{"id":6248,"date":"2020-08-24T08:57:05","date_gmt":"2020-08-24T11:57:05","guid":{"rendered":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=6248"},"modified":"2020-08-24T08:57:05","modified_gmt":"2020-08-24T11:57:05","slug":"a-biblia-e-a-inerrancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/a-biblia-e-a-inerrancia\/","title":{"rendered":"A B\u00edblia e a Inerr\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: center;\"><strong>A B&Iacute;BLIA E A INERR&Acirc;NCIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Amin A. Rodor, Th.D. Coordenador do Semin&aacute;rio Adventista Latino Americano de Teologia Centro Universit&aacute;rio Adventista de S&atilde;o Paulo, Campus Engenheiro Coelho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A controv&eacute;rsia sobre a extens&atilde;o da inerr&acirc;ncia b&iacute;blica continua viva entre os evang&eacute;licos no cen&aacute;rio do debate teol&oacute;gico atual e, como afirma Coleman, o assunto &ldquo;n&atilde;o quer morrer&rdquo;1. A quest&atilde;o, que &eacute; considerada por alguns t&atilde;o importante quanto os debates cristol&oacute;gicos do terceiro e quarto s&eacute;culos, ou como as disputas soteriol&oacute;gicas do s&eacute;culo XVI, tornou-se uma fonte de crescente ang&uacute;stia e divis&atilde;o na coaliz&atilde;o evang&eacute;lica. Para os herdeiros da teoria de Warfield, de uma B&iacute;blia perfeita e inerrante, uma linha deve ser tra&ccedil;ada entre aqueles que aceitam uma vis&atilde;o plena das Escrituras, e aqueles que n&atilde;o aceitam2. Assim, a inerr&acirc;ncia se tornou uma ins&iacute;gnia evang&eacute;lica, sob o conceito de que &ldquo;&eacute; melhor estar dividido pela verdade do que unido pelo erro&rdquo;.3&nbsp; Os proponentes desta doutrina relacionam inspira&ccedil;&atilde;o com inerr&acirc;ncia. Eles interpretam a incerteza acerca da inspira&ccedil;&atilde;o e o decl&iacute;nio na cren&ccedil;a da inerr&acirc;ncia e do respeito pela pr&oacute;pria B&iacute;blia, como uma amea&ccedil;a para a autoridade b&iacute;blica e a certeza religiosa.&nbsp; Argumentando que &ldquo;toda a B&iacute;blia &eacute;, como Deus, sem qualquer defeito&rdquo;4, os inerrantistas reduzem tudo no registro b&iacute;blico a um &uacute;nico n&iacute;vel de inerr&acirc;ncia absoluta. Alegam que sem uma s&oacute;lida plataforma de inerr&acirc;ncia &eacute; imposs&iacute;vel manter uma vis&atilde;o elevada das Escrituras e, que para os crist&atilde;os s&oacute; h&aacute; uma alternativa: &ldquo;n&oacute;s cremos em Cristo e na inerr&acirc;ncia b&iacute;blica, em ambas &ndash; ou em nenhuma&rdquo;.5&nbsp; Uma vez que os defensores da inerr&acirc;ncia nos detalhes advogam que esta cren&ccedil;a &eacute; a maneira exclusiva de honrar a Escritura, como uma vis&atilde;o elevada de sua autoridade, este artigo tem o prop&oacute;sito b&aacute;sico de investigar a validade desta insist&ecirc;ncia, e determinar se uma vis&atilde;o da inspira&ccedil;&atilde;o pode ou n&atilde;o ser elevada sem o apelo a inerr&acirc;ncia.&nbsp; Este estudo est&aacute; dividido em quatro partes: (1) a primeira parte ser&aacute; uma breve pesquisa sobre as ra&iacute;zes hist&oacute;ricas da doutrina da inerr&acirc;ncia, tendo em vista que uma clara compreens&atilde;o de seu pano de fundo &eacute; crucial para nossa avalia&ccedil;&atilde;o; (2) A segunda parte investigar&aacute; os quatro argumentos &ndash; b&iacute;blico, hist&oacute;rico, epistemol&oacute;gico e argumento domin&oacute; &ndash; apresentados pelos inerrantistas, como os maiores obst&aacute;culos para uma vis&atilde;o elevada das Escrituras fora da inerr&acirc;ncia; (3) A terceira parte tratar&aacute; do conceito da &ldquo;vis&atilde;o&rdquo; elevada da Escritura, &agrave; luz dos fen&ocirc;menos b&iacute;blicos; (4) Finalmente, na quarta parte, traremos o sum&aacute;rio e a conclus&atilde;o.&nbsp; Vale destacar aqui tamb&eacute;m a defini&ccedil;&atilde;o de alguns termos: (1) Neste estudo, o termo inerr&acirc;ncia ser&aacute; usado geralmente num sentido teol&oacute;gico, no qual a B&iacute;blia &ldquo;n&atilde;o cont&eacute;m erro de qualquer tipo&rdquo;6, em cada detalhe particular, em todos os assuntos que aborda; (2) A express&atilde;o &ldquo;vis&atilde;o elevada da Escritura&rdquo; ser&aacute; usada intercambiavelmente com frases como &ldquo;vis&atilde;o elevada da &bull;Autoridade&rdquo;, &ldquo;vis&atilde;o elevada da Inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;vis&atilde;o plena &hellip; vis&atilde;o forte &hellip;&rdquo;, no mesmo sentido, para descrever alta considera&ccedil;&atilde;o pela B&iacute;blia como a confi&aacute;vel Palavra de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> PANO DE FUNDO DA DOUTRINA DA INERR&Acirc;NCIA<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por quase dezoito s&eacute;culos de Hist&oacute;ria do Cristianismo, a B&iacute;blia havia sido geralmente considerada como sendo, do come&ccedil;o ao fim, a inspirada Palavra de Deus. Contudo, na metade do s&eacute;culo XVII, quando a &ldquo;Idade da F&eacute;&rdquo; r&aacute;pida e inesperadamente veio a ser substitu&iacute;da pela &ldquo;Idade da Raz&atilde;o&rdquo;, o quadro logo come&ccedil;ou a mudar. A pesquisa nas ra&iacute;zes hist&oacute;ricas nos levaria a uma grande variedade de nomes, atitudes e abordagens7, os quais progressivamente, por meio de diferentes dial&eacute;ticas &ldquo;come&ccedil;aram a insistir que n&atilde;o havia nenhuma diferen&ccedil;a essencial entre a B&iacute;blia e qualquer outra produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria&rdquo;.8&nbsp; Uma abordagem racionalista das Escrituras estava se desenvolvendo, especialmente na Alemanha, com uma grande suspeita quanto ao conceito da inspira&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica. Tanto o Antigo como o Novo Testamento eram objeto de cr&iacute;tica baseada nas pressuposi&ccedil;&otilde;es e categorias do movimento filos&oacute;fico contempor&acirc;neo.9 O pin&aacute;culo desta abordagem foi &agrave; publica&ccedil;&atilde;o por Julius Welhausen, de Prolegomena to the History of Israel (1878). Aplicando princ&iacute;pios evolucionistas aprendidos tanto de Charles Darwin como de G. W. F. Hegel, Welhausen &ldquo;reestruturou radicalmente o Antigo Testamento ao tentar demonstrar o desenvolvimento naturalista da f&eacute; de Israel&rdquo;.10&nbsp; Progressivamente, por diferentes caminhos, a alta cr&iacute;tica alem&atilde; come&ccedil;ou a ser introduzida na Am&eacute;rica11, desafiando o posicionamento da Ortodoxia Protestante quanto &agrave; inspira&ccedil;&atilde;o e autoridade da Escritura. As novas id&eacute;ias a respeito da B&iacute;blia se tornaram o tema dominante nas igrejas no final da d&eacute;cada de 1870.&nbsp; Diante de t&atilde;o formid&aacute;veis incurs&otilde;es do liberalismo, as fileiras da ortodoxia come&ccedil;aram a ceder.12 Compreensivelmente, amea&ccedil;ados por estes assaltos, os evang&eacute;licos americanos buscaram conter a eros&atilde;o da confian&ccedil;a na B&iacute;blia, &ldquo;ao definir, mais precisamente do que os Reformadores, a natureza da inspira&ccedil;&atilde;o e autoridade&rdquo;.13 Como D. Hubbard assinala, previsivelmente, eles se voltaram, em busca de ajuda, para Turrentin, 14 o qual havia desenvolvido uma defesa da divindade da Escritura, baseado nos argumentos racionais acerca da natureza da inspira&ccedil;&atilde;o e de suas implica&ccedil;&otilde;es. Mas ningu&eacute;m fez isto com mais persist&ecirc;ncia e efic&aacute;cia do que os baluartes de Princeton, Charles Hodge e B.B. Warfield.&nbsp; Deve ser notado que a obra Instituto theologiae elenticae, de Turrentin, na qual o conceito de inerr&acirc;ncia &eacute; defendido com precis&atilde;o sistem&aacute;tica, foi o principal livro-texto de teologia sistem&aacute;tica no semin&aacute;rio de Princeton por sessenta anos.15 Essa obra foi considerada &ldquo;um dos mais perspicazes livros jamais escrito.&rdquo;16 A maioria dos ministros, e por meio deles os membros, da Igreja Presbiteriana haviam sido treinados por d&eacute;cadas a igualar Turrentin, com a Confiss&atilde;o Westminster e os Reformadores. Ent&atilde;o, a influ&ecirc;ncia da teologia escol&aacute;stica de Turrentin sobre a vida do evangelicalismo americano, por meio de Princeton, estava al&eacute;m da avalia&ccedil;&atilde;o, emergindo claramente na obra de Hodge-Warfield.&nbsp; Na forte rea&ccedil;&atilde;o contra o liberalismo, Hodge e Warfield refinaram e reinterpretaram a doutrina da inerr&acirc;ncia, mantendo suas ra&iacute;zes em Turrentin. O cl&aacute;ssico artigo &ldquo;Inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo;, publicado no peri&oacute;dico Presbiteriam Review, em 1881, proveu uma estrat&eacute;gia de combate contra o liberalismo e a alta cr&iacute;tica. Nele, Hodge-Warfield afirmaram que: (1) A Escritura Sagrada &eacute; plen&aacute;ria e totalmente inspirada; (2) A Escritura Sagrada &eacute; verbalmente inspirada; (3) a Escritura Sagrada &eacute; inerrante em todos os assuntos nos quais ela toca; (4) nenhum erro pode ser atribu&iacute;do ao texto original.&nbsp; Evidentemente, Hodge-Warfield n&atilde;o estavam simplesmente estabelecendo a vis&atilde;o b&iacute;blica da inspira&ccedil;&atilde;o, mas antes, sua obra era reacion&aacute;ria. Ela fora desenvolvida para refutar os ataques contra a B&iacute;blia, com o especial prop&oacute;sito de conter as correntes de infidelidade. Por conseguinte, eles assumiram uma posi&ccedil;&atilde;o radical a respeito da Escritura, a qual &eacute; encontrada em algumas declara&ccedil;&otilde;es do famoso artigo &ldquo;Inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo;: &ldquo;absolutamente infal&iacute;vel&rdquo; (p.226); &ldquo;absolutamente inerrante&rdquo; (p.227); &ldquo;sem erro de fato ou doutrinas&rdquo; (p.228); &ldquo;express&atilde;o inerrante&rdquo; (p.231); &ldquo;um registro inerrante&rdquo; (p.232); &ldquo;infal&iacute;vel em sua express&atilde;o verbal&rdquo; (p.234); infalibilidade inerrante das palavras&rdquo; (p.240); &ldquo;absoluta liberdade de erro em suas declara&ccedil;&otilde;es&rdquo; (p.234). Estas declara&ccedil;&otilde;es mostram como tentativas ortodoxas de reagir contra a heresia ou a descren&ccedil;a, por necess&aacute;rias que fossem, produziram ultra-rea&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Nos longos s&eacute;culos de hist&oacute;ria da Igreja, um extremo freq&uuml;entemente tem provocado outro. A hist&oacute;ria da teologia est&aacute; repleta de exemplos de &ldquo;supercren&ccedil;a&rdquo;, credos al&eacute;m dos que foram estabelecidos pela Escritura. Ent&atilde;o, aqui, a hist&oacute;ria se havia repetido. Os te&oacute;logos de Princeton, com a inten&ccedil;&atilde;o de proteger a Palavra de Deus, enquanto viam os perigos da esquerda, esqueceram os iguais ou maiores perigos da direita.<\/p>\n<p>As tens&otilde;es sobre o assunto da inerr&acirc;ncia da Escritura cresceram nas d&eacute;cadas seguintes, e o conceito de inerr&acirc;ncia foi submetido, com a passagem dos anos, a um processo de endurecimento de um te&oacute;logo para outro. Alguns argumentaram que a doutrina da inerr&acirc;ncia era essencial e necess&aacute;ria.17 Um crescente n&uacute;mero de ministros igualava o postulado da inerr&acirc;ncia com a autoridade b&iacute;blica, e considerava ambas como sendo insepar&aacute;veis. Por conseguinte, eles interpretavam a incerteza a respeito da inerr&acirc;ncia como uma declinante rever&ecirc;ncia pela B&iacute;blia.&nbsp; Um s&eacute;culo ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do famoso artigo de Hodge-Warfield, o debate sobre a inerr&acirc;ncia e as exatas implica&ccedil;&otilde;es da inspira&ccedil;&atilde;o da Escritura tem continuado vivo entre os modernos te&oacute;logos evang&eacute;licos. Como R.K. Johnston assinala, &ldquo;a discuss&atilde;o dentro do evangelicalismo, concernente a inspira&ccedil;&atilde;o da Escritura, tem costumeiramente focalizado neste ponto: se a Escritura &eacute; ou n&atilde;o &eacute; inerrante.&rdquo;18 De acordo com alguns eruditos, como j&aacute; indicado anteriormente, a controv&eacute;rsia &eacute; &ldquo;t&atilde;o importante quanto as controv&eacute;rsias cristol&oacute;gicas do quarto s&eacute;culo e a controv&eacute;rsia soteriol&oacute;gica do s&eacute;culo dezesseis,&rdquo;19 ou de acordo com H.Lindsell, &ldquo;o Cristianismo evang&eacute;lico est&aacute; engajado na maior batalha de sua hist&oacute;ria.&rdquo;20&nbsp; A crescente lista de artigos, ensaios e livros com farta bibliografia em ap&ecirc;ndice, indica a tremenda &ecirc;nfase que tem sido posta no assunto. A palavra-chave inerr&acirc;ncia aparece numa posi&ccedil;&atilde;o de muita proemin&ecirc;ncia. Ela tem sido usada como um instrumento de cisma e divis&atilde;o no corpo evang&eacute;lico, a ponto de se desejar excluir das fileiras evang&eacute;licas aqueles que n&atilde;o se submetem a este conceito.&nbsp; Entre os evang&eacute;licos, o compromisso com a inspira&ccedil;&atilde;o da Escritura &eacute; um corol&aacute;rio de sua cren&ccedil;a na autoridade b&iacute;blica. Esse comprometimento tem levado arautos, como F. Schaeffer, Lindsel e C.C. Ryrie, a considerarem uma formula&ccedil;&atilde;o particular da doutrina da inspira&ccedil;&atilde;o, a cren&ccedil;a na inerr&acirc;ncia da Escritura nos detalhes, &ldquo;a marca d&rsquo;&aacute;gua dogm&aacute;tica do evangelismo&rdquo;.21 Segundo Schaeffer, o &ldquo;evangelicalismo n&atilde;o &eacute; consistentemente evang&eacute;lico, a menos que seja tra&ccedil;ada uma linha entre os que t&ecirc;m uma vis&atilde;o plena da Escritura, e aqueles que n&atilde;o a possuem&rdquo;.22 C.C.Ryrie,23 na mesma linha, assinala que inspira&ccedil;&atilde;o e inerr&acirc;ncia est&atilde;o inseparavelmente vinculadas e ningu&eacute;m pode manter uma vis&atilde;o elevada da inspira&ccedil;&atilde;o a menos que inclua a inerr&acirc;ncia.&nbsp; Nossa preocupa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica a seguir &eacute; investigar a validade da alega&ccedil;&atilde;o dos defensores da inerr&acirc;ncia, e verificar, como Pinnock24 diz, que direito t&ecirc;m os inerrantistas em argumentar que uma vis&atilde;o da inspira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser elevada e forte a menos que a inerr&acirc;ncia esteja impl&iacute;cita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2.1. ARGUMENTOS DOS INERRANTISTAS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2.1.1. Argumento escritur&iacute;stico e hist&oacute;rico&nbsp; Em quase cada defesa da inerr&acirc;ncia b&iacute;blica &eacute; assumido que a base da doutrina &eacute; escritur&iacute;stica, isto &eacute;, um conceito ensinado pela pr&oacute;pria B&iacute;blia. Os defensores da inerr&acirc;ncia, com freq&uuml;&ecirc;ncia e abertamente, alegam que &ldquo;a b&iacute;blia ensina sua pr&oacute;pria inerr&acirc;ncia&rdquo;.25&nbsp; C.C. Ryrie, em sua forte &ecirc;nfase na import&acirc;ncia da inerr&acirc;ncia, refere-se a ela como uma doutrina b&iacute;blica e conclui que &ldquo;Cristo ensinou a inerr&acirc;ncia assim como tamb&eacute;m o ap&oacute;stolo Paulo&rdquo;.26 Na mesma linha, H. Lindsell afirma que o conceito de inerr&acirc;ncia &eacute; aceito, n&atilde;o por fazer com que seus defensores se sintam confort&aacute;veis, mas &ldquo;porque &eacute; ensinado na Escritura, exatamente como a divindade de Cristo, o nascimento virginal de Cristo e a ressurrei&ccedil;&atilde;o corporal de nosso Senhor dentre os mortos s&atilde;o ensinados na Escritura&rdquo;.27&nbsp; De acordo com Ryrie, h&aacute; tr&ecirc;s classes de refer&ecirc;ncias b&iacute;blicas que testificam da inerr&acirc;ncia. A primeira &eacute; a classe de vers&iacute;culos que afirmam a confiabilidade de Deus. A segunda envolve versos que enfatizam o car&aacute;ter permanente das Escrituras completas. Em apoio a esta alega&ccedil;&atilde;o, Ryrie usa textos tais como Mateus 5:17-18, e envida consider&aacute;vel esfor&ccedil;o para provar que o iota e o til, embora os menores sinais do alfabeto hebraico, desempenham um grande papel no mesmo. Ele ent&atilde;o conclui que as promessas do Antigo Testamento s&atilde;o &ldquo;proferidas com precis&atilde;o e assim com precis&atilde;o cumpridas&rdquo;.28 Adicionalmente, citando Jo&atilde;o 10:33-36, no qual Jesus afirma que a Escritura n&atilde;o pode ser quebrada, ele alega que &ldquo;isto s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel porque a Escritura &eacute; verdadeira em cada particularidade e em todas as suas partes&rdquo;.&nbsp; A terceira classe de evid&ecirc;ncias, segundo Ryrie, s&atilde;o aqueles vers&iacute;culos nos quais o argumento empregado &eacute; fundamentado em uma palavra ou na forma de uma palavra. Por exemplo: Mateus 22:32 (tempo presente do verbo &ldquo;ser&rdquo;); Mateus 22:43-45 (a palavra do Senhor); G&aacute;latas 3:15,16 (a forma singular da palavra &ldquo;semente&rdquo; em contraste com o plural). Ent&atilde;o, Ryrie conclui que &ldquo;naturalmente, se a B&iacute;blia n&atilde;o &eacute; inerrante tais argumentos deixam de ter qualquer peso&rdquo;.29&nbsp; Contudo, apesar destas alega&ccedil;&otilde;es, qual &eacute; o testemunho da Escritura com refer&ecirc;ncia ao seu pr&oacute;prio car&aacute;ter? &Eacute; a inerr&acirc;ncia realmente um conceito escritur&iacute;stico, ou simplesmente uma inerr&acirc;ncia tra&ccedil;ada por mentes piedosas? Ou, exige a inspira&ccedil;&atilde;o o conceito da inerr&acirc;ncia? Em primeiro lugar, aqueles textos utilizados para sustentar a id&eacute;ia da inerr&acirc;ncia apenas testificam da confiabilidade e inspira&ccedil;&atilde;o da B&iacute;blia, mas n&atilde;o h&aacute; reivindica&ccedil;&atilde;o de inerr&acirc;ncia ilimitada, como uma doutrina. Ademais, o argumento de Ryrie baseado &ldquo;em uma palavra ou na forma de uma palavra,&rdquo; n&atilde;o &eacute; uma verdade universal, uma vez que n&atilde;o tem aplica&ccedil;&atilde;o geral, e certamente pode ser usado para provar exatamente o oposto. Desta forma, os evangelhos s&atilde;o o maior obst&aacute;culo para a doutrina da inerr&acirc;ncia.30&nbsp; Podemos concordar inteiramente com S. T. Davis, de que algu&eacute;m procuraria em v&atilde;o por um &uacute;nico texto b&iacute;blico que ensine que a B&iacute;blia &eacute; inerrante, ou que ela n&atilde;o cont&eacute;m erro em nenhum lugar ou mesmo sobre qualquer assunto. Davis diz :&ldquo;A B&iacute;blia n&atilde;o ensina a inerr&acirc;ncia, nem a inerr&acirc;ncia parece estar pressuposta ou impl&iacute;cita pelo que ela faz&rdquo;.31&nbsp; Adicionalmente, A. F. Harrison, como muitos eruditos32, observa que &ldquo;&eacute; preciso conceder que a pr&oacute;pria B&iacute;blia, ao desenvolver sua pr&oacute;pria reivindica&ccedil;&atilde;o de inspira&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o diz nada preciso sobre sua inerr&acirc;ncia. Esta permanece como conclus&atilde;o a que mentes devotas chegaram por causa do car&aacute;ter divino da Escritura&rdquo;.33 L. Morris diz: &ldquo;a B&iacute;blia n&atilde;o parece jamais reivindicar inerr&acirc;ncia para si mesma, pelo menos em termos estabelecidos&rdquo;.34&nbsp; De fato, a inerr&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o formalmente declarada pelas Escrituras em benef&iacute;cio dela pr&oacute;pria, ao contr&aacute;rio, &eacute; uma infer&ecirc;ncia do conceito b&iacute;blico de inspira&ccedil;&atilde;o. Uma educa&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica da afirma&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica da perfei&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute;, portanto, a conclus&atilde;o do silogismo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Premissa A &ndash; Tudo o que Deus faz &eacute; perfeito. Premissa B &ndash; Deus inspirou as Escrituras. Conclus&atilde;o &ndash; Portanto as Escrituras s&atilde;o perfeitas.35<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para alguns defensores mais sofisticados da inerr&acirc;ncia, a id&eacute;ia &eacute; tamb&eacute;m a conclus&atilde;o da analogia entre a n&atilde;o pecaminosidade de Cristo e os fen&ocirc;menos da Escritura. C. Pinnock e C.C. Ryrie, quase nas mesmas palavras, argumentam que o erro n&atilde;o &eacute; mais condi&ccedil;&atilde;o para a humanidade do que o pecado o &eacute; para a natureza humana de Cristo. &ldquo;Cristo foi verdadeiramente humano e livre de erro.&rdquo;36 Evidentemente, a analogia do Cristo divinohumano, como D. M. Beegle a chama, &eacute; uma &ldquo;analogia remota&rdquo;.37 A raz&atilde;o &eacute; que em termos exatos os dois elementos n&atilde;o s&atilde;o paralelos, al&eacute;m do que &eacute; poss&iacute;vel manter uma cren&ccedil;a na n&atilde;o pecaminosidade de Cristo, e ainda aceitar a Escritura como sendo errante em detalhes perif&eacute;ricos. Quanto &agrave; quest&atilde;o de se exigir a inerr&acirc;ncia da inspira&ccedil;&atilde;o, os inerrantistas argumentam que &eacute; imposs&iacute;vel separ&aacute;-las e ainda sustentar a autoridade da B&iacute;blia. W.R. Cook observa que, &ldquo;aquelas doutrinas (inspira&ccedil;&atilde;o e inerr&acirc;ncia) ficam de p&eacute; ou caem juntas&rdquo;.38 J. Warwick Montgomery declara: &ldquo;notem cuidadosamente que eu n&atilde;o disse meramente que inspira&ccedil;&atilde;o escritur&iacute;stica e a inerr&acirc;ncia n&atilde;o existem separadas uma da outra (i.e. que separ&aacute;-las resulta n&atilde;o apenas um erro, mas pura e simplesmente em falta de sentido)&rdquo;.39 Este argumento seria razo&aacute;vel, se baseado numa teoria de inspira&ccedil;&atilde;o de ditado mec&acirc;nico, no qual os escritores b&iacute;blicos passivamente copiaram exatamente o que Deus sussurrava aos seus ouvidos. Todavia, a B&iacute;blia n&atilde;o reivindica este modelo de inspira&ccedil;&atilde;o, nem os fen&ocirc;menos o ap&oacute;iam. Al&eacute;m disso, como afirma S.T.Davis40, nenhum inerrantista hoje admitiria sustentar tal vis&atilde;o da inspira&ccedil;&atilde;o. Aqueles que vinculam inspira&ccedil;&atilde;o com inerr&acirc;ncia, e tornam a primeira dependente da segunda, d&atilde;o a impress&atilde;o de que uma B&iacute;blia inerrante solucionar&aacute; todos os problemas da inspira&ccedil;&atilde;o. Mas isto &eacute; improv&aacute;vel, uma vez que um documento inerrante n&atilde;o &eacute; necessariamente um documento divinamente inspirado. &Eacute; poss&iacute;vel escrever um texto de matem&aacute;tica ou geometria que n&atilde;o contenha nenhum erro, mas isto n&atilde;o torna estes livros divinamente inspirados. Uma Escritura inerrante apenas diria que a Escritura n&atilde;o poderia ser acusada de erro, mas isto em si n&atilde;o prova que a Escritura Sagrada seja divinamente inspirada. Para isto, outras categorias e outros tipos de evid&ecirc;ncias s&atilde;o necess&aacute;rias. Ent&atilde;o, a conclus&atilde;o &eacute; que a inerr&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel para uma vis&atilde;o elevada das Escrituras, tendo em vista que a mesma n&atilde;o implica automaticamente em cren&ccedil;a na inspira&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, os inerrantistas tenazmente argumentam que a inerr&acirc;ncia total tem sido a posi&ccedil;&atilde;o normativa da igreja atrav&eacute;s de sua hist&oacute;ria, assim, ela n&atilde;o &eacute; uma nova teoria desenvolvida em tempos modernos. Lindsell afirma que da perspectiva hist&oacute;rica pode ser dito que por dois mil anos a Igreja Crist&atilde; tem concordado que a B&iacute;blia &eacute; completamente inerrante.41 R. Lovelace42 tamb&eacute;m vindica a inerr&acirc;ncia como vis&atilde;o hist&oacute;rica normativa da igreja. A mesma posi&ccedil;&atilde;o &eacute; defendida por Francis Schaeffer43 e outros proponentes da inerr&acirc;ncia total. Para eles, a posi&ccedil;&atilde;o Hodge-Warfield n&atilde;o &eacute; uma inova&ccedil;&atilde;o, pois a sua ess&ecirc;ncia germinal &eacute; encontrada nos grandes te&oacute;logos da igreja crist&atilde;, do segundo ao d&eacute;cimo oitavo s&eacute;culos. A l&oacute;gica do argumento &eacute; que aqueles que negam a teoria da inerr&acirc;ncia nos detalhes est&atilde;o em colis&atilde;o com a admitida vis&atilde;o plena da B&iacute;blia, assumida atrav&eacute;s de quase 2000 anos de hist&oacute;ria da igreja. Contudo, pelo menos dois pontos permanecem em oposi&ccedil;&atilde;o a esta &ecirc;nfase. Primeiro, de uma pesquisa hist&oacute;rica sobre a no&ccedil;&atilde;o de inerr&acirc;ncia, pode-se tirar diferentes conclus&otilde;es. As evid&ecirc;ncias favorecem que a &ldquo;moderna teologia herdou o problema da inerr&acirc;ncia b&iacute;blica do escolasticismo ortodoxo do s&eacute;culo XVII, tanto luterano quanto reformado&rdquo;.44 Ademais, J. Rogers, de seu exaustivo estudo sobre as ra&iacute;zes hist&oacute;ricas da doutrina da inerr&acirc;ncia, conclui que &eacute; historicamente irrespons&aacute;vel alegar que por 2000 anos os crist&atilde;os t&ecirc;m crido que a autoridade da B&iacute;blia acarreta um moderno conceito de inerr&acirc;ncia em detalhes cient&iacute;ficos e hist&oacute;ricos.45 A igreja, corporativamente, tem sido cautelosa em fazer a reivindica&ccedil;&atilde;o de &ldquo;inerr&acirc;ncia&rdquo; normativa para a vida crist&atilde;, usando em vez disto palavras como &ldquo;autoridade&rdquo;, &ldquo;sufici&ecirc;ncia&rdquo; e &ldquo;infalibilidade&rdquo;, ao pronunciar seus credos. Igualar estes termos &agrave; &ldquo;inerr&acirc;ncia&rdquo; &eacute; novamente uma infer&ecirc;ncia dedutiva dos inerrantistas. O segundo aspecto a ser notado &eacute; que contrariamente as alega&ccedil;&otilde;es dos inerrantistas, o pano de fundo hist&oacute;rico para a doutrina da inspira&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente complexo. Um conceito moderno de inerr&acirc;ncia envolvendo linguagem cientificamente precisa era, naturalmente, desconhecido antes do surgimento da ci&ecirc;ncia moderna. Assim, mesmo quando os Pais da igreja reivindicavam que a B&iacute;blia n&atilde;o tinha erro, podemos estar quase certos de que &ldquo;erro&rdquo; n&atilde;o significava para eles o que significa para n&oacute;s hoje. Como J.I. Packer diz, n&atilde;o podemos ler em Calvino nossas pr&oacute;prias preocupa&ccedil;&otilde;es, e esperar que ele responda perguntas que s&atilde;o nossas, n&atilde;o dele.46&nbsp; Em suma: por acreditarem que tanto a B&iacute;blia como a tradi&ccedil;&atilde;o ortodoxa da igreja sustenta a inerr&acirc;ncia, os defensores da inerr&acirc;ncia se sentem justificados em negar o termo &ldquo;evang&eacute;licos&rdquo; &agrave;queles que rejeitam esta doutrina. Nesta base eles concluem que uma vis&atilde;o elevada da Escritura &eacute; imposs&iacute;vel sem a inerr&acirc;ncia. Contudo, como foi salientado, a B&iacute;blia n&atilde;o reivindica inerr&acirc;ncia para si pr&oacute;pria, nem o resultado final da inspira&ccedil;&atilde;o ap&oacute;ia isto. Portanto, n&atilde;o h&aacute; uma vis&atilde;o &ldquo;mais elevada&rdquo; da Escritura do que aquela que a B&iacute;blia reivindica para si pr&oacute;pria, e n&atilde;o h&aacute; maneira de aperfei&ccedil;oar o que Deus fez. Por outro lado, recorrer aos Pais da Igreja e aos Reformadores em apoio a uma teoria moderna de inerr&acirc;ncia &eacute; &ldquo;dar pouco valor a preocupa&ccedil;&atilde;o deles de que a B&iacute;blia &eacute; nossa &uacute;nica autoridade sobre salva&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica para a vida crist&atilde;&rdquo;.47<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2.1.2. O argumento epistemol&oacute;gico e &ldquo;domin&oacute;&rdquo;&nbsp; Para os que vindicam a teoria da inerr&acirc;ncia nos detalhes, o compromisso com esta cren&ccedil;a &eacute; sin&ocirc;nimo de uma vis&atilde;o elevada da autoridade b&iacute;blica, e a &uacute;nica maneira de honrar a Escritura. De fato, em muitos arraiais, a opini&atilde;o popular assume que at&eacute; mesmo a f&eacute; crist&atilde; &eacute; imposs&iacute;vel sem a cren&ccedil;a da inerr&acirc;ncia da Escritura, a qual, segundo seus defensores, &eacute; um teste de autenticidade evang&eacute;lica. De acordo com C.C.Ryrie, &ldquo;uma vis&atilde;o plena e elevada da inspira&ccedil;&atilde;o exige a inerr&acirc;ncia como seu elemento natural e necess&aacute;rio&rdquo;.48 J&aacute; R.L. Harris, outro proponente da inerr&acirc;ncia, &eacute; mais enf&aacute;tico. Ele argumenta que &ldquo;se temos alguma considera&ccedil;&atilde;o por consist&ecirc;ncia, n&oacute;s cremos em Cristo e na inerr&acirc;ncia, em ambas ou em nenhuma. Para o crist&atilde;o a escolha &eacute; simples.&rdquo;49&nbsp; Basicamente, detr&aacute;s deste dilema proposto pelos inerrantistas, h&aacute; duas raz&otilde;es principais que levam seus proponentes &agrave; conclus&atilde;o de que a cren&ccedil;a na perfeita aus&ecirc;ncia de erro da B&iacute;blia, &eacute; maneira exclusiva de manter uma vis&atilde;o elevada das Escrituras: primeiro, a raz&atilde;o epistemol&oacute;gica, o que significa que a menos que a B&iacute;blia seja inerrante, os crist&atilde;os n&atilde;o t&ecirc;m fundamento s&oacute;lido sobre o qual basear suas cren&ccedil;as.50 A segunda raz&atilde;o &eacute; encontrada em uma forma de teoria do &ldquo;domin&oacute;&rdquo;, segundo a qual, ao rejeitar a inerr&acirc;ncia a pessoa seria for&ccedil;ada a abandonar outras doutrinas cardeais do Cristianismo ortodoxo.&nbsp; Para o Conc&iacute;lio Internacional sobre a Inerr&acirc;ncia B&iacute;blica51, sem inerr&acirc;ncia n&atilde;o h&aacute; base s&oacute;lida para a autoridade b&iacute;blica e, por conseguinte, nenhuma palavra segura sobre a teologia ou a vida crist&atilde;. O mesmo apelo epistemol&oacute;gico &eacute; fortemente enfatizado por Ryrie. Ele observa que, &ldquo;tanto a autoridade de Cristo como a autoridade das Escrituras depende da inerr&acirc;ncia das Escrituras, pois declara&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o sejam completamente verdadeiras, n&atilde;o podem ser autoritativas&rdquo;.52&nbsp; Com esta reivindica&ccedil;&atilde;o, os inerrantistas sugerem que construir teologia na base de uma B&iacute;blia errante, &eacute; construir sobre a areia. Assim, a inerr&acirc;ncia &eacute; fundamental, e nossa decis&atilde;o sobre ela afetar&aacute; tudo o mais que fizermos. Ryrie argumenta:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inerr&acirc;ncia &eacute; uma quest&atilde;o crucial, pois se a B&iacute;blia n&atilde;o est&aacute; completamente isenta de erro, ent&atilde;o deve haver algum erro nela. Agora se pud&eacute;ssemos todos concordar sobre onde est&aacute; este erro, o problema poderia ser concebivelmente tolerado. Mas, se a literatura atual sugere alguma indica&ccedil;&atilde;o, haveria vinte candidatos para aquele erro, e isto significa tantos quantos vinte erros. E se poderia haver tantos quantos vinte erros, ent&atilde;o a pergunta se forma: Como, afinal, posso confiar na B&iacute;blia?53&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desta abordagem &ldquo;tudo ou nada&rdquo; da autoridade b&iacute;blica temos a impress&atilde;o de que todo o Cristianismo, a autoridade das Escrituras e a verdade do evangelho dependem de algum enigma cronol&oacute;gico ou detalhe mec&acirc;nico. Mas, &eacute; realmente verdade que a confian&ccedil;a da reivindica&ccedil;&atilde;o da Escritura a respeito de Jesus como Senhor repousa sobre tal base? Seria a certeza religiosa destru&iacute;da se existisse alguma falha na Escritura? &Eacute; a inerr&acirc;ncia, de fato, uma necessidade epistemol&oacute;gica?&nbsp; Felizmente, o apelo n&atilde;o precisa ser levado a s&eacute;rio, uma vez que os crentes na inerr&acirc;ncia continuam a ler e crer em suas c&oacute;pias n&atilde;o inerrantes. Ademais, vivem com a mesma incerteza que o argumento diz que eles n&atilde;o deveriam ter. Como Pinnock observa, &ldquo;dizer que, a menos que cada ponto possa ser estabelecido, o edif&iacute;cio inteiro vai ruir parece indicar a fortaleza da mentalidade de uma ortodoxia em decl&iacute;nio&rdquo;.54&nbsp; Ademais, &eacute; certamente dif&iacute;cil compreender porque Deus, se Ele considerava a aus&ecirc;ncia de erro epistemologicamente t&atilde;o crucial, n&atilde;o tomou mais cuidado em preservar um texto sem erros. E como explicar a B&iacute;blia errante que os crist&atilde;os sempre possu&iacute;ram e usaram t&atilde;o efetivamente por mil&ecirc;nios? &Eacute; claro que Jesus, Paulo, e os escritores do Novo Testamento possu&iacute;am manuscritos n&atilde;o inerrantes em suas m&atilde;os, e foram capazes de us&aacute;-los como confi&aacute;veis e autoritativos. Parece improv&aacute;vel tamb&eacute;m que, aqueles manuscritos imperfeitos tenham interferido em sua religi&atilde;o pessoal, teologia ou &ldquo;vis&atilde;o elevada&rdquo; do antigo Testamento. Podemos dizer que o que era suficientemente bom para Jesus &eacute; suficientemente bom para n&oacute;s. Bernard Ramm sugere:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu creio que menos do que 1% do corpo de crentes evang&eacute;licos renunciaria sua f&eacute; se isto fosse comprovado como um erro (a respeito da discrep&acirc;ncia entre I Cor&iacute;ntios 10:8 e N&uacute;meros 25:24) ou se qualquer outro erro deste tipo fosse mostrado na Escritura Sagrada. A raz&atilde;o para mim &eacute; bastante &oacute;bvia. Os Crist&atilde;os n&atilde;o se apegam a f&eacute; crist&atilde; por causa da inerr&acirc;ncia da Escritura, mas por causa de sua experi&ecirc;ncia com cristo e o Esp&iacute;rito Santo e do conte&uacute;do espiritual da Escritura Sagrada que t&atilde;o efetivamente tem falado aos nossos cora&ccedil;&otilde;es.55&nbsp;&nbsp;&nbsp; Certamente que a B&iacute;blia pode &ldquo;errar&rdquo; em alguns lugares, e provavelmente falhar&aacute; no teste r&iacute;gido da inerr&acirc;ncia nos detalhes, mas ainda podemos confiar nela. Como Beegle salienta, &ldquo;A soberania de Deus, a honra de Jesus Cristo, e a confiabilidade da doutrina b&iacute;blica n&atilde;o est&aacute; em risco ao aceitar-se uma doutrina da inspira&ccedil;&atilde;o que rejeita a qualifica&ccedil;&atilde;o da inerr&acirc;ncia&rdquo;.56 Ent&atilde;o, obviamente, o argumento baseado na epistemologia &eacute;, por si pr&oacute;prio, muito duvidoso.&nbsp;&nbsp; Por outro lado, de acordo com a &ldquo;teoria do domin&oacute;&rdquo;57, tamb&eacute;m chamada de &ldquo;argumento do escorregador&rdquo;58, quem quer que negue a inerr&acirc;ncia, acabar&aacute; negando outras doutrinas evang&eacute;licas. C.C. Ryrie argumenta que se todas as doutrinas da B&iacute;blia podem ser comparadas com domin&oacute;s enfileirados, ent&atilde;o a cren&ccedil;a na total exatid&atilde;o da B&iacute;blia encabe&ccedil;a a fila, &ldquo;se o primeiro domin&oacute; permanecer de p&eacute; ou cair inevitavelmente afetar&aacute; alguns, a maioria ou at&eacute; mesmo todos os outros&rdquo;.59&nbsp; A quest&atilde;o a ser formulada &eacute; a seguinte: &eacute; a rejei&ccedil;&atilde;o da inerr&acirc;ncia perfeita um declive que leva inevitavelmente &agrave; heresia, sendo assim incompat&iacute;vel com uma vis&atilde;o elevada da Escritura? Naturalmente, se a inspira&ccedil;&atilde;o houvesse sido identificada com a inerr&acirc;ncia, o argumento teria tido mais validade; contudo, igualar inerr&acirc;ncia nas min&uacute;cias ao conceito de inspira&ccedil;&atilde;o &eacute; uma invers&atilde;o equivocada e longe da verdade.&nbsp; Podemos questionar o conceito de Francis Schaeffer, de que a rejei&ccedil;&atilde;o da inerr&acirc;ncia b&iacute;blica total &eacute; o mais importante fator doutrin&aacute;rio controlador por detr&aacute;s do moderno decl&iacute;nio espiritual e teol&oacute;gico.60 Por ironia, Charles-Hodge, embora um ardoroso defensor da doutrina da inerr&acirc;ncia, p&ocirc;de argumentar vagamente que mesmo que houvesse o que parecem ser erros factuais na Escritura, eles seriam t&atilde;o insignificantes como as manchas no Paternon.61 Podemos tamb&eacute;m dizer que mesmo uma doutrina gravemente inadequada da Escritura, n&atilde;o invalida a habilidade de um indiv&iacute;duo para apreender a ortodoxia b&iacute;blica em muitos pontos, como no caso de Karl Barth.62 Estas simples evid&ecirc;ncias s&atilde;o suficientes para levantar algumas reservas a respeito do teorema do &ldquo;domin&oacute;&rdquo;.&nbsp; Em conclus&atilde;o a isto, assumimos que negar a op&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o elevada das Escrituras &agrave;queles que rejeitam a posi&ccedil;&atilde;o do inerrantismo radical com um apelo ao argumento epistemol&oacute;gico ou &ldquo;domin&oacute;&rdquo;, n&atilde;o pode ser considerada uma obje&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria. Como diz Pinnock, &ldquo;os evang&eacute;licos n&atilde;o rejeitaram um papado para aceitar outro&rdquo;.63&nbsp; A inerr&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; o teste real para uma vis&atilde;o plena da autoridade b&iacute;blica. De fato, nos enganaremos se basearmos a autoridade e a verdade da Escritura na inerr&acirc;ncia dos registros b&iacute;blicos, pois ent&atilde;o tentaremos demonstr&aacute;-la segundo o racionalismo. Em uma perspicaz monografia intitulada The Inerrancy Debate among the Evangelicals, C. Pinnock adverte que homens como Francis Schaeffer e Harold Lindsell tendem a confundir a vis&atilde;o elevada da Escritura com a interpreta&ccedil;&atilde;o que eles fazem dela. Eles advogam que a menos que a pessoa concorde com a leitura que fazem do texto, ela poder&aacute; ser chamada de evang&eacute;lica imperfeita, ou absolutamente n&atilde;o evang&eacute;lica.64 Certamente, o abandono da inerr&acirc;ncia n&atilde;o for&ccedil;a algu&eacute;m a abra&ccedil;ar o liberalismo e\/ou a apostasia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> VIS&Atilde;O ELEVADA DA INSPIRA&Ccedil;&Atilde;O E OS FEN&Ocirc;MENOS DA B&Iacute;BLIA<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seu cl&aacute;ssico ensaio, The Phenomena of Scripture, E. F. Harrisson observa que &ldquo;nenhuma vis&atilde;o da Escritura pode ser indefinidamente sustentada se correr contra os fatos. Que a B&iacute;blia reivindica inspira&ccedil;&atilde;o &eacute; evidente. O problema &eacute; definir a natureza da inspira&ccedil;&atilde;o &agrave; luz dos fen&ocirc;menos&rdquo;.65 Evidentemente, podemos ter nossas id&eacute;ias pr&oacute;prias sobre como Deus deveria ter inspirado a Palavra, mas &eacute; mais produtivo aprender como Ele de fato a inspirou. Isto significa que precisamos aprender a ouvir a Palavra de Deus, n&atilde;o instru&iacute;-la. &Eacute; neste ponto que o conceito de inerr&acirc;ncia literal fracassa, porque em sua tentativa de &ldquo;proteger&rdquo; a Escritura, a defesa baseada no racionalismo criou um modelo irreal de inspira&ccedil;&atilde;o que abafa o pr&oacute;prio fen&ocirc;meno.&nbsp; &Eacute; a suposi&ccedil;&atilde;o da inerr&acirc;ncia um componente essencial dos fen&ocirc;menos da Escritura? Consider&aacute;vel esfor&ccedil;o tem sido feito pelos inerrantistas para vindicar uma resposta positiva a esta quest&atilde;o. Para sustentar que a B&iacute;blia &eacute; completamente inerrante em seus m&iacute;nimos detalhes e preservada de &ldquo;erro factual, hist&oacute;rico, cient&iacute;fico, ou outro&rdquo;66, eles estabeleceram uma s&eacute;rie de qualifica&ccedil;&otilde;es, uma quantidade de obst&aacute;culos que um suposto &ldquo;erro&rdquo; tem de transpor antes que seja qualificado como um &ldquo;erro&rdquo;.&nbsp; S.T. Davis diz que &ldquo;&eacute; imposs&iacute;vel ver como algum suposto erro poderia passar todos os testes&rdquo;.67 Ele deve pertencer aos aut&oacute;grafos inexistentes, algo que n&atilde;o pode ser realmente provado. Deve ser indubitavelmente falso. Deve ser provado al&eacute;m de qualquer d&uacute;vida, etc. Todo este esfor&ccedil;o gasto para provar que a B&iacute;blia &ldquo;n&atilde;o cont&eacute;m erro de qualquer tipo&rdquo;68, &eacute; basicamente o resultado de um enganoso conceito de inspira&ccedil;&atilde;o. Ademais, agindo dentro de um processo de dedu&ccedil;&atilde;o, os inerrantistas, como vimos antes, argumentam que porque Deus &eacute; perfeito e a B&iacute;blia &eacute; a Palavra de Deus, a B&iacute;blia deve ser perfeita. Ou porque Deus n&atilde;o pode &ldquo;mentir&rdquo; e porque a B&iacute;blia &eacute; &ldquo;inspirada por Deus&rdquo; ela deve ser inerrante, n&atilde;o pode conter qualquer erro, nenhum sequer, seja em hist&oacute;ria, geografia, bot&acirc;nica, astronomia, sociologia, psiquiatria, economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de considerarmos que a cren&ccedil;a numa B&iacute;blia perfeita e inerrante n&atilde;o &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para uma vis&atilde;o elevada da Escritura, fa&ccedil;amos uma reflex&atilde;o sobre o conceito de &ldquo;erro,&rdquo; o que certamente esclarecer&aacute; nosso caso.&nbsp; C.C. Ryrie, como um bom representante dos defensores da inerr&acirc;ncia, assume que &ldquo;a B&iacute;blia &eacute; inerrante ao expressar a verdade, e ela o faz sem erro em todas as partes e com todas as suas palavras&rdquo;.69 Certamente, n&atilde;o h&aacute; nada de equivocado em si mesma com a proposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;sem erro&rdquo;, contudo o ponto crucial &eacute;: o que significa &ldquo;erro&rdquo;, e que padr&otilde;es podem ser usados para julgar o erro?&nbsp; Parece que a chave para uma vis&atilde;o apropriada dos fen&ocirc;menos da Escritura, em rela&ccedil;&atilde;o ao debate moderno, repousa no significado da palavra &ldquo;erro&rdquo;. &Eacute; um falso conceito de erro, que imp&otilde;e a necessidade de um aut&oacute;grafo perfeito, ou que requer harmoniza&ccedil;&atilde;o acrob&aacute;tica das discrep&acirc;ncias b&iacute;blicas. Haja vista a afirma&ccedil;&atilde;o de que o galo cantou seis vezes para extrair sentido inerrante da hist&oacute;ria da nega&ccedil;&atilde;o de Pedro70, ou que a B&iacute;blia preserva o valor matem&aacute;tico do &ldquo;pi&rdquo; nas dimens&otilde;es do mar de fundi&ccedil;&atilde;o71 (1Rs 7:23). Temos ainda a explica&ccedil;&atilde;o da contradi&ccedil;&atilde;o entre 1 Cor&iacute;ntios 10:8 (o relato de Paulo de que 23.000 ca&iacute;ram em um &uacute;nico dia), e N&uacute;meros 25:9 (o Antigo Testamento registra 24.000). Alguns sugerem que as outras mil baixas ocorreram durante a noite72, ou, de acordo com a explica&ccedil;&atilde;o de Ryrie, &ldquo;Paulo limita sua cifra de 23.000 &agrave;queles mortos em um dia. O relato em N&uacute;meros 25 (&hellip;) inclui mortes adicionais que ocorreram nos dias seguintes&rdquo;.73&nbsp; Os inerrantistas confundem &ldquo;erro&rdquo; no sentido de precis&atilde;o t&eacute;cnica com a no&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica de erro como engano intencional. Logo, para garantir a confiabilidade da Escritura eles acabam exigindo da B&iacute;blia estrita precis&atilde;o cient&iacute;fica.74 Os resultados s&atilde;o lament&aacute;veis, porque este processo finalmente exige algo mais objetivo do que o testemunho interior e pessoal do Esp&iacute;rito Santo atrav&eacute;s do pr&oacute;prio texto, e acaba aferindo a verdade da B&iacute;blia por um padr&atilde;o extrab&iacute;blico.&nbsp; Como foi salientado antes, seremos induzidos ao erro se basearmos a autoridade da Escritura na total inerr&acirc;ncia dos escritos, pois tentaremos demonstrar isto de acordo com os c&acirc;nones da racionalidade cient&iacute;fica. Por outro lado, o ensino da sufici&ecirc;ncia da B&iacute;blia &eacute; rompido quando reivindicamos sua inerr&acirc;ncia na base de detalhes m&iacute;nimos de cronologia, geografia, hist&oacute;ria ou cosmologia. &ldquo;A inerr&acirc;ncia nas min&uacute;cias pode ser um item central para o guia telef&ocirc;nico mas n&atilde;o para Salmos, Prov&eacute;rbios, literatura apocal&iacute;ptica e par&aacute;bola.&rdquo;75 Como Johnston diz, &ldquo;Aqui est&aacute; a ironia: tentamos assegurar a autoridade da B&iacute;blia ao reivindicar que ela &eacute; inerrante; mas para mostrar que ela &eacute; inerrante n&oacute;s aplicamos uma norma externa &agrave; B&iacute;blia &agrave; qual a B&iacute;blia deve se conformar se ela deve ser considerada como verdadeira&rdquo;.76 Ao buscar manter uma vis&atilde;o elevada da inspira&ccedil;&atilde;o, os proponentes da inerr&acirc;ncia t&ecirc;m se debatido com o fato de que a revela&ccedil;&atilde;o de Deus foi declarada nos termos da linguagem, l&oacute;gica, e localiza&ccedil;&atilde;o das pessoas &agrave;s quais ela foi escrita originalmente. Como Harrison77 mesmo diz, embora a alma da Escritura seja universal e eterna, seu corpo permanece oriental, e certamente qualquer considera&ccedil;&atilde;o verdadeira dos fen&ocirc;menos n&atilde;o deveria esquecer isto.&nbsp; Parece que G.R. Osborne tem raz&atilde;o quando diz que &ldquo;tanto liberais como evang&eacute;licos s&atilde;o culpados de uma aceita&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil demais de certos fatos como erros&rdquo;.78 &Eacute; um falso conceito de erro que tem levado os defensores da inerr&acirc;ncia a denominar de &ldquo;vis&atilde;o elevada&rdquo; das Escrituras Sagradas, uma precipitada harmoniza&ccedil;&atilde;o. Esta atitude &eacute;, de fato, uma desconsidera&ccedil;&atilde;o do prop&oacute;sito real de nossas Escrituras, e um desafio &agrave; no&ccedil;&atilde;o de que os escritores b&iacute;blicos eram homens do seu tempo com conhecimento limitado ou mesmo deficiente de t&oacute;picos seculares. Ademais, em nenhum momento Deus os removeu de seu ambiente, ou &ldquo;os transformou em algu&eacute;m que eles n&atilde;o fossem &ndash; cidad&atilde;os de tempo e lugar antigos&rdquo;.79 Ent&atilde;o, se certos eventos b&iacute;blicos exigem harmoniza&ccedil;&atilde;o, ela n&atilde;o deve ser buscada mecanicamente, de modo que obscure&ccedil;a os pr&oacute;prios fen&ocirc;menos, e seu conceito de inspira&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Como L. Morris escreveu: &ldquo;n&atilde;o devemos impor uma inerr&acirc;ncia ou nossa pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o sobre a B&iacute;blia, mas antes aceitar o tipo de inerr&acirc;ncia que ela oferece. E esta &eacute; uma inerr&acirc;ncia compat&iacute;vel com os variados relatos das palavras usadas em dada ocasi&atilde;o&rdquo;.80 O processo humano pelo qual Deus escolheu tornar Sua Palavra conhecida em l&iacute;nguas terrenas, &eacute; t&atilde;o crucial para nosso reconhecimento daquilo que Ele est&aacute; dizendo na Escritura, quanto o &eacute; nosso reconhecimento da plena inspira&ccedil;&atilde;o da Escritura. O Deus que escolheu nos falar por meio de escritores que viveram em contextos hist&oacute;rico, social, cultural e ling&uuml;&iacute;stico espec&iacute;ficos, determinou por esse m&eacute;todo de falar, como Sua palavra deve ser compreendida.&nbsp; H&aacute; erros na B&iacute;blia? Mentira e falsidade s&atilde;o o que a Escritura associa com erro, e a Escritura certamente n&atilde;o &eacute; identificada com engano neste sentido. Assim, em rela&ccedil;&atilde;o a Deus e sua verdade a B&iacute;blia nunca conduz a erro e, portanto, neste sentido &eacute; inerrante. Contudo, a honestidade exige que reconhe&ccedil;amos que h&aacute; discrep&acirc;ncias e dificuldades no texto b&iacute;blico. Neg&aacute;-las seria ir contra os fatos e segundo James Orr &ldquo;&eacute; a posi&ccedil;&atilde;o mais suicida que qualquer defensor da revela&ccedil;&atilde;o poderia assumir&rdquo;.81&nbsp; Pode haver alguns &ldquo;erros&rdquo; na Escritura, e se este &eacute; o caso, n&atilde;o podemos nos esconder por detr&aacute;s de algumas harmoniza&ccedil;&otilde;es racionais. Por&eacute;m, ao tratarmos com estas dificuldades dever&iacute;amos ter em mente que este &eacute; um assunto complexo, no qual n&atilde;o podemos operar com um simples c&aacute;lculo de sim ou n&atilde;o, verdadeiro ou falso, certo ou errado, coer&ecirc;ncia ou contradi&ccedil;&atilde;o, fato ou erro. Como B. Ramm diz: &ldquo;simplesmente n&atilde;o podemos determinar a confiabilidade ou integridade da Escritura Sagrada ao restringir nosso aparato l&oacute;gico a um sim ou n&atilde;o, um verdadeiro ou falso&rdquo;.82&nbsp; Certamente n&atilde;o &eacute; coisa f&aacute;cil apontar erro em um documento antigo. No caso da B&iacute;blia, muitos dos assim chamados &ldquo;erros&rdquo; s&atilde;o resultados do antigo processo de copiar os manuscritos &agrave; m&atilde;o e da transmiss&atilde;o pelos escribas. Outros &ldquo;erros&rdquo; ser&atilde;o explicados por uma clara compreens&atilde;o do prop&oacute;sito dos autores b&iacute;blicos em uma dada situa&ccedil;&atilde;o particular, e pela aceita&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de precis&atilde;o daqueles tempos.83 Esta &eacute; a raz&atilde;o pela qual os evang&eacute;licos t&ecirc;m de maneira crescente reconhecido a necessidade de descrever a autoridade e confiabilidade da Escritura em termos de sua inten&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Como Klaus Runia observa: &ldquo;A B&iacute;blia &eacute; um livro totalmente sem&iacute;tico. Em cada p&aacute;gina ela mostra sua origem, pano de fundo, cultura e perspectiva sem&iacute;ticas. Portanto, seria errado em princ&iacute;pio abordar a B&iacute;blia com nossos modernos padr&otilde;es cient&iacute;ficos e julg&aacute;-la de acordo com eles&rdquo;.84&nbsp; Que dizer da marcante diverg&ecirc;ncia entre Jo&atilde;o e os Sin&oacute;ticos, ou da forma distinta na qual Mateus cita Jesus em rela&ccedil;&atilde;o a Marcos? &Eacute; verdade que os Logia Jesu devem conter ipsissima verba para que sejam inerrantes? E quanto &agrave;s discrep&acirc;ncias cronol&oacute;gicas encontradas nos evangelhos ou informa&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria?85 Embora alguns destes casos sejam explicados pelos motivos teol&oacute;gicos por detr&aacute;s das varia&ccedil;&otilde;es, outros s&atilde;o dificuldades reais. &Agrave; luz destas dificuldades, emerge a quest&atilde;o: &eacute; poss&iacute;vel considerar a B&iacute;blia como um livro imperfeito e limitado em muitos aspectos e ainda sustentar uma elevada vis&atilde;o de sua autoridade?&nbsp; Ellen White, em sua abordagem pessoal &agrave;s Escrituras Sagradas sugere uma resposta segura. Ela disse: &ldquo;Tomo a B&iacute;blia tal como ela &eacute;, como Palavra Inspirada. Creio nas declara&ccedil;&otilde;es de uma B&iacute;blia inteira&rdquo;.86 Para ter uma vis&atilde;o forte e plena da autoridade da Escritura, n&atilde;o necessitamos de engenhosos instrumentos para sustent&aacute;-la. A vis&atilde;o singular que honra os fen&ocirc;menos da Escritura &eacute; a que aceita a B&iacute;blia como ela realmente &eacute;: a Palavra de Deus em palavras humanas. Como pode ser isto? N&atilde;o h&aacute; necessidade de solucionarmos este mist&eacute;rio; nossa grande necessidade &eacute; reconhec&ecirc;-lo e aceit&aacute;-lo.&nbsp; A melhor maneira de reverenciar a Palavra Viva &eacute; sustentar um conceito saud&aacute;vel de sua revela&ccedil;&atilde;o e inspira&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, as dificuldades e varia&ccedil;&otilde;es dos fen&ocirc;menos n&atilde;o nos perturbar&atilde;o, porque concordamos que a inspira&ccedil;&atilde;o age no homem em uma situa&ccedil;&atilde;o concreta. Deus inspirou pessoas, usando suas mentes, cora&ccedil;&otilde;es, forma&ccedil;&atilde;o, vocabul&aacute;rio, experi&ecirc;ncias, personalidades, treino educacional, cosmovis&atilde;o, contextos culturais e sensibilidades espirituais. Deve ser notado que este conceito de inspira&ccedil;&atilde;o que permite consider&aacute;vel liberdade ao agente humano, n&atilde;o significa permiss&atilde;o descontrolada. Ebionismo e Docetismo ainda s&atilde;o extremos a serem evitados.&nbsp; A B&iacute;blia &eacute; a Palavra de Deus acomodada, revestida e transmitida em linguagem humana. Ent&atilde;o, como Pinnock87 observa, a B&iacute;blia pode conter &ldquo;erros&rdquo; mas n&atilde;o ensina nenhum. Isto significa que a B&iacute;blia &eacute; infal&iacute;vel em seus temas ao inv&eacute;s de nos seus termos, nos seus ensinos ao inv&eacute;s de nos componentes utilizados em sua formula&ccedil;&atilde;o. Contudo, deve ser notado que err&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; esta op&ccedil;&atilde;o para inerr&acirc;ncia. A op&ccedil;&atilde;o para inerr&acirc;ncia &eacute; total infalibilidade da B&iacute;blia em assuntos pertencentes a sua inten&ccedil;&atilde;o. Como B. Mickelsen salienta,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s de discutirmos o que a B&iacute;blia n&atilde;o faz (i.e. &ldquo;ter algum erro&rdquo;), necessitamos nos concentrar na nota positiva. A B&iacute;blia ensina a verdade. Ela ensina a verdade nos modos e maneiras de expressar a verdade nos tempos antigos. Porque Deus energizou seus servos, a verdade ensinada de muitas formas diferentes &eacute; magnificamente eficaz. Agrade&ccedil;amos a Deus pelas Escrituras assim como elas s&atilde;o. Sua forma e estilo antigo est&atilde;o entre as grandes provas de sua autenticidade.88<\/p>\n<p>Voltando a nossa quest&atilde;o b&aacute;sica, nosso compromisso com uma vis&atilde;o elevada da Escritura exige inerr&acirc;ncia? Vamos responder a quest&atilde;o. Deve ser salientado tamb&eacute;m que a teoria da inerr&acirc;ncia tem pouca sensibilidade para com os fen&ocirc;menos da Escritura, ou seja, a variedade de palavras e declara&ccedil;&otilde;es encontrada no pr&oacute;prio texto. Ademais, a doutrina da inerr&acirc;ncia n&atilde;o contribui para uma vis&atilde;o elevada da inspira&ccedil;&atilde;o ou para uma posi&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida quanto &agrave; autoridade da Escritura. Pensar que tudo est&aacute; seguro apenas em &ldquo;provar&rdquo; que a B&iacute;blia &eacute; perfeitamente inerrante, &eacute; um sonho ing&ecirc;nuo. Finalmente, deve ser afirmado tamb&eacute;m que uma vis&atilde;o elevada da Escritura n&atilde;o est&aacute; de qualquer modo comprometida com a inerr&acirc;ncia b&iacute;blica nos detalhes. Antes, seu compromisso &eacute; com a inspira&ccedil;&atilde;o da Palavra Viva de Deus. Como Johnston diz, &ldquo;de fato, pode-se defender uma vis&atilde;o elevada da Escritura sem recorrer ao termo inerr&acirc;ncia.&rdquo;89<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> SUM&Aacute;RIO<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Evidentemente que o debate sobre a inerr&acirc;ncia da B&iacute;blia n&atilde;o permite uma solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil, uma vez que n&atilde;o &eacute; um assunto em preto e branco. Contudo, observando a quest&atilde;o de uma perspectiva diferente, o ponto crucial n&atilde;o &eacute; se a Escritura &eacute; totalmente inerrante ou n&atilde;o, mas a natureza e a finalidade dos registros b&iacute;blicos. Em outras palavras, nossa necessidade b&aacute;sica &eacute; compreender a autoridade e confiabilidade das Escrituras em termos de inten&ccedil;&atilde;o e prop&oacute;sito.90&nbsp; O ap&oacute;stolo Paulo, no contexto da bem conhecida frase &ldquo;toda a Escritura &eacute; inspirada&rdquo; (theopneustos), t&atilde;o significante para a doutrina da inspira&ccedil;&atilde;o, apresenta o prop&oacute;sito essencial para o qual a Escritura foi dada: ela &eacute; capaz de tornar &ldquo;s&aacute;bio para a salva&ccedil;&atilde;o pela f&eacute; em Cristo Jesus,&rdquo; e &eacute; &uacute;til para o ensino, para a corre&ccedil;&atilde;o, para a educa&ccedil;&atilde;o na justi&ccedil;a, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra&rdquo; (1Tm 3:15-17 ARA).&nbsp; A Escritura do Antigo e Novo Testamento n&atilde;o &eacute; um livro sem prop&oacute;sito. Seu objetivo prim&aacute;rio, do in&iacute;cio ao fim, &eacute; libertar o homem do pecado e finalmente lev&aacute;-lo a comunh&atilde;o com Deus. Seu conte&uacute;do &eacute; a maior mina de verdade essencial, mesmo que n&atilde;o seja verdade absoluta. Logo, a B&iacute;blia foi dada por Deus com finalidade soteriol&oacute;gica, e a mais elevada prova deste prop&oacute;sito &eacute; encontrada no fato de que Deus em pessoa fala nela. Onde a B&iacute;blia funciona como a espada do Esp&iacute;rito na vida de homens, ali est&aacute; o manejo da indisput&aacute;vel autoridade divina em todas as &aacute;reas pertencentes a sua finalidade b&aacute;sica.&nbsp; Ao declarar o prop&oacute;sito da B&iacute;blia, Ellen White disse: &ldquo;em Sua Palavra Deus conferiu aos homens o conhecimento necess&aacute;rio &agrave; salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;.91 De fato, algu&eacute;m que estuda a B&iacute;blia com o mais ardoroso desejo de obter salva&ccedil;&atilde;o ser&aacute; infalivelmente guiado a Jesus Cristo, e saber&aacute; por si mesmo que a Palavra de Deus &eacute; verdadeiramente suficiente.&nbsp; Conseq&uuml;entemente, uma vis&atilde;o correta da B&iacute;blia deve p&ocirc;r a &ecirc;nfase onde a pr&oacute;pria B&iacute;blia a p&otilde;e &ndash; em sua mensagem de salva&ccedil;&atilde;o e sua instru&ccedil;&atilde;o para a vida &ndash; n&atilde;o em seus detalhes de geografia ou ci&ecirc;ncia. O prop&oacute;sito da B&iacute;blia, como temos visto e, L. Morris observa, n&atilde;o &eacute; dar informa&ccedil;&atilde;o sobre assuntos cient&iacute;ficos. Tais verdades s&atilde;o suscet&iacute;veis de descoberta por nossos pr&oacute;prios esfor&ccedil;os e, Deus as deixou para serem descobertas deste modo. Elas n&atilde;o s&atilde;o o objeto pr&oacute;prio da revela&ccedil;&atilde;o.92 Assim, lutar por detalhes minuciosos em nome de uma &ldquo;vis&atilde;o correta&rdquo; da B&iacute;blia, tem somente o efeito negativo de desviar a aten&ccedil;&atilde;o da mensagem de salva&ccedil;&atilde;o e da educa&ccedil;&atilde;o na justi&ccedil;a, que s&atilde;o os temas-chave da B&iacute;blia. Esses, freq&uuml;entemente d&atilde;o a impress&atilde;o de que n&atilde;o se pode crer e confiar em nenhuma parte da Escritura, a menos que se prove que todas as suas partes sejam inerrantes.&nbsp; O prop&oacute;sito b&aacute;sico de Deus n&atilde;o &eacute; frustrado por existirem contradi&ccedil;&otilde;es e tens&otilde;es no texto b&iacute;blico em mat&eacute;rias factuais. Ademais, aceitar estas dificuldades como parte dos fen&ocirc;menos da Escritura n&atilde;o diminui uma alta considera&ccedil;&atilde;o por ela. Contudo, em conten&ccedil;&atilde;o contra a doutrina da inerr&acirc;ncia, n&oacute;s n&atilde;o temos sido dominados pelo s&aacute;dico desejo de encontrar discrep&acirc;ncias nos registros b&iacute;blicos, nem almejamos provar sua err&acirc;ncia.&nbsp; Ademais, n&atilde;o podemos endossar qualquer teoria de distin&ccedil;&atilde;o entre mat&eacute;ria revelacional e n&atilde;o revelacional nas Escrituras93, dizendo que a revela&ccedil;&atilde;o foi limitada &agrave;queles ensinos que s&atilde;o essenciais para nossa salva&ccedil;&atilde;o. O Esp&iacute;rito de Deus engolfou a totalidade da Escritura de tal maneira, que discuss&atilde;o sobre graus ou n&iacute;veis de inspira&ccedil;&atilde;o est&aacute; completamente equivocada. A genealogia de G&ecirc;nesis 5 n&atilde;o &eacute; menos inspirada do que o Evangelho de Jo&atilde;o, mas provavelmente eles foram inspirados de modos diferentes, e talvez as diferentes formas pelas quais operou a inspira&ccedil;&atilde;o seja a chave adequada para entendermos algumas dificuldades dos registros b&iacute;blicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> CONCLUS&Atilde;O<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ao final deste artigo, alguns pontos parecem emergir de nossas considera&ccedil;&otilde;es e exigem uma reflex&atilde;o final. Em primeiro lugar, o conceito da inerr&acirc;ncia nos detalhes &eacute; estranho a B&iacute;blia. &Eacute; uma imposi&ccedil;&atilde;o humana. Como diz Pinnock, &ldquo;a l&oacute;gica do caso pela inerr&acirc;ncia tem sido confundida com uma piedade equivocada, e a inerr&acirc;ncia da B&iacute;blia tem sido defendida n&atilde;o tanto por sua convic&ccedil;&atilde;o de que ela seja inerrante ,as por uma cren&ccedil;a de que ela deve ser&rdquo;.94 Ademais, a doutrina da inerr&acirc;ncia mostra desconsidera&ccedil;&atilde;o para com os fen&ocirc;menos da Escritura, exigindo o que Deus n&atilde;o intencionou: um superlivro, um registro perfeito e inerrante em cada detalhe particular. Evidentemente isto s&oacute; pode ter efeitos perniciosos.&nbsp; Temos que dizer tamb&eacute;m, que historicamente, inerr&acirc;ncia n&atilde;o qualificada da B&iacute;blia n&atilde;o &eacute; o tipo de perfei&ccedil;&atilde;o da Escritura que a Ortodoxia Crist&atilde; ensinou no transcurso da Hist&oacute;ria do Cristianismo. Pelo menos, at&eacute; o s&eacute;culo dezessete, quando o Escolasticismo declarou que &ldquo;nenhum erro, mesmo em assuntos insignificantes, nenhuma falha de mem&oacute;ria, para n&atilde;o dizer inverdade, pode ter lugar em toda a Escritura Sagrada&rdquo;.95&nbsp; Em segundo lugar, como defendido por alguns de seus proponentes, o conceito de inerr&acirc;ncia d&aacute; a impress&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; meio termo entre inerr&acirc;ncia por um lado, e atitudes neo-ortodoxas, liberais ou mesmo ate&iacute;stas para com a B&iacute;blia por outro lado. Contudo, at&eacute; onde podemos ver, a inerr&acirc;ncia n&atilde;o &eacute; uma doutrina crucial para o cristianismo Evang&eacute;lico, e o perigo de renunciar as pressuposi&ccedil;&otilde;es da inerr&acirc;ncia &eacute; largamente imagin&aacute;rio. De fato, o abandono da inerr&acirc;ncia n&atilde;o p&otilde;e em risco a teologia e n&atilde;o for&ccedil;a ningu&eacute;m a abra&ccedil;ar a apostasia ou o liberalismo. Ent&atilde;o, os argumentos epistemol&oacute;gicos e domin&oacute; s&atilde;o uma cren&ccedil;a exagerada.&nbsp; Em terceiro lugar, a B&iacute;blia &eacute; a Palavra de Deus autoritativa e confi&aacute;vel, por meio da qual Ele fala e opera. A Inspira&ccedil;&atilde;o assegura que a B&iacute;blia representa o ponto de vista de Deus e n&atilde;o do homem (2Tm 3:14-17; 2Pe 1:19-21). Logo, &ldquo;a B&iacute;blia representa o que Deus tinha em mente&rdquo;96. N&atilde;o existe desvio do que Deus procurou comunicar para a salva&ccedil;&atilde;o dos homens. Contudo, a inspira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante um registro inerrante em tudo o que a Escritura toca, e qualquer esfor&ccedil;o para remover os tra&ccedil;os da dimens&atilde;o humana nas Escrituras resultar&aacute; somente em &ldquo;rebaixamento&rdquo; da vis&atilde;o de inspira&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Certamente, as verdades essenciais da B&iacute;blia n&atilde;o s&atilde;o alteradas pelo reconhecimento de que algumas de suas declara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o imprecisas, assim como uma vis&atilde;o elevada de sua autoridade n&atilde;o &eacute; obliterada por este reconhecimento. O poder auto-autenticador da Palavra de Deus n&atilde;o depende da inerr&acirc;ncia. R.H. Mounce observa:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>quanto mais estudamos a B&iacute;blia mais alta se torna nossa vis&atilde;o de sua inspira&ccedil;&atilde;o (&hellip;)&nbsp; embora o homem tenha escrito palavras, a mensagem &eacute; de Deus. H&aacute; uma qualidade auto-autenticadora a respeito da Palavra de Deus. N&oacute;s saber&iacute;amos que ela &eacute; inspirada mesmo que ela n&atilde;o ensinasse sua pr&oacute;pria inspira&ccedil;&atilde;o.97<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Certamente, dificuldades t&eacute;cnicas e &ldquo;erros&rdquo; n&atilde;o destruir&atilde;o a confian&ccedil;a das pessoas na B&iacute;blia se elas encontraram a Cristo em suas p&aacute;ginas e ouviram sua voz a lhes falar. Em quarto lugar, parece que a &uacute;nica vis&atilde;o que honra a Palavra de Deus &eacute; aquela que mostra elevada considera&ccedil;&atilde;o pelos fen&ocirc;menos da Escritura, e os aceita como Deus no-los deu. Essa vis&atilde;o, com igual for&ccedil;a, mant&eacute;m a humanidade e a divindade da Palavra da Escritura. Ademais, a vis&atilde;o mais adequada da Escritura n&atilde;o pode ser mais elevada do que aquela sustentada pelo pr&oacute;prio Jesus que, at&eacute; onde sabemos, n&atilde;o apelou para aut&oacute;grafos perfeitos para tornar o Antigo Testamento autorizado. Como perguntamos antes, est&aacute; algu&eacute;m justificado em reivindicar mais do que a Escritura reivindica? Ou pode haver na verdade uma vis&atilde;o mais elevada da Escritura do que a vis&atilde;o b&iacute;blica? Finalmente, fazer da inerr&acirc;ncia o sinal da autenticidade evang&eacute;lica98 &eacute; uma infeliz discrimina&ccedil;&atilde;o baseada na intoler&acirc;ncia. O resultado, como vimos, &eacute; inevit&aacute;vel desgosto e desilus&atilde;o, que amea&ccedil;a a unidade evang&eacute;lica. Al&eacute;m disso, for&ccedil;a uma desnecess&aacute;ria brecha entre os crist&atilde;os em um tempo em que o testemunho unido para um mundo incr&eacute;dulo &eacute; dolorosamente desnecess&aacute;rio. De fato, a controv&eacute;rsia atual sobre a doutrina da inerr&acirc;ncia, para defender uma &ldquo;vis&atilde;o elevada da autoridade b&iacute;blica&rdquo; &eacute; uma batalha que n&atilde;o necessita ser ferida porque, como B. Mickelsen observa, &ldquo;a mais elevada vis&atilde;o de autoridade na B&iacute;blia &eacute; a obedi&ecirc;ncia circundada por amor&rdquo;.99<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<ol>\n<li>R.J. Coleman, &ldquo;Biblical Inerrancy: Are We Going Anywhere?&rdquo; Theology Today 31 (1975):281. 2. F. Schaeffer. &ldquo;Form and Freedom in the Church.&rdquo; Let the Earth Hear His Voice 153 (1974), 364-65. 3. Edward J. Carnell. Ef., Christianity Today (February 24, 1978), 36. 4. C.C. Ryrie, What You Should Know about Inerrancy (Chicago: Moody Press, 1981), 41. 5. R. L Harris, &ldquo;The Basis for Our Belief in Inerrancy&rdquo;, Bulletin of the Evangelical Theological Society 19 (Winter 1960), 17. 6. H. Lindsel, The Battle for the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan), 35. 7. Havia a nega&ccedil;&atilde;o de Kant (1804) de que as realidades teol&oacute;gicas podem ser apreendidas pela mente e, que tais doutrinas desfrutam de validade universal. Havia a insist&ecirc;ncia de Schleiermacher (1834) sobre a iman&ecirc;ncia de Deus, quase criando uma religi&atilde;o baseada nos sentimentos pessoais. Havia a &ecirc;nfase de Kierkegaard na disjun&ccedil;&atilde;o radical entre o finito e o infinito, um virtual dualismo metaf&iacute;sico que tornou imposs&iacute;vel a revela&ccedil;&atilde;o divina objetiva. 8. R. Dederen, &ldquo;Revelation, Inspiration, and Hermeneutics&rdquo;. A Symposium on Biblical Hermeneutics (Washington, D.C. The Review and Herald Publishing Association, 1974), 9. 9. Para informa&ccedil;&atilde;o completa ver A Symposium on Biblical Hermeneutics. op.cit., 67-85. 10. D. Hubbard, &ldquo;The Current Tensions. Is There a Way Out?&rdquo; in Biblical Authority (Waco, Texas: Word Books, 1977). 155. 11. Theodore Parker introduziu a alta cr&iacute;tica alem&atilde; j&aacute; em 1843, com sua tradu&ccedil;&atilde;o de De Wette&rsquo;s Critical and Historical Introduction to the Old Testament, mas o movimento n&atilde;o influenciou realmente a teologia americana at&eacute; cerca de 1880 (ver Counts, A Study of Benjamin B. Warfield&rsquo;s View of the Doctrine of Inspiration [Tese apresentada &agrave; faculdade do Dallas Theological Seminary 1959], 5). 12. O Congregacionalismo se rendeu primeiro. Henry Ward Beecher tornou-se o primeiro cl&eacute;rigo proeminente a abra&ccedil;ar a evolu&ccedil;&atilde;o em 1880, e n&atilde;o poucos seguiram seu exemplo (ver Counts, op. cit., 5). Em 1881 cinco professores do Andover Theological Seminary foram submetidos a julgamento por heresia. Uma das acusa&ccedil;&otilde;es era que a B&iacute;blia para eles era &ldquo;fal&iacute;vel e n&atilde;o confi&aacute;vel mesmo em alguns de seus ensinos religiosos&rdquo; (ver H.S. Coffin, Religion Yesterday and Today [New York:Books for Libraries Press, 1968], 68). Os presbiterianos sucumbiram mais lentamente. Em 1883, o erudito C.a. Briggs publicou seu Bible Study, Its Principles, Methods, and History (New York: C. Scribners Sons, 1894), que estabeleceu as posi&ccedil;&otilde;es liberais. Alguns anos mais tarde, Briggs foi processado e suspenso da igreja por heresia. Em apoio a Briggs, O Union Seminary desassociou-se da Igreja Presbiteriana e se tornou uma cidade para os liberais. 13. Hubbard, 155. 14. Francis Turrentin (1623-1687), no Escolasticismo P&oacute;s-Reforma, escreveu Institutio Theologiae Elencticae, com uma doutrina da Escritura baseada no M&eacute;todo Aristot&eacute;lico-Tomista, de p&ocirc;r a raz&atilde;o antes da f&eacute;. Pelo fato das provas racionais terem de preceder a f&eacute;, Turrentin sentiu ser necess&aacute;rio harmonizar cada aparente inconsist&ecirc;ncia no texto b&iacute;blico. Ele se recusou a admitir que os escritores sagrados poderiam escorregar na mem&oacute;ria ou errar em quest&otilde;es m&iacute;nimas. Ele especificou: &ldquo;Os profetas n&atilde;o cometeram erros nem mesmo nos m&iacute;nimos particulares. Dizer isto seria tornar duvidosa toda a Escritura&rdquo;. Ele proclamou que &ldquo;A B&iacute;blia &eacute; inerrante em todas as quest&otilde;es.&rdquo; Sob a influ&ecirc;ncia de Turrentin, em 1675 foi publicada a F&oacute;rmula do Consenso Helv&eacute;tica, e sobre a inspira&ccedil;&atilde;o do Antigo Testamento, ela declarou que esta inspira&ccedil;&atilde;o era encontrada n&atilde;o &ldquo;apenas em suas consoantes, mas em suas vogais &ndash; ou nos pr&oacute;prios encontros voc&aacute;licos, ou pelo menos no poder dos pontos&rdquo;. A B&iacute;blia foi inspirada &ldquo;n&atilde;o apenas em sua subst&acirc;ncia, mas em suas palavras,&rdquo; a confiss&atilde;o declarou (&ldquo;The Church Doctrine of Biblical Autority&rdquo; in J. Rogers [ed.], Biblical Authority [Waco. Texas: Word Books Publishers, 1977], 29-31). 15. Em seu conflito com Warfield sobre a compreens&atilde;o da Escritura, Briggs havia alegado que a Institutio de Francis Turrentin se tornara em livro texto de Princeton e, que &ldquo;a Westminster Divine eram ignorados&rdquo; (J. Rogers, Scripture in the Wstminster Confession [Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1967], 29.). 16. Rogers, 37. 17. No final do s&eacute;culo, quando o professor Henry P. Smith foi processado e acusado de heresia, ele disse do comit&ecirc; que instaurou o processo: &ldquo;A mais perplexa declara&ccedil;&atilde;o que eles fizeram foi de que apenas uma Escritura inerrante pode ter poder para realizar na alma humana a obra para a qual a revela&ccedil;&atilde;o foi dada isto &eacute;, a obra de convers&atilde;o e regenera&ccedil;&atilde;o.&rdquo; H.S. Coffin, Religion Yesterday and Today (New York: Books for Libraries Press, 1968), 73. 18. R.K. Johnston, Evangelicals at an Impasse (Atlanta: John Knox Press, 1979), 15. 19. Esta &ecirc;nfase &eacute; assumida pelos eruditos evang&eacute;licos reunidos em Chicago, 1977, no assim chamado Conc&iacute;lio Internacional sobre Inerr&acirc;ncia B&iacute;blica; ver Eternity (November 1977), 10. 20. H. Lindsell, The Battle for the Bible, 141, 200. 21. Johnston, 5. 22. F. Schaeffer, &ldquo;Form and Freedom in the Church,&rdquo; Let the Earth Hear His Voice, 364-65. 23. C.C. Ryrie, What You Should Know About Inerrancy (Chicago: Moody Press, 1981), 38. 24. C.C. Pinnock &ldquo;Three Views of the Bible in Contemporary Theology,&rdquo; Biblical Revelation (Chicago: Moody Press), 66. 25. Cf. S.T. Davis, The Debate about the Bible (Philadelphia: The Westminster Press, 1977), 51. 26. C.C. Ryrie, What You Should Know about Inerrancy (Chicago: Moody Press, 1981), 25. Ver tamb&eacute;m seu artigo, &ldquo;The Importance of Inerrance,&rdquo; Bibliotheca Sacra, 120:478 (April 1963), 139-144. 27. Lindsell, The Battle for the Bible, 162. 28. Ryrie, What You Should Know about Inerrancy, 60. 29. Ibid., 143. 30. Apenas um exemplo esclarecer&aacute; o ponto: a ordem de Jesus para &ldquo;batizar&rdquo; aparece apenas em Mateus 28:19, mas n&atilde;o nas narrativas paralelas de Lucas 24:47 ou Marcos 16:15-16. A forma verbal de Mateus n&atilde;o aparece de forma alguma nos paralelos. 31. Davis, 61. 32. A posi&ccedil;&atilde;o de muitos nomes da erudi&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica contempor&acirc;nea est&aacute; em oposi&ccedil;&atilde;o a reivindica&ccedil;&atilde;o de que a inerr&acirc;ncia &eacute; um conceito b&iacute;blico; H. Ridderbos, Studies in Scripture and Its Authority (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), 21; R. H. Mounce, &ldquo;Clues to Understanding Biblical Accuracy,&rdquo; Eternity (June 1966), 16-18; R. K. Johnston, Evangelicals at na Impasse (Atlanta: John Knox Press, 1979), 5; D. M. Beegle, Scripture, Tradition and Infallibility (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1973), 19. 33. E. F. Harrison, &ldquo;The Phenomena of Scripture&rdquo; in Revelation and the Bible (Grand Rapids: Baker Book House, 1958), 238. 34. L. Morris, I Believe in Inspiration (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1976), 137. 35. Mounce, 17. 36. Pinnock, 94; ver tamb&eacute;m Ryrie. The Importance of Inerrancy, 144. &Eacute; interessante notar que da mesma analogia, G. C.Berkouwer tira diferentes conclus&otilde;es, Holy Scripture (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1975), 200. 37. D. M. Beegle, Scripture, Tradition and Infalibility, 290. A analogia pode ser usada corretamente se a humanidade da B&iacute;blia for paralela com as limita&ccedil;&otilde;es humanas da encarna&ccedil;&atilde;o de Jesus; ver Ellen White, Grande Conflito (Santo Andr&eacute;: Casa Publicadora Brasileira, 1981). vi. 38. Robert Cook, &ldquo;Biblical Inerrancy and Intelectual Honesty,&rdquo; Bibliotheca Sacra 125:498 (April, 1968), 158. 39. J.W. Montgomery, &ldquo;Inspiration and Inerrancy,&rdquo; Bulletin of the Evangelical Theological Society, 8:45 (1965), 48. 40. Davis, 62. 41. Lindsell, 19; ver tamb&eacute;m o artigo de Lindsell, &ldquo;Biblical Infallibility: The Reformation and Beyond,&rdquo; Journat of the Evangelical Society 19 (Winter 1976), 25-37. 42. Cf. Roger R. Nicole and J. Ramsey Machaels (ed.), Inerrancy and Common Sense (Grand Rapids: Baker Book House, 1980), 20-25. 43. F. Schaeffer. No Final Conflict: The Bible Without Error Is All That It Affirms (Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1975), 8, 45-46; ver tamb&eacute;m Pinnock, Biblical Revelation, The Foundation of Christian Theology (Chicago: Moody Press, 1971), 147-174. 44. Otto W. Heick, &ldquo;Biblical Inerrancy and the Hebrew Mode of&nbsp; Speech,&rdquo; The Luteran Quarterly 20 (1968), 7. 45. Jack Rogers. &ldquo;The Church Doctrine of Biblical Authority&rdquo; in Biblical Authority, 4. 46. James Packer, &ldquo;Calvin&rsquo;s View of Scripture&rdquo; in John Warwick Montgomery (ed.) God&rsquo;s Inerrant Word; an Synposium on the Trustworthuness of Scripture (Minneapolis: Bethany Fellowship, 1974), 97. 47. Rogers, 45; Bernard Ramm nota que &ldquo;Deve ser salientado que historicamente a inerr&acirc;ncia da Escritura n&atilde;o &eacute; o tipo de perfei&ccedil;&atilde;o da Escritura que os Reformadores e os te&oacute;logos ortodoxos p&oacute;s-reformados ensinaram.&rdquo;; &ldquo;Relationship of Science&hellip;,&rdquo; JASA, 21-22&nbsp; (1969): 97<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"48\">\n<li>Ryrie, &ldquo;The Importance of Inerrancy.&rdquo; Biblioteca Sacra 120:478 (April 1963), 141. 49. R. L. Harris, &ldquo;The Basis for Our Belief in Inerrancy,&rdquo; Bulletin of the Evangelical Theological Society 9 (Winter 1960), 17. 50. T. Davis, The Debate about the Bible (Philadelphia: Westminster, 1977), 66. 51. Cf. &ldquo;Council Maps 0-Year Rush for &lsquo;Historic Verbal&rsquo; Inerrancy&rdquo;, Eternity (November 1977), 11. 52. Ryrie. &ldquo;The Importance of Inerrancy&rdquo;, Bibliotheca Sacra 120:478 9April 1963). 142 53. Ryrie. What You Should Know about Inerrancy, 21. 54. Pinnock, 66. 55. Bernard Ramm. &ldquo;The Relationship of Science. Factual Statements and the Doctrine of Biblical Inerrancy,&rdquo; Journal of the American Scientific Affiliation 21-22 (1969-1970): 103. 56. Beegle, 290. 57. Ver Ryrie, no cap&iacute;tulo. &ldquo;The Dominoes are Falling.&rdquo; What You Should Know about Inerrancy, 9-11. 58. Davis, 83-93. 59. Ryrie, &ldquo;The Dominoes are Falling.&rdquo; What You Should Know about Inerrancy, 10. 60. Schaeffer, Death in the City (Chicago: Inter-Varsity Press, 1969). 61. C. Hodge, Systematic Theology (New York: Charles Scribner&acute;s Sons, 1871), 1: 170; cf. Lovelace, Interrancy and Common Sense, 28. 62. Como Klass Reunia indica, a vis&atilde;o de Barth da Escritura est&aacute; consideravelmente abaixo da inerr&acirc;ncia limitada, uma vez que admite que a capacidade de erro da B&iacute;blia &ldquo;tamb&eacute;m se estende ao seu conte&uacute;do religioso e teol&oacute;gico&rdquo;; Karl Barth&rsquo;s Doctrine of Holy Scripture (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1962), 60. 63. Pinnock, &ldquo;The Inerrancy Debate among the Evangelical&rdquo;, Theology News and Notes (Pasadena, CA: Fuller Theological Seminary, 1976), 13. 64. Ibid., 12. 65. E.F. Harrison, &ldquo;The Phelomena of Scripture&rdquo; in Carl F. Henry (ed.) Revelation and the Bible, (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1958), 239. 66. H. Lindsell, The Battle for the Bible (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1976), 30-31. 67. T. S. Davis menciona cinco condi&ccedil;&otilde;es usadas pelos inerrantistas, que s&atilde;o uma fortaleza inexpugn&aacute;vel e descartam qualquer poss&iacute;vel discrep&acirc;ncia b&iacute;blica. Ele diz, &ldquo;&hellip; Erros hist&oacute;ricos e geogr&aacute;ficos podem ser exclu&iacute;dos na condi&ccedil;&atilde;o 3; inconsist&ecirc;ncias internas em dois ou mais textos b&iacute;blicos podem ser exclu&iacute;das na condi&ccedil;&atilde;o 4; e certamente, qualquer pretenso erro imagin&aacute;vel pode ser exclu&iacute;do nas condi&ccedil;&otilde;es 2 ou 5; The Debate about the Bible (Philadelphia: The Westminster Press, 1977), 28. 68. Lindsell, 35. 69. Ryrie, What You Should Know about Inerrancy, 32. 70. Lindsell, 174-176. 71. Ibid., 165-167. 72. Mounce, 18. 73. Ryrie, 86. 74. Ver Lindsell, The Battle for the Bible, 18,19,27, para tais alega&ccedil;&otilde;es. 75. Pinnock. &ldquo;Three Views of the Bible in Contemporary Theology&rdquo; in Biblical Authority, 67. 76. R. K. Johnston, Evangelical at an Impasse, 41. 77. Harrisson, &ldquo;Criteria of Biblical Inerrancy,&rdquo; Millard Erickson, ed. The Living God,. Readings in Christian Theology (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1973), 314. 78. G.R. Osborne, &ldquo;Redaction Criticism and the Great Comission: A Case Study, toward a Biblical Understanding of Inerrancy,&rdquo; The Journal of the Evangelical Theological Society, vol. 19 (Spring 1976), 76,84. 79. D. A. Hubbard, &ldquo;What We Believe and Teach,&rdquo; Theology, News and Notes (1976), 162. 80. L. Morris, &ldquo;Biblical Authority and the Concept of Inerrancy.&rdquo; The Churchman 81 (1967), 36. 81. James Orr, Revelation and Inspiration (New York: Scribner 1916), 198. 82. B. Ramm. &ldquo;The Relationship of Science, Factual Statements and the Doctrine of Biblical Inerrancy&rdquo;, Journal of the American Scientific Affiliation 21-22 (1969), 99. 83. A alus&atilde;o que Jesus faz &agrave; semente de mostarda como sendo a menor das sementes (Mt 13:31; 17:20). Os bot&acirc;nicos conhecem sementes ainda menores do que a semente de mostarda. Por&eacute;m, na cultura das pessoas &agrave;s quais Jesus estava falando, a mostarda representava a menor das sementes, pois era considerada a menor coisa que o olho poderia ver (Ver D. P. Fuller, &ldquo;The Nature of Biblical Inerrancy.&rdquo; JASA [June 1972], 49). Portanto, a cultura dos ouvintes proveu Jesus de uma ilustra&ccedil;&atilde;o que ajudou a comunicar a verdade. Buscar estabelecer a precis&atilde;o cient&iacute;fica da declara&ccedil;&atilde;o de Jesus, &eacute; perder de vista o ponto principal de seu ensino neste caso particular. Outro exemplo pode ser encontrado em Lev&iacute;tico 11:6, no qual a B&iacute;blia diz que a lebre rumina. A Escritura fala na linguagem das pessoas, pessoas em cuja forma de pensar a lebre rumina (ver F. D. Nichol, ed., Seventh-Day Adventist Bible Comentary (Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, 1953), 1: 754-55) 84. Klaus Runia, &ldquo;What Do Evangelicals Believe about the Bible?&rdquo;, Cristianity Today (December 18, 1970); cf.P. Rees. &ldquo;Embattlement or Understanding,&rdquo; um pref&aacute;cio em Biblical Authority, 11. 85. Tomemos como exemplo a ordem dos eventos ap&oacute;s a entrada de Jesus em Jerusal&eacute;m. Mateus aparentemente considera a purifica&ccedil;&atilde;o do templo como tendo ocorrido imediatamente &agrave; chegada de Jesus na cidade; ap&oacute;s o que Ele saiu para passar a noite em Bet&acirc;nia (21:10-12,17). Marcos, contudo, nos diz que a purifica&ccedil;&atilde;o ocorreu no dia seguinte &agrave; noite passada em Bet&acirc;nia (11:11-12,15). De acordo com Marcos, Jesus amaldi&ccedil;oou a figueira quando estava a caminho para a cidade, ap&oacute;s a noite passada em Bet&acirc;nia e antes da purifica&ccedil;&atilde;o (11:12-14, 10); de acordo com Mateus, a maldi&ccedil;&atilde;o, o secamento, e as li&ccedil;&otilde;es da&iacute; decorrentes ocorreram juntas na manh&atilde; ap&oacute;s a purifica&ccedil;&atilde;o (21:18ss). Muito mais marcante &eacute; a diverg&ecirc;ncia entre Jo&atilde;o e os Evangelhos Sin&oacute;ticos sobre a data da purifica&ccedil;&atilde;o do templo. Aqui toda a extens&atilde;o do minist&eacute;rio de Jesus separa as duas datas. No Evangelho de Lucas o chamado dos disc&iacute;pulos (5:7-11); a cura do leproso (4:12-13); o Serm&atilde;o do Monte (6:17-38); o epis&oacute;dio com os disc&iacute;pulos de Jo&atilde;o Batista (7:20); a festa na casa de Sim&atilde;o (7:36ss); e alguns milagres est&atilde;o completamente fora da ordem em rela&ccedil;&atilde;o aos outros Evangelhos. Para uma s&oacute;lida sugest&atilde;o a respeito dos motivos teol&oacute;gicos por detr&aacute;s das discrep&acirc;ncias da cronologia lucana, ver Robert B. Sloan, Jr., The Favorable Year of the Lord (Austin: Schola Press, 1997). 86. Ellen G. White. Mensagens Escolhidas (Santo Andr&eacute;, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), 1:17. 87. Pinnock, &ldquo;The Inerrancy Debate among Evangelical,&rdquo; Theology News and Notes (1976), 12. 88. Berkeley Mickelsen, &ldquo;The Bible&rsquo;s Own Approach to Authority,&rdquo; in Biblical Authority (Waco, Texas: 1967), 87. 89. Johnston, Op. Cit., 22. 90. J. R. Coleman, &ldquo;Biblical Inerrancy: Are We Going Anywhere?&rdquo; Theology Today 31 (1975), 295. 91. Ellen G. White, O Grande Conflito, 8. 92. Leon Morris, I Believe in Revelation (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1976), 133. 93. Os defensores da inerr&acirc;ncia limitada discriminam entre afirma&ccedil;&otilde;es revelacionais e n&atilde;o revelacionais na Escritura, na base de uma metodologia indutiva. Ent&atilde;o, eles concluem que a B&iacute;blia &eacute; inerrante apenas em assuntos conectados com o conhecimento revelacional.; ver D. Fuller, &ldquo;The Nature of Biblical Inerrancy,&rdquo; JASA (June 1972), 47-51. 94. Pinnock, &ldquo;three Views of the Bible in Contemporary Theology,&rdquo; Biblical Authority, 64. 95. Heinrich Schmid, The Doctrinal Theology of Evangelical Lutheran Church (Philadelphia: Lutheran Publication Society, 19876), 49; Otto W. Heick, &ldquo;Biblical Inerrancy and Hebrew Mode of Speech,&rdquo; The Lutheran Quarterly 20 (1968), 7. 96. E. Heppenstall, &ldquo;Revelation and Inspiration,&rdquo; The Ministry (August 1970), 28. 97. R. H. Mounce. &ldquo;Clues to Understanding Biblical Accuracy,&rdquo; Eternity (June 1966), 17 98. Harold Lindsell diz: &lsquo;Eu n&atilde;o concedo sequer por um momento, contudo, que em um sentido t&eacute;cnico algu&eacute;m possa reivindicar a ins&iacute;gnia de evang&eacute;lico uma vez que tenha abandonado a inerr&acirc;ncia&rdquo; (The Battle for the Bible, 210). 99. B. Mickelsen, &ldquo;The Bible&rsquo;s Own Approach to Autority&rdquo; in Biblical Authority, 93.<\/li>\n<\/ol>\n<p>www.unasp.edu.br\/kerygma<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/deptos.adventistas.org\/ministerial\/portal-pastor\/pt\/Artigos\/A%20bilbia%20e%20a%20Inerrancia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Download do PDF<\/a><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A B&Iacute;BLIA E A INERR&Acirc;NCIA Amin A. Rodor, Th.D. 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