{"id":546,"date":"2014-08-18T12:04:58","date_gmt":"2014-08-18T12:04:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=546"},"modified":"2014-08-18T16:32:48","modified_gmt":"2014-08-18T16:32:48","slug":"tradicao-ou-conviccao-o-papel-de-ellen-g-white-na-compreensao-da-justificacao-pela-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/tradicao-ou-conviccao-o-papel-de-ellen-g-white-na-compreensao-da-justificacao-pela-fe\/","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o ou convic\u00e7\u00e3o? O papel de Ellen G. White na compreens\u00e3o da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: justify;\">A assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral de 1888, ocorrida em Minneapolis, &eacute; um dos eventos mais importantes da hist&oacute;ria da Igreja Adventista. O presente artigo examina os conflitos pessoais envolvidos nessa reuni&atilde;o e o papel desempenhado por Ellen G. White durante a crise. O autor apresenta um panorama hist&oacute;rico da compreens&atilde;o dos adventistas sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; antes de 1888 e a contribui&ccedil;&atilde;o de A. T. Jones e E. J. Waggoner sobre o assunto. A principal contribui&ccedil;&atilde;o de Ellen G. White na assembleia de 1888 foi dirigir a aten&ccedil;&atilde;o dos adventistas para a Palavra de Deus como base de toda doutrina e, portanto, acima de qualquer tradi&ccedil;&atilde;o religiosa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisarmos os diversos per&iacute;odos que marcaram a hist&oacute;ria da Igreja Adventista do S&eacute;timo Dia (IASD), podemos identificar v&aacute;rios eventos que foram determinantes no processo de seu desenvolvimento. Arthur N. Patrick, por exemplo, apresenta os seguintes eventos cruciais: (a) 1831, quando Guilherme Miller iniciou a proclama&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre a &ldquo;proximidade do advento&rdquo;; (b) 1844, o ponto de transi&ccedil;&atilde;o do milerismo para o que se tornaria o movimento adventista sabatista; (c) 1863, quando foi estabelecida a estrutura organizacional da Igreja; (d) 1866, quando foi inaugurado o Instituto Ocidental da Reforma de Sa&uacute;de, a primeira institui&ccedil;&atilde;o aberta do adventismo; (e) 1888, a assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral, realizada em Minneapolis, Minnesota; (f) 1901, quando a IASD passou por um processo de reorganiza&ccedil;&atilde;o; (g) 1907, com a apostasia de John H. Kellogg; (h) 1919, quando eruditos e l&iacute;deres adventistas discutiram a posi&ccedil;&atilde;o adventista diante da crise modernista-fundamentalista; (i) 1957, com a publica&ccedil;&atilde;o do livro Questions on Doctrine (Quest&otilde;es sobre Doutrina); (j) 1980, quando a IASD votou pela &uacute;ltima vez seu conjunto de cren&ccedil;as fundamentais.2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V&aacute;rias outras datas importantes poderiam ser adicionadas a essa lista, mas de acordo com Patrick, com exce&ccedil;&atilde;o do ano de 1844, nenhum outro evento na hist&oacute;ria da IASD exerceu maior impacto sobre seu futuro que a 27&ordf; assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral realizada em Minneapolis, Minnesota, no ano de 1888.3 N&atilde;o houve outra data que despertou tantos debates e interpreta&ccedil;&otilde;es como essa assembleia. Ao avaliar o grau de import&acirc;ncia desse evento, o historiador LeRoy E. Froom declarou que a assembleia de 1888 eleva-se como o pico de uma montanha, acima de todas outras sess&otilde;es em singularidade e import&acirc;ncia. Foi um ponto decisivo. Nada semelhante havia ocorrido anteriormente, e nenhum evento posterior pode ser comparado a ela. Definitivamente, ela introduziu uma nova &eacute;poca. [&hellip;] 1888 n&atilde;o foi um ponto de derrota, mas uma mudan&ccedil;a de rumo para a vit&oacute;ria final. A despeito dos conflitos e contrariedades, Minneapolis marcou o in&iacute;cio de d&eacute;cadas de esclarecimentos e avan&ccedil;os.4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, apesar da import&acirc;ncia que essa assembleia representou para o desenvolvimento da IASD, &eacute; importante observar que ela foi marcada por diversas aspira&ccedil;&otilde;es com inten&ccedil;&otilde;es e &acirc;nimos polarizados, que promoveram um clima de calorosa discuss&atilde;o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O instituto ministerial e o esp&iacute;rito de disc&oacute;rdia em Minneapolis<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido ao desenvolvimento da IASD e ao momento pelo qual ela passava, sobretudo na discuss&atilde;o de alguns temas doutrin&aacute;rios, George Butler, ent&atilde;o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Geral da IASD, convocou um grupo de pastores para participarem de um instituto ministerial que precederia a assembleia geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 1888, Butler argumentou sobre a import&acirc;ncia de uma reuni&atilde;o ministerial, ao afirmar que &ldquo;os irm&atilde;os que lideram [a IASD] t&ecirc;m sugerido a celebra&ccedil;&atilde;o de um instituto que preceda a assembleia geral do presente ano, e t&ecirc;m apresentado muitas raz&otilde;es convincentes em seu favor&rdquo;.5 Semanas depois, ele apresentou um vislumbre quanto &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do encontro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o podemos dizer qual ser&aacute; a ordem exata das atividades [espirituais] ou que temas ser&atilde;o considerados de forma especial. [&hellip;] Uma semana dedicada [1] &agrave; instru&ccedil;&atilde;o sobre aspectos importantes da Igreja e o trabalho das confer&ecirc;ncias, [2] a considerar com calma e a estudar cuidadosamente assuntos b&iacute;blicos que causam perplexidade, assim como [3] buscar fervorosamente a Deus em busca de sabedoria celestial &ndash; isso muito provavelmente ser&aacute; de grande benef&iacute;cio.6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O instituto ministerial que precedeu a assembleia &eacute; considerado como a primeira reuni&atilde;o do g&ecirc;nero na hist&oacute;ria adventista. Sua abertura aconteceu &agrave;s 14h30 da quarta-feira, 10 de outubro, e encerrou-se no dia 17 de outubro de 1888. O evento ocorreu na rec&eacute;m-inaugurada igreja de Minneapolis e contou com a presen&ccedil;a de aproximadamente &ldquo;cem ministros, tendo o pastor Stephen N. Haskell como presidente e o pastor Franklin E. Belden como secret&aacute;rio da sess&atilde;o&rdquo;.7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu discurso de abertura, Uriah Smith, ent&atilde;o secret&aacute;rio da Associa&ccedil;&atilde;o Geral, exp&ocirc;s aos membros participantes sua expectativa de que aquela reuni&atilde;o seria proveitosa, mas pediu que todos orassem por Butler, que estaria ausente devido a uma enfermidade. &Agrave;s v&eacute;speras das reuni&otilde;es, por excesso de trabalho, Butler havia experimentado um esgotamento t&atilde;o grande que esteve perto de ter um colapso nervoso. Em seu informe, Smith apresentou os principais temas a serem discutidos no Instituto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os temas propostos a serem considerados nas horas de estudos b&iacute;blicos e hist&oacute;ricos s&atilde;o: uma vista hist&oacute;rica dos dez reinos, a divindade de Cristo, a cura da ferida mortal, a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;, qu&atilde;o longe dever&iacute;amos ir ao utilizar a sabedoria da serpente e a predestina&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida ser&atilde;o introduzidos outros temas.8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com William C. White, devido aos testemunhos sobre o desenvolvimento da obra evangel&iacute;stica, as primeiras horas do instituto foram marcadas por um forte senso de espiritualidade:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Agrave; noite, &agrave;s 19h30, o pastor Haskell fez coment&aacute;rios comoventes sobre a obra da mensagem em pa&iacute;ses estrangeiros. &Agrave;s 9h de hoje [dia 11], A. T. Jones fez uma exposi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica sobre o avan&ccedil;o da obra da terceira mensagem ang&eacute;lica. O ponto destacado foi que a consagra&ccedil;&atilde;o pessoal deve encontrar-se no fundamento de todo o nosso &ecirc;xito nesta obra.9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a despeito do relato positivo exposto por William White, o esp&iacute;rito de unidade foi se dissipando &agrave; medida que certos assuntos passaram a ser apresentados pelos palestrantes do evento. Os primeiros ind&iacute;cios de disc&oacute;rdia come&ccedil;aram a surgir com o estudo sobre os &ldquo;dez chifres&rdquo; prof&eacute;ticos, que representam dez reinos que invadiram o Imp&eacute;rio Romano (cf. Dn 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At&eacute; 1888, os adventistas tradicionalmente haviam interpretado um desses chifres como sendo os hunos. Nos primeiros dias do instituto ministerial, A. T. Jones apresentou uma nova interpreta&ccedil;&atilde;o aos ministros presentes, sugerindo os alamanos em lugar dos hunos. Tal fato foi encarado por alguns como uma trai&ccedil;&atilde;o aos princ&iacute;pios de interpreta&ccedil;&atilde;o adventista. Mas, de acordo com os historiadores Schwarz e Greenleaf, &ldquo;Smith havia estimulado a Jones a estudar estes detalhes com cuidado&rdquo;.10 Na ocasi&atilde;o, Smith explicou que a lista de reinos que havia apresentado em seu livro Thoughts on Daniel (Pensamentos sobre Daniel) n&atilde;o havia sido inventada por ele. Uriah Smith argumentou que havia seguido os int&eacute;rpretes mileritas e outros comentaristas protestantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma postura militar, Jones respondeu: &ldquo;O pastor Smith lhes diz que n&atilde;o sabe nada sobre este assunto. Eu sim, o sei; e, n&atilde;o quero que me culpem pelo que ele n&atilde;o sabe&rdquo;.11 Essa resposta foi como o estopim que implodiria o barril de p&oacute;lvora, gerando um esp&iacute;rito combativo naquela reuni&atilde;o. Dessa forma, a assembleia seria marcada por v&aacute;rias sess&otilde;es de disputa doutrin&aacute;ria entre os dois grupos de ministros, que se polarizaram a favor dos tradicionalistas Smith (56 anos) e Butler (54 anos) ou os inovadores Jones (38 anos) e Waggoner (33 anos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Froom, tal assunto era de pouco valor comparado a grandes temas como a divindade de Cristo, a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;, a expia&ccedil;&atilde;o e a lei. Mesmo assim, as discuss&otilde;es decorrentes do estudo sobre os dez chifres foram t&atilde;o intensas, que nos intervalos entre as sess&otilde;es, um perguntava ao outro: &ldquo;Voc&ecirc; &eacute; huno ou alamano?&rdquo;12 Esse foi um in&iacute;cio bastante inapropriado para aquele evento. Todavia, aquilo era apenas o come&ccedil;o de um longo conflito que oscilaria entre diverg&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas e caprichos pessoais. A partir de ent&atilde;o, certos gracejos com tom de ironia se infiltraram em meio &agrave;quela reuni&atilde;o, produzindo grande desconforto entre seus participantes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A presen&ccedil;a de Ellen G. White no evento<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao descrever sua experi&ecirc;ncia na assembleia de Minneapolis, Ellen G. White declarou que &ldquo;foi pela f&eacute;&rdquo; que ela se aventurou a cruzar as montanhas rochosas para participar da reuni&atilde;o.13 Naquela &eacute;poca, com 60 anos de idade, tomada pelo des&acirc;nimo, ela havia experimentado uma enfermidade nervosa em seu lar. Ao relatar seu estado, ela disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n&atilde;o sentia nenhum desejo de recuperar-me. [&hellip;] N&atilde;o tinha for&ccedil;as nem sequer para orar, nem qualquer desejo de viver. Descansar, s&oacute; descansar, era meu desejo; estar em sil&ecirc;ncio e descansar. Ao encontrar-me por duas semanas v&iacute;tima de uma prostra&ccedil;&atilde;o nervosa, havia esperado que nenhuma gra&ccedil;a do C&eacute;u viria em meu favor. Quando chegou a crise, a impress&atilde;o era que eu morreria. Esse era o meu pensamento. Mas essa n&atilde;o era a vontade de meu Pai celestial. Meu trabalho ainda n&atilde;o havia terminado.14<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentada e pensativa, ela recordou-se dos votos solenes que havia feito junto ao leito de seu esposo; votos de vencer o inimigo e constantemente ajudar o movimento adventista &ndash; e era chegado o momento de cumprir aqueles votos.15 Sendo assim, em 2 de outubro de 1888, na companhia de sua secret&aacute;ria Sara MacEnterfer e de seu filho William, Ellen G. White embarcou em um trem para viajar rumo a Minneapolis. A viagem durou cerca de 8 dias, mas o grupo finalmente chegou a tempo para o instituto ministerial, que come&ccedil;aria em 10 de outubro de 1888.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no in&iacute;cio da reuni&atilde;o, Ellen G. White se deparou com um comportamento um tanto estranho entre os participantes, &ldquo;uma atitude que nunca dantes vira entre seus colegas de lideran&ccedil;a e minist&eacute;rio&rdquo;, sentimento descrito por ela como o &ldquo;esp&iacute;rito de Minneapolis&rdquo;.16 George R. Knight descreve as seguintes caracter&iacute;sticas manifestadas pelos participantes: (a) sarcasmo e zombaria (alguns se referiam a Waggoner como o &ldquo;bichinho de estima&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos White); (b) predom&iacute;nio da cr&iacute;tica; (c) inveja, ruins suspeitas e animosidade; (d) sentimentos e atitudes frias e duras; (e) pessoas implac&aacute;veis que resistiam &agrave; voz do Esp&iacute;rito Santo; (f) em s&iacute;ntese, o &ldquo;esp&iacute;rito de Minneapolis&rdquo; foi algo indelicado, descort&ecirc;s e mesmo anticrist&atilde;o.17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse esp&iacute;rito surgiu devido a uma carta enviada a Butler por William H. Healey, pastor na Calif&oacute;rnia, no fim de setembro de 1888. O conte&uacute;do da carta &ldquo;sugeria que os l&iacute;deres da igreja do Oeste estavam &lsquo;armando um compl&ocirc;&rsquo; para modificar a teologia da denomina&ccedil;&atilde;o&rdquo;.18 Essa informa&ccedil;&atilde;o soou como uma afronta a Butler, ent&atilde;o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Geral, levando-o a tomar algumas provid&ecirc;ncias de emerg&ecirc;ncia: (a) reimprimiu seu livro The Law in the Book of Galatians (A lei no livro de G&aacute;latas) a fim de distribuir uma c&oacute;pia para cada delegado da confer&ecirc;ncia, e (b) enviou uma grande quantidade de cartas e telegramas alertando aos delegados quanto &agrave; poss&iacute;vel conspira&ccedil;&atilde;o e instando-os a permanecerem firmes pelos antigos ideais da denomina&ccedil;&atilde;o. Em pouco tempo, a not&iacute;cia havia se espalhado entre aqueles que tinham convic&ccedil;&otilde;es arraigadas no tradicionalismo e estavam dispostos a defender a causa de Smith e Butler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre as cartas escritas por Butler, destaca-se uma, enviada a Ellen G. White dois meses antes da confer&ecirc;ncia. Em seu conte&uacute;do de 39 p&aacute;ginas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Butler acusava White de ser a causa de sua [dele] enfermidade, principalmente pela maneira como ela havia aconselhado a Igreja quanto &agrave; quest&atilde;o da Lei em G&aacute;latas. Ela n&atilde;o havia condenado a Waggoner por sua posi&ccedil;&atilde;o que estava em conflito direto com aquela defendida por Butler e Smith&rdquo;.19<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Os pioneiros adventistas e a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s&eacute;culos 18 e 19 foram marcantes, sobretudo, para a hist&oacute;ria das denomina&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas no territ&oacute;rio norte-americano. Ap&oacute;s a experi&ecirc;ncia dos dois Grandes Reavivamentos, as denomina&ccedil;&otilde;es protestantes passaram a assumir um papel fundamental na cultura norte-americana. De acordo com o historiador Paul Johnson,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Grande Reavivamento foi um evento proto-revolucion&aacute;rio, o momento formativo da hist&oacute;ria norte-americana. [&hellip;] Ele atravessou todas as religi&otilde;es e barreiras sect&aacute;rias, trouxe luz a todas elas, e transformou em norte-americanas o que havia sido uma s&eacute;rie de igrejas com estilo europeu. Seu lema estava alicer&ccedil;ado no texto de Apocalipse 21:5 &ndash; &ldquo;Eis que fa&ccedil;o novas todas as coisas&rdquo;.20<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como argumento em minha tese doutoral, a cultura norte-americana havia sido fundada com o sonho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;da constru&ccedil;&atilde;o de um novo mundo, um novo come&ccedil;o e uma nova vida que fosse pautada pela liberdade pol&iacute;tico-religiosa, e, onde houvesse separa&ccedil;&atilde;o oficial entre Igreja e Estado&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, muitas for&ccedil;as agiram para reatar a alian&ccedil;a entre esses dois poderes e recobrar o senso legalista opressor e dominante defendido no continente europeu por s&eacute;culos. Parte das denomina&ccedil;&otilde;es protestantes que se estabeleceram nos Estados Unidos receberam uma forte heran&ccedil;a do esp&iacute;rito legalista prevalente do Velho Mundo (a Europa).21 Esse foi o contexto predominante que demarcou os prim&oacute;rdios do adventismo nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fatores mencionados acima ajudam a compreender o contexto da experi&ecirc;ncia vivida pela IASD em Minneapolis, em 1888. A principal raz&atilde;o da controv&eacute;rsia sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; entre os adventistas desse per&iacute;odo deve-se &agrave; defesa da pedra angular do adventismo, a perpetuidade da lei de Deus e do s&aacute;bado. Podemos mencionar alguns eventos hist&oacute;ricos ocorridos desde 1860, que exerceram influ&ecirc;ncia negativa para a IASD nesse per&iacute;odo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; 1860 &ndash; &Eacute; organizada, nos Estados Unidos, a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Reforma, com o objetivo de conservar crist&atilde; a Am&eacute;rica do Norte. Um de seus objetivos era defender a santidade do domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; 1882 &ndash; In&iacute;cio do conflito entre os adventistas e as leis dominicais. William C. White, filho mais jovem de Tiago e Ellen G. White, &eacute; preso por colocar em funcionamento no domingo a gr&aacute;fica da editora Pacific Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; 1885 &ndash; Por volta dessa data, adventistas estavam sendo presos no estado de Arkansas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; 1888 &ndash; O problema ocorrido em 1885 no Arkansas se estende para os estados de Tennessee e outros. Nos anos seguintes, alguns ministros adventistas fazem trabalhos for&ccedil;ados junto a criminosos comuns, devido &agrave; profana&ccedil;&atilde;o do domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; 21 de mar&ccedil;o de 1888 &ndash; O ponto culminante da controv&eacute;rsia sobre o domingo acontece quando H. W. Blair, senador de New Hampshire, submete ao senado dos Estados Unidos um projeto de lei dominical em n&iacute;vel nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse per&iacute;odo, os adventistas do s&eacute;timo dia eram muito conhecidos por sua convic&ccedil;&atilde;o em defender a lei de Deus. De acordo com George R. Knight,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">um dos principais argumentos do adventismo em apoio aos Dez Mandamentos era a sua posi&ccedil;&atilde;o sobre as duas leis: a cerimonial, anulada na cruz, e a moral, que &eacute; eterna. Essa abordagem era t&atilde;o essencial para a teologia adventista que Smith escreveu em 1884: &ldquo;Caso seja poss&iacute;vel provar que essa distin&ccedil;&atilde;o entre as duas leis n&atilde;o existe, a observ&acirc;ncia do s&aacute;bado desaparece imediatamente da lista de deveres crist&atilde;os. [&hellip;] N&atilde;o existe, portanto, quest&atilde;o mais vital para os interesses dos observadores do s&aacute;bado&rdquo;.22<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando outros crist&atilde;os tratavam do &ldquo;aio&rdquo; mencionado por Paulo na ep&iacute;stola aos G&aacute;latas (Gl 3:24), os adventistas argumentavam que esse &ldquo;aio&rdquo; era a lei cerimonial. O adventismo havia chegado a essa conclus&atilde;o na d&eacute;cada de 1850. Tudo come&ccedil;ou em 1854, quando J. H. Waggoner (pai de E. J. Waggoner) publicou o livro The Law of God: An Examination of the Testimony of Both Testaments (A lei de Deus: uma an&aacute;lise do testemunho dos dois Testamentos), defendendo que o &ldquo;aio&rdquo; de G&aacute;latas 3 era a lei moral e n&atilde;o a cerimonial. Os l&iacute;deres adventistas interpretaram a sugest&atilde;o de Waggoner como uma poss&iacute;vel amea&ccedil;a ao principal ponto de defesa do adventismo, o s&aacute;bado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na assembleia geral dos adventistas sabatistas de 1856, esse assunto foi discutido por pioneiros tais como Jos&eacute; Bates, Tiago White, J. N. Andrews e Uriah Smith. At&eacute; ent&atilde;o, eles haviam ensinado que a lei em G&aacute;latas eram os dez mandamentos. Mas, na assembleia de 1856, o pastor Stephen Pierce desafiou a compreens&atilde;o de J. H. Waggoner argumentando que a lei em G&aacute;latas &ldquo;era o sistema de lei que inclu&iacute;a a lei cerimonial&rdquo; (a lei &ldquo;adicionada&rdquo;, Gl 3:19). Dessa forma, os participantes da discuss&atilde;o se posicionaram ao lado de Pierce e naquele mesmo ano, ap&oacute;s o t&eacute;rmino da assembleia, o livro de Pierce foi retirado de circula&ccedil;&atilde;o.23<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a assembleia, Ellen G. White foi consultada sobre o assunto e escreveu a J. H. Waggoner recomendando que ele n&atilde;o mais expusesse aquela teoria. Os l&iacute;deres adventistas interpretaram as declara&ccedil;&otilde;es de Ellen G. White como um endosso &agrave; ideia de que a lei em G&aacute;latas &eacute; a lei cerimonial, o que se tornou a posi&ccedil;&atilde;o oficial da Igreja. Os pregadores e l&iacute;deres da IASD foram quase un&acirc;nimes em sustentar essa posi&ccedil;&atilde;o por mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os anais da hist&oacute;ria adventista revelam que os ministros e membros da Igreja apresentaram essa verdade de forma un&iacute;ssona at&eacute; a d&eacute;cada de 1880, quando os temas da lei em G&aacute;latas e da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; reapareceram na agenda da Igreja. A discuss&atilde;o desses dois assuntos surgiu devido &agrave;s severas cr&iacute;ticas levantadas pelos evang&eacute;licos contra os adventistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schwarz e Greenleaf esclarecem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas d&eacute;cadas de 1870 e 1880 surgiu uma nova gera&ccedil;&atilde;o de adventistas. Ridicularizados pelos demais crist&atilde;os como legalistas e judaizantes, perseguidos em algumas &aacute;reas, esses adventistas esquadrinharam a B&iacute;blia para encontrar apoio para as suas cren&ccedil;as acerca do s&aacute;bado. Encontraram um verdadeiro arsenal de textos comprobat&oacute;rios, que podiam ser usados com uma l&oacute;gica esmagadora para demonstrar a perpetuidade do s&aacute;bado. Eles buscavam o debate e, imperceptivelmente, chegaram a ser exatamente aquilo de que eram acusados: legalistas que procuravam que seus pr&oacute;prios atos pudessem salv&aacute;-los, em vez do que Jesus Cristo fizera por eles.24<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap&oacute;s a experi&ecirc;ncia do Grande Desapontamento (1844), os adventistas passaram a crer que Deus havia estabelecido este movimento com o prop&oacute;sito de reparar a brecha na lei de Deus, ou seja, restaurar a verdade sobre o s&aacute;bado. Essa era a forma divinamente ordenada para demonstrar se os que professavam amar a Deus realmente o amavam. Na obra Movement of Destiny, Froom afirma que essa &ecirc;nfase adventista resultou em um frio intelectualismo e a propaga&ccedil;&atilde;o de uma teoria vazia. Cristo se tornava frequentemente secund&aacute;rio e a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; era perdida de vista, devido a uma vida religiosa exterior sem uma experi&ecirc;ncia real. A grandeza da mensagem e da lei eram exaltadas. Mas faltava algo. As discuss&otilde;es eram l&oacute;gicas e convincentes, mas n&atilde;o centralizadas em Cristo. [&hellip;] No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1880 houve uma crescente indiferen&ccedil;a e falta de percep&ccedil;&atilde;o espiritual por parte de muitos.25<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1880, em um artigo intitulado &ldquo;Pregando a Cristo&rdquo;, George C. Tenney argumentou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto apresentamos ao povo os aspectos peculiares defendidos pelos adventistas do s&eacute;timo dia, os opositores est&atilde;o sempre levantando a pergunta: &ldquo;Por que voc&ecirc;s n&atilde;o pregam a Cristo?&rdquo; Certamente Cristo &eacute; o grande Personagem central de cada doutrina b&iacute;blica, e uma religi&atilde;o sem Cristo n&atilde;o &eacute; a religi&atilde;o da B&iacute;blia. Ningu&eacute;m pode lan&ccedil;ar outro fundamento al&eacute;m do que foi posto, o qual &eacute; Jesus Cristo. Portanto, se as doutrinas que apresentamos n&atilde;o exaltam a Cristo, s&atilde;o dignas de censura e a obje&ccedil;&atilde;o &eacute; pertinente.26<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao descrever aquela &eacute;poca, Ellen G. White lamentava que, &ldquo;como um povo, pregamos a lei at&eacute; nos tornarmos t&atilde;o &aacute;ridos como os montes de Gilboa, que n&atilde;o recebiam nem orvalho nem chuva&rdquo; (cf. 2Sm 1:21).27 Por outro lado, em um artigo intitulado &ldquo;Preparando-se para o C&eacute;u&rdquo;, Ellen G. White afirmou que por mais de quarenta anos ela havia proclamado a salva&ccedil;&atilde;o gratuita aos pecadores, obtida pelo sangue de Cristo, e que seu cora&ccedil;&atilde;o se sensibilizava por eles com piedosa compaix&atilde;o.28<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, devemos indagar: qual influ&ecirc;ncia o tema da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; exerceu nos escritos de Ellen G. White e dos demais pioneiros adventistas durante o per&iacute;odo inicial da IASD? Em 1965, A. C. Schnell analisou treze influentes autores adventistas entre 1849 e 1888, e concluiu que at&eacute; &ldquo;1884, praticamente toda contribui&ccedil;&atilde;o significativa na &aacute;rea da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; veio da pena de Tiago e Ellen White&rdquo;.29 Conforme o CD-ROM The Complete Published Ellen G. White Writings, que cont&eacute;m todos os escritos publicados de Ellen G. White, as express&otilde;es righteousness by faith (justi&ccedil;a pela f&eacute;) e justification by faith (justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;) aparecem, respectivamente, 56 e 138 vezes em seus escritos.30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das primeiras refer&ecirc;ncias a esse tema nos escritos de Ellen G. White aparece na obra Spiritual Gifts (Dons espirituais), onde ela descreve o esfor&ccedil;o de Martinho Lutero por compreender a justifica&ccedil;&atilde;o diante de Deus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tentava por meio de obras obter o favor de Deus; ele, por&eacute;m, n&atilde;o se satisfez at&eacute; que um raio de luz vindo do C&eacute;u afugentou as trevas de sua mente, e o levou a confiar, n&atilde;o em obras, mas nos m&eacute;ritos do sangue de Cristo, e vir a Deus, n&atilde;o por meio de papas nem intermedi&aacute;rios, mas somente por meio de Jesus Cristo.31<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base no contexto acima exposto, podemos entender a car&ecirc;ncia do tema da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; na literatura produzida durante as tr&ecirc;s primeiras d&eacute;cadas do adventismo. No entanto, podemos observar que, a partir de 1875, Ellen G. White passou a dar uma &ecirc;nfase maior nesse assunto em seus escritos. Nesse mesmo ano ela escreveu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo aperfei&ccedil;oou um car&aacute;ter reto aqui na Terra, n&atilde;o para seu benef&iacute;cio, pois seu car&aacute;ter era puro e sem mancha, mas a favor do homem ca&iacute;do. Ele oferece seu car&aacute;ter ao homem se ele quiser aceit&aacute;-lo. O pecador, mediante arrependimento de seu pecado, f&eacute; em Cristo e obedi&ecirc;ncia &agrave; perfeita lei de Deus, tem a justi&ccedil;a de Cristo que lhe &eacute; creditada; esta se torna sua justi&ccedil;a, e seu nome &eacute; registrado no livro da vida do Cordeiro. [&hellip;] Cristo entrou na luta em favor do ser humano para vencer a Satan&aacute;s em seu lugar porque viu que o homem n&atilde;o podia vencer por si mesmo. Cristo preparou o caminho para o resgate do ser humano por sua vida de sofrimento, abnega&ccedil;&atilde;o e sacrif&iacute;cio pr&oacute;prio, e por sua humilha&ccedil;&atilde;o e morte final.32<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1877 e 1878, a autora preparou uma s&eacute;rie de artigos sobre a vida de Cristo, cujo prop&oacute;sito era apresentar a rela&ccedil;&atilde;o entre os eventos de Sua vida e o plano da reden&ccedil;&atilde;o. No ano seguinte, ela apelou aos ministros que exaltassem a Cristo, evitando a &ldquo;fria teoria&rdquo;33 e enfatizou que &ldquo;serm&atilde;o algum deve ser feito [&hellip;] sem apresentar a Cristo, e Cristo crucificado, como o fundamento do evangelho&rdquo;.34 Em 1882, consciente de que muitos membros haviam se unido &agrave; IASD sem haver experimentado uma genu&iacute;na convers&atilde;o, Ellen G. White escreveu um artigo intitulado &ldquo;Um apelo&rdquo;, exortando que &ldquo;devemos renunciar nossa justi&ccedil;a pr&oacute;pria e rogar que a justi&ccedil;a de Cristo nos seja imputada. [&hellip;] Por meio dele&rdquo;, ela continua, &ldquo;por mais indignos que sejamos, podemos obter todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais&rdquo;.35<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de 1888, um dos importantes marcos hist&oacute;ricos da IASD na &aacute;rea da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; ocorreu na assembleia geral de 1883 em Battle Creek, Michigan. Nesse evento, Ellen G. White dirigiu a palavra aos pastores em treze reuni&otilde;es matinais consecutivas, sendo que em quatro dessas palestras ela exp&ocirc;s os princ&iacute;pios da justi&ccedil;a pela f&eacute;. A mais impactante mensagem foi intitulada &ldquo;Cristo, justi&ccedil;a nossa&rdquo;, em que ela exp&ocirc;s claramente sua compreens&atilde;o sobre o assunto.36<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ser analisado o teor do conte&uacute;do desta palestra, destacam-se alguns aspectos que elucidam a vis&atilde;o de Ellen G. White sobre o tema:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; Apenas a justi&ccedil;a de Cristo pode dar-nos direito a qualquer das b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os concedidas no concerto da gra&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &ldquo;N&atilde;o devemos pensar que nossa pr&oacute;pria gra&ccedil;a e m&eacute;ritos nos salvem; a gra&ccedil;a de Cristo &eacute; nossa &uacute;nica esperan&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &ldquo;&hellip; mas Jesus morreu por n&oacute;s porque somos incapazes de isso fazer. Nele est&aacute; nossa esperan&ccedil;a, nossa justifica&ccedil;&atilde;o, nossa justi&ccedil;a.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &ldquo;&hellip; ningu&eacute;m que confie em seus [de Cristo] m&eacute;ritos ser&aacute; deixado a perecer.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &ldquo;Nada podemos fazer, absolutamente nada, para nos recomendar ao favor divino.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&bull; &ldquo;Ele &eacute; minha justi&ccedil;a e minha coroa de gl&oacute;ria. Que ningu&eacute;m aqui julgue que seu caso seja sem esperan&ccedil;a; porque n&atilde;o &eacute;.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra importante contribui&ccedil;&atilde;o de Ellen G. White sobre o relacionamento entre a f&eacute; e as obras foi apresentada em uma palestra proferida em Basileia, Su&iacute;&ccedil;a, em 17 de setembro de 1885. A palestra discute o assunto baseando-se em declara&ccedil;&otilde;es de Jesus e na ep&iacute;stola de Tiago. Seu conte&uacute;do foi publicado na revista Signs of the Times em 16 de junho de 1890, e aparece na compila&ccedil;&atilde;o F&eacute; e Obras.37<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A contribui&ccedil;&atilde;o de Waggoner e Jones na compreens&atilde;o da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos prim&oacute;rdios da d&eacute;cada de 1880, outro importante personagem que exerceu forte influ&ecirc;ncia sobre a compreens&atilde;o da mensagem da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; na IASD foi um jovem de 27 anos chamado Ellet Joseph Waggoner, que era adventista de segunda gera&ccedil;&atilde;o e filho do pastor J. H. Waggoner. A experi&ecirc;ncia de E. J. Waggoner com esse assunto teve in&iacute;cio no ver&atilde;o de 1882, enquanto participava de uma reuni&atilde;o campal no Col&eacute;gio de Healdsburg, Calif&oacute;rnia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap&oacute;s uma vigorosa mensagem apresentada por Ellen G. White sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;, ela fez um apelo, e naquele instante, E. J. Waggoner &ldquo;viu&rdquo; &ndash; segundo o relato dele &ndash; uma representa&ccedil;&atilde;o v&iacute;vida de Cristo pendurado na cruz. Aquela cena o tocou profundamente e o levou a pensar que esse ato de amor havia ocorrido por causa dos seus pr&oacute;prios pecados como indiv&iacute;duo. Conforme Schwarz e Greenleaf, profundamente comovido, esse jovem m&eacute;dico resolveu que todo o seu estudo futuro das Escrituras seria dirigido para se obter um entendimento mais pleno dessa verdade, e como torn&aacute;-la compreens&iacute;vel aos outros.38<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o prop&oacute;sito de ensinar a todos o que ele havia compreendido, a partir de ent&atilde;o Waggoner se tornou um ex&iacute;mio pesquisador das Escrituras, passando a estudar especialmente a ep&iacute;stola aos G&aacute;latas e suas implica&ccedil;&otilde;es para a salva&ccedil;&atilde;o e a obedi&ecirc;ncia &agrave; lei de Deus. Em 1883, Waggoner foi convidado por seu pai para auxili&aacute;-lo na editora&ccedil;&atilde;o da revista Signs of the Times. Logo no in&iacute;cio, Waggoner passou a escrever v&aacute;rios artigos sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; e a salva&ccedil;&atilde;o. No ano seguinte, ele conheceu Alonzo Trevier Jones, e, a partir de ent&atilde;o, se tornaram amigos &iacute;ntimos, passando a partilhar da mesma paix&atilde;o e defender os mesmos interesses quanto &agrave; prega&ccedil;&atilde;o da mensagem da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1884, Waggoner publicou sua primeira obra, An Important Question (Uma Quest&atilde;o Importante), que apresentava as condi&ccedil;&otilde;es para a vida eterna. Em 1886, ele assumiu o lugar do pai como editor-chefe da Signs of the Times. Partilhando do pensamento de Waggoner, Jones assumiu o posto de co-editor da mesma revista. &Eacute; not&aacute;vel que, ao longo de 1886, Waggoner escreveu trinta e tr&ecirc;s artigos relacionando a lei com diversos outros temas das Escrituras. Parte do conte&uacute;do desses artigos se tornaria objeto de discuss&atilde;o dois anos depois, em Minneapolis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap&oacute;s um per&iacute;odo de quase quatro d&eacute;cadas, as discuss&otilde;es iniciais sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; reacenderam os &acirc;nimos da lideran&ccedil;a da IASD, na assembleia geral de 1886. Em novembro daquele ano, George Butler, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Geral, perturbado com os frequentes artigos de Waggoner, publicou um livreto com 85 p&aacute;ginas, The Law in the Book of Galatians (A Lei no Livro de Gal&aacute;tas), distribu&iacute;do no primeiro dia da assembleia geral. Tr&ecirc;s meses depois, Waggoner respondeu a Butler com outra publica&ccedil;&atilde;o, de 71 p&aacute;ginas, intitulada The Gospel in the Book of Galatians (O Evangelho no Livro de Gal&aacute;tas). Mas a obra de Waagoner foi publicada apenas em dezembro de 1888, devido a uma carta escrita por Ellen G. White a Butler e Waggoner. Um trecho da carta antecipa a atitude que dominaria as discuss&otilde;es em Minneapolis:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc&ecirc;s, meus irm&atilde;os, tivessem a experi&ecirc;ncia que meu marido e eu tivemos, [&hellip;] jamais teriam prosseguido nessa conduta. [&hellip;] Voc&ecirc;s devem, quanto &agrave;s diferen&ccedil;as, ser s&aacute;bios como as serpentes e inofensivos como as pombas. [&hellip;] N&atilde;o tenho qualquer hesita&ccedil;&atilde;o em dizer que voc&ecirc;s cometeram um erro. Voc&ecirc;s se afastaram da dire&ccedil;&atilde;o positiva de Deus sobre esse assunto, o que s&oacute; ir&aacute; prejudicar o resultado. Essa n&atilde;o &eacute; a ordem de Deus. Agora voc&ecirc;s est&atilde;o dando a outros o mau exemplo dessa atitude. [&hellip;] Precisamos agora de uma religi&atilde;o boa e humilde.39<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O papel de Ellen G. White em Minneapolis<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme j&aacute; foi dito, a assembleia de Minneapolis come&ccedil;ou com um esp&iacute;rito de disc&oacute;rdia e intoler&acirc;ncia entre dois grupos que divergiam em dois n&iacute;veis: teol&oacute;gico e pessoal. Os primeiros ind&iacute;cios de conflito surgiram no instituto ministerial em um confronto ideol&oacute;gico-doutrin&aacute;rio entre Jones e Smith a respeito de um dos chifres de Daniel 7. Mas a consuma&ccedil;&atilde;o do ataque ocorreu em 16 de outubro de 1888, o &uacute;ltimo dia do instituto, quando Waggoner apresentou sua primeira palestra sobre a lei em G&aacute;latas. Os &acirc;nimos dos participantes se acirraram intensamente, revelando o que estava por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa atmosfera conflitante, Ellen G. White procurou apaziguar os &acirc;nimos, mediar os debates e defender os princ&iacute;pios das Escrituras conforme a compreens&atilde;o que Deus lhe dera. Embora ela n&atilde;o tenha falado sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; em qualquer de suas vinte palestras apresentados em Minneapolis, ela estava convencida de que as mensagens apresentadas por Waggoner eram verdades de Deus para sua Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer dos dias da assembleia de Minneapolis, alguns dos participantes passaram a desacreditar no dom prof&eacute;tico de Ellen G. White. De acordo com George W. Reid, seu repetido apoio &agrave;s mensagens de Waggoner em Minneapolis a exp&ocirc;s &agrave;s mesmas cr&iacute;ticas que tinham se levantado contra ele e Jones, de que estavam subestimando o poder da mensagem adventista ao enfatizar a justi&ccedil;a de Cristo de uma maneira tal que muitos acreditavam ser uma nova vis&atilde;o de G&aacute;latas 3:25.40<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ellen G. White descreveu a experi&ecirc;ncia nos seguintes termos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu expressei claramente a minha f&eacute; [nas mensagens de Waggoner sobre a justifica&ccedil;&atilde;o] houve muitos que n&atilde;o me compreenderam, e eles disseram que a irm&atilde; White havia mudado; a irm&atilde; White tinha sido influenciada pelo seu filho William White e pelo Pr. A. T. Jones [&hellip;] Tornei-me objeto de coment&aacute;rios e cr&iacute;ticas, mas nenhum de nossos irm&atilde;os veio ter comigo, fazendo perguntas ou procurando alguma explica&ccedil;&atilde;o.41<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epicentro dessas cr&iacute;ticas contra Ellen G. White se originou a partir da experi&ecirc;ncia ocorrida na assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral de 1886. Naquele ano, sentindo-se incomodado com as dezenas de artigos publicados por Waggoner na Signs, Butler deu in&iacute;cio a uma campanha para solucionar as discord&acirc;ncias e defender o ponto de vista tradicional sobre a lei em G&aacute;latas. Sua estrat&eacute;gia para resolver os impasses b&iacute;blico-teol&oacute;gicos vivenciados pela Igreja consistia em consultar a &ldquo;mensageira do Senhor&rdquo;, Ellen G. White. Knight explica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 20 de junho de 1886 e 1&ordm; de dezembro de 1888, o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Geral enviou &agrave; Sra. White uma s&eacute;rie de cartas cada vez mais contundentes, insistindo para que ela resolvesse o problema interpretativo, fornecendo um testemunho sobre a interpreta&ccedil;&atilde;o correta da lei em G&aacute;latas. A princ&iacute;pio ele agiu de maneira bastante gentil, mas por volta de outubro de 1888 come&ccedil;ou abertamente a amea&ccedil;&aacute;-la. Caso ela n&atilde;o se propusesse &agrave; devida interpreta&ccedil;&atilde;o, sugeria ele, isso n&atilde;o apenas &ldquo;escancararia uma porta para a entrada de outras inova&ccedil;&otilde;es e demoliria nossas antigas posi&ccedil;&otilde;es de f&eacute;&rdquo;, mas tamb&eacute;m &ldquo;tenderia a diminuir a confian&ccedil;a de nosso povo nos pr&oacute;prios testemunhos&rdquo;. E acredito que toda essa quest&atilde;o far&aacute; mais por quebrar a confian&ccedil;a em nossa obra do que qualquer coisa que tenha ocorrido a esta causa desde o seu surgimento [&hellip;] Se nosso povo come&ccedil;ar a pensar que a posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &eacute; sustent&aacute;vel, isso destruir&aacute; a f&eacute; de muitos de nossos l&iacute;deres nos testemunhos. O resultado s&oacute; pode ser este.42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas cartas endere&ccedil;adas a Ellen G. White, Butler criticava a maneira como Waggoner estava lidando com o assunto da lei em G&aacute;latas. Ao defender a compreens&atilde;o tradicional, ele demonstrou sua preocupa&ccedil;&atilde;o ao advertir contra o risco que a Igreja incorria. George R. Knight descreve:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maneira como Waggoner tratava a lei em G&aacute;latas era particularmente importante &ldquo;porque as refer&ecirc;ncias feitas pelo ap&oacute;stolo &agrave; lei em sua carta s&atilde;o usadas por nossos oponentes como forte apoio &agrave;s suas doutrinas antinomistas [contr&aacute;rias &agrave; lei]&rdquo;. Assim sendo, Waggoner e Jones estavam fornecendo &ldquo;grande ajuda e conforto&rdquo; aos inimigos antinomianos dos adventistas.43<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, mesmo ap&oacute;s in&uacute;meras cartas, Butler ainda n&atilde;o havia recebido qualquer resposta. Para surpresa e desespero de Butler, a &uacute;nica resposta que ele obteve de Ellen G. White foi o sil&ecirc;ncio. Ela &ldquo;se recusou a ser um joguete nas m&atilde;os dos tradicionalistas que praticamente exigiam que ela resolvesse a quest&atilde;o de G&aacute;latas&rdquo;.44 O plano de Butler era obter uma resposta definitiva, quer pela carta &ldquo;perdida&rdquo; enviada a J. H. Waggoner na d&eacute;cada de 1850, ou por meio de um posicionamento oficial. Em outras palavras, queriam que ela operasse como uma ju&iacute;za da teologia adventista ou &aacute;rbitra da exegese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao &ldquo;testemunho perdido&rdquo;, escrevendo de Basileia, Su&iacute;&ccedil;a, Ellen G. White lamentou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou incomodada; por amor de minha pr&oacute;pria vida eu n&atilde;o posso lembrar daquilo que me foi mostrado com refer&ecirc;ncia &agrave;s duas leis [moral e cerimonial]. N&atilde;o posso lembrar qual foi o conselho e a advert&ecirc;ncia que foram dados ao pastor Joseph Waggoner. Pode ter sido uma admoesta&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o tornar suas ideias salientes naquele tempo, pois havia um grande perigo de desuni&atilde;o.45<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma mensagem devocional, apresentada na assembleia de Minneapolis em 24 de outubro de 1888, ela indagou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que eu perdi o manuscrito e por dois anos n&atilde;o pude encontr&aacute;-lo? Deus tem um prop&oacute;sito nisto. Ele quer que recorramos &agrave; B&iacute;blia a fim de obter a evid&ecirc;ncia das Escrituras. Eu irei encontr&aacute;-lo e mostrarei a voc&ecirc;s. Mas essa investiga&ccedil;&atilde;o [das Escrituras] deve prosseguir adiante. [&hellip;] N&atilde;o espero que meu testemunho seja agrad&aacute;vel, mas ainda assim irei sustent&aacute;-lo perante Deus. Deus sabe que os ministros t&ecirc;m sido preparados e capacitados para o trabalho, mas a menos que estejamos convertidos, Deus n&atilde;o nos usar&aacute;.46<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">George R. Knight argumenta que ela &ldquo;estava mais interessada no que a B&iacute;blia tinha a dizer sobre o assunto do que no que ela pr&oacute;pria havia escrito&rdquo;. Portanto, ela &ldquo;n&atilde;o queria que os testemunhos ocupassem o lugar do estudo da B&iacute;blia&rdquo;.47 Durante seus setenta anos de minist&eacute;rio prof&eacute;tico, Ellen G. White sempre deixou claro que seus escritos deviam levar o povo &ldquo;de volta &agrave; Palavra&rdquo; e ajud&aacute;-lo a compreender os princ&iacute;pios b&iacute;blicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido &agrave; sua relut&acirc;ncia em prover uma declara&ccedil;&atilde;o oficial sobre a lei em G&aacute;latas, um dos emiss&aacute;rios de Butler, o pastor Morrison, for&ccedil;osamente recorreu a um trecho dos escritos de Ellen G. White para provar que a lei em G&aacute;latas era a lei cerimonial. Tomou a obra Sketches From the Life of Paul (Esbo&ccedil;os da Vida de Paulo), publicada em 1883, e, abrindo na p&aacute;gina 193, leu a todos os delegados presentes. Logo ap&oacute;s a leitura, Waggoner se levantou a fim de rebater o argumento de Morrison.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela mesma manh&atilde;, Ellen G. White afirmou: &ldquo;N&atilde;o posso tomar partido nem de um lado nem de outro enquanto n&atilde;o estudar a quest&atilde;o&rdquo;.48 Em realidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ellen White tinha luz para os delegados da Associa&ccedil;&atilde;o Geral sobre o assunto de G&aacute;latas, mas essa luz, conforme ela mesma declara repetidas vezes, era que eles precisavam estudar mais a B&iacute;blia e n&atilde;o confiar em qualquer outra forma de autoridade ao procurar compreender as Escrituras.49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um epis&oacute;dio not&aacute;vel que ocorreu durante a assembleia foi caracterizado por um crescente interesse advindo dos delegados mais velhos que procuravam eliminar as palestras. Enquanto Waggoner apresentava sua palestra, houve uma interrup&ccedil;&atilde;o. Froom relata:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedindo a palavra, R. M. Kilgore, membro da [administra&ccedil;&atilde;o da] Associa&ccedil;&atilde;o Geral, declarou que, em fun&ccedil;&atilde;o de o pastor Butler ter sido impedido por doen&ccedil;a, ele propunha que aquela discuss&atilde;o sobre o assunto da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; fosse suspensa at&eacute; que o presidente Butler pudesse estar presente.50<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imediatamente Ellen G. White, que estava sentada na plataforma, se levantou e disse: &ldquo;Irm&atilde;os, esta &eacute; a obra do Senhor. O Senhor quer que sua obra espere pelo pastor Butler? O Senhor quer que sua obra avance e n&atilde;o espere por qualquer homem&rdquo;.51 Ningu&eacute;m se pronunciou ap&oacute;s essa declara&ccedil;&atilde;o. E assim, Waggoner p&ocirc;de continuar sua mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos desenvolvidos por Waggoner sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; foram apresentados em onze palestras. &ldquo;As primeiras seis abordavam a rela&ccedil;&atilde;o entre a gra&ccedil;a e a lei, bem como entre a f&eacute; e as obras, baseadas principalmente em G&aacute;latas&rdquo;, enquanto &ldquo;as &uacute;ltimas cinco eram sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; em Cristo.&rdquo;52<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os relatos hist&oacute;ricos, enquanto Waggoner falava, Ellen G. White manifestava-se frequentemente pronunciando &ldquo;am&eacute;m&rdquo;. Apesar de n&atilde;o tomar partido sobre a quest&atilde;o da lei em G&aacute;latas, ela foi enf&aacute;tica em defender a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; pelos m&eacute;ritos de Cristo. Em muitas ocasi&otilde;es, ela convidava os delegados ao arrependimento. Suas corre&ccedil;&otilde;es e advert&ecirc;ncias foram dadas de forma imparcial. Ao pastor Lewis Johnson, ela disse: &ldquo;O que voc&ecirc; precisa &eacute; sentar-se aos p&eacute;s de Jesus; mas voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; l&aacute; agora&rdquo;.53<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Conclus&atilde;o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao concluirmos este estudo, &eacute; necess&aacute;rio levantar algumas quest&otilde;es: (a) Qual foi o grau de import&acirc;ncia exercido por Ellen G. White na compreens&atilde;o do tema da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; em 1888? (b) Quais foram seus esfor&ccedil;os para apoiar a prega&ccedil;&atilde;o de Waggoner? (c) Teria ela, depois de Minneapolis, mudado sua opini&atilde;o sobre o assunto? (d) Qual impacto a assembleia de Minneapolis exerceu em seu minist&eacute;rio como escritora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito de todas as discuss&otilde;es ocorridas naquela assembleia, cremos que, sem a presen&ccedil;a de Ellen G. White, Minneapolis teria exercido um impacto diferente nos rumos e destinos da IASD. Tratando desse tema, George Kinght assevera que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem os coment&aacute;rios feitos por Ellen White sobre os temas tratados na assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral de 1888, os acontecimentos de Minneapolis e os ensinos de Jones e Waggoner n&atilde;o seriam quest&otilde;es debatidas no adventismo. Sem o repetido apoio dado pela Sra. White a Jones e Waggoner na d&eacute;cada de 1880, eles jamais teriam tido a oportunidade de expressar-se em 1888, nem teriam alcan&ccedil;ado posi&ccedil;&otilde;es de responsabilidade e influ&ecirc;ncia na igreja durante a d&eacute;cada de 1890.54<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma mensagem intitulada &ldquo;Avan&ccedil;ando na experi&ecirc;ncia crist&atilde;&rdquo;, apresentada &agrave; assembleia em 20 de outubro de 1888, ela se referiu a Waggoner e Jones como homens especialmente dirigidos por Deus para apresentar &ldquo;preciosas gemas da verdade apropriadas para nosso tempo&rdquo;. Entretanto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo fato de Ellen White ter apoiado a Jones e Waggoner, alguns int&eacute;rpretes t&ecirc;m agido como se ela tivesse dado a esses homens um cheque em branco em quest&otilde;es teol&oacute;gicas, especialmente no que diz respeito a quest&otilde;es relativas &agrave; justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;. Esse conduto nunca foi a inten&ccedil;&atilde;o dela. Essa maneira de encarar o assunto n&atilde;o se harmoniza com o registro hist&oacute;rico.55<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fator que merece aten&ccedil;&atilde;o &eacute; uma suposta mudan&ccedil;a, ocorrida ap&oacute;s Minneapolis, no posicionamento de Ellen G. White sobre a justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;. &Eacute; certo que, como ass&iacute;dua participante da assembleia, ela se entusiasmou com a abordagem ali apresentada sobre o assunto. Por&eacute;m, quanto ao teor da mensagem, ela explicou que as verdades ali apresentadas lhe haviam sido mostrada por Deus desde 1844. Ela descreve:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa reuni&atilde;o, eu dei testemunho de que a mais preciosa luz irrompera das Escrituras na apresenta&ccedil;&atilde;o do grande assunto da justi&ccedil;a de Cristo relacionada com a lei, que constantemente devia ser mantido diante do pecador, como sua &uacute;nica esperan&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o. Isso n&atilde;o era nova luz para mim, pois me adviera de uma autoridade mais elevada, durante os &uacute;ltimos quarenta e quatro anos, e eu a apresentei a nosso povo pela pena e pela voz, nos testemunhos de seu Esp&iacute;rito. Mas bem poucos tinham correspondido, a n&atilde;o ser por assentimento, aos testemunhos dados sobre esse assunto. Na realidade, muito pouco foi dito e escrito sobre essa importante quest&atilde;o. Os serm&otilde;es de alguns podem ser corretamente retratados como semelhantes &agrave; oferta de Caim &ndash; destitu&iacute;dos de Cristo.56<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; digno de nota que logo ap&oacute;s 1888, ela publicou influentes obras sobre a vida, obra e sacrif&iacute;cio de Cristo. Na vis&atilde;o de Knight, ap&oacute;s Minneapolis, &ldquo;o grande tema de Ellen White passou a ser Cristo e Sua justi&ccedil;a&rdquo;.57 Cinco livros sobre a vida de Cristo foram lan&ccedil;ados no per&iacute;odo compreendido entre 1892 e 1905: (a) Caminho a Cristo (1892); (b) O Maior Discurso de Cristo (1896); (c) O Desejado de Todas as Na&ccedil;&otilde;es (1898); (d) Par&aacute;bolas de Jesus (1900); e (e) os primeiros cap&iacute;tulos do livro A Ci&ecirc;ncia do Bom Viver (1905). Uma an&aacute;lise do conte&uacute;do dessas obras leva-nos a concluir que Ellen G. White passou a dar uma nova &ecirc;nfase ao tema da salva&ccedil;&atilde;o pela f&eacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi observado por Froom,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">apesar de seus conflitos, a assembleia de Minneapolis marcou o come&ccedil;o de uma nova etapa no esclarecimento gradual, desenvolvimento e perfei&ccedil;&atilde;o dos novos aspectos da verdade. [&hellip;] Os resultados n&atilde;o foram imediatos. Eles vieram lentamente. [&hellip;] Essa importante verdade foi avan&ccedil;ando atrav&eacute;s de provas e conflitos.58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como uma fiel mensageira de Deus, sempre presente nos momentos decisivos da hist&oacute;ria adventista, Ellen G. White encerrou a assembleia de Minneapolis em 1888 com uma mensagem em que convidava a Igreja a desfrutar &ldquo;Um estudo mais profundo da Palavra&rdquo;. Ela declarou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu imploro a voc&ecirc;s que exercitem o esp&iacute;rito crist&atilde;o. N&atilde;o permitam que sentimentos estranhos ou preconceituosos se levantem, pois precisamos estar preparados para investigar as Escrituras com uma mente despretensiosa, com rever&ecirc;ncia e humildade. N&atilde;o posso crer que os anos ir&atilde;o limpar as impress&otilde;es feitas em nossa &uacute;ltima confer&ecirc;ncia [&hellip;] Estou convencida de que devemos ter mais de Jesus e menos de nosso pr&oacute;prio eu.59<\/p>\n<h2>Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p>1 Palestra da Semana Acad&ecirc;mica da Faculdade Adventista de Teologia (FAT) do Unasp-EC (&ldquo;A mensagem da justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; na IASD: Minneapolis, 120 anos depois&rdquo;), proferida em 1&ordm; de junho de 2008. &uarr;<\/p>\n<p>2 Arthur N. Patrick, &ldquo;Smith, Butler and Minneapolis: The Problems and Promise of Historical Inquiry&rdquo;, em Arthur J. Ferch, ed., Towards Righteousness by Faith: 1888 in Retrospect (Wahroonga, New South Wales: South Pacific Division of Seventh-day Adventists; Warburton, Victoria: Signs, 1989), p. 10-11. &uarr;<\/p>\n<p>3 Ibid., p. 11. &uarr;<\/p>\n<p>4 LeRoy E. Froom, Movement of Destiny (Washington, DC: Review and Herald, 1971), p. 187. &uarr;<\/p>\n<p>5 George I. Butler, Review and Herald, 16 de agosto de 1888. &uarr;<\/p>\n<p>6 Idem, Review and Herald, 28 de agosto de 1888. &uarr;<\/p>\n<p>7 Arthur L. White, Elena de White: mujer de visi&oacute;n (Buenos Aires: Associaci&oacute;n Casa Editora Sudamericana, 2003), p. 259. &uarr;<\/p>\n<p>8 Ibid., p. 258-259. &uarr;<\/p>\n<p>9 William C. White, Review and Herald, 16 de agosto de 1888. &uarr;<\/p>\n<p>10 Richard W. Schwarz e Floyd Greenleaf, Portadores de Luz: hist&oacute;ria da Igreja Adventista do S&eacute;timo Dia (Engenheiro Coelho, SP: Imprensa Universit&aacute;ria Adventista, 2009), p. 178. &uarr;<\/p>\n<p>11 Ibid., p. 180. &uarr;<\/p>\n<p>12 Froom, Movement of Destiny, p. 245. &uarr;<\/p>\n<p>13 Ellen G. White, manuscrito 24, 1888. &uarr;<\/p>\n<p>14 Idem, manuscrito 2, 1888. &uarr;<\/p>\n<p>15 Idem, manuscrito 21, 1888. &uarr;<\/p>\n<p>16 Veja idem, Mensagens Escolhidas (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000), v. 1, p. 361; idem, Mensagens Escolhidas (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), v. 3, p. 160. &uarr;<\/p>\n<p>17 George R. Knight, A Mensagem de 1888 (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. 64. &uarr;<\/p>\n<p>18 Ibid., p. 64-65. &uarr;<\/p>\n<p>19 Ibid., p. 66; veja White, Elena de White, p. 260-261. &uarr;<\/p>\n<p>20 Paul Johnson, A History of the American People (New York: Harper Perenial, 1997), p. 116. &uarr;<\/p>\n<p>21 Renato Stencel, &ldquo;Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o Superior Adventista: Brasil, 1969 a 1999&rdquo;, (tese doutoral, Universidade Metodista de Piracicaba, 2006), p. 38. &uarr;<\/p>\n<p>22 Knight, A Mensagem de 1888, p. 36. &uarr;<\/p>\n<p>23 Ibid., p. 37. &uarr;<\/p>\n<p>24 Schwarz e Greenleaf, Portadores de Luz, p. 175-176. &uarr;<\/p>\n<p>25 Froom, Movement of Destiny, p. 239. &uarr;<\/p>\n<p>26 G. C. Tenney, Review and Herald, 16 de setembro de 1880. &uarr;<\/p>\n<p>27 Ellen G. White, Review and Herald, 11 de mar&ccedil;o de 1890. &uarr;<\/p>\n<p>28 Idem, Signs of the Times, 22 de dezembro de 1887. &uarr;<\/p>\n<p>29 A. C. Schnell, &ldquo;Ideias de Ellen White sobre justifica&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; antes de 1888&rdquo;, Revista Adventista, fevereiro de 1988, p. 5. &uarr;<\/p>\n<p>30 The Complete Published Ellen G. White Writings (vers&atilde;o 3.0); veja tamb&eacute;m o website Ellen G. White Estate, Inc., www.whiteestate.org. &uarr;<\/p>\n<p>31 Ellen G. White, Spiritual Gifts, Vol. I: The Great Controversy Between Christ and His Angels, and Satan and His Angels (Battle Creek, MI: Seventh-day Adventist Publishing Association, 1858), p. 120. &uarr;<\/p>\n<p>32 Idem, Testemunhos para a Igreja (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002), v. 5, p. 371-372. &uarr;<\/p>\n<p>33 Ibid., v. 4, p. 313. &uarr;<\/p>\n<p>34 Ibid., v. 4, p. 394. &uarr;<\/p>\n<p>35 Ibid., v. 5, p. 219. &uarr;<\/p>\n<p>36 O texto integral da mensagem aparece em idem, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 350-354. &uarr;<\/p>\n<p>37 Idem, F&eacute; e Obras (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998), p. 47-50. &uarr;<\/p>\n<p>38 Schwarz e Greenleaf, Portadores de Luz, p. 176. &uarr;<\/p>\n<p>39 Ellen G. White, carta a E. J. Waggoner e A. T. Jones, 18 de fevereiro de 1887. &uarr;<\/p>\n<p>40 George W. Reid, &ldquo;Assuntos Contempor&acirc;neos em Teologia&rdquo; (material n&atilde;o publicado, programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do Salt), 16 de janeiro de 1998. &uarr;<\/p>\n<p>41 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (Tatu&iacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000), v. 2, p. 173. &uarr;<\/p>\n<p>42 Knight, A Mensagem de 1888, p. 59-60. &uarr;<\/p>\n<p>43 Ibid., p. 38. &uarr;<\/p>\n<p>44 Ibid., p. 60. &uarr;<\/p>\n<p>45 Ellen G. White, carta 13, 1887. &uarr;<\/p>\n<p>46 Idem, The Ellen G. White 1888 Materials (Washington, DC: Ellen G. White Estate, 1987), p. 153. &uarr;<\/p>\n<p>47 Knight, A Mensagem de 1888, p. 61. &uarr;<\/p>\n<p>48 White, The Ellen G. White 1888 Materials, p. 151-153. &uarr;<\/p>\n<p>49 Knight, A Mensagem de 1888, p. 62. &uarr;<\/p>\n<p>50 Froom, Movement of Destiny, p. 246. &uarr;<\/p>\n<p>51 Ibid., p. 246. &uarr;<\/p>\n<p>52 Ibid., p. 245-246. &uarr;<\/p>\n<p>53 Ibid., p. 251. &uarr;<\/p>\n<p>54 Knight, A Mensagem de 1888, p. 69. &uarr;<\/p>\n<p>55 Ibid., p. 76. &uarr;<\/p>\n<p>56 White, Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 168-169.&uarr;<\/p>\n<p>57 Knight, Mensagem de 1888, p. 71. &uarr;<\/p>\n<p>58 Froom, Movement of Destiny, p. 252. &uarr;<\/p>\n<p>59 Ellen G. White, manuscrito 15, 1888. &uarr;<\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A assembleia da Associa&ccedil;&atilde;o Geral de 1888, ocorrida em Minneapolis, &eacute; um dos eventos mais importantes da hist&oacute;ria da Igreja Adventista. O presente artigo examina os conflitos pessoais envolvidos nessa reuni&atilde;o e o papel desempenhado por Ellen G. White durante a crise. 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