute;vel e imortal que habita o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 WHITE, Ellen Gould. Ci&ecirc;ncia do Bom Viver. Tatu&iacute;, SP:&nbsp;Casa Publicadora Brasileira, 2002, p. 177.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 WHITE, Ellen Gould. Caminho a Cristo. Tatu&iacute;, SP: Casa&nbsp;Publicadora Brasileira, 2004, p. 47.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Ver em http:\/\/espiritualidade.numci.org\/o-miolo-da-espiritualidade\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a an&aacute;lise do texto de Gl. 5:22-23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 WHITE, Ellen Gould. Patriarcas e Profetas. Tatu&iacute;, SP: Casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicadora Brasileira, 2003, p. 713.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 WHITE, Ellen Gould. Servi&ccedil;o Crist&atilde;o. Tatu&iacute;, SP: Casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicadora Brasileira, 2001, pp. 270-271.<b><\/b><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como desenvolver-se de tal maneira que aquilo que voc&ecirc; faz surge daquilo que voc&ecirc; &eacute;&hellip; Por Dr. Berndt D. Wolter Como a boca fala daquilo que o cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; cheio (cf. 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