{"id":6279,"date":"2020-09-07T08:49:08","date_gmt":"2020-09-07T11:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=6279"},"modified":"2020-09-07T08:49:08","modified_gmt":"2020-09-07T11:49:08","slug":"o-discipulado-no-antigo-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-discipulado-no-antigo-testamento\/","title":{"rendered":"O Discipulado no Antigo Testamento"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: center;\">O DISCIPULADO NO ANTIGO TESTAMENTO<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Reinaldo W. Siqueira, Ph.D.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Existe a No&ccedil;&atilde;o de Discipulado no AT?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao se abordar o tema do discipulado no Antigo Testamento, o primeiro desafio que se encontra &eacute; o questionamento se essa no&ccedil;&atilde;o realmente existiu nos tempos veterotestament&aacute;rios e se ela ocorre no texto dessa se&ccedil;&atilde;o da B&iacute;blia. A relativa &ldquo;aus&ecirc;ncia&rdquo; de termos hebraicos (especialmente a do termo <em>talm&icirc;d<\/em>) correspondentes ao grego <em>mathet&eacute;s<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo;), no AT, indica, para muitos, a inexist&ecirc;ncia desse conceito no mundo do antigo Israel b&iacute;blico, como o expressou Karl H. Rengstorf (1995, p. 427):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&ldquo;Se o termo est&aacute; ausente, assim tamb&eacute;m est&aacute; o conceito que ele procura denotar. Aparte da rela&ccedil;&atilde;o formal entre um professor e um pupilo, n&atilde;o h&aacute; no AT, diferentemente do mundo cl&aacute;ssico grego e do helenismo, nenhuma rela&ccedil;&atilde;o mestre-disc&iacute;pulo. Seja entre os profetas ou entre os escribas, procuramos em v&atilde;o por alguma coisa que lhe seja correspondente.&rdquo;<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Rengstorf, a raz&atilde;o dessa inexist&ecirc;ncia do conceito de discipulado no Antigo Testamento se deve &agrave; pr&oacute;pria f&eacute; do antigo Israel na revela&ccedil;&atilde;o divina (ibid., 431):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&ldquo;Na esfera da revela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; lugar para o estabelecimento de um relacionamento mestre-disc&iacute;pulo, nem a possibilidade de elaborar uma palavra humana paralela &agrave; Palavra de Deus a qual &eacute; proclamada&hellip;&rdquo;<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, nem todos concordam com os pontos de vista de Rengstorf, e assim questionam a sua avalia&ccedil;&atilde;o dos dados b&iacute;blicos que temos no texto do AT, como se pode ver na rea&ccedil;&atilde;o de Michael J. Wilkins (2015, p. 43-44):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&ldquo;&hellip; Rengstorf parece exagerar o seu caso. Em primeiro lugar, ele desconsidera a forma adjetiva limm&ucirc;d que &eacute; derivada de l&acirc;mad. Ao mesmo tempo que ele exagera a quest&atilde;o da aus&ecirc;ncia de terminologia, ele desconsidera a evid&ecirc;ncia que deve ser encontrada. Em segundo lugar, visto que ele define inadequadamente a rela&ccedil;&atilde;o que existe entre a terminologia e o conceito de discipulado, ele enfatiza excessivamente a aus&ecirc;ncia do discipulado. Embora ele extraia suas conclus&otilde;es acerca do conceito cl&aacute;ssico e helen&iacute;stico somente a partir de um uso espec&iacute;fico do termo mathet&eacute;s (a dos Sofistas), ele fundamenta aqui a sua conclus&atilde;o acerca do conceito veterotestament&aacute;rio a partir da aus&ecirc;ncia de um termo espec&iacute;fico, talm&icirc;d.&rdquo;<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><em> &nbsp;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, como o enfatizou Wilkins, existe sim no texto do AT termos e conceitos que aparentemente estariam relacionados ao conceito de discipulado e que poderiam ajudar-nos o compreender o sentido desse conceito nesta se&ccedil;&atilde;o fundamental da B&iacute;blia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>TERMINOLOGIA HEBRAICA DE DISCIPULADO<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2.1 <em>Limm&ucirc;d; Talm&icirc;d<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, como o indicou Wilkins, seria muito prop&iacute;cio investigar o uso b&iacute;blico do adjetivo e substantivo <em>limm&ucirc;d<\/em>, que como adjetivo significa &ldquo;instru&iacute;do&rdquo;, &ldquo;experiente&rdquo;; e como substantivo &ldquo;aprendiz&rdquo;, &ldquo;pupilo&rdquo;, &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; (KAPELRUD, 1997, p. 4-8; SH&Ouml;KEL, 1997, p. 344-345; HOLLADAY, 2010, p. 250). O termo <em>limm&ucirc;d<\/em> ocorre seis vezes no AT, nos seguintes textos: Isa&iacute;as 8:16; 50:4 (2x); 54:13; Jeremias 2:24; 13:23. A investiga&ccedil;&atilde;o desses textos e do sentido do termo <em>limm&ucirc;d<\/em> neles &eacute; o passo fundamental para se come&ccedil;ar a investigar o significado do conceito do discipulado no AT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isa&iacute;as 8:16:<\/p>\n<p>&ldquo;Resguarda o testemunho [<em>t<sup>e<\/sup>&lsquo;&ucirc;d&acirc;h<\/em>]<em>,<\/em> sela a lei [<em>t&ocirc;r&acirc;h<\/em>] entre os Meus disc&iacute;pulos [<em>limmud&acirc;i<\/em>].&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O contexto de Isa&iacute;as 8:16 &eacute; o da Guerra Siro-Efraimita contra Jud&aacute;, quando o rei Rezim, rei da S&iacute;ria, e o rei Peca de Israel do norte se uniram para depor o rei Acaz do trono de Jud&aacute;, a fim de colocar no seu lugar um outro rei que estivesse disposto a se unir a eles na guerra que eles planejavam fazer contra a Ass&iacute;ria (SCHULTZ, 2009, p. 244-245). Foi nesse contexto tenso que Deus enviou a profecia de liberta&ccedil;&atilde;o ao preocupado rei Acaz, afirmando-lhe que os planos dos seus inimigos n&atilde;o sucederiam e que o Senhor livraria Jud&aacute; das m&atilde;os deles. Como sinal da certeza do cumprimento da palavra divina se d&aacute; a profecia de Emanuel em Is 7:10-16. O rei Acaz, no entanto, preferiu confiar no socorro pol&iacute;tico-militar do poderio ass&iacute;rio, a quem prometeu se tornar um vassalo, em vez de confiar em Deus. Atrav&eacute;s de Seu mensageiro Isa&iacute;as, o Senhor anunciou que a Ass&iacute;ria, o &ldquo;pretenso libertador&rdquo; e senhor suserano de Jud&aacute; se tornaria uma amea&ccedil;a muit&iacute;ssimo maior do que os inimigos que agora ele enfrentava. Jud&aacute; seria terrivelmente devastado pela Ass&iacute;ria (Is 7:17-8:22).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse tempo de devasta&ccedil;&atilde;o e sofrimentos inimagin&aacute;veis pelo qual passaria toda a na&ccedil;&atilde;o, o Senhor dos Ex&eacute;rcitos prometeu ser um santu&aacute;rio para aqueles que O temessem e seguissem as Suas advert&ecirc;ncias; mas Ele seria uma pedra de trope&ccedil;o e rocha de ofensa para as duas casas de Israel, que seriam tremendamente castigados por Deus atrav&eacute;s da Ass&iacute;ria (Is 8:11-14). &Eacute; nesse contexto de ju&iacute;zo divino sobre o Seu povo rebelde que ocorrem as palavras de Is 8:16, com a exorta&ccedil;&atilde;o de resguardar o testemunho e selar a lei entre &ldquo;os meus disc&iacute;pulos [<em>limmud&acirc;i<\/em>]&rdquo;. A quem se refere o termo plural de <em>limm&ucirc;d<\/em> aqui nesse verso de Isa&iacute;as 8? A disc&iacute;pulos do profeta Isa&iacute;as ou a disc&iacute;pulos de Deus?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o verso 16 for o in&iacute;cio da ora&ccedil;&atilde;o do profeta que segue versos 17 e 18 de Isa&iacute;as 8, ent&atilde;o o plural de <em>limm&ucirc;d<\/em> seria uma refer&ecirc;ncia aos disc&iacute;pulos do profeta Isa&iacute;as. O verso &eacute; comumente interpretado como um an&uacute;ncio da retirada do profeta Isa&iacute;as do contexto p&uacute;blico. Em vista da rejei&ccedil;&atilde;o de suas mensagens prof&eacute;ticas, e do insucesso de sua tentativa em mudar o destino da na&ccedil;&atilde;o, Isa&iacute;as estaria ent&atilde;o comissionando os seus or&aacute;culos aos seus disc&iacute;pulos a fim de serem preservados e publicados por eles em um tempo no futuro no qual poderiam ter melhor recep&ccedil;&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o (WATTS, 1985, p. 121-124).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se, no entanto, o verso 16 &eacute; o final do discurso divino dos versos anteriores, ent&atilde;o a refer&ecirc;ncia aqui seria a disc&iacute;pulos de YHWH, e n&atilde;o propriamente aos de Isa&iacute;as. Nessa compreens&atilde;o do verso, Deus estaria exortando a todos os Seus fi&eacute;is, a quem Ele aqui chama de Seus disc&iacute;pulos, e a quem Ele j&aacute; tinha se referido antes nos versos 12-14, a se manterem fi&eacute;is &agrave; palavra do Senhor revelada na Sua Lei e na profecia durante os tempos dif&iacute;ceis de devasta&ccedil;&atilde;o e sofrimento que estavam prestes a vir. O pr&oacute;prio profeta Isa&iacute;as responderia imediatamente &agrave; essa exorta&ccedil;&atilde;o divina na sua ora&ccedil;&atilde;o dos versos 17-18, dizendo que ele esperaria no Senhor, mesmo nesses tempos dif&iacute;ceis, e que ele e seus filhos (provavelmente uma refer&ecirc;ncia aos seus dois filhos, Shear-Yashuv [&ldquo;Um-Resto-Volver&aacute;&rdquo;], de Is 7:3, e Maher-Shalal-Hash-Baz [&ldquo;R&aacute;pido-Despojo-Pres-Segura&rdquo;], de Is 8:3) estariam totalmente dispostos a servir de testemunhas, sinais de Deus nessas terr&iacute;veis circunst&acirc;ncias (OSWALT, 1993, p. 235-236).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sequ&ecirc;ncia do texto de Isa&iacute;as 8 parece favorecer mais a segunda possibilidade de interpreta&ccedil;&atilde;o do que a primeira, em vista da s&eacute;rie de exorta&ccedil;&otilde;es encontradas nos versos 12 a 16, expressas por meio do uso do imperativo negativo na segunda pessoa do plural tr&ecirc;s vezes no verso 12 (<em>l&ocirc;&rsquo;-t&ocirc;m<sup>e<\/sup>r&ucirc;m<\/em>, &ldquo;n&atilde;o chameis&rdquo;; <em>l&ocirc;&rsquo;-t&icirc;r<sup>e<\/sup>&rsquo;&ucirc;<\/em>, &ldquo;n&atilde;o temais&rdquo;; <em>l&ocirc;&rsquo; ta&lsquo;<sup>a<\/sup>r&icirc;ts&ucirc;<\/em>, &ldquo;n&atilde;o fiqueis aterrorizados&rdquo;), pela segunda pessoa plural do incompleto hifil do verso 13 (<em>taqd&icirc;sh&ucirc;<\/em>, &ldquo;santificareis&rdquo;\/&ldquo;santificai&rdquo;), e pelos dois imperativos na segunda pessoa do singular no verso 16 (<em>ts&ocirc;r<\/em>, &ldquo;resguarda&rdquo;; <em>ch<sup>a<\/sup>t&ocirc;m<\/em>, &ldquo;sela&rdquo;). A ordem dada ao profeta no verso 16, implica resguardar o testemunho prof&eacute;tico e selar a tor&aacute; de Deus entre os Seus disc&iacute;pulos que estavam impl&iacute;citos na segunda pessoa do plural dos versos 12 e 13.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia a esses disc&iacute;pulos aparece novamente como a audi&ecirc;ncia do profeta, na segunda pessoa do plural, na nova exorta&ccedil;&atilde;o que aparece nos versos 19 a 20 do mesmo cap&iacute;tulo de Isa&iacute;as 8:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Quando vos [pronome segunda pessoa do plural] disserem: Consultai [imperativo segunda pessoa do plural] os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, n&atilde;o consultar&aacute; o povo ao Seu Deus? A favor dos vivos ase consultar&atilde;o os mortos? &Agrave; lei [<em>t&ocirc;r&acirc;h<\/em>] e ao testemunho [<em>t<sup>e<\/sup>&lsquo;&ucirc;d&acirc;h<\/em>]! Se eles n&atilde;o falarem dessa maneira, jamais ver&atilde;o a alva.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A no&ccedil;&atilde;o do discipulado em Isa&iacute;as 8, portanto, implicaria nos seguintes conceitos: Primeiro, a &ecirc;nfase em ser &ldquo;disc&iacute;pulo de YHWH&rdquo;, uma rela&ccedil;&atilde;o de discipulado diretamente com Deus; segundo, um disc&iacute;pulo de Deus ouve as advert&ecirc;ncias divinas (vv. 11-12); terceiro, ele santifica a Deus e O teme (v. 13); quarto, ele guarda, tem e segue no cora&ccedil;&atilde;o e de cora&ccedil;&atilde;o o &ldquo;testemunho&rdquo; e a &ldquo;lei&rdquo; de Deus &nbsp;(v. 16 e 20); quinto, ele n&atilde;o d&aacute; ouvidos e n&atilde;o procura os meios esp&uacute;rios de &ldquo;revela&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como os necromantes e adivinhos (v. 19), mas cr&ecirc; na Palavra revelada de Deus, a sua Lei, e no testemunho dos Seus profetas (v. 20).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A descri&ccedil;&atilde;o do disc&iacute;pulo de Deus nos remete ao fiel que segue as orienta&ccedil;&otilde;es inspiradas dada em Dt 18:9-22, onde cada um desses temas foi tratado. Ele n&atilde;o aprendeu, <em>l&acirc;mad<\/em>, os costumes dos pag&atilde;os (Dt 18:9), mas deu ouvidos &agrave;s palavras de Deus, dadas por meio de Seus profetas e seguiu ao Senhor (Dt 18:13-19).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isa&iacute;as 50:4:<\/p>\n<p>&ldquo;O Senhor YHWH me deu l&iacute;ngua de ensinados\/disc&iacute;pulos [<em>limm&ucirc;d&icirc;m<\/em>] para sustentar o cansado com uma palavra. Ele me desperta a cada manh&atilde;, desperta-me o ouvido para escutar como os ensinados\/disc&iacute;pulos [<em>limm&ucirc;d&icirc;m<\/em>].&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse verso de Isa&iacute;as &eacute; o in&iacute;cio do 3&ordm; C&acirc;ntico do Servo do Senhor (Is 50:4-11), uma passagem geralmente considerada como messi&acirc;nica e que pertence a uma s&eacute;rie de c&acirc;nticos que apresentam a figura do <em>&lsquo;eved YHWH<\/em> (&ldquo;Servo de YHWH&rdquo;) &ndash; Is 42:1-9; 49:1-13, 50:4-11; 52:13-53:12 (SMITH, 2009, p. 378-379). A dupla refer&ecirc;ncia aos <em>limm&ucirc;dim<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulos&rdquo;) nesse verso parece ser uma alus&atilde;o a Is 8:16, como o indicou Shalom Paul (2012, p. 350). A correla&ccedil;&atilde;o entre esses dois cap&iacute;tulos de Isa&iacute;as &eacute; refor&ccedil;ada n&atilde;o somente pelo uso do mesmo substantivo <em>limm&ucirc;d<\/em>, em Is 50:4 e 8:16, mas tamb&eacute;m pelo uso das express&otilde;es paralelas &ldquo;n&atilde;o escondi o rosto&rdquo;, em Is 50:6, e &ldquo;que esconde o Seu rosto&rdquo;, em Is 8:17; &ldquo;O Senhor Deus me deu&rdquo;, em Is 50:4, e &ldquo;o Senhor me deu&rdquo;, em Is 8:18 (ibid).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse c&acirc;ntico o Servo do YHWH &eacute; um fiel &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; de Deus e serve de modelo para todos que desejam ser fi&eacute;is disc&iacute;pulos tamb&eacute;m (ibid., p. 380-385). As caracter&iacute;sticas do discipulado presentes nesse c&acirc;ntico s&atilde;o: Primeiro, como em Isa&iacute;as 8, ser &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; de Deus e ser instru&iacute;do por Ele (vv. 4-5); segundo, dar testemunho do que Deus fez por si, como Seu disc&iacute;pulo (vv. 4-9); terceiro, ser fiel a Deus a toda prova, certo da presen&ccedil;a divina nas mais dif&iacute;ceis circunst&acirc;ncias e de que Deus sempre vindicar&aacute; Seu fiel servo (vv. 6-9); quarto, a pessoa que teme a Deus e deseja ser Seu disc&iacute;pulo verdadeiro, deve ouvir a voz desse <em>&lsquo;eved YHWH<\/em> (&ldquo;Servo de YHWH&rdquo;) (v. 10a); quinto, ela deve ter temor a Deus, confiar nele e nele se firmar (v. 10b).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isa&iacute;as 54:13:<\/p>\n<p>&ldquo;Todos os teus filhos ser&atilde;o ensinados\/disc&iacute;pulos [<em>limm&ucirc;dei<\/em>] de YHWH, e grande ser&aacute; a paz dos teus filhos.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa &eacute; a &uacute;ltima ocorr&ecirc;ncia do termo <em>limm&ucirc;d<\/em> no livro de Isa&iacute;as, e ocorre dentro de uma profecia de restaura&ccedil;&atilde;o, profecia sobre o futuro glorioso de Si&atilde;o (Is 54:1-17). Entre as diversas promessas gloriosas feitas para esse futuro est&aacute; a de que todos os filhos de Si&atilde;o seriam <em>limm&ucirc;dei YHWH<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulos do Senhor&rdquo;). De forma consistente, a ideia de discipulado no livro de Isa&iacute;as &eacute; a de que o ser humano &eacute; chamado para ser disc&iacute;pulo de Deus. Em todas as ocorr&ecirc;ncias do termo <em>limm&ucirc;d<\/em> no livro essa parece ser sempre a nota t&ocirc;nica. O uso do termo aqui conecta essa passagem com as anteriores onde o mesmo apareceu (Is 8:16 e 50:4; cf. PAUL, 2012, p. 430). A ideia do que implica ser esse tipo de disc&iacute;pulo aqui n&atilde;o &eacute; desenvolvida nesse texto b&iacute;blico e no seu contexto imediato. O uso de <em>limm&ucirc;dei YHWH<\/em>, no entanto, pressup&otilde;e tudo o que j&aacute; foi dito antes no livro do que &eacute; ser disc&iacute;pulo de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia do discipulado do verso 13 est&aacute; conectada no texto com o tema da alian&ccedil;a de Deus com o Seu povo, enfatizado nos versos 5-10. Essa conex&atilde;o cria um paralelo muito pr&oacute;ximo com o texto de Is 59:21: &ldquo;Quanto a Mim, esta &eacute; minha alian&ccedil;a com eles, diz o Senhor: o meu Esp&iacute;rito, que est&aacute; sobre ti, e as minha palavras, que pus na tua boca, n&atilde;o se apartar&atilde;o dela, nem da de teus filhos, nem da dos filhos de teus filhos, n&atilde;o se apartar&atilde;o desde agora e para todo sempre, diz o Senhor.&rdquo; (Ibid., p. 429). Esse texto ecoa muitas das ideias presentes nos C&acirc;nticos do Servo do Servo, tais como a un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito de Deus sobre seus servos fieis (\/\/ com 1&ordm; C&acirc;ntico, Is 42:1, que em si evoca Is 11:2); a instru&ccedil;&atilde;o divina na frase &ldquo;que pus na tua boca&rdquo; (\/\/ com o 3&ordm; C&acirc;ntico, Is 50:4-5); e a fidelidade &agrave; palavra de Deus, &ldquo;n&atilde;o se apartar&atilde;o dela&rdquo;, assim como Deus &eacute; fiel ao Seu povo (\/\/ Is 54:10).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses textos impactam assim a compreens&atilde;o do discipulado no livro de Isa&iacute;as, acrescentado a ideia da un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo sobre o disc&iacute;pulo de Deus &agrave;s ideias j&aacute; previamente enfatizadas da instru&ccedil;&atilde;o divina ao disc&iacute;pulo, e da fidelidade do disc&iacute;pulo &agrave; palavra de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As duas demais ocorr&ecirc;ncias do termo <em>limm&ucirc;d<\/em> no AT, em Jr 2:24 e 13:23 n&atilde;o t&ecirc;m muita contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; compreens&atilde;o do conceito de discipulado no AT. No primeiro texto, Jr 2:24, o termo <em>limm&ucirc;d<\/em> &eacute; usado na met&aacute;fora de uma jumenta selvagem &ldquo;acostumada&rdquo; com o deserto, que no ardor do cio gosta de sorver o vento, para exemplificar Israel e sua paix&atilde;o desenfreada pela idolatria. No segundo texto, Jr. 13:23, <em>limm&ucirc;d<\/em> &eacute; usado para expressar a ideia de que &eacute; imposs&iacute;vel algu&eacute;m fazer o bem uma vez que essa pessoa se &ldquo;acostumou&rdquo; a fazer o mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1 Cr&ocirc;nicas 25:8:<\/p>\n<p>&ldquo;Deitaram as sortes dos turnos, tanto do pequeno como do grande, o entendido\/mestre [<em>m&ecirc;v&icirc;m<\/em>] com o aprendiz\/disc&iacute;pulo [<em>talm&icirc;d<\/em>].&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse texto de 1 Cr&ocirc;nicas, se encontra a &uacute;nica ocorr&ecirc;ncia no AT do termo <em>talm&icirc;d<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo;), o termo hebraico mais pr&oacute;ximo do grego <em>mathet&eacute;s<\/em>, termo fundamental para o estudo do discipulado no mundo grego e no Novo Testamento.&nbsp; O contexto de 1Cr 25:8 &eacute; o da organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o dos cantores levitas no templo feito por Davi no final de sua vida. A ideia de discipulado aqui estaria relacionada com o processo de aprendizado (KLEIN, 2006, p. 483): o &ldquo;mestre\/entendido\/grande&rdquo; e o &ldquo;aprendiz\/disc&iacute;pulo\/pequeno&rdquo; (impl&iacute;cito no paralelismo entre os dois est&aacute; o processo de ensino). Em 1Cr 25:7 os mestres\/entendidos s&atilde;o designados como &ldquo;instru&iacute;dos [<em>m<sup>e<\/sup>lummdei<\/em>] no canto de YHWH&rdquo; (usando uma forma de um partic&iacute;pio passivo do verbo <em>l&acirc;mad<\/em>). Eles eram os que aprenderam e se tornaram ent&atilde;o os entendidos\/professores que deveriam ensinar\/discipular os novos inexperientes, representados pelo termo <em>talm&icirc;d<\/em> (substantivo tamb&eacute;m derivado da raiz <em>l&acirc;mad<\/em>) no verso 8.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A contribui&ccedil;&atilde;o importante desse &uacute;nico verso &agrave; compreens&atilde;o do discipulado no AT &eacute; a dimens&atilde;o do ato do aprendizado e ensino e a responsabilidade do discipular. O que aprendeu e se tornou entendido e competente, deve se tornar um discipulador, instruindo os que ainda n&atilde;o t&ecirc;m experi&ecirc;ncia e conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2.2. <em>SH&Acirc;R&Ecirc;T-<\/em><em>M<sup>E<\/sup>SH&Acirc;R&Ecirc;T;<\/em> <em>ADON &ndash; &lsquo;EVED; &rsquo;AV &ndash; BEN; &rsquo;EM &ndash; BEN<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hist&oacute;rias dos profetas Elias e Eliseu e o livro de Prov&eacute;rvios aparentemente apontam para outros poss&iacute;veis aspectos da compreens&atilde;o veterotestament&aacute;rio do discipulado, principalmente atrav&eacute;s do uso dos termos hebraicos <em>sh&acirc;r&ecirc;t <\/em>(&ldquo;servir&rdquo;)<em> &ndash; m<sup>e<\/sup>sh&acirc;r&ecirc;t<\/em> (&ldquo;servidor&rdquo;), <em>&rsquo;adon <\/em>(&ldquo;senhor&rdquo;) &ndash; <em>&lsquo;eved<\/em> (&ldquo;servo&rdquo;), <em>&rsquo;&acirc;v<\/em> (&uml;pai&uml;) ou <em>&rsquo;&ecirc;m<\/em> (&ldquo;m&atilde;e&rdquo;) &ndash; <em>b&ecirc;n<\/em> (&ldquo;filho&rdquo;), e de diferentes temas que indicam essa rela&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ciclo das hist&oacute;rias de Elias e do chamado e in&iacute;cio do minist&eacute;rio de Eliseu remete o leitor b&iacute;blico &agrave; figura de Mois&eacute;s no Pentateuco, como o indicou John J. Bimson (1994, p. 362-363). Elias aparece no texto b&iacute;blico como um profeta semelhante a Mois&eacute;s, um &ldquo;segundo Mois&eacute;s&rdquo; em sua defesa pela f&eacute; em YHWH, o Deus de Israel. Como Mois&eacute;s, Elias enfatiza os compromissos da alian&ccedil;a entre Deus e o Seu povo (1Rs 18:18-39). Ele executa os id&oacute;latras no monte Carmelo em paralelo ao que Mois&eacute;s fez na hist&oacute;ria da idolatria do bezerro de ouro aos p&eacute;s do Sinai (1Rs 18:40). Procurando aparentemente reviver a experi&ecirc;ncia de Mois&eacute;s, Elias busca a presen&ccedil;a divina e Sua revela&ccedil;&atilde;o no monte Horebe\/Sinai (1Rs 19:8-18). A vida de Elias, como a de Mois&eacute;s, t&ecirc;m um final misterioso na margem oriental do Rio Jord&atilde;o na regi&atilde;o de Gilgal (2Rs 2:1-18).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo Elias um &ldquo;segundo Mois&eacute;s&rdquo;, a figura de Eliseu aparece ent&atilde;o no texto b&iacute;blico em paralelo com a de Josu&eacute;, o sucessor de Mois&eacute;s (ibid., p. 363). O pr&oacute;prio nome Eliseu (&ldquo;El &eacute; salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;) &eacute; um paralelo ao nome Josu&eacute; (&ldquo;YHWH &eacute; salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;). Como Josu&eacute;, ele cruza o Jord&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; margem ocidental do rio, entrando na terra prometida (2Rs 2:14) e logo segue em dire&ccedil;&atilde;o a Jeric&oacute; (2Rs 2:15-22). A refer&ecirc;ncia &agrave; divis&atilde;o das &aacute;guas do rio Jord&atilde;o em 2 Reis 2 tamb&eacute;m apontam para as hist&oacute;rias de Mois&eacute;s e Josu&eacute; (divis&atilde;o do Mar Vermelho e do rio Jord&atilde;o), como tamb&eacute;m o faz a dota&ccedil;&atilde;o especial do Esp&iacute;rito de Elias sobre Eliseu (2Rs 2:9, 14-15) como aconteceu com Josu&eacute; em rela&ccedil;&atilde;o a Mois&eacute;s (Dt 34:9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesses ciclos de hist&oacute;rias b&iacute;blicas e no paralelismo entre Elias\/Mois&eacute;s e Eliseu\/Josu&eacute; importantes aspectos do conceito do discipulado no AT emergem e se tornam significativos. De um lado, o discipulado no AT envolve a prepara&ccedil;&atilde;o de um sucessor: A ordem divina comissionou Elias a ungir Eliseu como um &ldquo;profeta em teu lugar&rdquo; (1Rs 19:16), como o tinha feito ao ordenar Mois&eacute;s em rela&ccedil;&atilde;o a Josu&eacute; (N&uacute; 27:18-23). Da parte do discipulador isso envolvia os atos de buscar, encarregar, preparar\/instruir e encorajar esse sucessor (Elias-Eliseu, 1Rs 19:19-21; 2Rs 2:1-10; Mois&eacute;s-Josu&eacute;, N&uacute; 27:18, 22; 32:28; Dt 1:38; 3:21-22, 28; 31:7). Da parte do disc&iacute;pulo, os atos de aceitar, seguir\/aprender e servir (Eliseu-Elias, 1Kgs 19:20-21; Josu&eacute;-Mois&eacute;s, N&uacute; 27:22-23; Js 1:1-18).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como disc&iacute;pulo Eliseu serviu (<em>sharet<\/em>) Elias (1Rs 19:21), e Josu&eacute; era conhecido como o &ldquo;servidor&rdquo; (<em>m<sup>e<\/sup>sh&acirc;r&ecirc;t<\/em>) de Mois&eacute;s (Ex 24:13; 33:11; Js 1:1). A &ecirc;nfase no servi&ccedil;o &eacute; marcante no conceito do AT de discipulado, e ela aparece fortemente na descri&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Servo de YHWH&rdquo; como modelo para o verdadeiro &ldquo;aprendiz\/disc&iacute;pulo&rdquo; em Is 50:4. Nessa linha de &ecirc;nfase no servi&ccedil;o, Mois&eacute;s &eacute; designado como <em>&lsquo;eved YHWH<\/em>, &ldquo;servo de YHWH&rdquo; (&Ecirc;x 14:31; N&uacute; 12:7-8; Dt 34:5; Js 1:1-2) e Josu&eacute;, que serviu Mois&eacute;s, se tornou conhecido tamb&eacute;m um &ldquo;servo de YHWH&rdquo; (Js 24:29; Jz 2:8). Elias tamb&eacute;m &eacute; designado como &ldquo;servo de YHWH&rdquo; (1Rs 18:36; 2Rs 9:36; 10:10). Essa &ecirc;nfase no servi&ccedil;o &eacute; tamb&eacute;m expressa pelo uso do vocabul&aacute;rio &ldquo;senhor&rdquo; (<em>&rsquo;adon<\/em>) em rela&ccedil;&atilde;o ao mestre\/discipulador, como no caso de Elias-Eliseu (2Rs 2:3, 5), e os termos &ldquo;pai&rdquo; (<em>&rsquo;&acirc;v<\/em>) e &ldquo;filho&rdquo; (<em>b&ecirc;n<\/em>), na rela&ccedil;&atilde;o Elias-Eliseu, bem como na rela&ccedil;&atilde;o deles com os disc&iacute;pulos da escola dos profetas, os <em>b<sup>e<\/sup>n&ecirc;y hann<sup>e<\/sup>v&icirc;&rsquo;&icirc;m<\/em>, os &ldquo;filhos dos profetas&rdquo; (2Rs 2:3, 5, 7, 12, 15; 4:1, 38; 6:1; 9:1). Todos esses termos implicam um conv&iacute;vio muito pr&oacute;ximo, como de um mestre e o seu servo, como de um pai e o seu filho. 2Rs 4:38 diz que Eliseu se assentava com os seus disc&iacute;pulos, os &ldquo;filhos dos profetas&rdquo;, e 2Rs 6:1-7 diz que Eliseu habitava com eles e que se envolvia na solu&ccedil;&atilde;o de problemas comuns desse conv&iacute;vio, como foi o caso do corte de madeira na mata &agrave;s margens do Jord&atilde;o, para alargar o espa&ccedil;o do local onde eles viviam, e o milagre de fazer flutuar o machado emprestado que caiu por acidente nas &aacute;guas do rio. O disc&iacute;pulo seguia o seu mestre muito de perto, e participava do seu minist&eacute;rio, como foi o caso de um n&atilde;o identificado &ldquo;filho dos profetas&rdquo; em&nbsp; 2Rs 9:1-3, e o de Geazi, que aparentemente estava sendo preparado para suceder Eliseu, mas que no final se desviou do caminho do servi&ccedil;o a Deus por gan&acirc;ncia (2Rs 4:8-36; 5:20-27; 8:4-5).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; pertinente notar que o Novo Testamento reconheceu na experi&ecirc;ncia de Elias com Eliseu, um paradigma de discipulado no per&iacute;odo veterotestament&aacute;rio.&nbsp; O texto de Lc 9:59-62, que descreve as respostas de Jesus a pessoas que queriam se tornar Seus disc&iacute;pulos, ecoa o chamado de Eliseu em 1Rs 19:19-21 (DeVRIES, 1985, p. 239-240; Bimson, 1994, p. 359; HOUSE, 1995, p. 225).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma outra poss&iacute;vel express&atilde;o veterotestament&aacute;ria da experi&ecirc;ncia de discipulado pode ser encontrada no livro de Prov&eacute;rbios, na qual a rela&ccedil;&atilde;o &ldquo;mestre&rdquo;-&ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; aparece expressa nos di&aacute;logos de instru&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;pai&rdquo; (<em>&rsquo;&acirc;v<\/em>), ou de uma &ldquo;m&atilde;e&rdquo; (<em>&rsquo;&ecirc;m<\/em>), com o seu &ldquo;filho&rdquo; (<em>b&ecirc;n<\/em>), como em Pv 1:8, 15; 2:1; 3:1, 11, 21; 4:1, 3-4; etc. O foco desse ensino &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o mais jovem que necessita adquirir sabedoria, ensino, prud&ecirc;ncia, discernimento, habilidades e intelig&ecirc;ncia, no bom proceder, na justi&ccedil;a, no ju&iacute;zo, na equidade, no bom siso, que a levem ao temor do Senhor (Pv. 1:2-7). Esse discipulado das novas gera&ccedil;&otilde;es no temor do Senhor estava primeiramente fundamentado no lar, sendo o pai e a m&atilde;e os mestres, e seus filhos os disc&iacute;pulos. Os termos hebraicos para pais e filhos podem ser assim compreendidos de forma literal, como o paralelismo entre Pv 1:8; 4:3, onde ocorre o termo &ldquo;m&atilde;e&rdquo; (<em>&rsquo;&ecirc;m<\/em>) al&eacute;m do temo pai (<em>&rsquo;&acirc;v<\/em>), com Pv 31:1-2 indica, pois nesse &uacute;ltimo texto se faz refer&ecirc;ncia &agrave; m&atilde;e do rei Lemuel, que era literalmente filho do seu ventre e de seus votos. Esse discipulado no lar seria assim uma express&atilde;o pr&aacute;tica do cumprimento do grande mandamento de Dt 6:4-9, onde o ato de amar a Deus sobre todas as coisas est&aacute; diretamente ligado ao ensino consistente dos filhos nos caminhos do Senhor (GARRETT, 1993, p. 23-24).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros prov&aacute;veis contextos de educa&ccedil;&atilde;o e discipulado das novas gera&ccedil;&otilde;es de israelitas, segundo o livro de Prov&eacute;rbios, parecem ser: 1) A corte real, como as refer&ecirc;ncias a Salom&atilde;o, como autor da maioria dos prov&eacute;rbios do livro (Pv. 1:1; 10:1; 25:1), aos homens do rei Ezequias, que transcreveram parte dos prov&eacute;rbios de Salom&atilde;o (Pv. 25:1), e ao rei Lemuel (Pv. 31:1), parecem indicar (GOLDINGAY, 1994, p. 583; WALTKE, 2011, v. 1, p. 103-108); 2) Os lugares p&uacute;blicos da cidade, principalmente as pra&ccedil;as e as portas da cidade, onde os anci&atilde;os e as pessoas s&aacute;bias instru&iacute;am os jovens, como Pv 1:20-21 e J&oacute; 29:7-25 parecem indicar (FOX, 2008, p. 97-98; WILKINS, 2015, p. 91).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>CONCLUS&Atilde;O: RESUMO DO DISCIPULADO NO AT<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o do sentido do tema do discipulado no AT explorou, primeiramente, o uso b&iacute;blico do adjetivo e substantivo <em>limm&ucirc;d<\/em> (&ldquo;instru&iacute;do&rdquo;, &ldquo;experiente&rdquo;; &ldquo;aprendiz&rdquo;, &ldquo;pupilo&rdquo;, &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo;) nos textos b&iacute;blicos de Isa&iacute;as 8:16; 50:4 e 54:13.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A no&ccedil;&atilde;o do discipulado que aparece em Isa&iacute;as 8 apontou para os seguintes conceitos: Primeiro, a &ecirc;nfase em ser &ldquo;disc&iacute;pulo de YHWH&rdquo;, uma rela&ccedil;&atilde;o de discipulado diretamente com Deus (v. 16); segundo, um disc&iacute;pulo de Deus ouve as advert&ecirc;ncias divinas (vv. 11-12); terceiro, ele santifica a Deus e O teme (v. 13); quarto, ele guarda, tem e segue no cora&ccedil;&atilde;o e de cora&ccedil;&atilde;o o &ldquo;testemunho&rdquo; e a &ldquo;lei&rdquo; de Deus &nbsp;(v. 16 e 20); quinto, ele n&atilde;o d&aacute; ouvidos e n&atilde;o procura os meios esp&uacute;rios de &ldquo;revela&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como os necromantes e adivinhos (v. 19), mas cr&ecirc; na Palavra revelada de Deus, a sua Lei, e no testemunho dos Seus profetas (v. 20). Essa descri&ccedil;&atilde;o do disc&iacute;pulo de Deus nos remete ao fiel que segue as orienta&ccedil;&otilde;es inspiradas dada em Dt 18:9-22, onde cada um desses temas foi tratado. Ele n&atilde;o aprendeu, <em>l&acirc;mad<\/em>, os costumes dos pag&atilde;os (Dt 18:9), mas deu ouvidos &agrave;s palavras de Deus, dadas por meio de Seus profetas e seguiu ao Senhor (Dt 18:13-19).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No 3&ordm; C&acirc;ntico do Servo do Senhor (Is 50:4-11), a figura messi&acirc;nica do <em>&lsquo;eved YHWH<\/em> (&ldquo;Servo de YHWH&rdquo;) &eacute; apresentado como um fiel &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; de Deus (v. 4) que serve de modelo para todos que desejam ser Seus fi&eacute;is disc&iacute;pulos tamb&eacute;m. O discipulado, segundo esse texto de Isa&iacute;as, envolve, primeiramente, como em Isa&iacute;as 8, ser &ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; de Deus e ser instru&iacute;do por Ele (vv. 4-5); segundo, dar testemunho do que Deus fez por si, como Seu disc&iacute;pulo (vv. 4-9); terceiro, ser fiel a Deus a toda prova, certo da presen&ccedil;a divina nas mais dif&iacute;ceis circunst&acirc;ncias e de que Deus sempre vindicar&aacute; Seu fiel servo (vv. 6-9); quarto, a pessoa que teme a Deus e deseja ser Seu disc&iacute;pulo verdadeiro, deve ouvir a voz desse <em>&lsquo;eved YHWH<\/em> (&ldquo;Servo de YHWH&rdquo;) (v. 10a); quinto, ela deve ter temor a Deus, confiar nele e nele se firmar (v. 10b).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; em Is 54:13 ocorre uma profecia escatol&oacute;gica segundo a qual todos os filhos de Si&atilde;o seriam <em>limm&ucirc;dei YHWH<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulos do Senhor&rdquo;). Esse verso refor&ccedil;a assim a &ecirc;nfase isai&acirc;nica de discipulado segundo a qual o ser humano &eacute; chamado para ser disc&iacute;pulo de Deus. Al&eacute;m disso, a ideia do discipulado do verso 13, no contexto da profecia, est&aacute; relacionada com o tema da alian&ccedil;a de Deus com o Seu povo, enfatizado nos versos 5-10. Essa conex&atilde;o cria um paralelo muito pr&oacute;ximo com o texto de Is 59:21 e acrescenta a no&ccedil;&atilde;o da un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo sobre o disc&iacute;pulo de Deus &agrave;s ideias j&aacute; previamente enfatizadas sobre o discipulado em Isa&iacute;as 8 e 50.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap&oacute;s abordar o uso de <em>limm&ucirc;d<\/em>, em textos pertinentes &agrave; no&ccedil;&atilde;o do discipulado no AT, investigou-se tamb&eacute;m a &uacute;nica ocorr&ecirc;ncia b&iacute;blica do termo <em>talm&icirc;d<\/em> (&ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo;) em 1Cr 25:8. Esse texto de 1 Cr&ocirc;nicas trata da organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o dos cantores levitas no templo feita por Davi no final de sua vida. A ideia de discipulado aqui estaria relacionada com o processo de aprendizado entre o &ldquo;mestre&rdquo; e o &ldquo;aprendiz\/disc&iacute;pulo&rdquo;. Os mestres\/entendidos s&atilde;o designados como &ldquo;instru&iacute;dos [<em>m<sup>e<\/sup>lummdei<\/em>] no canto de YHWH&rdquo;, em 1Cr 25:7, e eles deveriam ensinar\/discipular os novos inexperientes, representados pelo termo <em>talm&icirc;d<\/em> no verso 8. Assim, esse texto chama aten&ccedil;&atilde;o &agrave; import&acirc;ncia do ato do aprendizado e ensino e &agrave; responsabilidade do discipular. O que aprendeu e se tornou entendido e competente, deve se tornar um discipulador, instruindo os que ainda n&atilde;o t&ecirc;m experi&ecirc;ncia e conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Finalmente, se explorou o uso dos termos hebraicos <em>sh&acirc;r&ecirc;t <\/em>(&ldquo;servir&rdquo;)<em> &ndash; m<sup>e<\/sup>sh&acirc;r&ecirc;t<\/em> (&ldquo;servidor&rdquo;), <em>&rsquo;adon <\/em>(&ldquo;senhor&rdquo;) &ndash; <em>&lsquo;eved<\/em> (&ldquo;servo&rdquo;), <em>&rsquo;&acirc;v<\/em> (&uml;pai&uml;) ou <em>&rsquo;&ecirc;m<\/em> (&ldquo;m&atilde;e&rdquo;) &ndash; <em>b&ecirc;n<\/em> (&ldquo;filho&rdquo;), e temas a eles relacionados, nos ciclos de hist&oacute;rias de Elias-Eliseu e de Mois&eacute;s-Josu&eacute;, e no livro de Prov&eacute;rbios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ciclo de hist&oacute;rias de Elias-Eliseu e de Mois&eacute;s-Josu&eacute; indicam que o discipulado no AT envolve a prepara&ccedil;&atilde;o de um sucessor. Sob a ordem divina, Elias ungiu Eliseu como um &ldquo;profeta em teu lugar&rdquo; (1Rs 19:16), como o tinha feito Mois&eacute;s em rela&ccedil;&atilde;o a Josu&eacute; (N&uacute; 27:18-23). Elias e Mois&eacute;s como discipuladores tinham de buscar, encarregar, preparar\/instruir, encorajar o seu sucessor. J&aacute; Eliseu e Josu&eacute;, como disc&iacute;pulos, tinham de aceitar, seguir\/aprender e servir o mestre discipulador. A &ecirc;nfase no servi&ccedil;o &eacute; marcante no conceito do AT de discipulado, sendo claramente expressa pelo uso do verbo <em>sharet<\/em> (&ldquo;servir&rdquo;) em rela&ccedil;&atilde;o a Eliseu, e do substantivo <em>m<sup>e<\/sup>sh&acirc;r&ecirc;t<\/em> (&ldquo;servidor&rdquo;), em rela&ccedil;&atilde;o a Josu&eacute;. Esse conceito de servi&ccedil;o nos ciclos de hist&oacute;rias de Elias-Elias e Mois&eacute;s-Josu&eacute; est&aacute; em paralelo com a mesma &ecirc;nfase encontrada na descri&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Servo de YHWH&rdquo; como modelo para o verdadeiro &ldquo;aprendiz\/disc&iacute;pulo&rdquo; em Is 50:4. Assim, o verdadeiro disc&iacute;pulo deve se tornar n&atilde;o meramente um servo do seu mestre\/discipulador, mas sobre tudo um &ldquo;servo de YHWH&rdquo;. Essa &ecirc;nfase no servi&ccedil;o &eacute; tamb&eacute;m expressa pelo uso do vocabul&aacute;rio <em>&rsquo;adon<\/em> (&ldquo;senhor&rdquo;) em rela&ccedil;&atilde;o ao mestre\/discipulador, bem como dos termos <em>&rsquo;&acirc;v<\/em> (&ldquo;pai&rdquo;) e <em>b&ecirc;n<\/em> (&ldquo;filho&rdquo;), na rela&ccedil;&atilde;o mesree-disc&iacute;pulo. Esses termos implicam um conv&iacute;vio muito pr&oacute;ximo, como de um mestre e o seu servo, como de um pai e o seu filho. O texto b&iacute;blico descreve Eliseu como habitando com os seus disc&iacute;pulos, os &ldquo;filhos dos profetas&rdquo; e se envolvendo na solu&ccedil;&atilde;o de problemas comuns desse conv&iacute;vio. O disc&iacute;pulo seguia o seu mestre muito de perto, e participava do seu minist&eacute;rio, na sua prepara&ccedil;&atilde;o de uma vida de servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No livro de Prov&eacute;rbios, a rela&ccedil;&atilde;o &ldquo;mestre&rdquo;-&ldquo;disc&iacute;pulo&rdquo; aparece expressa nos di&aacute;logos de instru&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;pai&rdquo; (<em>&rsquo;&acirc;v<\/em>), ou de uma &ldquo;m&atilde;e&rdquo; (<em>&rsquo;&ecirc;m<\/em>), com o seu &ldquo;filho&rdquo; (<em>b&ecirc;n<\/em>), a fim de ensinar a gera&ccedil;&atilde;o mais jovem a sabedoria, o ensino, a prud&ecirc;ncia, o discernimento, as habilidades e intelig&ecirc;ncia no bom proceder, na justi&ccedil;a, no ju&iacute;zo, na equidade e no bom siso, que a levassem ao temor do Senhor (Pv. 1:2-7). Esse discipulado das novas gera&ccedil;&otilde;es no temor do Senhor estava primeiramente fundamentado no lar, sendo o pai e a m&atilde;e os mestres, e seus filhos os disc&iacute;pulos. O discipulado no lar seria assim uma express&atilde;o pr&aacute;tica do cumprimento do grande mandamento de Dt 6:4-9, onde o ato de amar a Deus sobre todas as coisas est&aacute; diretamente ligado ao ensino consistente dos filhos nos caminhos do Senhor. Al&eacute;m do lar, outros prov&aacute;veis contextos de educa&ccedil;&atilde;o e discipulado dessas novas gera&ccedil;&otilde;es de israelitas parecem ter sido a corte real, onde jovens seriam preparados para o servi&ccedil;o a Deus e &agrave; na&ccedil;&atilde;o, e os lugares p&uacute;blicos da cidade, principalmente as pra&ccedil;as e as portas da cidade, onde os anci&atilde;os e as pessoas s&aacute;bias instru&iacute;am os jovens inexperientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>REFER&Ecirc;NCIAS:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bimson, John J. 1 and 2 Kings. In: CARSON, D. A. &nbsp;<em>et al.<\/em> (Eds.). <strong>New Bible Commentary<\/strong>: 21st Century Edition. Leicester: Inter-Varsity Press, 1994. p. 333-386.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DeVRIES, Simon J. <strong>1 Kings<\/strong>. Word Biblical Commentary, v. 12. Waco\/TX: Word Books, 1985.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FOX, Michael V. <strong>Proverbs 1-9:<\/strong> A New Translation With Introduction and Commentary. The Anchor Yale Bible. New Haven\/CT: Yale University Press, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GARRETT, Duane A. <strong>Proverbs, Ecclesiastes, Song of Songs<\/strong>. The New American Commentary, v. 14. Nashville: Broadman &amp; Holman Pub., 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GOLDINGAY, John. Proverbs. In: CARSON, D. A.&nbsp; <em>et al.<\/em> (Eds.). <strong>New Bible Commentary<\/strong>: 21st Century Edition. Leicester: Inter-Varsity Press, 1994. p. 583-607.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HOLLADAY, William L. <strong>L&eacute;xico hebraico e aramaico do Antigo Testamento<\/strong>. S&atilde;o Paulo: Vida Nova, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HOUSE, Paul R. <strong>1, 2 Kings<\/strong>. The New American Commentary, v. 8. Nashville: Broadman &amp; Holman Pub., 1995.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>KAPELRUD, A. S.&nbsp; <em>L&acirc;mad, limm&ucirc;d, malm&acirc;d, talm&icirc;d<\/em>. In: BOTTERWECK, G. J.; RINGGREN, H.; FABRY H.-J. (Eds.). <strong>Theological Dictionary of the Old Testament<\/strong>. Grand Rapids\/MI: William B. Eerdmans, 1997. v. 8, p. 4-10.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>KLEIN, Ralph W. <strong>1 Chronicles:<\/strong> A Commentary. Hermeneia&ndash;A Critical and Historical Commentary on the Bible. Minneapolis: Augsburg Fortress, 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>OSWALT, John N. <strong>The Book of Isaiah:<\/strong> Chapters 1-39. The New International Commentary on the Old Testament. Grand Rapids\/MI: William B. Eerdmans, 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PAUL, Shalom M. <strong>Isaiah 40-66:<\/strong> Translation and Commentary. Eerdmans Critical Commentary. Grand Rapids\/MI: William B. Eerdmans, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rengstorf, Karl H. <em>Mathet&eacute;s<\/em>. In: Kittel, G. (Ed.). <strong>Theological Dictionary of the New Testament<\/strong>, trad. e ed. G. W. Bromiley. Grand Rapids\/MI: W. B. Eerdmans, 1995. v. 4, p. 415-460.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SCHULTZ, Samuel J. <strong>A hist&oacute;ria de Israel no Antigo Testamento<\/strong>. 2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Vida Nova, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SH&Ouml;KEL, Luis Alonso. <strong>Dicion&aacute;rio b&iacute;blico hebraico-portugu&ecirc;s<\/strong>. S&atilde;o Paulo: Paulus, 1997.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SMITH, Gary V. <strong>Isaiah 40-66<\/strong>. The New American Commentary, v. 15B. Nashville: Broadman &amp; Holman Pub., 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WALTKE, Bruce K. <strong>Prov&eacute;rbios<\/strong>: Volumes 1 &amp; 2. Coment&aacute;rios do Antigo Testamento. S&atilde;o Paulo: Cultura Crist&atilde;, 2011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WATTS, John D. W. <strong>Isaiah 1-33<\/strong>. Word Biblical Commentary, v. 24. Waco\/TX: Word Books, 1985.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Wilkins, Michael J. <strong>Discipleship in the Ancient World and Matthew&rsquo;s Gospel<\/strong>. 2&ordf; ed. Eugene\/OR: Wipf and Stock, 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncia: Este artigo foi publicado no original em espanhol. Ver o livro: Discipulado, reflexiones biblicas, teol&oacute;gicas y pr&aacute;cticas.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>&ldquo;If the term is missing, so, too, is that which it serves to denote.&nbsp; Apart from the formal relation of teacher and pupil, the OT, unlike the classical Greek world and Hellenism, has no master-disciple relation. Whether among prophets or the scribes we seek in vain for anything corresponding to it.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>&ldquo;In the sphere of revelation there is no place for the establishment of a master-disciple relation, nor is there the possibility of setting up a human word alongside the Word of God which is proclaimed&hellip;&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>&ldquo;&hellip; Rengstorf appears to overstate his case. In the first place he overlooks the adjectival form limm&ucirc;dh which is derived from l&acirc;madh. Even as he overstates the absence of terminology, he overlooks that evidence which is to be found. In the second place, because he inadequately defines the relationship between the terminology and concept of discipleship, he inordinately overstates the absence of discipleship. Although he draws his conclusions about the classical and Hellenistic concept from only one particular usage of the term &mu;&alpha;&theta;&eta;&tau;&#942;&sigmaf;<\/em> <em>(the Sophists), here he draws his conclusions about the Old Testament concept from the absence of one particular term, talm&icirc;dh.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/deptos.adventistas.org\/ministerial\/portal-pastor\/pt\/Artigos\/O%20discipulado%20no%20Antigo%20Testamento.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Download do PDF<\/a><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O DISCIPULADO NO ANTIGO TESTAMENTO Reinaldo W. 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