{"id":6319,"date":"2020-09-21T08:58:52","date_gmt":"2020-09-21T11:58:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=6319"},"modified":"2020-09-21T11:14:14","modified_gmt":"2020-09-21T14:14:14","slug":"principios-propostas-para-uma-missao-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/principios-propostas-para-uma-missao-urbana\/","title":{"rendered":"Princ\u00edpios Propostas para uma Miss\u00e3o Urbana"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: center;\">Princ&iacute;pios Propostas para uma Miss&atilde;o Urbana<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Kleber Gon&ccedil;alves<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">&ldquo;Como, pois, invocar&atilde;o Aquele em quem n&atilde;o creram? E como crer&atilde;o naquele de quem n&atilde;o ouviram falar?&rdquo; (Rm 10:14).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA MUDAN&Ccedil;A cultural a partir do territ&oacute;rio familiar da modernidade para a terra desconhecida da p&oacute;s-modernidade tem s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es missiol&oacute;gicas para a igreja urbana. Estrat&eacute;gias e m&eacute;todos que t&ecirc;m sido eficazes em alcan&ccedil;ar pessoas com o evangelho sob a vis&atilde;o de mundo moderno podem n&atilde;o ser t&atilde;o eficazes para atingir indiv&iacute;duos orientados pela condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. As quest&otilde;es de hoje s&atilde;o: Como &eacute; que vamos comunicar a verdade do evangelho a pessoas que rejeitam o conceito de verdade absoluta? Como podemos dialogar com pessoas espirituais que s&atilde;o contra as organiza&ccedil;&otilde;es religiosas? Quais s&atilde;o alguns dos conceitos p&oacute;s-modernos b&aacute;sicos que poderiam ser usados como pontes para alcan&ccedil;ar a mente.&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Implica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">p&oacute;s-moderna no contexto urbano? At&eacute; hoje, a missiologia urbana mal tem abordado tais quest&otilde;es. O objetivo deste cap&iacute;tulo n&atilde;o &eacute; apresentar um modelo, mas sim proporcionar uma discuss&atilde;o sobre algumas das implica&ccedil;&otilde;es mais importantes da p&oacute;s-modernidade para a miss&atilde;o urbana e sugerir princ&iacute;pios selecionados que podem ser aplic&aacute;veis &agrave; miss&atilde;o urbana para alcan&ccedil;ar os p&oacute;s-modernos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Implica&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas para a miss&atilde;o urbana.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nDe fato, a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna tem implica&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas para missiologia, em especial no contexto urbano. A igreja urbana enfrenta agora o desafio de aceitar os benef&iacute;cios do decl&iacute;nio da vis&atilde;o de mundo moderno, sem cair nas armadilhas da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. Dentre as implica&ccedil;&otilde;es mais urgentes que a igreja urbana enfrenta na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, podemos destacar: a mudan&ccedil;a epistemol&oacute;gica e a experi&ecirc;ncia; a mudan&ccedil;a econ&ocirc;mica e o consumismo; a mudan&ccedil;a temporal at&eacute; o presente; mudan&ccedil;a de comunica&ccedil;&atilde;o para o ciberespa&ccedil;o; e a mudan&ccedil;a espacial para a glocal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nDa mudan&ccedil;a epistemol&oacute;gica &agrave; experi&ecirc;ncia<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna atual apresenta uma implica&ccedil;&atilde;o missiol&oacute;gica adicionada &agrave; miss&atilde;o urbana, assim como o p&oacute;s-modernismo mostra interesse no reino al&eacute;m do conhecimento e observa&ccedil;&atilde;o. Os p&oacute;s-modernistas de acordo com Donovan e Myors (1997, p. 51) preferem o que &ldquo;&eacute; experiencial ao inv&eacute;s de cognitivo&rdquo;. Como observado anteriormente neste estudo, ao rejeitar epistemologia iluminista, os p&oacute;s-modernos acreditam que a raz&atilde;o humana n&atilde;o sustenta todas as solu&ccedil;&otilde;es para os problemas da vida. Alguns aspectos da verdade se encontram al&eacute;m da compreens&atilde;o racional e n&atilde;o podem ser completamente entendidos pela raz&atilde;o, afirmam os p&oacute;s-modernos. Como resultado, um ceticismo profundo sobre a capacidade racional humana levou &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o de formas diversas de conhecimento. Isso envolve elementos como instinto, emo&ccedil;&atilde;o, sentimento e intui&ccedil;&atilde;o (SMITH, 2001, p. 4748; ver MCLAREN, 2000, p. 124). Em outras palavras, os p&oacute;s-modernos n&atilde;o s&atilde;o guiados pela raz&atilde;o como anteriormente na vis&atilde;o de mundo moderno, &ldquo;mas tamb&eacute;m querem saber como um evento ou objeto &eacute; experienciado&rdquo; (SMITH, 2001, p. 48, grifo do autor). Van Gelder confirma:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<em>A gera&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo moldada pela cren&ccedil;a p&oacute;s-moderna confia tanto em seus sentimentos quanto em seus pensamentos. Na verdade, o car&aacute;ter ca&oacute;tico e concorrente de numerosas alega&ccedil;&otilde;es da verdade faz com que muitos se voltem para seus sentimentos, instintos e intui&ccedil;&otilde;es como uma fonte mais segura e mais confi&aacute;vel do conhecimento [&hellip;]. Pessoas p&oacute;s-modernas querem muito mais experimentar a vida, do que entend&ecirc;-la (VAN GELDER, 2002, p. 499).<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nEm uma sociedade p&oacute;s-moderna, o envolvimento pessoal &eacute; t&atilde;o importante quanto &agrave; riqueza material foi para gera&ccedil;&otilde;es anteriores (TABB, 2004, p. 19). A experi&ecirc;ncia tornou-se a nova moeda na economia p&oacute;s-moderna. No entanto, &eacute; importante notar que essa mudan&ccedil;a epistemol&oacute;gica n&atilde;o indica que o p&oacute;s-modernismo &eacute; irracional. Leonard Sweet (2000, p. 33) afirma que &ldquo;os p&oacute;s-modernos n&atilde;o querem que suas informa&ccedil;&otilde;es sejam diretas. Eles a querem junto &agrave; experi&ecirc;ncia&rdquo;. O conhecimento e a l&oacute;gica, no entanto, ainda t&ecirc;m o seu lugar, mas n&atilde;o s&atilde;o mais os temas predominantes. No passado, o conhecimento foi validado por experimenta&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, hoje, a experi&ecirc;ncia pessoal &eacute; validada pelo conhecimento (KIMBALL, 2004, p. 186). A cultura p&oacute;s-moderna, como Terry Bowland (1999, p. 126) aponta, &ldquo;se elevou ao mais alto n&iacute;vel de import&acirc;ncia&rdquo;. Como consequ&ecirc;ncia, as decis&otilde;es tomadas pelos p&oacute;s-modernos, especialmente entre as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens, t&ecirc;m mais a ver com o que eles sentem do que com o que sabem (SMITH, 2001, p. 48). Al&eacute;m disso, a participa&ccedil;&atilde;o e as experi&ecirc;ncias interativas tornaram-se aspectos cruciais na vida de gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes.1 Este fato tem implica&ccedil;&otilde;es profundas na forma como os p&oacute;s-modernos aprendem, comunicam e interagem com o mundo ao seu redor. Um exemplo claro &eacute; a forma como o p&uacute;blico telespectador anseia em participar de programas de jogos na televis&atilde;o, programas de not&iacute;cias e reality shows atrav&eacute;s do telefone ou de contas na internet para votar ou opinar sobre o resultado do programa (KIMBALL, 2003, p. 155-156; ver HERANGI, 2002, p. 5-6). Outro exemplo dessa experi&ecirc;ncia interativa vem do mundo dos neg&oacute;cios. No passado, apresentar informa&ccedil;&otilde;es sobre um produto era suficiente para vend&ecirc;-lo. Em The Experience Economy, no entanto, Joseph Pine e James Gilmore defendem a<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n1 O livro Generating Hope de Jimmy Long (1997, p. 17-79) indica a intera&ccedil;&atilde;o entre a literatura no p&oacute;s-modernismo na chamada Gera&ccedil;&atilde;o X. Ao trazer as duas an&aacute;lises em conjunto, Long constitui a base para as suas propostas pr&aacute;ticas sobre como alcan&ccedil;ar os p&oacute;s-modernos.<br>\n143142<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\nimport&acirc;ncia de vender &ldquo;a experi&ecirc;ncia&rdquo; de um produto antes de vend&ecirc;-lo. Eles afirmam: &ldquo;Quando voc&ecirc; personaliza uma experi&ecirc;ncia e a direciona apenas para um indiv&iacute;duo &mdash; fornecendo exatamente o que ele ou ela precisa agora &mdash; voc&ecirc; iniciou-o automaticamente em uma transforma&ccedil;&atilde;o&rdquo; (PINE; GILMORE, 1999, p. 165). &Eacute; a experi&ecirc;ncia de um produto, portanto, que produzir&aacute; uma impress&atilde;o duradoura, criando, em &uacute;ltima an&aacute;lise, uma transforma&ccedil;&atilde;o no indiv&iacute;duo (PINE; GILMORE, 1999, p. 172). No contexto da miss&atilde;o urbana, a mudan&ccedil;a epistemol&oacute;gica e a experi&ecirc;ncia t&ecirc;m profundas implica&ccedil;&otilde;es. A vida urbana &eacute; repleta de ofertas para diferentes experi&ecirc;ncias e possibilidades, que, na maioria dos casos, simplesmente tendem a levar os indiv&iacute;duo para mais longe de Deus. Em consequ&ecirc;ncia, a igreja urbana pretende se comunicar de forma eficaz com a mente p&oacute;s-moderna; a fim de ganhar sua aten&ccedil;&atilde;o deve aprender a ir al&eacute;m do n&iacute;vel intelectual. Deve-se levar em considera&ccedil;&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica entre as dimens&otilde;es intelectual e experiencial da vida humana. Como Bowland (1999, p. 126) pondera, a igreja tem &ldquo;que levar em conta que as pessoas no mundo p&oacute;s-moderno de hoje querem experimentar o que [isso tem] a oferecer. Se eles n&atilde;o podem experimentar, &eacute; prov&aacute;vel que nunca aceitem &rdquo;. Por outro lado, a igreja urbana n&atilde;o deve esquecer que parte do colapso da vis&atilde;o de mundo moderno envolve o dualismo entre pensamento e emo&ccedil;&atilde;o. Ambas vitais na miss&atilde;o, &ldquo;mas n&atilde;o contam toda a hist&oacute;ria por si s&oacute;&rdquo; (POE, 2001, p. 62). Eles devem ser vistos como complementos essenciais na proclama&ccedil;&atilde;o do evangelho para a mente p&oacute;s-moderna. A busca p&oacute;s-moderna por experi&ecirc;ncia tem, em certa medida, alimentado outra quest&atilde;o que carrega implica&ccedil;&otilde;es missiol&oacute;gicas para a igreja urbana: o consumismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Da mudan&ccedil;a econ&ocirc;mica ao consumismo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nOutra dimens&atilde;o not&aacute;vel da modernidade para a p&oacute;s-modernidade &eacute; a mudan&ccedil;a de uma cultura baseada na produ&ccedil;&atilde;o para uma cultura baseada no consumo (CRAY, 1998, p. 4). Nick Mercer (1995, p. 325) afirma que, na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, &ldquo;a produtividade entrou em colapso no buraco negro do consumo&rdquo;. Embora o consumo possa ser encontrado em todas as culturas humanas, apenas na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna ele aparece como uma caracter&iacute;stica fundamental da sociedade (CORRIGAN, 1998, p. 1). Jean Baudrillard (1998, 85-86) argumenta que o consumismo &eacute; um fen&ocirc;meno p&oacute;s-moderno. Michael Jessup (2001, p. 289), por sua vez, concorda<br>\nque &ldquo;o estilo p&oacute;s-modernismo, e suas formas, caracterizam o consumismo&rdquo;. 2 O p&oacute;s-moderno equivalente ao lema iluminista, Cogito, ergo sum poderia muito bem ser expressa como, Tesco, ergo sum: &ldquo;Compro, logo existo&rdquo; (MERCER, 1995, p. 325). O consumismo p&oacute;s-moderno &eacute; marcado pela constante expans&atilde;o do marketing e das ferramentas de publicidade, no esfor&ccedil;o de estabelecer e controlar mercados, e tamb&eacute;m no processo ativo de oferecer prazer e significado como uma nova fonte para encontrar sua identidade pessoal (MACKEY, 1997, p. 1-12). Sampson escreve: &ldquo;Produtos s&atilde;o valorizados mais pelo que significam do que pela sua utilidade, fazendo com que as pessoas encontrem significado no pr&oacute;prio ato de consumo&rdquo;. A imagem publicitaria e os produtos tornaram-se bens de consumo para satisfa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, e n&atilde;o como representa&ccedil;&atilde;o de produtos reais (SAMPSON, 1994, p. 31). Indignado, Mercer (1995, p. 329-330) acrescenta:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nPor que preciso escolher entre 83 tipos diferentes de cereais no caf&eacute; da manh&atilde;? Por que eu estou vestindo a moda desta temporada? Por que tantos milh&otilde;es de ocidentais adoram as vitrines espelhadas dos shoppings a cada s&aacute;bado e domingo? Porque &eacute; na escolha e na compra que eu encontro identidade e aceita&ccedil;&atilde;o [&hellip;]. Esta &eacute; a ilus&atilde;o de liberdade que o capitalismo tardio nos oferece. Baseia-se na ideia de que &lsquo;o amor ao dinheiro&rsquo; &eacute; o &uacute;nico dinamismo atrav&eacute;s do qual a economia mundial pode funcionar. Ent&atilde;o, se eu n&atilde;o posso escolher e comprar porque sou &lsquo;menos favorecido&rsquo;, devo ent&atilde;o procurar por identidade e aceita&ccedil;&atilde;o em outros lugares, ou caso contr&aacute;rio me desesperar. O &lsquo;outro lugar&rsquo; pode ser a religi&atilde;o, drogas, sexo, rock&rsquo;n&rsquo;roll, viol&ecirc;ncia ou a mistura de todos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nEm consequ&ecirc;ncia, especialmente entre os jovens, a maneira que eles consomem &eacute; parte fundamental para expressar o tipo de pessoas que s&atilde;o, e do tipo de pessoas que eles representam para os outros (WYN; WHITE, 1997, p. 86). Gunter e Furnham (1998, p. 170) afirmam, &ldquo;os jovens consumidores querem produtos e servi&ccedil;os que proporcionem algo, que os fa&ccedil;a parecer ou se sentir<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n2 Alan Storkey (2000, p. 115), por sua vez, afirma: &ldquo;O p&oacute;s-modernismo &eacute; o consumo. A desconstru&ccedil;&atilde;o e fragmenta&ccedil;&atilde;o que &eacute; frequentemente identificada com mudan&ccedil;as nas abordagens de texto e filosofia est&atilde;o realmente comprando propagandas, cultura de TV, entretenimento, necessidades impulsivas e coisas vivas &mdash; em uma palavra: consumo. Este &eacute; o lugar onde a fragmenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; localizada e iniciada, e muita das culturas reflete meramente essas press&otilde;es. Al&eacute;m disso, a cultura &eacute;, em princ&iacute;pio, fragmentada porque o consumismo vai usar qualquer linguagem cultural dispon&iacute;vel para gerar vendas&rdquo;.<br>\n145144<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante melhor, ter mais divers&atilde;o e ser mais bem aceito dentro de seu grupo de amigos&rdquo;. Shoppings, podem muito bem simbolizar uma nova forma de comunidade urbana onde, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, as pessoas interagem umas com as outras apenas para satisfazer seu v&iacute;cio de comprar. Cray (1998, p. 5) confirma: &ldquo;O consumismo foi constru&iacute;do para ser viciante [&hellip;] o desejo pelo que &eacute; &lsquo;mais recente&rsquo; &eacute; continuamente estimulado e a economia do consumidor trabalha apenas para a cria&ccedil;&atilde;o de uma cultura de insatisfa&ccedil;&atilde;o ao inv&eacute;s de contentamento &rdquo;. Neste contexto, o valor fundamental de uma sociedade de consumo p&oacute;s-moderna se torna uma escolha pessoal. &ldquo;Escolher [&eacute;] o centro do consumismo, ambos como emblema e valor central&rdquo; (GABRIEL; LANG, 1995, p. 27). O pressuposto b&aacute;sico &eacute; o de que todas as pessoas podem realizar qualquer coisa que tenham em mente; &eacute; apenas uma quest&atilde;o de escolha pessoal. Na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, a escolha pessoal tem substitu&iacute;do o &ldquo;progresso&rdquo; da modernidade assim como o valor principal e as cren&ccedil;as (CRAY, 1988, p. 6). Assim, uma nova forma de individualismo surge, uma que leva ao isolamento; que por sua vez remonta ao consumismo como forma de suprimir os efeitos negativos da solid&atilde;o. Eventualmente tornando-se um ciclo vicioso (ver FRAZEE, 2001, p. 177-179).3 Consumismo tamb&eacute;m tem um lado espiritual, ou uma dimens&atilde;o anti-espiritual. Um estudo sociol&oacute;gico aponta que o prazer da mentira est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o do consumismo. Ele encontra no consumismo um &uacute;nico campe&atilde;o que promete libert&aacute;-lo tanto da escravid&atilde;o do pecado, do dever e moralidade, quanto dos seus la&ccedil;os com a f&eacute;, espiritualidade e a reden&ccedil;&atilde;o. O consumismo proclama o prazer n&atilde;o apenas como direito individual, mas tamb&eacute;m como uma obriga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria [&hellip;] A busca do prazer, sem nenhuma culpa ou vergonha, se tornou a nova imagem da boa vida (GABRIEL; LANG, 1995, p. 100). Igrejas urbanas e organiza&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias devem ter cuidado para n&atilde;o cair no padr&atilde;o social do consumismo p&oacute;s-moderno, onde &ldquo;o cliente reina e os produtos se moldam de acordo com seus desejos&rdquo; (DOWSETT, 2000, p. 459). Muitos crist&atilde;os que vivem em centros urbanos, por infelicidade, t&ecirc;m seguido este caminho. Preocupado com o seu comportamento, Jimmy Long (1997, p. 97) escreve: &ldquo;Em vez de tornar-se parte de uma comunidade crist&atilde;, eles frequentam duas ou mais igrejas em busca de atender suas necessidades pessoais. Assim eles permanecem espectadores ou consumidores em cada igreja&rdquo;. Por conseguinte, como a miss&atilde;o urbana alinha-se com a mentalidade<br>\n3 Frazee (2001, p. 179) sugere, &ldquo;Quanto mais n&oacute;s estamos obcecados a aplicar o consumismo como solu&ccedil;&atilde;o para a nossa solid&atilde;o, mais se alimenta a mentalidade individualista&rdquo;.<br>\nconsumidora, seus m&eacute;todos e estrat&eacute;gias podem tornar-se cada vez mais baseados na motiva&ccedil;&atilde;o pessoal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Mudan&ccedil;a temporal<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nEm contraste com o pr&eacute;-modernismo e a vis&atilde;o de mundo moderno &mdash; o primeiro estabelece um sentimento comum de cren&ccedil;as na autoridade do passado, e este &uacute;ltimo em uma confian&ccedil;a ideol&oacute;gica no futuro &mdash; a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna &eacute; marcada pela desilus&atilde;o sobre o que aconteceu antes e a incerteza sobre o que vem a seguir. Mark C. Taylor (1984, p. 3) acredita que os p&oacute;s-modernos, &ldquo;parecem ser inseguros sobre de onde vieram e para onde est&atilde;o indo&rdquo;. Graham Cray (1998, p. 7) constata: &ldquo;a p&oacute;s-modernidade perdeu a certeza de sua esperan&ccedil;a no futuro e n&atilde;o conseguiu redescobrir qualquer sentido coerente de embasamento no passado&rdquo;. Uma vez que a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna tende a enfatizar a atualidade como a dimens&atilde;o mais importante da vida humana, o &ldquo;agora&rdquo; tornou-se tudo o que existe e tudo o que importa. Van Gelder (1996b, p. 136-137) concorda: &ldquo;O car&aacute;ter perspectivo da perspectiva p&oacute;s-moderna tende a concentrar a aten&ccedil;&atilde;o sobre o &lsquo;agora&rsquo; da vida como a &uacute;nica realidade importante [&hellip;]. Isso resulta em uma perda de perspectiva hist&oacute;rica e consciente do car&aacute;ter contingente de toda a exist&ecirc;ncia humana&rdquo; (ver BROWN, 2001, p. 160). Como resultado direto, as pessoas pensam menos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s consequ&ecirc;ncias relacionadas &agrave;s suas decis&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es, e, assim, os conceitos de moralidade e responsabilidade s&atilde;o profundamente afetados (GUDER, 1998, p. 45). Al&eacute;m disso, uma desequilibrada &ecirc;nfase na presente dimens&atilde;o pode levar a quest&otilde;es cr&iacute;ticas sobre a identidade pessoal e comunit&aacute;ria (CRAY, 1998, p. 7-8). Mercer (1995, p. 333) escreve:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA p&oacute;s-modernidade defende uma nova consci&ecirc;ncia de tempo e espa&ccedil;o, uma nova forma de se relacionar com as coisas passadas e o espa&ccedil;o em que vivemos e interagimos. Tudo &eacute; visto atrav&eacute;s do &lsquo;aqui e agora&rsquo;. N&atilde;o h&aacute; hist&oacute;ria nem futuro, mas isso n&atilde;o &eacute; o existencialismo do &ldquo;agora&rdquo; de autentica&ccedil;&atilde;o por meio da decis&atilde;o. Este &eacute; um reconhecimento de que toda a hist&oacute;ria &eacute; uma hist&oacute;ria do presente.<br>\nUma das consequ&ecirc;ncias mais cr&iacute;ticas para a miss&atilde;o decorrente da excessiva &ecirc;nfase sobre a dimens&atilde;o atual da exist&ecirc;ncia humana, &eacute; que em sua busca de identidade pessoal e comunit&aacute;ria, os p&oacute;s-modernos tentam definir-se atrav&eacute;s<br>\n147146<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\ndos meios de cultura popular (SMITH, 2001, p. 162). Al&eacute;m disso, o foco sobre o &ldquo;presente&rdquo; leva muitos p&oacute;s-modernos a experimentar uma perda de dire&ccedil;&atilde;o futura e uma sensa&ccedil;&atilde;o diminu&iacute;da de esperan&ccedil;a e prop&oacute;sito, criando assim uma vis&atilde;o negativista da vida humana. No contexto da miss&atilde;o urbana, outra implica&ccedil;&atilde;o de uma cultura do presente reside no aumento do uso do ciberespa&ccedil;o como uma &ldquo;ponte tecnol&oacute;gica poderosa entre o ef&ecirc;mero e o eterno&rdquo; (BEAUDOIN, 1998, p. 46). Esta parece ser uma tentativa de preencher o vazio causado pela &ecirc;nfase excessiva sobre o &ldquo;agora&rdquo; como a &uacute;nica dimens&atilde;o vital da exist&ecirc;ncia humana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Do deslocamento da comunica&ccedil;&atilde;o ao ciberespa&ccedil;o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nNa tentativa de abordar a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna com o evangelho, a igreja urbana deve se engajar em uma comunica&ccedil;&atilde;o eficaz, especialmente porque a comunica&ccedil;&atilde;o sempre influenciou a forma como a igreja proclama a sua mensagem.4 O mundo ocidental, no entanto, est&aacute; passando por uma das revolu&ccedil;&otilde;es mais significativas da hist&oacute;ria da humanidade: a revolu&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es (CAIRNCROSS, 2001, p. 2). A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica nas comunica&ccedil;&otilde;es tem avan&ccedil;ado com uma velocidade incr&iacute;vel durante as &uacute;ltimas d&eacute;cadas com a crescente integra&ccedil;&atilde;o dos sistemas de computador nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. De acordo com Frances Cairncross (2001, p. 2), a revolu&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es &ldquo;estar&aacute; entre as mais importantes for&ccedil;as que determinaram a [&hellip;] sociedade nos pr&oacute;ximos cinquenta anos mais ou menos&rdquo;.5 No mundo moderno, a comunica&ccedil;&atilde;o ocorreu principalmente atrav&eacute;s do conhecimento cognitivo. Palavras, tanto na forma oral quanto escrita eram o meio dominante de comunica&ccedil;&atilde;o. Na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, a comunica&ccedil;&atilde;o mudou para uma forma mais interativa que gera conhecimento atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o pessoal (WEBBER, 2003, p. 24). Inquestionavelmente, esta mudan&ccedil;a tem implica&ccedil;&otilde;es irrevers&iacute;veis para a miss&atilde;o urbana em uma condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna emergente. Para Drummond (2002, p. 120), &ldquo;apesar da complexidade da quest&atilde;o, o obst&aacute;culo que a comunica&ccedil;&atilde;o apresenta a miss&atilde;o pode ser descrita simplesmente pela necessidade da igreja de<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n4 Para melhor entendimento da import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o na proclama&ccedil;&atilde;o do evangelho (ver BABIN; IANNONE, 1991, p. 70-109). 5 Por exemplo, o impacto e a velocidade da revolu&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; claramente percept&iacute;vel na diferen&ccedil;a entre as legendas de uma edi&ccedil;&atilde;o anterior de The Death of Distance (1997), publicado apenas quatro anos antes. usufruir da onda comunicativa nesse novo segmento da sociedade&rdquo;. Neste contexto, o ciberespa&ccedil;o6 est&aacute; se tornando o mecanismo de comunica&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna por excel&ecirc;ncia, especialmente por causa de sua forte influ&ecirc;ncia sobre os p&oacute;s-modernos (DRUMMOND, 2002, p. 120). Como um componente fundamental da revolu&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es atual, o desenvolvimento do ciberespa&ccedil;o &eacute; cada vez mais reconhecido como &ldquo;uma das maiores inven&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria da civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (SWEET, 2000, p. 115). Nunca antes uma nova inven&ccedil;&atilde;o havia surgido t&atilde;o r&aacute;pido da &ldquo;obscuridade para a fama global&rdquo; (CAIRNCROSS, 1997, p. 75). Cairncross (1997, p. 76) afirma que o ciberespa&ccedil;o oferece &ldquo;um mundo em que a transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o custa praticamente nada, que a dist&acirc;ncia &eacute; irrelevante e que qualquer quantidade de conte&uacute;do &eacute; instantaneamente acess&iacute;vel&rdquo;. Al&eacute;m disso, o ciberespa&ccedil;o &eacute; visto como uma ferramenta poderosa para a mudan&ccedil;a social entre os p&oacute;s-modernos (ver SWEET et al., 2003, p. 155-156). Rob Weber afirma:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA quantidade de informa&ccedil;&otilde;es que recebemos e as diferentes oportunidades de acesso aumentam drasticamente a cada dia. &Eacute; impressionante quanta informa&ccedil;&atilde;o nos &eacute; apresentada de forma regular [&hellip;]. O acesso a quase todas as culturas, filosofias, sistemas religiosos e grupos de interesse est&atilde;o apenas a alguns cliques de dist&acirc;ncia. A internet n&atilde;o &eacute; apenas uma fonte passiva de informa&ccedil;&otilde;es (a nossa espera); ela est&aacute; vindo at&eacute; n&oacute;s atrav&eacute;s do envio de e-mail &lsquo;spam&rsquo;, informa&ccedil;&otilde;es de rastreamento e an&uacute;ncios pop-up. Estamos sendo inundados por uma tempestade de hist&oacute;rias, imagens e informa&ccedil;&otilde;es (WEBER, 2002, p. 27).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nO ciberespa&ccedil;o personifica o ethos p&oacute;s-moderno em pelo menos duas maneiras. Primeiro, ele cria uma realidade virtual onde o esp&iacute;rito p&oacute;s-moderno da fic&ccedil;&atilde;o embasada com a realidade &eacute; facilmente alcan&ccedil;ada. Na realidade virtual n&atilde;o existem barreiras temporais ou espaciais; e qualquer um pode estar em qualquer lugar em qualquer momento (ver MERCER, 1995, p. 323). Segundo, ele responde a um dos principais desejos dos indiv&iacute;duos que buscam uma experi&ecirc;ncia de realidade virtual: a velocidade. Beaudoin (1998, p. 86-87) afirma que<br>\n6 Para o prop&oacute;sito deste estudo, o ciberespa&ccedil;o refere-se &agrave; internet e a Web. Embora, tanto a internet como a Web tenham surgido no final de 1980 e in&iacute;cio de 1990, estes novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o pode ser visto como uma continua&ccedil;&atilde;o de dois avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos mais velhos: o computador pessoal e o v&iacute;deo game. A primeira gera&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s-modernos, cresceu interagindo com essas m&aacute;quinas e sua r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o ao ciberespa&ccedil;o est&aacute; diretamente ligada a esta experi&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica (veja BEAUDOIN, 1998, p. 42-45).<br>\n149148<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbana Igreja Relevante<br>\na busca por uma velocidade &ldquo;perfeita&rdquo; no ambiente de ciberespa&ccedil;o &ldquo;garantiria uma simula&ccedil;&atilde;o possivelmente &lsquo;real&rsquo; e, portanto, permitiria a presen&ccedil;a em um reino que est&aacute; al&eacute;m dos limites da realidade&rdquo;. Portanto, em uma sociedade urbanizada e p&oacute;s-moderna, a igreja urbana deve estar aberta para o ciberespa&ccedil;o como um novo sistema de entrega de informa&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, ao mesmo tempo, a igreja urbana deve estar ciente de que quanto mais conectadas eletronicamente, mas desligadas se tornam pessoalmente (SWEET, 2000, p. 115). Na busca p&oacute;s-moderna por uma experi&ecirc;ncia on-line para satisfazer a solid&atilde;o de uma exist&ecirc;ncia desligada, &eacute; responsabilidade da igreja urbana fornecer op&ccedil;&otilde;es e dire&ccedil;&atilde;o para as rela&ccedil;&otilde;es sociais no ciberespa&ccedil;o, o que de acordo com Sweet et al. (2000, p. 156), &ldquo;os modernos n&atilde;o podem sequer come&ccedil;ar a compreender&rdquo;. Al&eacute;m disso, com o espa&ccedil;o cibern&eacute;tico proliferando em todo o globo, as dimens&otilde;es espaciais local e global se fundem e se tornam cada vez mais pr&oacute;ximas (BEAUDOIN, 1998, p. 57).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Da mudan&ccedil;a espacial &agrave; glocal<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nOutra implica&ccedil;&atilde;o importante &agrave; miss&atilde;o urbana em uma sociedade p&oacute;s-moderna vem atrav&eacute;s da dissemina&ccedil;&atilde;o do impacto da globaliza&ccedil;&atilde;o: 7 o conceito de glocalidade. A glocalidade descreve a intera&ccedil;&atilde;o entre influencia global e &ecirc;nfase local. William Lim escreve;<br>\nO conceito de glocalidade envolve e define local e global. Isso requer continua intera&ccedil;&atilde;o de ambos e sua frequente jun&ccedil;&atilde;o de fronteiras [&hellip;] A glocalidade abrange um vasto leque de preocupa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a pobreza, meio ambiente e qualidade de vida, como a problemas relacionados com a subalterniza&ccedil;&atilde;o bem como novas dire&ccedil;&otilde;es em urbanismo, arquitetura e as artes. A for&ccedil;a motriz &eacute; criadora de rebeldia com fortes compromissos 7 Descrevendo o impacto da globaliza&ccedil;&atilde;o na cultura ocidental, Samuel Escobar escreve: &ldquo;Por causa da expans&atilde;o da cultura ocidental durante os s&eacute;culos 19 e 20, atrav&eacute;s da m&iacute;dia e educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, todo graduado em uma universidade em qualquer parte do mundo de hoje, assimilou elementos centrais da cultura ocidental. A tecnologia que faz parte do nosso mundo globalizado tem h&aacute;bitos ocidentalizados, formas de relacionamento, formas de se movimentar e comunicar a n&iacute;vel mundial. Consequentemente, as caracter&iacute;sticas culturais que incluem as tend&ecirc;ncias que chamamos de p&oacute;s-moderna [&hellip;] est&atilde;o se espalhando por todo o mundo e em diferentes culturas, coexiste e interage em um processo de transi&ccedil;&atilde;o&rdquo; (ESCOBAR, 2003, p. 71, ver FRIEDMAN, 2000, p. 236-239).<br>\ncom a justi&ccedil;a social. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; pluralista e sua principal caracter&iacute;stica &eacute; a toler&acirc;ncia das diferen&ccedil;as (LIM, 2001, p. xv).<br>\nEnquanto o impacto geral de glocalidade ainda n&atilde;o &eacute; sentido, sua emerg&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser negada. Robert Jeffery (2002, p. 195) observa:<br>\n&Agrave; medida que o mundo fica menor, h&aacute; uma forte tentativa de reafirmar o local, o tribal e a cultura distinta, embora de uma forma diferente [&hellip;]. A globaliza&ccedil;&atilde;o, portanto, n&atilde;o enfraquece culturas distintas; ao inv&eacute;s disso, d&aacute;-lhes um novo significado. H&aacute; mais press&atilde;o para fazer valer o local e o distintivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nOs p&oacute;s-modernos reconhecem que em uma comunidade global a identidade local n&atilde;o pode ser negligenciada.8 Este fato &eacute; percept&iacute;vel em tend&ecirc;ncias como moda, entretenimento e m&uacute;sica onde existem fortes liga&ccedil;&otilde;es entre local e global, o que refor&ccedil;a a ideia de glocalidade. Gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes est&atilde;o localmente sens&iacute;veis, bem como conscientes globalmente. J&aacute; n&atilde;o percebem as coisas somente pelo seu contexto local. As implica&ccedil;&otilde;es de glocalidade no contexto da miss&atilde;o urbana para uma condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna s&atilde;o significativas. A igreja urbana precisa aprender a se comunicar com a mente p&oacute;s-moderna com uma consci&ecirc;ncia local e global ao mesmo tempo. Andrew Davey (2002, p. 39) concorda: &ldquo;Os pontos fortes da igreja devem situar na sua capacidade de manter o local e o global em sua pr&oacute;pria tens&atilde;o din&acirc;mica em que visa a pr&aacute;tica da liberdade humana na presen&ccedil;a de Deus em qualquer condi&ccedil;&atilde;o humana que se encontra no n&iacute;vel local, nacional, regional e global&rdquo;. A igreja urbana precisa, portanto, entender e perceber a sua responsabilidade e potencial de conex&atilde;o, al&eacute;m de afirmar as comunidades e indiv&iacute;duos nos elementos locais e globais da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. Um determinado esfor&ccedil;o da parte da igreja vai permitir que ela se torne uma comunidade de pessoas que demonstram interesse com as preocupa&ccedil;&otilde;es<br>\n8 Tim Chester (2001, p. 17-18) aponta que &ldquo;as for&ccedil;as criadas pela globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o uma nova realidade com a qual a igreja deve lutar. Em um sistema integrado, liberalizar decis&otilde;es da economia global sobre uma f&aacute;brica na Cidade do M&eacute;xico pode ser feito em Genebra mudan&ccedil;as no mercado em Londres pode afetar as economias rurais na &Iacute;ndia. A velocidade das novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o amplificam esse processo de causa e efeito global, enquanto acelera sua difus&atilde;o. Com a globaliza&ccedil;&atilde;o, a economia alcan&ccedil;a at&eacute; a globaliza&ccedil;&atilde;o cultural, especialmente os centros urbanos de r&aacute;pido crescimento em nosso mundo. Estamos caminhando para uma situa&ccedil;&atilde;o em que os moradores urbanos de todo o mundo ter&atilde;o mais em comum uns com os outros do que com os habitantes rurais em seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses&rdquo;.<br>\n151150<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbana Igreja Relevante<br>\nglocais dos p&oacute;s-modernos. Aqui, a igreja urbana tem a oportunidade e a responsabilidade de expressar a sua natureza global no contexto de uma comunidade local. Esta &eacute; tamb&eacute;m uma forma poderosa de se conectar com a mente p&oacute;s-moderna (WEBBER, 2003, p. 133). Na segunda parte deste cap&iacute;tulo, s&atilde;o abordados alguns princ&iacute;pios propostos para uma miss&atilde;o urbana sens&iacute;vel ao p&oacute;s-modernismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Princ&iacute;pios propostos para uma miss&atilde;o urbana.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nAssim como a diferen&ccedil;a entre mission&aacute;rios transculturais e a cultura destinada pode apenas ser superada atrav&eacute;s do uso cuidadoso da comunica&ccedil;&atilde;o, se a igreja urbana deve ser bem sucedida em comunicar o evangelho para os p&oacute;s-modernos &eacute; essencial entender a perspectiva p&oacute;s-moderna e alguns dos princ&iacute;pios que podem ser usados para produzir um di&aacute;logo.9 Esta &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o recomenda princ&iacute;pios selecionados que devem ser levadas em considera&ccedil;&atilde;o em uma miss&atilde;o urbana sens&iacute;vel ao p&oacute;s-modernismo. Entre eles est&atilde;o os princ&iacute;pios comuns, emp&iacute;rico, antigo para o futuro, de integra&ccedil;&atilde;o e de narra&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Princ&iacute;pio da comunidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nAproximadamente 15 anos atr&aacute;s, refletindo sobre a confer&ecirc;ncia de 1989 da Comiss&atilde;o de WCC para a Miss&atilde;o Mundial e Evangeliza&ccedil;&atilde;o, em San Antonio, Texas, o missi&oacute;logo David Bosch (1989, p. 137) observou o surgimento do tema de comunidade declarando que &ldquo;a procura da comunidade vai passar a ser um dos principais temas missiol&oacute;gicos&rdquo; nos pr&oacute;ximos anos. Com o surgimento da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna em mente, Bosch (1991, p. 472) refor&ccedil;ou seu argumento na Transforming Mission, afirmando que &ldquo;&eacute; a comunidade a principal portadora da miss&atilde;o&rdquo;. Al&eacute;m disso, no final de seu livro publicado posteriormente em missiologia para a cultura ocidental, Bosch (1995, p. 60) escreveu:<br>\n9 Van Gelder (2000b, p. 37) afirma: &ldquo;poss&iacute;veis pontes est&atilde;o dispon&iacute;veis para aqueles que querem ser mission&aacute;rios para as pessoas que vivem dentro da vis&atilde;o de mundo do p&oacute;s-modernismo. Procurar por tais pontes &eacute; um som de princ&iacute;pio missiol&oacute;gico e a hist&oacute;ria das miss&otilde;es est&aacute; cheia de exemplos de como isso tem funcionado ao longo dos s&eacute;culos&rdquo;.<br>\nA quest&atilde;o sobre a viabilidade de um empreendimento mission&aacute;rio para as pessoas ocidentais depende da quest&atilde;o da natureza e da vida das nossas comunidades de adora&ccedil;&atilde;o locais na medida em que facilitam um discurso no qual o envolvimento das pessoas com a sua cultura &eacute; incentivado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nPor outro lado, o reconhecimento do fracasso do culto moderno individual tamb&eacute;m deu origem &agrave; tomada de consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da comunidade. Estudiosos t&ecirc;m reconhecido a necessidade de compreender melhor a rela&ccedil;&atilde;o entre os aspectos individuais e sociais da exist&ecirc;ncia humana (GRENZ, 1992, p. 20). No que parece ser uma contradi&ccedil;&atilde;o, os p&oacute;s-modernos querem ter a liberdade individual, mas no contexto da comunidade. Leonard Sweet (1999, p. 34) apresenta um paradoxo afirmando que &ldquo;a busca pelo individualismo levou-nos a este lugar de fome por comunidade.&rdquo; Van Gelder (2000b, p. 38) acrescenta:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nPessoas moldadas pela perspectiva p&oacute;s-moderna tendem a estar em uma jornada &agrave; procura de uma comunidade. A promessa do Iluminismo de produzir uma liberdade antecipada para o reconhecimento pr&oacute;prio, tornou-se para os indiv&iacute;duos racionais uma gaiola de ferro de individualismo no mundo p&oacute;s-moderno. Qualquer senso de identidade ou significado pessoal entrou em colapso. O resultado para muitos tem sido um renovado desejo de descobrir, encontrar e pertencer &agrave; comunidade. Uma ponte natural existe para que o evangelho seja proclamado por uma comunidade crist&atilde; convidativa que sabe aceitar as pessoas onde est&atilde;o.<br>\nEm outras palavras, a gera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna est&aacute; mais aberta a relacionamentos do que nunca antes, afastando-se do individualismo da vis&atilde;o de mundo moderno em forma de Iluminismo em uma atitude comum p&oacute;s-moderna. Neste contexto, e visto de uma perspectiva de miss&atilde;o urbana, a busca p&oacute;s-moderna por relacionamentos &eacute; de import&acirc;ncia fundamental. Como a urbaniza&ccedil;&atilde;o e a globaliza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m o seu efeito sobre a sociedade, a maioria dos moradores das cidades vivem em diversos mundos culturais, com m&uacute;ltiplas identidades e participam de v&aacute;rias comunidades. Mesmo assim, na maioria dos casos sua participa&ccedil;&atilde;o em tais comunidades pode ser superficial e\/ou sem sentido.<br>\n153152<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\nA busca por pertencimento A condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna foi marcada pelos efeitos das circunst&acirc;ncias familiares disfuncionais,10 que, em grande parte, leva gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas mais jovens a procurar por pertencimento em locais alternativos.11 Na maioria dos casos esta &eacute; uma busca por ra&iacute;zes, uma busca por fam&iacute;lia e amigos (CALLAHAN, 1990, p. 102). Em &uacute;ltima an&aacute;lise, os p&oacute;s-modernos esperam encontrar o que pode satisfazer seu anseio mais profundo: um lugar onde eles podem pertencer e serem aceitos. Al&eacute;m disso, parece que o colapso da vis&atilde;o de mundo moderno tem realmente criado um desejo n&atilde;o apenas por uma comunidade, mas por intimidade (LONG, 1997, p. 137) em um contexto onde as pessoas podem ser aceitas e valorizadas como elas s&atilde;o. Por outro lado, os p&oacute;s-modernos muitas vezes entram em relacionamentos que lhes garantam um sentimento de pertencer, mas no final s&oacute; aumentam o sentimento de desespero e aliena&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, n&atilde;o &eacute; surpreendente que as pessoas mais jovens estejam obcecadas por sexo, visto que lhes proporciona a oportunidade de intimidade f&iacute;sica e emocional sem os riscos de dano emocional que v&ecirc;m atrav&eacute;s do compromisso e da vulnerabilidade.12 A intimidade p&oacute;s-moderna est&aacute; procurando estender uma dimens&atilde;o horizontal em dire&ccedil;&atilde;o a rela&ccedil;&otilde;es humanas e uma dimens&atilde;o vertical em dire&ccedil;&atilde;o ao sagrado ou o espiritual (WUTHNOW, 1994, p. 51). Do ponto de vista da miss&atilde;o crist&atilde;, portanto, a busca p&oacute;s-moderna por espiritualidade &eacute; em &uacute;ltima<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n10 Celek e Zander (1998, p. 15-21) apontam o fato de que a dissolu&ccedil;&atilde;o dos valores da fam&iacute;lia levou a gera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna emergente a se sentir sozinha, abandonada e alienada (ver HAHN; VERHAAGEN, 1998, p. 15-21; 1996, p. 35-43). 11 De acordo com Myers (2003, p. 25), o pertencimento acontece quando os indiv&iacute;duos &ldquo;identificam [sic] com outra entidade uma pessoa ou organiza&ccedil;&atilde;o ou talvez uma esp&eacute;cie, cultura ou grupo &eacute;tnico&rdquo;. Por exemplo, a popularidade do sitcom Friends como um dos cinco programas de TV mais assistidos de todos os tempos, demonstra claramente como a busca por pertencer &eacute; uma quest&atilde;o importante na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. Comentando sobre o sucesso deste programa de TV, Grenz (1999, p. 48) afirma: &ldquo;Entre bem e mal esses amigos riem juntos, ferem um ao outro e tamb&eacute;m se apoiam. Mas acima de tudo a amizade que eles compartilham d&aacute; sentido &agrave;s suas vidas. A mensagem central da s&eacute;rie &eacute; retirada da m&uacute;sica tema do programa, &lsquo;I&rsquo;ll Be There for You&rsquo; que expressa abertamente &agrave; experi&ecirc;ncia [p&oacute;s-moderna], ou seja, que a realidade da vida est&aacute; muito longe de nossas expectativas [&hellip;]. O coro, no entanto, expressa o ant&iacute;doto para a solid&atilde;o, sofrimento e fragilidade da vida. Cada membro do pequeno c&iacute;rculo de amigos promete estar &ldquo;l&aacute;&rdquo; pelo outro, porque &mdash; citando a &uacute;ltima linha da m&uacute;sica &mdash; voc&ecirc; est&aacute; l&aacute; para mim, tamb&eacute;m&rdquo;. 12 Em Prozac Nation, uma autobiografia, Elizabeth Wurtzel (1995, p. 59) relata sua promiscuidade sexual na adolesc&ecirc;ncia como uma forma de fugir da solid&atilde;o e da rejei&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, em um par&aacute;grafo revelador ela admite que agradeceu a Deus pelo dom incr&iacute;vel de ser capaz de dar e receber prazer sexual. an&aacute;lise a busca de um relacionamento com Deus, que por sua vez, pode ser satisfeito pela experi&ecirc;ncia de pertencer a uma comunidade de seguidores de Deus &mdash; a igreja (GRENZ, 1999, p. 46).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A igreja urbana como uma<\/strong><\/span><strong><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">&nbsp;comuni<\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">dade de pertencimento<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"> A igreja urbana &eacute; a comunidade crist&atilde; designada por Deus para levar a diante a sua miss&atilde;o aos centros urbanos do mundo. Como tal, desempenha um papel crucial no cumprimento da miss&atilde;o p&oacute;s-moderna. Hunsberger (2002, p. 97) escreve: &ldquo;A cobran&ccedil;a por ser comunidade &eacute; fundamental para a igreja no tempo presente. A nova gera&ccedil;&atilde;o decorrente certamente n&atilde;o vai tolerar qualquer coisa menos&rdquo;. Grenz (1992, p. 20), por sua vez, argumenta que &ldquo;a transi&ccedil;&atilde;o para uma era p&oacute;s-moderna exige que n&oacute;s repensemos a natureza da igreja &mdash; que busquemos uma renova&ccedil;&atilde;o de nossa vis&atilde;o de quem somos como comunidade de Deus&rdquo;. Para isso, &eacute; essencial que a igreja venha a compreender n&atilde;o s&oacute; a sua natureza mission&aacute;ria intr&iacute;nseca (ver BLAUW, 1962, p. 119-126), mas tamb&eacute;m a sua identidade comunit&aacute;ria. No entanto, especialmente por causa da crescente indiferen&ccedil;a &agrave; religi&atilde;o institucionalizada, os p&oacute;s-modernos est&atilde;o &agrave; procura de uma comunidade para pertencer antes de encontrar uma mensagem para acreditar. Richard Rice declara: &ldquo;Pertencimento &eacute; o elemento mais importante na vida crist&atilde;. Ele prevalece sobre o acreditar e o agir. Cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas s&atilde;o essenciais para a experi&ecirc;ncia crist&atilde;, &eacute; claro, mas sua caracter&iacute;stica central, o elemento mais importante e abrangente &eacute; participa&ccedil;&atilde;o na vida da comunidade&rdquo; (RICE, 2002, p. 204). Na comunidade, portanto, os p&oacute;s-modernos podem experimentar cren&ccedil;as a que est&atilde;o expostas. Ent&atilde;o, podem decidir afirmar publicamente essas cren&ccedil;as e seguir a Cristo intencionalmente. Enquanto isso, eles est&atilde;o &agrave; procura de uma aceita&ccedil;&atilde;o, um lugar seguro para expandir a sua pr&oacute;pria identidade no contexto da comunidade (RICHARDSON, 2000, p. 99-100). Com o conceito de comunidade crist&atilde; em mente, a miss&atilde;o da igreja para com os indiv&iacute;duos urbanos p&oacute;s-modernos deve ter uma metodologia e um foco diferente. A igreja urbana precisa empregar uma abordagem muito mais relacional, uma abordagem que, de acordo com Kimball (2003, p. 81), &ldquo;vai reconstruir a confian&ccedil;a e apontar para Jesus como o &uacute;nico que pode ser sempre confi&aacute;vel&rdquo;. Comentando sobre a import&acirc;ncia de uma abordagem adequada no desenvolvimento de uma verdadeira comunidade crist&atilde;, Rice sustenta:<br>\nSe pertencimento &eacute; fundamental para a nossa compreens&atilde;o do cristianismo, no entanto, o prop&oacute;sito do evangelismo n&atilde;o &eacute; convencer as<br>\n155154<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\npessoas a mudar suas ideias ou suas a&ccedil;&otilde;es. Sua meta &eacute; incorpor&aacute;-las &agrave; comunidade crist&atilde; para compartilhar com eles as ricas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os da comunh&atilde;o crist&atilde;. Uma vez que estamos cientes de que pertencer &eacute; o nosso objetivo principal, podemos mostrar que isso inclui acreditar e agir, mas n&atilde;o vamos fazer mudan&ccedil;as na cren&ccedil;a e no comportamento como um objetivo em si mesmo (RICE, 2002, p. 121).<br>\nPortanto, se levado a s&eacute;rio, o desenvolvimento de uma autentica comunidade crist&atilde; atrav&eacute;s da igreja local ser&aacute; a funda&ccedil;&atilde;o relacional b&aacute;sica para a miss&atilde;o urbana e o quadro b&aacute;sico para o minist&eacute;rio em um ambiente p&oacute;s-moderno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Princ&iacute;pio experiencial<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nComo j&aacute; mencionado no cap&iacute;tulo 4 do presente estudo, a busca por experi&ecirc;ncia espiritual &eacute; uma das tend&ecirc;ncias caracter&iacute;sticas no mundo ocidental no in&iacute;cio do s&eacute;culo 21 (ver SWEET, 1992, p. 33). Os p&oacute;s-modernos, afirma Sweet (2000, p. 49), &ldquo;est&atilde;o famintos por experi&ecirc;ncias [espirituais]&rdquo;. No entanto, este aparente interesse em quest&otilde;es espirituais tem mais rela&ccedil;&atilde;o com o sentimento pessoal do que com o interesse em verdades espirituais. Os p&oacute;s-modernos podem estar interessados em desvendar os problemas que machucam o cora&ccedil;&atilde;o, mas podem n&atilde;o estar interessados em desenvolver cren&ccedil;as para a sua mente. A igreja urbana, portanto, deve tomar em considera&ccedil;&atilde;o o desenvolvimento de experi&ecirc;ncias espirituais que sejam tang&iacute;veis e reais. Partilhar nossa experi&ecirc;ncia com Deus pode ser mais eficaz do que tentar convencer as pessoas que elas devem acreditar em Jesus ou na B&iacute;blia. Assim, como Richardson (2000, p. 51) aponta, para a mente p&oacute;s-moderna &ldquo;experi&ecirc;ncia vem antes de explica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. No entanto, &eacute; importante enfatizar que a experi&ecirc;ncia n&atilde;o substitui explica&ccedil;&atilde;o, mas deve ser experimentada antes. Uma abordagem sens&iacute;vel ao p&oacute;s-modernismo para a miss&atilde;o urbana n&atilde;o deve tornar-se anti-intelectual e renunciar a tudo que foi alcan&ccedil;ado pela vis&atilde;o de mundo moderno baseado no Iluminismo. Grenz (1996, p. 169) afirma:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nNenhuma experi&ecirc;ncia ocorre no v&aacute;cuo; nenhuma transforma&ccedil;&atilde;o vem a n&oacute;s para al&eacute;m de uma interpreta&ccedil;&atilde;o facilitada pelo conceito &mdash; a &ldquo;teia de cren&ccedil;as&rdquo; &mdash; n&oacute;s fazemos isso. Pelo contr&aacute;rio, a experi&ecirc;ncia e os conceitos interpretativos s&atilde;o reciprocamente relacionados. Nossos conceitos facilitam nossa compreens&atilde;o das experi&ecirc;ncias que temos na vida e as nossas<br>\nexperi&ecirc;ncias moldam os conceitos interpretativos que empregamos para falar sobre nossas vidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nNeste novo contexto para a miss&atilde;o, a igreja urbana local deve disponibilizar um ambiente em que a partilha de uma experi&ecirc;ncia pessoal com Deus pode ser discernida de maneira tang&iacute;vel. Para este fim, em uma sociedade ocidental orientada cada vez mais por imagem, uma experi&ecirc;ncia multissensorial com Deus pode ser de profunda relev&acirc;ncia para a mente p&oacute;s-moderna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA busca por experi&ecirc;ncia visual<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"> A ascens&atilde;o de formas visuais, simb&oacute;licas e interativas de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; de grande import&acirc;ncia para a miss&atilde;o da igreja na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna emergente (ver WEBBER, 1999, p. 133). Enquanto no mundo moderno se alicer&ccedil;a no processo de comunica&ccedil;&atilde;o baseada em palavras, na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna elas s&atilde;o orientadas por imagens (ver SWEET, 2000, p. 860). Como um guru de neg&oacute;cios Peter Drucker (1989, p. 264) salienta, &ldquo;Trezentos anos atr&aacute;s, Descartes disse: &lsquo;Penso, logo existo&rsquo;. Agora vamos ter de dizer tamb&eacute;m: &lsquo;Vejo, logo existo&rsquo; Desde Descartes, a &ecirc;nfase tem estado no conceitual. Cada vez mais vamos equilibrar o conceitual e o perceptual&rdquo;. Assim, em um contexto urbano p&oacute;s-moderno, a est&eacute;tica se tornou a nova &ldquo;linguagem do poder&rdquo; (SWEET, 2000, p. 93; ver MILLER, 2004, p. 55). Rodney Clapp (2000, p. 102) afirma que os p&oacute;s-modernos &ldquo;cada vez mais se afastam da palavra escrita e dos livros e se voltam para o poder da imagem fotografada, televisionada e digitalizada.&rdquo; Mitchell Stephens (1998, p. xii), por sua vez, acredita que a imagem &ldquo;tem o potencial de nos levar a novos horizontes e novos lugares filos&oacute;ficos, assim como a escrita fez uma vez, a impress&atilde;o faz novamente&rdquo;. Escrevendo sobre o poder das imagens de v&iacute;deo, Stephens (1998, p. xii) acrescenta:<br>\nNo s&eacute;culo XVI, o escritor franc&ecirc;s Rabelais exclamou: &lsquo;Impress&atilde;o [&hellip;] est&aacute; agora em uso, t&atilde;o elegante e t&atilde;o correta que n&atilde;o pode ficar melhor&rsquo;. Quase meio mil&ecirc;nio j&aacute; passou. Meu argumento, apenas indicando, &eacute; que estamos finalmente prontos para imaginar melhor que mais uma vez produzimos uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o poderosa o suficiente para nos ajudar a desenvolver nas formas de conhecimentos muito mais avan&ccedil;ados.<br>\n13 Van Gelder (2002, p. 499) concorda que esse &ldquo;encontro experimental precisa ser equilibrado com uma compreens&atilde;o intelig&iacute;vel da f&eacute;&rdquo;.<br>\n157156<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\nJim Wilson (2002, p. 24) ressalta que neste novo contexto cultural, os p&oacute;s-modernos que buscam por uma experi&ecirc;ncia espiritual n&atilde;o s&atilde;o crentes na &ldquo;palavra&rdquo;, maspessoas que est&atilde;o procurando raz&otilde;es para acreditar ou princ&iacute;pios a seguir &mdash; ou seja, s&atilde;o guiadas pela &lsquo;imagem&rsquo; que por muito tempo procuram sincronizar a sua alma com Deus atrav&eacute;s da beleza, ritmo e intui&ccedil;&atilde;o. Eles preferem a &ldquo;imagem&rdquo; a &ldquo;mil palavras&rdquo;. Na cultura p&oacute;s-moderna emergente, portanto, o uso de met&aacute;foras e a busca por conceitos visuais s&atilde;o elementos primordiais no processo de comunica&ccedil;&atilde;o e os mesmos princ&iacute;pios e proposi&ccedil;&otilde;es cognitivas chegaram &agrave; era moderna. Sweet (1999, p. 34) concorda, &ldquo;proposi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o perdidas em ouvidos p&oacute;s-modernos; mas met&aacute;foras s&atilde;o ouvidas e imagens s&atilde;o vistas e entendidas&rdquo; (ver SWEET et al., 2003, p. 155). No atual ambiente orientado pela imagem, contudo, a igreja de um modo geral n&atilde;o come&ccedil;ou a abordar esta tend&ecirc;ncia de comunica&ccedil;&atilde;o de forma adequada (ver DOWSETT, 2000, p. 458). Infelizmente, a miss&atilde;o da igreja para as culturas p&oacute;s-modernas enfrentou s&eacute;rios problemas por sua incapacidade de adaptar seus m&eacute;todos para esta nova tend&ecirc;ncia. Na maioria dos casos, as igrejas urbanas ainda est&atilde;o abordando os p&oacute;s-modernos da maneira tradicional, insistindo apenas na utiliza&ccedil;&atilde;o de palavras. Leonard Sweet e Brian McLaren (2003, p. 154-155) admitem:<br>\nA igreja tem um problema de imagem. Em uma imagem onde tudo &eacute; cultura, imagens t&ecirc;m substitu&iacute;do palavras como um vern&aacute;culo cultural. A igreja est&aacute; fortemente &ldquo;logoc&ecirc;ntrica&rdquo; (ou seja, baseada em palavras), nervosa em torno das imagens e alienada de sua pr&oacute;pria imagem rica em pedigree. Isto contrasta com o fato de que at&eacute; as crian&ccedil;as de hoje est&atilde;o de maneira surpreendente aprendendo dentro de uma tradi&ccedil;&atilde;o visual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nUma vez que a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-m<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">oderna emergente produz uma gera&ccedil;&atilde;o que aprende visualmente atrav&eacute;s da televis&atilde;o, filmes e internet, a igreja deve tornar-se tridimensional em seus m&eacute;todos de ensino incorporando elementos visuais n&atilde;o como um substituto para as palavras, mas em apoio a elas (KIMBALL, 2004, p. 188). Estas novas formas de comunica&ccedil;&atilde;o, afirma Stephens (1998, p. xii), &ldquo;deve ser reivindicad[a] como um m&eacute;todo visual distinto para compartilhar o evangelho&rdquo;. Assim, a li&ccedil;&atilde;o para a igreja &eacute; simples: imagens criam emo&ccedil;&otilde;es e as gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas v&atilde;o responder &agrave; experi&ecirc;ncia que elas criaram (SWEET, 2000, p. 86). Anderson (1992, p. 21) aponta: &ldquo;O velho paradigma ensinou que se voc&ecirc; tiver o ensino correto, voc&ecirc; vai poder experimentar Deus. O novo paradigma diz que se<br>\nvoc&ecirc; experimentar Deus, voc&ecirc; ter&aacute; o ensino correto&rdquo;. Na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, portanto, a verdade &eacute; tamb&eacute;m expressa em imagens (GUDER, 1998, p. 37).14 Mesmo assim, a vis&atilde;o &eacute; o &uacute;nico elemento que a igreja sens&iacute;vel ao p&oacute;s-modernismo deve oferecer para um encontro experimental com Deus. Cada vez mais, algumas igrejas urbanas t&ecirc;m empregado o que &eacute; chamado de experi&ecirc;ncia &ldquo;total&rdquo; ou &ldquo;multissensorial&rdquo; em suas reuni&otilde;es de adora&ccedil;&atilde;o a fim de atrair os p&oacute;s-modernos para a mensagem do evangelho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA igreja urbana como experi&ecirc;ncia multissensorial <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Os seres humanos foram criados por Deus com a capacidade de experimentar o mundo que nos rodeia atrav&eacute;s dos nossos cinco sentidos. No contexto de culto e adora&ccedil;&atilde;o, Kimball (2003, p. 128) alega: &ldquo;Deus nos criou como criaturas multissensoriais e escolheu revelar-se a n&oacute;s atrav&eacute;s de todos os nossos sentidos. Portanto, &eacute; natural que adoremos usando todos os nossos sentidos&rdquo;. Este fato &eacute; ainda mais significativo na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. Os p&oacute;s-modernos est&atilde;o procurando por um envolvimento espiritual que v&aacute; al&eacute;m de mero entretenimento (CELEK; ZANDER, 1996, p. 67). Eles est&atilde;o &agrave; procura de uma experi&ecirc;ncia espiritual que envolve todos os sentidos (ver KITCHENS, 2003, p. 51). Por esta raz&atilde;o, experi&ecirc;ncias de adora&ccedil;&atilde;o multissensoriais s&atilde;o extremamente atraentes para a mente p&oacute;s-moderna. Gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas, afirma Kitchens (2003, p. 50-51), &ldquo;n&atilde;o est&atilde;o interessadas em um contato &lsquo;mental&rsquo; [&hellip;] de adora&ccedil;&atilde;o que pode uma vez ter apelado aos crist&atilde;os modernos. Eles simplesmente querem experimentar e sentir a presen&ccedil;a de Deus na adora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Hudson (2004, p. 66) afirma: &ldquo;A adora&ccedil;&atilde;o na era moderna est&aacute; totalmente focada no aprendizado sobre Deus. Na era p&oacute;s-moderna a adora&ccedil;&atilde;o focou no experimentar Deus. Os p&oacute;s-modernos veem a adora&ccedil;&atilde;o como uma quest&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o da cabe&ccedil;a&rdquo;. Em toda a Escritura, Deus usou eventos multissensoriais para melhorar o ensino verbal (KIMBALL, 2003, p. 188). A experi&ecirc;ncia b&iacute;blica de adora&ccedil;&atilde;o &mdash; como representada tanto no santu&aacute;rio do AT quanto no templo em Jerusal&eacute;m &mdash; era muito mais do que apenas ouvir as palavras de uma mensagem que est&aacute; sendo apresentada. Estas experi&ecirc;ncias de adora&ccedil;&atilde;o retratam com representa&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas de cor, sabor, cheiro, espa&ccedil;o e a&ccedil;&atilde;o na adora&ccedil;&atilde;o<br>\n14 Essa &eacute;, provavelmente, um dos principais objetivos por tr&aacute;s da sa&iacute;da da MTV e da ind&uacute;stria do cinema em sua tentativa de fornecer &ldquo;respostas&rdquo; &agrave;s perguntas que os p&oacute;s-modernos est&atilde;o fazendo por meio da experi&ecirc;ncia (ver DRANE, 2000, p. 154; SWEET, 1999, p. 34).<br>\n159158<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\n(por exemplo: &Ecirc;x 25-28; Nm 16; Lc 1: 9-10). Em Apocalipse 4, por exemplo, &ldquo;a linguagem utilizada invoca emo&ccedil;&atilde;o e humor pela sua descri&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica do trono de Deus no c&eacute;u&rdquo; (KIMBALL, 2004, p. 81). Em termos pr&aacute;ticos, a adora&ccedil;&atilde;o multissensorial inclui ver, ouvir, provar, cheirar, tocar e experimentar. Na busca de proporcionar um ambiente no qual uma experi&ecirc;ncia experiencial\/multissensorial de Deus &eacute; poss&iacute;vel, igrejas sens&iacute;veis ao p&oacute;s-modernismo emergente devem envolver reflex&atilde;o, sil&ecirc;ncio, canto, prega&ccedil;&atilde;o, e o uso das artes em suas celebra&ccedil;&otilde;es de adora&ccedil;&atilde;o.15<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nO conceito de futuro antigo<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nOutra tend&ecirc;ncia significativa que surgiu entre as igrejas sens&iacute;veis ao p&oacute;s-modernismo &eacute; uma reincorpora&ccedil;&atilde;o do antigo pensamento e pr&aacute;ticas crist&atilde;s nas express&otilde;es religiosas contempor&acirc;neas. Na Inglaterra, esta abordagem &eacute; chamada de &ldquo;ortodoxia radical&rdquo;; na Nova Zel&acirc;ndia e Austr&aacute;lia &eacute; descrita como &ldquo;culto alternativo&rdquo;; na Am&eacute;rica do Norte &eacute; identificada como &ldquo;futura antiga f&eacute;&rdquo; (SWEET, 2000, p. 46). De acordo com Robert Webber &mdash; um dos principais defensores do &ldquo;princ&iacute;pio futuro antigo&rdquo; &mdash; a principal proposi&ccedil;&atilde;o por tr&aacute;s dessa nova tend&ecirc;ncia reside no fato de que &ldquo;o caminho para o futuro atravessa o passado&rdquo; (WEBBER, 1999, p. 7).16 Em outras palavras, &eacute; uma tentativa de reintroduzir o cristianismo cl&aacute;ssico no contexto da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna emergente. A iniciativa de reafirmar o cristianismo primitivo a fim de reavivar a presen&ccedil;a da igreja nas culturas contempor&acirc;neas n&atilde;o &eacute; um novo desenvolvimento. O mesmo aconteceu durante a Reforma Protestante do s&eacute;culo 16 (WEBBER, 1999, p. 25). No entanto, a reforma testemunhou uma rea&ccedil;&atilde;o massiva contra o suntuoso simbolismo da igreja cat&oacute;lica e, como consequ&ecirc;ncia direta, &ldquo;o beb&ecirc; foi jogado fora com a &aacute;gua do banho; o simbolismo da adora&ccedil;&atilde;o sensorial foi totalmente rejeitado em vez de ser reinventado&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n15 Para obter informa&ccedil;&otilde;es adicionais sobre os aspectos pr&aacute;ticos de planejamento e cria&ccedil;&atilde;o de uma experi&ecirc;ncia de adora&ccedil;&atilde;o multissensorial ver Kimball (2003, p. 155-178; 2004, p. 99-113), Kim Miller (1999, p. 13-34), Michael Slaughter (1998, p. 13-29) e Len Wilson (1999, p. 18-36). 16 Doug Pagitt (2003, p. 28) concorda com Webber afirmando que &ldquo;a nossa vis&atilde;o atual e futura para a igreja n&atilde;o pode ser formada sem um sentido de vis&atilde;o do passado. &Eacute; atrav&eacute;s de nossa comunidade hist&oacute;rica que somos lembrados, guiados, ensinados e levados nos caminhos de Deus. Somos obrigados a entrar no contexto daqueles que t&ecirc;m servido, amado e acreditado antes de n&oacute;s. Portanto, devemos sempre nos firmar na hist&oacute;ria e nas tradi&ccedil;&otilde;es da comunidade crist&atilde; que vieram anteriormente&rdquo;.<br>\n(STETZER, 2003, p. 147). Stetzer (2003, p. 147) assinala que, &ldquo;em muitos aspectos, o desejo p&oacute;s-moderno &eacute; imitar a a&ccedil;&atilde;o da Reforma, mas n&atilde;o sua ess&ecirc;ncia. A recupera&ccedil;&atilde;o da f&eacute; experiencial do passado com seus s&iacute;mbolos sagrados e doxologia compartilhada, une pessoas de uma forma que n&atilde;o &eacute; familiar para uma sociedade individualista&rdquo;. A procura pelo significado e a import&acirc;ncia da vida em meio &agrave; caracter&iacute;stica fragmentada e isolada das sociedades urbanas ocidentais abriu a porta para uma redescoberta do cristianismo cl&aacute;ssico. Como resultado, Webber (1999, p. 27) afirma que &ldquo;o tipo de cristianismo que atrai a nova gera&ccedil;&atilde;o de crist&atilde;os e fala de forma eficaz para um mundo p&oacute;s-moderno &eacute; aquele que enfatiza verdades prim&aacute;rias e aut&ecirc;ntica personifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como experimentado nas antigas tradi&ccedil;&otilde;es da igreja primitiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A busca por significado <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Em uma sociedade urbana cada vez mais pluralista e din&acirc;mica, um sentimento de desenraizamento e ansiedade t&ecirc;m contribu&iacute;do para a busca de um sentido de significado, especialmente entre as gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas mais jovens (GIBBS, 2000, p. 163). Como resultado direto, essa busca por significado tem atra&iacute;do os p&oacute;s-modernos a pr&aacute;ticas lit&uacute;rgicas antigas de espiritualidade; como um retorno &agrave; &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, n&atilde;o ao &ldquo;tradicionalismo&rdquo; (GIBBS, 2000, p. 163).17 A rejei&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna da religi&atilde;o institucionalizada claramente se op&otilde;e ao formalismo e linguagem incompreens&iacute;vel do tradicionalismo da igreja; no entanto, ao mesmo tempo, os p&oacute;s-modernos procuram redescobrir os elementos espirituais da antiga tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Gibbs (2000, p. 161) destaca: &ldquo;Esta atra&ccedil;&atilde;o &eacute; destacada pelo desejo de jovens em firmar ra&iacute;zes que compensem a transitoriedade e fragmenta&ccedil;&atilde;o do mundo em que eles cresceram&rdquo;. A associa&ccedil;&atilde;o com o valor estabelecido e a riqueza da tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; &mdash; especialmente quando refor&ccedil;ado em experi&ecirc;ncias multissensoriais &mdash; traz os p&oacute;s-modernos para ao ponto de poder envolver-se na jornada de conhecer a Cristo e experimentar as alega&ccedil;&otilde;es do Cristianismo, assim como procurar o significado e a verdade para suas pr&oacute;prias vidas (STETZER, 2003, p. 147). A atra&ccedil;&atilde;o que as disciplinas espirituais antigas e os s&iacute;mbolos t&ecirc;m sobre a mente p&oacute;s-moderna pode ser um elemento eficaz em uma comunica&ccedil;&atilde;o relevante na mensagem do evangelho, especialmente entre as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens (JONES, 2003, p. 4-7).<br>\n17 Contrastando &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; com &ldquo;tradicionalismo&rdquo;, o historiador Jaroslav Pelikan (1984, p. 12) aponta que &ldquo;a tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; a f&eacute; viva dos mortos [e] o tradicionalismo &eacute; a f&eacute; morta dos vivos.&rdquo;<br>\n161160<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\nA igreja urbana como comunidade &ldquo;futuro antiga&rdquo; Em muitos aspectos semelhantes com a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna contempor&acirc;nea, o Cristianismo cl&aacute;ssico foi moldado em uma sociedade pluralista, pag&atilde;, e relativista. Dentro do atual contexto ocidental urbano, a igreja moderna falhou ao responder a muitas perguntas dos p&oacute;s-modernos. O interesse contempor&acirc;neo na tradi&ccedil;&atilde;o e simbolismo, no entanto, &eacute; uma das marcas da virada p&oacute;s-moderna para espiritualidade e para uma perspectiva mais tradicional da igreja (ver BAKER, 2004, p. 27-28; KIMBALL, 2003, p. 26). Kimball (2004, p. 91) escreve:<br>\nO mundo p&oacute;s-moderno &eacute; um rico contexto cultural para a recupera&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o cl&aacute;ssica da igreja. A mudan&ccedil;a de filosofia da raz&atilde;o para o mist&eacute;rio fornece uma abertura para a discuss&atilde;o de uma vis&atilde;o sobrenatural da igreja conectada &agrave; obra de Cristo. A mudan&ccedil;a do individualismo &agrave; comunidade &eacute; uma mudan&ccedil;a cultural que nos permite falar mais uma vez do significado da igreja como um reflexo da comunidade eterna de Deus expressa na Trindade; a &ecirc;nfase na teoria da comunica&ccedil;&atilde;o, da linguagem de imagens e met&aacute;foras, nos permite recuperar as imagens b&iacute;blicas e as marcas hist&oacute;ricas da igreja.<br>\nPara as gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes, os s&iacute;mbolos s&atilde;o novos e significativos (GIBBS, 2000, p. 129), e, por causa de sua &ecirc;nfase visual, formas simb&oacute;licas de comunica&ccedil;&atilde;o tornaram-se um aspecto essencial para a forma p&oacute;s-moderna de pensar (WEBBER, 1999, p. 35). Webber (1999, p. 107) acrescenta:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nO papel do simbolismo em um mundo p&oacute;s-moderno n&atilde;o &eacute; o de recriar o simbolismo cerimonial da era medieval, mas para compreender e aplicar o simbolismo da atmosfera como o sentimento de temor e rever&ecirc;ncia. Assim como para recuperar a beleza do espa&ccedil;o, e a&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas da adora&ccedil;&atilde;o e restaurar os sons da m&uacute;sica e a atra&ccedil;&atilde;o das artes. Essas formas simb&oacute;licas da presen&ccedil;a e verdade de Deus s&atilde;o mediadas para n&oacute;s. Nessas a&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas, tomamos o conhecido e o levante para o desconhecido para que ele seja devolvido para n&oacute;s como o mist&eacute;rio do transcendente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nPara este fim, igrejas urbanas com a sensibilidade do p&oacute;s-modernismo podem empregar a pr&aacute;tica de formas de adora&ccedil;&atilde;o antigas e relevantes, assim como o renascimento da compreens&atilde;o e ensino sobre ra&iacute;zes judaicas da f&eacute; crist&atilde;. Por exemplo, algumas destas igrejas t&ecirc;m inclu&iacute;do a P&aacute;scoa como parte de seu calend&aacute;rio de adora&ccedil;&atilde;o, aproveitando esta oportunidade para ensinar<br>\nalguns aspectos das pr&aacute;ticas do AT para as gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes (KIMBALL, 2004, p. 93).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Princ&iacute;pio de integra&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA era moderna divide cada aspecto da vida humana em &aacute;reas especializadas, resultando em uma sociedade fragmentada e desconectada. Esta divis&atilde;o &eacute; ainda mais vis&iacute;vel em uma sociedade urbanizada e p&oacute;s-moderna. Os moradores urbanos perderam o sentido de tudo &mdash; como tudo se relaciona com todo o resto. Por outro lado, os seres humanos foram criados como pessoas inteiras, com dimens&otilde;es f&iacute;sicas, mentais e espirituais. Por esta raz&atilde;o, os p&oacute;s-modernos conferem grande import&acirc;ncia &agrave; abordagem da vida humana como um todo, enquanto procuram envolver todas as dimens&otilde;es da vida humana em sua experi&ecirc;ncia pessoal. Poe afirma que &ldquo;a p&oacute;s-modernidade rejeitou o conhecimento e a segmenta&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia. Integra&ccedil;&atilde;o e pensamento hol&iacute;stico tornaram-se caracter&iacute;sticas da mente p&oacute;s-moderna emergente&rdquo; (POE, 2001, p. 28). Os p&oacute;s-modernos anseiam por esse tipo de integra&ccedil;&atilde;o. A verdade como uma mera no&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica e conceitual, sentida atrav&eacute;s de sentimento e a&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem sentido para eles (RICHARDSON, 2000, p. 46). Como resultado direto &mdash; especialmente por causa da conex&atilde;o intr&iacute;nseca entre as dimens&otilde;es da vida humana &mdash; n&atilde;o abordar a integra&ccedil;&atilde;o de todas as dimens&otilde;es humanas traz s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias para os esfor&ccedil;os da miss&atilde;o urbana na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna. Claerbaut afirma:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA priva&ccedil;&atilde;o em qualquer dessas dimens&otilde;es tem um efeito de amortecimento sobre os outros, uma vez que todas as partes est&atilde;o inter-relacionadas e inteiradas. Sofrer fisicamente torna dif&iacute;cil o bom funcionamento psicol&oacute;gico. Defici&ecirc;ncias emocionais graves s&atilde;o por vezes vistas como defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas. Uma vida espiritualmente est&eacute;ril &eacute; sempre revelada na depress&atilde;o e no baixo n&iacute;vel de energia. Assim como na Teologia, n&atilde;o podemos dividir as pessoas em partes, e tamb&eacute;m no minist&eacute;rio n&atilde;o devemos dissecar, mas sim servir pessoas inteiras. A alma sem o corpo &eacute; um fantasma; o corpo sem a alma &eacute; um cad&aacute;ver. Na verdade, apenas uma abordagem hol&iacute;stica para minist&eacute;rio pode satisfazer as diretrizes b&iacute;blicas e as necessidades da cidade (CLAERBAUT, 1983, p. 17).<br>\nPortanto, uma abordagem integradora na miss&atilde;o torna-se um elemento primordial na resposta aos anseios dos moradores urbanos que t&ecirc;m sido cada<br>\n163162<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<br>\nvez mais afetados por conceitos p&oacute;s-modernos. Esta abordagem, no entanto, n&atilde;o pode ser dissociada da presen&ccedil;a genu&iacute;na da igreja urbana na preocupa&ccedil;&atilde;o da comunidade. Somente quando a igreja for real e presente, uma caracter&iacute;stica b&aacute;sica que os p&oacute;s-modernos est&atilde;o procurando, ela vai ser revelada de maneira aut&ecirc;ntica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A busca por autenticidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"> A autenticidade &eacute; indispens&aacute;vel para os p&oacute;s-modernos emergentes, e isso se torna realidade apenas quando a igreja &eacute; real e presente. Esta &ldquo;presen&ccedil;a&rdquo; &eacute; o que missiologistas se referem como minist&eacute;rio encarnacional, o que significa que a igreja deve tornar-se parte da comunidade que busca alcan&ccedil;ar.18 A igreja deve ser sens&iacute;vel aos p&oacute;s-modernos e estar disposta a conhec&ecirc;-los no seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio pronto para comunicar o evangelho de uma forma que eles possam compreender (KIMBALL, 2003, p. 8). Stetzer (2003, p. 141) escreve: &ldquo;Temos que ir at&eacute; os p&oacute;s-modernos a fim de alcan&ccedil;&aacute;-los. Devemos viver em seus bairros, comer em seus restaurantes e fazer compras em suas lojas. Viver em Cristo deve tornar-se uma realidade di&aacute;ria&rdquo;. No contexto da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, no entanto, a presen&ccedil;a real &eacute; dificilmente alcan&ccedil;ada sem uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a dentro da igreja urbana. Por causa de seu ceticismo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; autoridade e estruturas de autoridade, os p&oacute;s-modernos devem ver as alega&ccedil;&otilde;es do Cristianismo atrav&eacute;s de indiv&iacute;duos que podem gradualmente ganhar sua confian&ccedil;a e respeito (GIBBS, 2000, p. 69). Bevan Herangi (2002, p. 7), um jovem moldado pela cultura p&oacute;s-moderna, alega:<br>\nMesmo que isso signifique uma experi&ecirc;ncia dolorosa, n&oacute;s devemos saber a verdade. Ao contr&aacute;rio de outras gera&ccedil;&otilde;es que varreram uma grande quantidade de problemas para baixo do tapete, n&oacute;s queremos enfrentar os fatos. N&oacute;s simplesmente n&atilde;o acreditamos no que as pessoas dizem, vamos esperar e ver o que eles vivem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nEm uma veia similar, Smith (2001, p. 196) afirma que os p&oacute;s-modernos &ldquo;simplesmente querem ver o real, como um honesto e bom crist&atilde;o, algu&eacute;m que acredite verdadeiramente nos misericordiosos, compassivos, exemplo de cura de Jesus Cristo&rdquo;. Eles est&atilde;o em busca de indiv&iacute;duos e comunidades que sejam genu&iacute;nas e aut&ecirc;nticas. Tabb (2004, p. 110) confirma,<br>\n18 Para um breve coment&aacute;rio sobre o elemento de encarna&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o urbana, consulte a se&ccedil;&atilde;o intitulada &ldquo;Miss&atilde;o Urbana Encarnacional&rdquo; no cap&iacute;tulo 4 deste livro (ver HIEBERT; MENESES, 1995, p. 325-362; POWELL, 1997, p. 7-18).<br>\nO principal m&eacute;todo pelo qual podemos cumprir nossa miss&atilde;o e tornar Cristo conhecido no mundo p&oacute;s-moderno, &eacute; por se tornar dolorosamente aut&ecirc;ntico. Temos de ser real antes de nossas palavras significarem algo. Mesmo assim, a mensagem da nossa vida deve ser muito mais alta do que as palavras que saem de nossas bocas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nEngajar-se aos p&oacute;s-modernos come&ccedil;a com a tomada de suas perguntas e reservas de forma s&eacute;ria (HENDERSON, 1998, p. 209). A principal quest&atilde;o em sua mente n&atilde;o &eacute; mais &ldquo;&Eacute; verdade?&rdquo;, mas sim, &ldquo;Isso &eacute; real?&rdquo; (STETZER, 2003, p. 140). Como Jim Wilson (2002, p. 113-114) alega, os p&oacute;s-modernos se esfor&ccedil;am por uma &ldquo;comunidade aut&ecirc;ntica e pelo incentivo para que as pessoas sejam reais com elas mesmas, com Deus e com os outros&rdquo;. Para eles, a igreja n&atilde;o precisa ser perfeita; ela s&oacute; precisa ser aut&ecirc;ntica. A igreja urbana, portanto, deve se concentrar muito mais na presen&ccedil;a e nas rela&ccedil;&otilde;es que produzem confian&ccedil;a, em vez de divulga&ccedil;&atilde;o agressiva pela busca de decis&otilde;es imediatas. A mensagem comunicada pela vida e presen&ccedil;a da igreja urbana torna-se mais importante para os p&oacute;s-modernos do que a mensagem entregue apenas por palavras. Para este fim, uma oportunidade de servir &agrave; sua comunidade e seu mundo &eacute; um poderoso instrumento para atrair os p&oacute;s-modernos a Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A igreja urbana no servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes est&atilde;o procurando por oportunidades que sejam &uacute;teis &agrave; sua comunidade e o seu mundo. Andrew Black (apud WEBBER, 2002, p. 49) afirma que &ldquo;esta gera&ccedil;&atilde;o [est&aacute;] procurando novas maneiras de servir ao pr&oacute;ximo [&hellip;]. H&aacute; uma crescente vontade de trabalhar em conjunto para resolver problemas em um n&iacute;vel mais gerenci&aacute;vel.&rdquo; P&oacute;s-modernos, aponta Kitchens (2003, p. 71), est&atilde;o &ldquo;interessados em encontrar um lugar para comprometer suas vidas e fazer a diferen&ccedil;a no mundo&rdquo;. Mesmo atrav&eacute;s da linguagem n&atilde;o religiosa, os p&oacute;s-modernos expressam suas necessidades religiosas, tais como a necessidade de sentido e prop&oacute;sito na vida, necessidade de significado, necessidade de fazer uma contribui&ccedil;&atilde;o e a necessidade de ser necess&aacute;rio. Assim, um dos elementos-chave no engajamento da mente p&oacute;s-moderna &eacute; o servi&ccedil;o (STETZER, 2003, p. 141). Visto que as gera&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-modernas emergentes come&ccedil;am a interagir e se envolver com a miss&atilde;o da igreja, elas parecem estar particularmente preocupadas com a situa&ccedil;&atilde;o dos pobres nos centros urbanos (WEBBER, 2002, p. 49). Kitchens (2003, p. 72) afirma,<br>\n165164<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nImplica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbana Igreja Relevante<br>\nPara eles, n&atilde;o &eacute; o suficiente enviar dinheiro para apoiar a miss&atilde;o da denomina&ccedil;&atilde;o ou ajudar a financiar alimentos ou abrigo. Os p&oacute;s-modernos desejam enviar a si mesmos, n&atilde;o apenas seus d&oacute;lares para a miss&atilde;o. Eles est&atilde;o procurando maneiras de se envolver diretamente em trabalhar por justi&ccedil;a, proporcionando atos de hospitalidade e servi&ccedil;o e oferecendo cura para aqueles que precisam.<br>\nMiss&otilde;es de curto prazo s&atilde;o tamb&eacute;m uma poderosa forma de envolver os p&oacute;s-modernos no servi&ccedil;o. Os p&oacute;s-modernos gostam de viajar; consequentemente, estar em outro ambiente cultural e ver Deus us&aacute;-los &eacute; uma experi&ecirc;ncia marcante para a mente p&oacute;s-moderna. Al&eacute;m disso, quando os p&oacute;s-modernos colocam suas m&atilde;os em um projeto, sua mente e cora&ccedil;&atilde;o se tornam inteiramente ligados ao servi&ccedil;o. Assim, a experi&ecirc;ncia pessoal que as miss&otilde;es de curto prazo proporcionam n&atilde;o &eacute; r&aacute;pida ou facilmente esquecida na mente p&oacute;s-moderna (CELEK; ZANDER, 1996, p. 140). Os p&oacute;s-modernos veem que a f&eacute; aut&ecirc;ntica produz verdadeiro servi&ccedil;o e a validade da f&eacute; crist&atilde; &eacute; confirmada, assim a experi&ecirc;ncia particular de servir os outros pode lev&aacute;-los mais longe em sua jornada com Cristo. A igreja urbana, portanto, deve oferecer oportunidades para desafiar os p&oacute;s-modernos a se envolver no servi&ccedil;o de suas comunidades locais e globais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Os princ&iacute;pios para contar hist&oacute;rias<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nNas sociedades antigas, o uso da narrativa foi um dos elementos vitais para organizar a vida.19 Da mesma forma, durante v&aacute;rias centenas de anos a cultura ocidental foi baseada na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e guiada pela narrativa abrangente das a&ccedil;&otilde;es de Deus na hist&oacute;ria humana. Durante o desenvolvimento do Iluminismo baseado na vis&atilde;o de mundo moderno, contudo, a seculariza&ccedil;&atilde;o das narrativas hist&oacute;ricas reduziu drasticamente a import&acirc;ncia das hist&oacute;rias para trazer sentido &agrave; vida das pessoas (CELEK; ZANDER, 1996, p. 140). Hahn e Verhaagen (1998, p. 24) comentam sobre isso:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n19 As hist&oacute;rias m&iacute;ticas s&atilde;o provas claras de que as sociedades antigas usavam narrativas para registrar os fatos de suas origens e os assuntos de seus deuses. No in&iacute;cio, essas hist&oacute;rias m&iacute;ticas tiveram uma interpreta&ccedil;&atilde;o c&iacute;clica do tempo, como &eacute; evidente nas hist&oacute;rias religiosas, por exemplo, do Egito e da Gr&eacute;cia, bem como nas narrativas sagradas de outras sociedades antigas do Oriente M&eacute;dio (ver GRENZ, 1999, p. 87).<br>\nQuem precisa de hist&oacute;rias ou mitos para dar sentido ao mundo quando n&oacute;s temos as ci&ecirc;ncias exatas? Hist&oacute;ria e mito tornaram-se termos pejorativos para descrever contos que podem ter sido &uacute;teis para os pr&eacute;-modernos e as audi&ecirc;ncias tecnol&oacute;gicas pouco sofisticadas, mas n&atilde;o para as pessoas modernas.<br>\nEm um artigo pioneiro, Robert Jenson (1993, p. 19) argumenta que o mundo p&oacute;s-moderno &eacute; o &uacute;nico &ldquo;que perdeu a sua hist&oacute;ria&rdquo;. Para a mente p&oacute;s-moderna, n&atilde;o h&aacute; nenhuma hist&oacute;ria abrangente que explique todos os aspectos da vida humana. Pelo contr&aacute;rio, &ldquo;h&aacute; agora uma infinidade de hist&oacute;rias contradit&oacute;rias, nenhuma mais v&aacute;lida do que qualquer outra&rdquo; (HAHN; VERHAAGEN, 1996, p. 103). Van Gelder (2000b, p. 38) concorda:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nPessoas moldadas pela cultura p&oacute;s-moderna t&ecirc;m crescido c&eacute;ticas de princ&iacute;pios, regras e leis que s&atilde;o separadas em verdades que devem ser obedecidas ou seguidas [&hellip;]. O sentido p&oacute;s-moderno de inser&ccedil;&atilde;o do conhecimento humano e o car&aacute;ter perspectivo de todo conhecimento significa que a compreens&atilde;o est&aacute; enraizada dentro de uma narrativa, uma hist&oacute;ria [&hellip;]. O desafio &eacute; o fato de que estamos &agrave; deriva em um mar de hist&oacute;rias p&oacute;s-modernas concorrentes, as quais s&atilde;o percebidas como sendo socialmente constru&iacute;das e relativas.<br>\nEm &uacute;ltima an&aacute;lise, o dilema para a miss&atilde;o centra-se na alega&ccedil;&atilde;o crist&atilde; acerca da universalidade da hist&oacute;ria de Deus, o que &eacute; percebido como inv&aacute;lido pelo ethos p&oacute;s-moderno. Narrativas ainda s&atilde;o v&aacute;lidas na concep&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, mas s&atilde;o vistas apenas por sua utilidade local em vez de universal. Assim, os p&oacute;s-modernos t&ecirc;m sido afetados pelo empobrecimento e perda de sentido de identidade na vida sem uma conex&atilde;o maior ou abrangente da hist&oacute;ria. Al&eacute;m disso, esta crise de identidade potencial criada na condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna pode levar ao ponto em que a experi&ecirc;ncia humana perde a sua finalidade.20 Na busca de identidade a igreja urbana pode ser um mestre contador de hist&oacute;rias.<br>\n20 Van Gelder (1996b, p. 137) afirma: &ldquo;Isso &eacute; cr&iacute;tico para a apresenta&ccedil;&atilde;o do evangelho no contexto p&oacute;s-moderno para reafirmar o elemento teleol&oacute;gico inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o humana. Deus &eacute; um Deus da hist&oacute;ria humana, o que significa que h&aacute; um prop&oacute;sito para a exist&ecirc;ncia humana para al&eacute;m do agora, um prop&oacute;sito enraizado no nosso passado e defini&ccedil;&atilde;o do nosso futuro&rdquo;.<br>\n167166&nbsp;&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Implica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A busca por identidade <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Devido o fato dos seres humanos terem sido criados com curiosidade, complexidade e uma profunda necessidade de significados, o desejo p&oacute;s-moderno em compreender as quest&otilde;es maiores da vida abriu o caminho para o uso da narrativa como um instrumento eficaz para atingir os p&oacute;s-modernos. Isto ocorre porque a vida para eles &eacute; em si um drama ou uma narrativa. Uma das principais preocupa&ccedil;&otilde;es na mentalidade p&oacute;s-moderna gira em torno do desenvolvimento de hist&oacute;rias que podem definir a identidade pessoal e dar prop&oacute;sito e forma &agrave; exist&ecirc;ncia social dentro de uma determinada comunidade (ANDERSON, 1990, p. 107-108). Escrevendo sobre a import&acirc;ncia e poder das hist&oacute;rias em encontrar a pr&oacute;pria identidade, Annette Simmons (2002, xvii) afirma: &ldquo;Todo mundo tem um cora&ccedil;&atilde;o. Todo mundo, no fundo, quer se orgulhar de sua vida e sentir como eles s&atilde;o importantes &mdash; esta &eacute; a veia de poder e influ&ecirc;ncia [de] contar hist&oacute;rias&rdquo;.21 Graham Johnston, por sua vez, afirma que &ldquo;as hist&oacute;rias nos colocam em contato com as pessoas em um n&iacute;vel de humanidade compartilhada. Contar hist&oacute;rias pode prender a imagina&ccedil;&atilde;o do ouvinte e ajudar as pessoas a identificar-se com uma ideia, de uma forma que desencadeie import&acirc;ncia e significado&rdquo; (JOHNSTON, 2001, p. 155). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Contar hist&oacute;rias tamb&eacute;m tem o poder de tocar o cora&ccedil;&atilde;o humano em seu n&iacute;vel mais pessoal, como Miller aponta:<br>\nEnquanto fatos s&atilde;o vistos a partir da lente de um microsc&oacute;pio, as hist&oacute;rias s&atilde;o vistas a partir da lente da alma. Hist&oacute;rias nos dirigem em cada n&iacute;vel. Eles falam para a mente, o corpo, as emo&ccedil;&otilde;es, o esp&iacute;rito e a vontade. Em uma hist&oacute;ria uma pessoa pode identificar-se com situa&ccedil;&otilde;es que ele ou ela nunca estiveram. A imagina&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo est&aacute; livre para sonhar, o que antes era inimagin&aacute;vel (MILLER, 2004, p. 33).<br>\nAl&eacute;m disso, a cogni&ccedil;&atilde;o humana est&aacute; baseada no contar hist&oacute;rias, reconhecida como um dos instrumentos fundamentais do pensamento humano (SWEET, 2000, p. 124). Em seu estudo pioneiro sobre a influ&ecirc;ncia de contar hist&oacute;rias, Anderson e Foley afirmam que as hist&oacute;rias t&ecirc;m o poder de envolver<br>\n21 Argumentando sobre a influ&ecirc;ncia de hist&oacute;rias na busca humana por identidade, Richard Stone escreve: &ldquo;Quando reconhecemos que nossas aspira&ccedil;&otilde;es mais profundas n&atilde;o podem ser satisfeitas por uma cultura que tem reduzido o sentido da vida a um banquete de sentidos e posses materiais, devemos procurar novas fontes de significado e lutar com as mesmas perguntas que desafiaram os nossos antepassados [&hellip;]. Suas hist&oacute;rias podem nos levar a uma compreens&atilde;o mais profunda de nossas origens e para onde estamos indo&rdquo; (STONE, 1996, p. 3).<br>\nnossas mentes, especialmente porque a nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia est&aacute; organizada em forma de narrativa. A experi&ecirc;ncia humana &eacute; estruturada no tempo e na narrativa. N&oacute;s compreendemos nossas vidas n&atilde;o como a&ccedil;&otilde;es desconectadas ou eventos isolados, mas como termos de uma narrativa. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">N&oacute;s idealizamos nossa vida como uma teia de hist&oacute;rias &mdash; uma novela hist&oacute;rica ou uma miniss&eacute;rie no ar. N&oacute;s pensamos em hist&oacute;rias, a fim de tecer juntos em uma coerente sucess&atilde;o intermin&aacute;vel de pessoas, datas e fatos que enchem nossas vidas. O modo narrativo, mais do que qualquer outra forma de autorrelato, serve para fomentar o sentido de movimento e processo da vida individual e comunit&aacute;ria. Nesse sentido, a estrutura narrativa &eacute; uma necessidade humana. Hist&oacute;rias nos unem e tamb&eacute;m nos mant&ecirc;m separados. Contamos hist&oacute;rias a fim de viver (ANDERSON; FOLEY, 1998, p. 4). Al&eacute;m disso, contar hist&oacute;rias &eacute; um importante instrumento para estabelecer significado e integrar o pr&oacute;prio passado e futuro com o que &eacute; observado no presente. Em outras palavras, contar hist&oacute;rias &eacute; uma forma prim&aacute;ria de express&atilde;o humana de quem somos, de onde viemos e o que antecipamos em nossas vidas (MCADAMS, 1997, p. 27; ver ANDERSON; FOLEY, 1998, p. 5). Portanto, a busca humana por identidade requer inequivocamente, em maior ou menor grau, o desdobramento de nossas origens. Esta &eacute; uma das raz&otilde;es b&aacute;sicas para a import&acirc;ncia de conhecer as hist&oacute;rias relacionadas com o nosso nascimento. Anderson e Foley (1998, p. 59) afirmam ainda que<br>\nAs hist&oacute;rias de nosso nascimento s&atilde;o poderosas. Mesmo que cada indiv&iacute;duo seja um agente em sua narrativa, desde o in&iacute;cio, e mesmo que seja poss&iacute;vel reformular a hist&oacute;ria de nossas origens, hist&oacute;rias sobre nosso nascimento moldam nossas expectativas pr&oacute;prias e do mundo (ANDERSON; FOLEY, 1998, p. 59).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nNo entanto, a busca humana final por identidade s&oacute; pode ser encontrada em Deus, a fonte original da vida humana (Sl 139: 13-14). Henderson afirma, &ldquo;A identidade &eacute; tecida em n&oacute;s como seres criados. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; de fazer a nossa identidade, mas descobri-la. Da mesma forma que um artista valoriza uma obra de arte, Deus tem prazer em nos valorizar. A identidade n&atilde;o pode ser encontrada fora daquele que nos criou&rdquo; (HEMDERSON, 1998, p. 215). Neste contexto, existe uma ponte natural &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o do evangelho para a mente p&oacute;s-moderna por meio de uma hist&oacute;ria narrativa. Na hist&oacute;ria de Deus sobre a vida e seu significado, os p&oacute;s-modernos podem finalmente vir a compreender a si mesmos e o mundo ao seu redor em sua busca pela identidade pessoal e coletiva (GELDER, 2000b, p. 38).<br>\n169168&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Implica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios para a miss&atilde;o urbanaIgreja Relevante<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>A igreja urbana como mestre contador de hist&oacute;rias <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Para se comunicar de forma eficaz com a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, a igreja urbana deve ter a capacidade de pensar de forma criativa e de se adaptar sabiamente. Para este fim, uma crescente confian&ccedil;a em contar hist&oacute;rias pode ser uma maneira eficaz para encorajar decis&otilde;es para Cristo entre os p&oacute;s-modernos. Apesar de sua rejei&ccedil;&atilde;o &agrave;s metanarrativas, os p&oacute;s-modernos d&atilde;o grande valor sobre o poder da hist&oacute;ria, hist&oacute;rias especialmente reais (ANDERSON; FOLEY, 1998, p. 3-19). Mercer (1995, p. 336) afirma que a mente p&oacute;s-moderna reconhece que a identidade pessoal &ldquo;&eacute; experimentada na hist&oacute;ria de vida desdobrando-se de momento em momento e cruzando a vida dos outros com a mudan&ccedil;a de imagens e cren&ccedil;as&rdquo;. Contar hist&oacute;rias produz experi&ecirc;ncias, e essas experi&ecirc;ncias de forma mais eficaz abordam as preocupa&ccedil;&otilde;es da vida humana, convidando os que compartilham essas experi&ecirc;ncias para um envolvimento real e ativo na hist&oacute;ria contada. Assim, experi&ecirc;ncia e contagem de hist&oacute;rias caminham lado a lado no desenvolvimento de confian&ccedil;a nos p&oacute;s-modernos, que na maioria dos casos n&atilde;o vai ser simplesmente realizada atrav&eacute;s de abordagens mais tradicionais de comunica&ccedil;&atilde;o. Simmons (2002, p. 3) reflete,<br>\nAs pessoas n&atilde;o querem mais informa&ccedil;&otilde;es. Eles est&atilde;o at&eacute; os olhos de informa&ccedil;&otilde;es. Eles querem f&eacute; [&hellip;]. E a hist&oacute;ria &eacute; o seu caminho para o desenvolvimento da f&eacute;. Contar uma hist&oacute;ria significativa, significa inspirar seus ouvintes a chegar &agrave;s mesmas conclus&otilde;es que voc&ecirc; alcan&ccedil;ou e decidir por si mesmo acreditar no que voc&ecirc; diz e fazer o que voc&ecirc; quer que eles fa&ccedil;am. As pessoas valorizam suas pr&oacute;prias conclus&otilde;es mais do que a suas. Elas s&oacute; v&atilde;o ter f&eacute; em uma hist&oacute;ria que realmente tenha acontecido com eles. Uma vez que as pessoas fazem a sua hist&oacute;ria, sua hist&oacute;ria, voc&ecirc; tem aproveitado a poderosa for&ccedil;a da f&eacute;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nIgrejas urbanas sens&iacute;veis ao p&oacute;s-modernismo, portanto, devem proporcionar oportunidades em que as hist&oacute;rias individuais possam ser comparadas e transformadas pela hist&oacute;ria de Deus, ou seja, a narrativa das Escrituras. Isso pode acontecer quando a igreja ajuda os p&oacute;s-modernos a entender o panorama das a&ccedil;&otilde;es de Deus na hist&oacute;ria e como isso se interliga &agrave; sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria (HAHN; VERHAAGEN, 1998, p. 31; ver WEBBER, 2002, p. 50). Hahn e Verhaagen (1998, p. 28) acrescentam:<br>\nUm disc&iacute;pulo &eacute; algu&eacute;m cuja trajet&oacute;ria mostra que ele est&aacute; sendo preso em uma hist&oacute;ria maior que a sua e tamb&eacute;m como seu car&aacute;ter est&aacute; sendo<br>\nmoldado e transformado para refletir o car&aacute;ter do narrador [&hellip;]. Um disc&iacute;pulo &eacute; convencido em seu cora&ccedil;&atilde;o que sua vida n&atilde;o &eacute; uma s&eacute;rie de eventos desconexos, aleat&oacute;rios, mas que ela &eacute; um jogador no maior drama de todos os tempos, o drama de um Deus apaixonado, mas rejeitado por sua amada. Este &eacute; um Deus que entra no espa&ccedil;o e no tempo em uma miss&atilde;o de resgate c&oacute;smico para capturar cora&ccedil;&otilde;es e vidas para um dia fazer novas todas as coisas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nQuando a hist&oacute;ria de Deus come&ccedil;ar a desafiar as hist&oacute;rias pessoais e locais de p&oacute;s-modernos, suas mentes ser&atilde;o tocadas em um lugar onde os fatos as informa&ccedil;&otilde;es cognitivas rejeitadas anteriormente poder&atilde;o agora ser recebidas e uma transforma&ccedil;&atilde;o poder&aacute; eventualmente ocorrer. Neste ponto, quando os p&oacute;s-modernos identificarem o grande narrador (ver Mt 13:34) e alinharem a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria com seus prop&oacute;sitos, s&oacute; ent&atilde;o a igreja deve desafiar o pressuposto dos p&oacute;s-moderno de que metanarrativas s&atilde;o inv&aacute;lidas. Smith (2001, p. 189) argumenta:<br>\nA igreja deve desencorajar as pessoas, dentro e fora, de tratar a hist&oacute;ria de Deus como qualquer outra hist&oacute;ria. A hist&oacute;ria de Deus, segundo a cren&ccedil;a crist&atilde;, &eacute; a grande narrativa em um momento em que nenhuma hist&oacute;ria &eacute; considerada superior e nenhuma grande narrativa deveria existir e &eacute; assim que deve ser apresentada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nAl&eacute;m disso, como Charles Taber (2002, p. 189) observa:<br>\no evangelho do Reino de Deus &eacute; a &uacute;nica metanarrativa universal v&aacute;lida, a &uacute;nica que n&atilde;o &eacute; brutalmente homogeneizada e totalit&aacute;ria porque &eacute; o &uacute;nica baseada no amor sacrifical em vez do poder mundano. O &uacute;nico oferecido por um rei em uma cruz, o &uacute;nico oferecido por um le&atilde;o conquistador que acaba de abater uma ovelha. Esta &eacute; a garantia de que n&atilde;o &eacute; totalit&aacute;ria. Pentecostes, se corretamente entendido, &eacute; tamb&eacute;m a garantia de que n&atilde;o &eacute; homogeneizada.<br>\nFinalmente, ao contar a hist&oacute;ria de Deus, a igreja urbana permitir&aacute; aos p&oacute;s-modernos experimentar &ldquo;sua utilidade e verdade, encontrada na hist&oacute;ria que transcende e se refere a todas as outras hist&oacute;rias&rdquo; (SMITH, 2001, p. 190). No entanto, a igreja urbana vai encontrar pouco sucesso se ela contestar a rejei&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna das metanarrativas anteriores da experi&ecirc;ncia que a hist&oacute;ria de Deus pode criar na mente p&oacute;s-moderna. Isso &eacute; mais apropriado para deixar.&nbsp;<\/span><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Igreja Relevante a hist&oacute;ria de Deus ganhar credibilidade para si mesma, como o Esp&iacute;rito Santo trabalha para trazer o cora&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderno a s&eacute;rias reflex&otilde;es sobre a f&eacute; crist&atilde;. Miller (2004, p. 41) pergunta: &ldquo;Podemos confiar nosso povo [candidatos a p&oacute;s-modernos] e Esp&iacute;rito Santo, o suficiente para permitir-lhes a pensar por si mesmos? Podemos deixar algo em aberto sabendo que a conclus&atilde;o pode n&atilde;o vir at&eacute; o fim da tarde daquele dia, semana, m&ecirc;s ou ano?&rdquo; Estas s&atilde;o quest&otilde;es s&eacute;rias que as igrejas urbanas devem ser capazes de responder se o foco de sua miss&atilde;o &eacute; de fato alcan&ccedil;ar a mente p&oacute;s-moderna para Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\n<strong>Resumo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\"><br>\nA mudan&ccedil;a de paradigma de moderno para p&oacute;s-moderno traz um momento de incerteza e ao mesmo tempo repleto de desafios e oportunidades para a miss&atilde;o urbana. Por causa das for&ccedil;as motrizes da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da globaliza&ccedil;&atilde;o, a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna nos convoca especialmente para uma reavalia&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia e dos m&eacute;todos da miss&atilde;o urbana que foram previamente desenvolvidos para atingir os indiv&iacute;duos orientados pela vis&atilde;o de mundo moderno. A transi&ccedil;&atilde;o de um mundo moderno para outro p&oacute;s-moderno revela uma mudan&ccedil;a a partir de uma cultura baseada na raz&atilde;o de uma cultural baseada na experi&ecirc;ncia; a partir de uma cultura baseada na produ&ccedil;&atilde;o para uma cultura baseada no consumo; a partir de uma cultura baseada na confian&ccedil;a no futuro para uma cultura baseada no pessimismo do presente (e ignor&acirc;ncia do passado); a partir de uma cultura baseada em palavras para uma cultura baseada em bytes; e a partir de uma cultura baseada no local ou global para uma cultura baseada no glocal. Certamente, todos os deslocamentos acima t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es profundas para a miss&atilde;o da igreja urbana. Por outro lado, a miss&atilde;o urbana para a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna pode ser baseada em certos princ&iacute;pios aplic&aacute;veis nas sociedades urbanas ocidentais. Na busca p&oacute;s-moderna por pertencimento, a igreja urbana deveria ser a comunidade para pertencimento. Na busca p&oacute;s-moderna por imagens, a igreja urbana deveria ser um lugar de experi&ecirc;ncias multissensoriais. Na busca p&oacute;s-moderna por significado, a igreja urbana deveria ser um lugar em que as ra&iacute;zes da f&eacute; crist&atilde; s&atilde;o apresentadas e compreendidas. Na busca p&oacute;s-moderna por autenticidade, a igreja urbana deveria ser um lugar de verdadeiro servi&ccedil;o aos outros. Na busca p&oacute;s-moderna por identidade, a igreja urbana deve narrar a grande hist&oacute;ria que acabar&aacute; por transformar a mente p&oacute;s-moderna.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Adquira o livro completo em www.unaspress.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/deptos.adventistas.org\/ministerial\/portal-pastor\/pt\/Artigos\/Principios%20propostos%20para%20uma%20miss%C3%A3o%20urbana.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Download em PDF<\/a><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Princ&iacute;pios Propostas para uma Miss&atilde;o Urbana Kleber Gon&ccedil;alves &ldquo;Como, pois, invocar&atilde;o Aquele em quem n&atilde;o creram? E como crer&atilde;o naquele de quem n&atilde;o ouviram falar?&rdquo; (Rm 10:14). A MUDAN&Ccedil;A cultural a partir do territ&oacute;rio familiar da modernidade para a terra desconhecida da p&oacute;s-modernidade tem s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es missiol&oacute;gicas para a igreja urbana. 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