{"id":6353,"date":"2020-10-05T09:36:03","date_gmt":"2020-10-05T12:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=6353"},"modified":"2020-10-05T10:07:17","modified_gmt":"2020-10-05T13:07:17","slug":"o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/","title":{"rendered":"O Oitavo Imp\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: center;\">O oitavo imp&eacute;rio: novas hip&oacute;teses para os s&iacute;mbolos de Apocalipse 17<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vanderlei Dorneles<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este artigo analisa os s&iacute;mbolos prof&eacute;ticos de Apocalipse 17 com o objetivo de explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre a besta escarlate, a primeira besta de Apo- calipse 13 e o drag&atilde;o de Apocalipse 12. O estudo &eacute; feito &agrave; luz do contexto das sete pragas e do paralelo constru&iacute;do entre o cl&iacute;max escatol&oacute;gico provido por Apocalipse 13 e 16-17, paralelo este usado como base para se sugerir uma re- la&ccedil;&atilde;o entre a besta semelhante a leopardo e a meretriz, e entre a besta de dois chifres e a besta escarlate e seu oitavo rei. Em seu contexto imediato, o texto de Apocalipse 17 &eacute; considerado como uma esp&eacute;cie de ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o seguido da execu&ccedil;&atilde;o de senten&ccedil;a sobre a meretriz (Ap 18). O oitavo rei &eacute; distinguido do poder religioso e relacionado com os poderes pol&iacute;ticos e militares.<\/p>\n<p><strong><br>\nPalavras-chave<\/strong>: Apocalipse 17; Oitavo Rei; Interpreta&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica; Besta<\/p>\n<p>his paper focuses on the analysis of the prophetic symbols of Revelation 17 with the aim to find relations between the scarlat beast, the first be- ast of Revelation 13 and the dragon of Revelation 12. The study is made<\/p>\n<p>on the context&rsquo;s basis of the seven plagues and the built parallel between the eschatological climax from Revelation 13 and 16-17, the same used as ground to suggest a relation between the leopard beast and the prostitute, and between two horns beast and the scarlat beast and its eighth king. At its very context, the<\/p>\n<p>Brasileira e professor no curso de Teologia da Faculdades Adventista da Bahia. E-mail: <a href=\"mailto:van.dorneles@cpb.com.br\">van.dorneles@cpb.com.br<\/a>1&nbsp;&nbsp;&nbsp; Doutor em&nbsp; Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela ECA-USP.&nbsp; Editor na Casa &nbsp;Publicadora<\/p>\n<p>text of Revelation 17 is regarded as a kind of investigative jugdement followed of the sentence execution over the prostitute (Ap 18). The eighth king is set apart from the religious power and is related with military and politic powers.<\/p>\n<p><strong>Keyword<\/strong>: Revelation 17; Eighth King; Biblical Interpretation; Beast.<\/p>\n<p>O cap&iacute;tulo 17 &eacute; uma das se&ccedil;&otilde;es mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, mais fascinantes do livro do Apocalipse. Um dos anjos que t&ecirc;m as sete ta&ccedil;as da ira de Deus (Ap 16) chama o profeta para uma nova sequ&ecirc;ncia de vis&otilde;es, as quais se seguem &agrave; narrativa das pragas. O anjo inicia a comunica&ccedil;&atilde;o com o an&uacute;ncio: &ldquo;Mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz&rdquo; (Ap 17:1).<\/p>\n<p>A identidade da meretriz n&atilde;o tem levantado tantas discuss&otilde;es quanto a da besta e de suas cabe&ccedil;as. Uma vez que uma besta tamb&eacute;m de sete cabe&ccedil;as e dez chi- fres &eacute; descrita em Ap 13 e se torna uma figura predominante, a identifica&ccedil;&atilde;o da entidade representada em Apocalipse 17 oferece grandes dificuldades. Uma in- terpreta&ccedil;&atilde;o corrente tem sido que a besta em quest&atilde;o aponta para a mesma entidade representada pelo drag&atilde;o de Apocalipse 12 e a besta de Apocalipse 13, que seria o imp&eacute;rio romano, cuja capital foi considerada a &ldquo;cidade das sete colinas&rdquo;, como sugere o verso 9. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o preterista &eacute; abra&ccedil;ada &ldquo;pela maioria dos exegetas&rdquo; (JOHNSON, 1981, v. 12, p. 554)2&nbsp;e resulta numa nega&ccedil;&atilde;o do dom prof&eacute;tico na interpreta&ccedil;&atilde;o das vis&otilde;es do grande conflito narradas no livro.<\/p>\n<p>Outra linha de interpreta&ccedil;&atilde;o v&ecirc; a besta de Apocalipse 17 como s&iacute;mbolo dos poderes mundiais e o oitavo rei como um retorno do s&eacute;timo poder, ou seja, de &ldquo;Roma papal&rdquo; (STEFANOVIC, 2002, p. 515; NICHOL, 1980, v. 7,<\/p>\n<ol start=\"1798\">\n<li>854-857). Nesse caso, o &ldquo;oitavo rei&rdquo; indicaria a fase final de atua&ccedil;&atilde;o dessa entidade, ap&oacute;s a restaura&ccedil;&atilde;o de seus poderes perdidos na revolu&ccedil;&atilde;o francesa, em 1798. Uma terceira interpreta&ccedil;&atilde;o relaciona a besta escarlate (Ap 17) ao drag&atilde;o vermelho (Ap 12), sendo, portanto, uma refer&ecirc;ncia ao pr&oacute;prio diabo em sua luta contra Deus e seu povo, no cl&iacute;max do grande conflito (M&Uuml;L- LER, 2005, p. 39). Outra alternativa ainda pontua que o &ldquo;oitavo rei&rdquo; seria a pr&oacute;pria besta &ldquo;escarlate&rdquo; e representa uma &ldquo;confedera&ccedil;&atilde;o de poderes pol&iacute;ti- cos e militares&rdquo; em oposi&ccedil;&atilde;o a Deus no tempo do fim (PAULIEN, 2008, p. 136, 212, 218; NICHOL, 1980, v. 7, p. 851).<\/li>\n<\/ol>\n<p>2 Johnson acredita que a interpreta&ccedil;&atilde;o de Ap 17 influencia a interpreta&ccedil;&atilde;o de todo o livro.<\/p>\n<p>Ainda uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais popular v&ecirc; a besta escarlate como sendo Roma papal e considera que a cria&ccedil;&atilde;o do estado do Vaticano, em 1929, pelo Tratado de Latr&atilde;o, corresponderia &agrave; cura da ferida da besta de Apocalipse 13. Os sete reis representados pelas cabe&ccedil;as da besta seriam sete papas e o oitavo, portanto, seria um &uacute;ltimo papa que guardaria certas rela&ccedil;&otilde;es com seu ante- cessor (PAULIEN, 2008, p. 215, 216).<\/p>\n<p>A multiplicidade de interpreta&ccedil;&otilde;es reflete a complexidade da vis&atilde;o. Um dos desafios est&aacute; no fato de diversos s&iacute;mbolos apocal&iacute;pticos serem descri- tos como &ldquo;besta&rdquo; (Ap 11:7; 13:1, 11; 17:3). A palavra grega <em>therion <\/em>(&ldquo;bes- ta&rdquo;) ocorre 38 vezes no livro de Apocalipse, sendo traduzida sempre como &ldquo;besta&rdquo;, exceto em 6:8 (&ldquo;feras&rdquo;). Apesar de quatro bestas principais serem mostradas a Jo&atilde;o, em geral as refer&ecirc;ncias &agrave; besta s&atilde;o encaradas como sendo &agrave;quela de Ap 13:1, a segunda das quatro.<\/p>\n<p>As interpreta&ccedil;&otilde;es que identificam a besta escarlate com a primeira besta de Apocalipse 13:1 ou Roma papal esbarram num problema claro: por fim (17:16), a besta escarlate e os &ldquo;reis da terra&rdquo; odeiam e destroem a meretriz (o poder religioso romano). A &ldquo;confedera&ccedil;&atilde;o de poderes seculares&rdquo; (PAULIEN, 2008, p. 212) em vez de ser a besta escarlate pode representar a pr&oacute;- pria coaliz&atilde;o formada pela besta e os &ldquo;reis da terra&rdquo;. Assim, uma defini&ccedil;&atilde;o mais objetiva da entidade &eacute; necess&aacute;ria.<\/p>\n<p>Um aspecto a ser levado em conta &eacute; o contexto das sete pragas no qual se visualiza a meretriz e a besta escarlate. A ideia de ju&iacute;zo &eacute; clara nessa se&ccedil;&atilde;o do livro. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso relacionar essa vis&atilde;o (Ap 17) com outras vi- s&otilde;es do livro na busca por elementos simb&oacute;licos paralelos. Este artigo explo- ra as evid&ecirc;ncias para as seguintes hip&oacute;teses: 1) a meretriz e a besta escarlate representam entidades distintas, religiosa e pol&iacute;tica, respectivamente; 2) o oitavo rei deve apontar para uma entidade pol&iacute;tica hist&oacute;rica e concreta no cl&iacute;max do conflito; 3) o oitavo rei pode ser a mesma besta de dois chifres de Apocalipse 13:11; e 4) Ap 17 mostra um ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Apocalipse &eacute; um livro do Novo Testamento, mas enraizado em ima- gens e linguagens do Antigo Testamento. Assim, em vista das in&uacute;meras refe- r&ecirc;ncias, deve-se buscar um pano de fundo para seus principais s&iacute;mbolos na pr&oacute;pria Escritura hebraica.3<\/p>\n<p>3 Paulien argumenta que &ldquo;o Apocalipse n&atilde;o pode ser entendido sem cont&iacute;nua refer&ecirc;ncia ao AT&rdquo;, pois ele &eacute; um &ldquo;perfeito mosaico das passagens do AT&rdquo;. As recorrentes refer&ecirc;ncias ao AT no Apocalipse indicam que ele &eacute; a principal chave para abrir o significado dos s&iacute;mbolos do livro. O AT prov&ecirc; os meios para &ldquo;decodificar a mensagem do Apocalipse&rdquo; (PAULIEN, 1992, v. 1, p. 80).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>A vis&atilde;o<\/h1>\n<p>Apocalipse 17 se constitui de tr&ecirc;s partes principais: a fala do anjo (v. 1, 2); a vis&atilde;o dos s&iacute;mbolos (v.3-6); e uma nova fala do anjo (v. 7-18). A vis&atilde;o &eacute; claramente simb&oacute;lica, mas as duas falas do anjo devem ser consideradas como explica&ccedil;&atilde;o e, portanto, s&atilde;o literais e temporais, no sentido de que des- vendam os s&iacute;mbolos e ocorrem no tempo e nas circunst&acirc;ncias do profeta (PAULIEN, 2008, p. 214, 215). O anjo usa os verbos no passado ao tratar da identidade da meretriz em termos de seus pecados. Com ela se &ldquo;prostitu&iacute;ram os reis da terra&rdquo; e se &ldquo;embebedaram os que habitam na terra&rdquo; (v. 2). A pros- titui&ccedil;&atilde;o indica idolatria (ver Ez 16, 23, Jr 51).<\/p>\n<p>Na segunda fala, ao tratar com a identidade da besta, o anjo usa verbos nos tr&ecirc;s tempos fundamentais.4 Ele diz que &ldquo;ca&iacute;ram&rdquo; cinco dos &ldquo;sete reis&rdquo;, um &ldquo;existe&rdquo; e outro ainda viria (v. 10). Tamb&eacute;m diz que os &ldquo;dez reis&rdquo; ainda n&atilde;o tinham recebido reino, mas receberiam (v. 12). E completa: esses dez reis e a besta &ldquo;pelejar&atilde;o&rdquo; contra o Cordeiro (v. 14) e &ldquo;odiar&atilde;o&rdquo; a meretriz (v. 16).<\/p>\n<h1>Ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o<\/h1>\n<p>Na estrutura do livro, a vis&atilde;o de Apocalipse 17 faz parte do conjunto de vis&otilde;es relativas &agrave;s sete pragas (Ap 15:5&ndash;18:24), que come&ccedil;a com uma cena do santu&aacute;rio celestial5 em que o t&eacute;rmino da media&ccedil;&atilde;o &eacute; indicado (Ap 15:5-8). Essa se&ccedil;&atilde;o mostra o ju&iacute;zo de Deus sobre os &ldquo;portadores da marca da besta&rdquo; (16:2; cf. 14:9, 10) e sobre a meretriz (Ap 17 e 18). A vingan&ccedil;a divina sobre a &ldquo;besta&rdquo;, o &ldquo;falso profeta&rdquo; e o &ldquo;drag&atilde;o&rdquo; ocorre mais tarde (Ap 19:20, 21; 20:10).<\/p>\n<p>Uma vez que o anjo que fala a Jo&atilde;o &eacute; um dos &ldquo;que t&ecirc;m as sete ta&ccedil;as&rdquo;, o &ldquo;julgamento&rdquo; pode ser uma explica&ccedil;&atilde;o relativa &agrave;s pragas. Todas as pragas s&atilde;o narradas em linguagem literal, exceto a sexta (Ap 16:12-16), que fala do secamento do rio Eufrates, o que constitui um pano de fundo tirado da hist&oacute;ria do cativeiro babil&ocirc;nico. Isso sugere que essa praga seja o conte&uacute;do acerca de entidades por virem suporta a afirma&ccedil;&atilde;o de que toda explica&ccedil;&atilde;o &eacute; dada &ldquo;no tempo do profeta&rdquo; (ver PAULIEN, 2008, p. 214, 215; STRAND, 1979, p. 54). O uso dos tempos ver- bais em Daniel prov&ecirc; uma base para esse princ&iacute;pio (ver Dn 2:31-35 e 2:36-44; 7:1-15 e 7:16- 27; 8:3-12 e 8:13-14, 19-25; 9:25-27). Exceto quando identifica os s&iacute;mbolos com as entidades representadas (&ldquo;estes grandes animais, que s&atilde;o quatro, <em>s&atilde;o <\/em>quatro reis&rdquo; (Dn 7:17), ele usa o verbo no futuro de forma consistente (&ldquo;que se <em>levantar&atilde;o <\/em>da terra&rdquo; [Dn 7:17, u.p.]).4 O uso consistente do modo verbal futuro nas explica&ccedil;&otilde;es feitas por anjos ou por terceiros<\/p>\n<p>5 Richard Davidson diz que &ldquo;todo o livro [do Apocalipse] &eacute; estruturado pela tipologia do santu&aacute;rio&rdquo; (DAVIDSON, 1992, v. 1, p. 112; ver tamb&eacute;m STRAND, 1992, v. 1, p. 35-49). explicado na vis&atilde;o subsequente. Paulien diz que Ap 17 pode ser considerado &ldquo;uma exegese&rdquo; (PAULIEN, 2008, p. 208) de Apocalipse 16:12-16, devendo ser considerados uma unidade.<\/p>\n<p>Assim, na sexta praga, a queda da Babil&ocirc;nia m&iacute;stica &eacute; representada pela queda da Babil&ocirc;nia antiga, quando Ciro desviou as &aacute;guas do Eufrates (ver Is 44:27; Jr 50:38; 51:36; Her&oacute;doto, <em>The Histories<\/em>, I.191; NICHOL, 1980, v. 4,<\/p>\n<ol>\n<li>265, 533, 794; RAWLINSON, 1859, p. 424; POTTS, 1996, p. 22-23) e surpreendeu Belsazar em seu &uacute;ltimo banquete (Dn 6).<\/li>\n<\/ol>\n<p>A sexta praga sugere o desfecho do Armagedom (Ap 16:16), uma luta dos poderes terrenos contra os fi&eacute;is de Deus. No auge desse conflito, Deus interfe- re para livrar Seu povo, provocando a queda da Babil&ocirc;nia, o que vai confundir a coaliz&atilde;o pol&iacute;tico-militar e religiosa dos oponentes. A queda do poder religio- so dessa coaliz&atilde;o pode ser, portanto, o efeito da sexta praga, a qual &eacute; explicada em detalhes literais em Apocalipse 18 (ver Ap 18:2, 8, 9; ver Ap 17:16).<\/p>\n<p>Isso permite considerar a vis&atilde;o da queda da Babil&ocirc;nia como uma se- qu&ecirc;ncia de ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o6 seguido de execu&ccedil;&atilde;o de senten&ccedil;a. Assim, &ldquo;Ap 17 trata primariamente com a senten&ccedil;a [v. 1, <em>krima<\/em>, &lsquo;condena&ccedil;&atilde;o&rsquo;, &lsquo;sen- ten&ccedil;a&rsquo;, &lsquo;puni&ccedil;&atilde;o&rsquo;] contra a Babil&ocirc;nia, e Ap 18 descreve a execu&ccedil;&atilde;o [v. 10, <em>krisis<\/em>] dessa senten&ccedil;a&rdquo; (NICHOL, 1980, v. 7, p. 864).<\/p>\n<p>No contexto do grande conflito, o car&aacute;ter de Deus <strong>&eacute; <\/strong>vindicado. Por isso, a fim de legitimar a puni&ccedil;&atilde;o da meretriz, diante do universo, Deus investiga a situa&ccedil;&atilde;o com uma testemunha terrena antes de executar a senten&ccedil;a.7 Assim, o cap&iacute;tulo 17 apresenta um expediente de investiga&ccedil;&atilde;o, com a descri&ccedil;&atilde;o dos pecados da meretriz (v. 2, 4). O cap&iacute;tulo 18, por sua vez, descreve a puni&ccedil;&atilde;o: a meretriz se torna covil de &ldquo;dem&ocirc;nios&rdquo; e de &ldquo;aves imundas&rdquo; (v. 2), sofre os flagelos de &ldquo;morte, pranto e fome&rdquo; e &eacute; consumida no fogo (v. 8).<\/p>\n<p>Os resultados dessa senten&ccedil;a repercutem at&eacute; o C&eacute;u. Ap&oacute;s a vis&atilde;o do julgamento da meretriz, o profeta ouve uma voz de &ldquo;numerosa multid&atilde;o&rdquo; no C&eacute;u, que diz: &ldquo;Verdadeiros e justos s&atilde;o os Seus ju&iacute;zos, pois julgou a grande meretriz&rdquo; e &ldquo;das m&atilde;os dela vingou o sangue dos Seus servos&rdquo; (Ap 19:1, 2).8<\/p>\n<p>7 Um expediente de investiga&ccedil;&atilde;o antes da execu&ccedil;&atilde;o de uma senten&ccedil;a &eacute; comum na B&iacute;blia (ver Gn 3:9; 4:10; 6:5; 11:5; 19:1; HASEL, 2011, p. 908-911, 935).6 Paulien entende que &ldquo;o santu&aacute;rio do AT e seus rituais exercem uma fun&ccedil;&atilde;o estrutural na organiza&ccedil;&atilde;o do livro do Apocalipse&rdquo; (PAULIEN, 2004, p. 124).<\/p>\n<p>8 A meretriz de Apocalipse 17 reproduz a figura de Jezabel: ambas praticam prostitui&ccedil;&atilde;o (2Rs 9:22; Ap 17:2, 4, 5); derramam sangue de santos e profetas (2Rs 9:7; Ap 17:6; 18:20, 24); e t&ecirc;m a carne comida (1Rs 21:23; 2Rs 9:36; Ap 17:16).<\/p>\n<h1>Identidade da besta<\/h1>\n<p>Em seus aspectos estruturais, a besta de Apocalipse 17 se relaciona com o drag&atilde;o vermelho (12:3) e com a besta de Apocalipse 13. A rela&ccedil;&atilde;o entre a besta escarlate e o diabo n&atilde;o deve ser de identifica&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que animais, bestas e chifres representam poderes pol&iacute;ticos seculares (ver Dn 7:17, 24, 8:20, 21). Jo&atilde;o usa 13 vezes o substantivo gr. <em>dr&aacute;kon<\/em>, &ldquo;drag&atilde;o&rdquo;, e 4 vezes <em>ophis<\/em>, ser-<\/p>\n<p>pente, de forma intercambi&aacute;vel em refer&ecirc;ncia ao diabo. O uso desses termos no AT pode sugerir o que estava na mente de Jo&atilde;o ao usar o substantivo <em>dr&aacute;kon <\/em>e ao descrever os tr&ecirc;s animais de sete cabe&ccedil;as e dez chifres. Os elementos mais predominantes do drag&atilde;o de Apocalipse 12 e das bestas de Apocalipse 13:1 e 17<\/p>\n<p>s&atilde;o as sete cabe&ccedil;as e os dez chifres. De forma que as tr&ecirc;s figuras podem ser vis- tas como um mesmo s&iacute;mbolo que se reconfigura em cada novo aparecimento. Nas tr&ecirc;s vis&otilde;es, a estrutura &eacute; a mesma, mas ela recebe altera&ccedil;&otilde;es de detalhes de acordo com o contexto enfocado em cada vis&atilde;o.<\/p>\n<p>A figura do drag&atilde;o, como representa&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as opositoras a Deus, &eacute; comum no AT, assim como a da serpente. Curiosamente, o drag&atilde;o &eacute; relacio- nado ao Egito e a Babil&ocirc;nia, dois imp&eacute;rios presumivelmente representados nas cabe&ccedil;as da besta (Ap 17). No protoevangelho, o Filho da mulher esmagaria a&nbsp;cabe&ccedil;a da &ldquo;serpente&rdquo;, heb. <em>nachash <\/em>(Gn 3:15, <em>ophis<\/em>, LXX). No &ecirc;xodo, Deus esmagou a cabe&ccedil;a de <em>tannyin <\/em>(<em>dr&aacute;kon<\/em>, na LXX; Sl 74:13, 14; Is 51:9; ver Ez 29:3; 32:2), que &eacute; traduzido por &ldquo;monstro marinho&rdquo;, &ldquo;drag&atilde;o&rdquo; e &ldquo;serpente&rdquo;. Babil&ocirc;nia &eacute; chamada de <em>tannyin<\/em> (<em>dr&aacute;kon<\/em>, na LXX), o qual esmagou Jud&aacute;, mas que seria destru&iacute;do pelo Senhor (Jr 51:34, 36, 37). No dia do Senhor, Ele es- magar&aacute; <em>tannyin<\/em> (<em>dr&aacute;kon<\/em>, na LXX) e o <em>livyathan<\/em> (<em>dr&aacute;kon<\/em>, na LXX), bem como a &ldquo;serpente&rdquo;, que &eacute; <em>nachash<\/em> (<em>ophis<\/em>, na LXX; Is 27:1) de forma definitiva (Is 11:11 menciona especificamente o Egito, a Ass&iacute;ria e Babil&ocirc;nia [&ldquo;terra de Sinar&rdquo;], como poderes a serem atingidos no dia do Senhor). No Apocalipse, a salva&ccedil;&atilde;o &eacute; consumada quando o &ldquo;drag&atilde;o&rdquo; (grego <em>dr&aacute;kon<\/em>) ou a &ldquo;serpente&rdquo; (grego <em>ophis<\/em>) que foi expulso do C&eacute;u (12:7-9) e perseguiu a mulher (12:17) for derrotado por Cristo no &ldquo;lago de fogo&rdquo; (20:2, 10).9<\/p>\n<p>Se a figura descrita por Jo&atilde;o nos cap&iacute;tulo 12, 13 e 17, como um dra- g&atilde;o ou uma besta, &eacute; uma reprodu&ccedil;&atilde;o da figura de <em>tannin <\/em>ou do <em>livyathan <\/em>(o monstro de sete cabe&ccedil;as da mitologia cananeia que representava as for&ccedil;as do &ldquo;serpente&rdquo;, &ldquo;monstro marinho&rdquo;, e o heb<em>. livyathan<\/em>, que &eacute; &ldquo;drag&atilde;o&rdquo;, &ldquo;leviat&atilde;&rdquo;, &ldquo;monstro ma- rinho&rdquo;. Usa tamb&eacute;m <em>ophis <\/em>29 vezes, para traduzir o heb. <em>nachash<\/em>, &ldquo;serpente&rdquo; ou &ldquo;cobra&rdquo;, e o heb<em>. epheh<\/em>, &ldquo;v&iacute;bora&rdquo; ou &ldquo;cobra&rdquo;.9 A LXX usa o substantivo gr. <em>dr&aacute;kon <\/em>30 vezes para traduzir o heb. <em>tannin<\/em>, que &eacute; &ldquo;drag&atilde;o&rdquo;,<\/p>\n<p>mal [ver NICHOL, 1980, v. 4, p. 206]), e de <em>ophis <\/em>do AT, ent&atilde;o a pr&oacute;pria B&iacute;- blia prov&ecirc; claramente a identifica&ccedil;&atilde;o para duas das entidades representadas nas cabe&ccedil;as do monstro: Egito e Babil&ocirc;nia.10<\/p>\n<p>Caso Jo&atilde;o tivesse em mente o <em>tannin <\/em>e o <em>livyathan <\/em>do AT, como repre- senta&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as sat&acirc;nicas, ao usar os termos <em>dr&aacute;kon <\/em>e <em>therion <\/em>para descre- ver as feras que viu, a reconfigura&ccedil;&atilde;o desse s&iacute;mbolo nas vis&otilde;es de Apocalipse 12, 13 e 17 ocorre em fun&ccedil;&atilde;o de uma nova perspectiva visualizada em cada vis&atilde;o. No cap. 12, o foco &eacute; o imp&eacute;rio romano, ou a sexta cabe&ccedil;a; no 13, &eacute; o imp&eacute;rio dos papas, a s&eacute;tima cabe&ccedil;a;11 e no 17, o foco seria o cl&iacute;max esca- tol&oacute;gico, com o oitavo rei, ou um foco amplo que cobriria toda a hist&oacute;ria, levando-se em conta a perspectiva de ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o j&aacute; sugerida.<\/p>\n<p>Nas tr&ecirc;s fases mostradas a Jo&atilde;o, o poder por tr&aacute;s das entidades represen- tadas &eacute; o pr&oacute;prio Satan&aacute;s, agindo por meio de um poder terreno e hist&oacute;rico. Assim, o poder sat&acirc;nico materializado num imp&eacute;rio perseguidor parece ser a realidade representada pela figura da besta e do drag&atilde;o, sendo que esse poder levanta-se e cai a cada novo imp&eacute;rio.12&nbsp;Que a estrutura b&aacute;sica do s&iacute;mbolo possa ser a mesma &eacute; indicado no fato de que o &ldquo;drag&atilde;o vermelho&rdquo; luta contra Cristo no per&iacute;odo do imp&eacute;rio romano (12:4), persegue a igreja durante o per&iacute;odo do papado medieval (12:13, 14) e o remanescente no fim dos tempos (12:17). Em cada uma dessas fases, uma diferente cabe&ccedil;a do monstro est&aacute; em atua&ccedil;&atilde;o (Ap 13:3 diz que &ldquo;uma de suas cabe&ccedil;as&rdquo; foi ferida de morte, naturalmente a s&eacute;tima,<\/p>\n<p>11 A afirma&ccedil;&atilde;o do anjo de que o s&eacute;timo reino (Roma papal) teria de durar &ldquo;pouco&rdquo; (1.26010 A interpreta&ccedil;&atilde;o de que os &ldquo;sete montes&rdquo; (v. 9) s&atilde;o as sete colinas de Roma contraria a l&oacute;gica de que a besta e a meretriz representam realidades distintas. A palavra gr. <em>oros <\/em>deve ser traduzida por &ldquo;montes&rdquo; ou &ldquo;montanhas&rdquo;. A NVI a traduz por &ldquo;colinas&rdquo;, mas, nesse caso, &ldquo;uma exegese pr&eacute;via influenciou a tradu&ccedil;&atilde;o&rdquo; (JOHNSON, 1981, v. 12, p. 559). Os sete &ldquo;montes&rdquo; devem ser considerados como na mentalidade hebraica, ou seja, como rei- nos (ver Is 37:32; ver tamb&eacute;m Sl 48:2; Jr 51:25, Dn 2:35; 9:20, Zc 4:7). O mesmo ocorre com o termo &ldquo;rei&rdquo;, que os judeus usavam como equivalente de &ldquo;reino&rdquo; (ver Dn 7:17; 8:21, 23). Sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre os &ldquo;montes&rdquo; e a igreja romana, Johnson ainda argumenta que esses s&iacute;mbolos &ldquo;pertencem &agrave; besta [poder pol&iacute;tico] e n&atilde;o &agrave; meretriz [poder religioso]&rdquo; (JO- HNSON, 1981, v. 12, p. 560; ver NICHOL, 1980, v. 7, p. 851).<\/p>\n<p>anos!) pode ser entendida da perspectiva da garantia da vit&oacute;ria dos fi&eacute;is de Deus alcan&ccedil;ada na cruz e n&atilde;o do ponto de vista do tempo cronol&oacute;gico. O adjetivo &ldquo;pouco&rdquo; (gr. <em>ol&iacute;gon<\/em>, v. 10) &eacute; usado em Apocalipse, ao se afirmar que o diabo, ap&oacute;s a cruz, sabia que tinha &ldquo;pouco tempo&rdquo; (<em>ol&iacute;gon kairon<\/em>, 12:12). Por outro lado, ao falar que o drag&atilde;o ser&aacute; solto ap&oacute;s o mil&ecirc;nio, mas por &ldquo;pouco tempo&rdquo;, Jo&atilde;o usa <em>mikron kr&oacute;non <\/em>(20:3), indicando um tempo cronometrado (ver 1Pe 1:6, que tamb&eacute;m usa <em>ol&iacute;gon <\/em>no sentido de tempo n&atilde;o cronometrado).<\/p>\n<p>12&nbsp;Isso se ajusta &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do anjo de que a besta &ldquo;era e n&atilde;o &eacute;, est&aacute; para emergir&rdquo; (v. 8, 11), uma par&oacute;dia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pretens&atilde;o do drag&atilde;o de ser como Deus, &ldquo;aquele que &eacute;, que era e que h&aacute; de vir&rdquo; (Ap 1:4, 8; 4:8), o &uacute;nico &ldquo;Eu Sou&rdquo; (&Ecirc;x 3:14).<\/p>\n<p>que atuou nessa fase da hist&oacute;ria). Essas tr&ecirc;s fases correspondem &agrave;s duas &uacute;lti- mas cabe&ccedil;as da besta e, possivelmente, ao &ldquo;oitavo rei&rdquo;.<\/p>\n<p>O AT, portanto, prov&ecirc; a identifica&ccedil;&atilde;o das primeiras cabe&ccedil;as do drag&atilde;o e da besta ao usar a palavra <em>tannin <\/em>e <em>livyathan <\/em>em refer&ecirc;ncia ao Egito e Ba- bil&ocirc;nia. Tamb&eacute;m inclui a Ass&iacute;ria, ao afirmar que Deus se levantar&aacute; contra os inimigos de Seu povo no dia do Senhor (Is 11:11). Como a explica&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o de Ap 17 (v. 10) &eacute; feita no tempo do profeta, no primeiro s&eacute;culo, cinco desses poderes j&aacute; tinham passado (Egito, Ass&iacute;ria, Babil&ocirc;nia, P&eacute;rsia, Gr&eacute;- cia), um existia (Roma) e o s&eacute;timo ainda viria (Roma papal) (ver PAULIEN, 2008, p. 218; NICHOL, 1980, v. 7, p. 855; STRAND, 1992, v. 2, p. 191).<\/p>\n<p>A identifica&ccedil;&atilde;o das entidades representadas pelas cabe&ccedil;as do drag&atilde;o e da besta tem, portanto, uma base s&oacute;lida no AT, de onde s&atilde;o extra&iacute;das as principais figuras descritas nas vis&otilde;es de Jo&atilde;o.<\/p>\n<h1>O oitavo rei<\/h1>\n<p>Em Apocalipse 17:11, o anjo acrescenta uma informa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da vis&atilde;o recebida pelo profeta, ao afirmar o aparecimento de um oitavo elemento: &ldquo;E a besta [&hellip;] tamb&eacute;m &eacute; ele, o oitavo rei, e procede dos sete&rdquo; (v. 11).<\/p>\n<p>O texto de Apocalipse 17:11 tem sido traduzido de diferentes formas em fun&ccedil;&atilde;o da part&iacute;cula gr. <em>kai<\/em> que precede o pronome <em>aut&oacute;s<\/em> (&ldquo;ele&rdquo;) e o adjetivo or- dinal <em>ogdo&oacute;s<\/em> (&ldquo;oitavo&rdquo;). A NVI ignora a part&iacute;cula e diz: &ldquo;A besta que era, e agora n&atilde;o &eacute;, &eacute; o oitavo rei.&rdquo; A KJV a traduz por &ldquo;even&rdquo;: &ldquo;And the beast that was, and is not, even he is the eighth.&rdquo; A NKJV, por &ldquo;also&rdquo;: &ldquo;The beast that was, and is not, is himself also the eighth.&rdquo; As vers&otilde;es portuguesas por &ldquo;tamb&eacute;m&rdquo;: &ldquo;E a besta, que era e n&atilde;o &eacute;, tamb&eacute;m &eacute; ele, o oitavo rei&rdquo; (ARA). A part&iacute;cula <em>kai<\/em>, conjun&ccedil;&atilde;o &ldquo;e&rdquo;, tamb&eacute;m &eacute; usada como adv&eacute;rbio, e nesse caso pode ser traduzida por &ldquo;tam- b&eacute;m&rdquo; ou &ldquo;igualmente&rdquo; (ver Mt 5:39f; 5:46; 12:45f; Mc 8:7; At 13:9).<\/p>\n<p>Assim, a tradu&ccedil;&atilde;o da NKJV e da ARA parece mais ajustada ao contexto, uma vez que a besta ou o drag&atilde;o &eacute; o poder em a&ccedil;&atilde;o em cada uma das cabe&ccedil;as ou dos &ldquo;reis&rdquo;. O sentido, ent&atilde;o, seria de que ela &eacute; cada uma das sete cabe&ccedil;as\/ reis e &eacute; tamb&eacute;m um oitavo. Isso estaria em conformidade com o <em>background <\/em>da figura do drag&atilde;o de sete cabe&ccedil;as, que no AT &eacute; associado ao Egito e Ba- bil&ocirc;nia, dois dos imp&eacute;rios. Interpretar que a pr&oacute;pria besta <strong>&eacute; <\/strong>o oitavo sugere que ela n&atilde;o &eacute; cada um dos sete reis anteriores. Isso implica separar a besta de suas pr&oacute;prias cabe&ccedil;as, o que seria estranho &agrave; unidade do s&iacute;mbolo.<\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia do artigo definido antes do adjetivo ordinal masculino <em>ogdo&oacute;s&nbsp;<\/em>(&ldquo;oitavo&rdquo;) n&atilde;o favorece necessariamente a ideia de que esse oitavo rei seja a pr&oacute;pria besta (gr. <em>therion<\/em>, que &eacute; um substantivo neutro) (NICHOL, 1980, v. 7, p. 856). Essa aus&ecirc;ncia do artigo significa simplesmente que este &eacute; um ele- mento novo na vis&atilde;o. Cada vez que Jo&atilde;o descreve algo pela primeira vez, ele o faz sem o artigo definido (ver Ap 12:1, 3; 13:1, 11; 17:3). Sendo que o adjetivo <em>ogdo&oacute;s<\/em> &eacute; masculino, ele pode ser relacionado aos &ldquo;reis&rdquo; (grego <em>basileus<\/em>, subs- tantivo plural masculino). Nesse caso, no contexto da descri&ccedil;&atilde;o dos sete reis (v. 10, 11), seria mais natural ver o &ldquo;oitavo&rdquo; como mais um rei\/imp&eacute;rio hist&oacute;rico do que como a pr&oacute;pria besta.<\/p>\n<p>O fato de o anjo dizer que cinco reis j&aacute; haviam ca&iacute;do, um existia e o s&eacute;timo ainda viria (v. 10) sugere uma rela&ccedil;&atilde;o consecutiva e de semelhan&ccedil;a entre os sete reis e o oitavo elemento. Al&eacute;m disso, ele acrescenta que o oitavo &ldquo;procede&rdquo; (grego <em>ek<\/em>, &ldquo;proced&ecirc;ncia&rdquo;, &ldquo;origem&rdquo;) dos sete. Nesse caso, um oitavo imp&eacute;rio, proveniente dos sete, <strong>&eacute; <\/strong>previsto. A besta n&atilde;o pode proceder dos sete imp&eacute;rios.<\/p>\n<p>Se a besta &eacute; &ldquo;<em>tamb&eacute;m <\/em>um oitavo&rdquo;, conclui-se que ela &eacute; cada um dos imp&eacute;rios representados por suas sete cabe&ccedil;as.13 Nesse caso, ela representaria o poder imperial ou as &ldquo;ag&ecirc;ncias pol&iacute;ticas&rdquo; que, ao longo da hist&oacute;ria, se op&otilde;e a Deus.14 Sendo usado pelo inimigo de Deus, cada um dos imp&eacute;rios mun- diais, no momento em que se torna perseguidor do povo de Deus, pode ser visto como a materializa&ccedil;&atilde;o do governo de Satan&aacute;s no mundo. Assim, &ldquo;cada cabe&ccedil;a da besta &eacute; uma encarna&ccedil;&atilde;o parcial do poder sat&acirc;nico que governa o mundo por um per&iacute;odo&rdquo; (THOMAS, 1995, p. 292). Os imp&eacute;rios podem ser usados por Deus, para apoiar o remanescente, como ocorreu com o Egito e a P&eacute;rsia. Mas, para todos eles, h&aacute; um momento crucial em que passam a agir em prol da causa do drag&atilde;o.<\/p>\n<p>Os sete imp&eacute;rios afrontaram a Deus de alguma forma. O fara&oacute; do Egito questionou a Mois&eacute;s: &ldquo;Quem &eacute; o S<sub>enhor<\/sub> para que Lhe ou&ccedil;a a voz e deixe Israel ir?&rdquo; (&Ecirc;x 5:2). O rei ass&iacute;rio Senaqueribe cercou Jerusal&eacute;m e desafiou o &ldquo;Senhor&rdquo;, afirmando que Yahweh n&atilde;o poderia livrar Jud&aacute; de suas m&atilde;os (2Rs 18:13, 30-35). Nabucodonozor amea&ccedil;ou os judeus, dizendo: &ldquo;Quem &eacute; o deus que poder&aacute; livrar-vos das minhas m&atilde;os&rdquo; (Dn 3:15). Na P&eacute;rsia, Ham&atilde;<\/p>\n<p>13&nbsp;Um s&iacute;mbolo unificado para representar diversos imp&eacute;rios, como se fossem um s&oacute;, j&aacute; &eacute; visto em Daniel 2, na est&aacute;tua vista por Nabucodonozor cujos elementos (ouro, prata, bronze, ferro e barro) s&atilde;o destru&iacute;dos pela pedra que cai do c&eacute;u, sugerindo que os imp&eacute;rios passam, mas o poder por tr&aacute;s deles dura at&eacute; a chegada do reino de Cristo, quando ser&aacute; destru&iacute;do completamente.<\/p>\n<p>14&nbsp;&ldquo;A besta em si mesma pode ser identificada com o trabalho de Satan&aacute;s atrav&eacute;s das ag&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, em todos os tempos, que se submetem ao seu controle&rdquo; (NICHOL, 1980, v. 7, p. 851; ver STEFANOVIC, 2002, p. 515).<\/p>\n<p>quis exterminar os judeus (Et 3:8). O sel&ecirc;ucida Ant&iacute;oco matou judeus e pro- fanou o templo. Roma crucificou a Cristo e destruiu Jerusal&eacute;m. Acerca de Roma papal, se indagaria: &ldquo;Quem &eacute; semelhante &agrave; besta?&rdquo; (Ap 13:4). Por sua vez, a besta de dois chifres far&aacute; com que a terra e seus habitantes &ldquo;adorem&rdquo; a primeira besta (13:12) e condenar&aacute; &agrave; morte os que n&atilde;o fizerem isso (13:15).<\/p>\n<h1>Vis&otilde;es paralelas<\/h1>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;zo da meretriz com a sexta praga lan&ccedil;a luz adicional sobre Apocalipse 17, no sentido de possibilitar uma mais ampla explora&ccedil;&atilde;o das entidades retratadas nos s&iacute;mbolos da meretriz e da besta escarlate. Nes- sa praga, o mundo aparece completamente polarizado entre os inimigos de Deus e o remanescente. Os inimigos integram a coaliz&atilde;o feita pelo drag&atilde;o, a besta e o falso profeta (16:13) que incorpora tamb&eacute;m os &ldquo;reis do mundo inteiro&rdquo; (16:14). O remanescente &eacute; composto pelo grupo que &ldquo;vigia e guarda&rdquo; para andar retamente diante de Deus (16:15). No Armagedom, portanto, os inimigos que desafiam o &ldquo;Deus Todo-Poderoso&rdquo; (16:14) re&uacute;nem os poderes religiosos da Terra representados pelo drag&atilde;o, a besta e falso profeta (cris- t&atilde;os professos e espiritualistas) e os poderes pol&iacute;ticos e militares representados pelos &ldquo;reis do mundo inteiro&rdquo;.<\/p>\n<p>Esses dois grupos s&atilde;o representados diversas vezes no Apocalipse, por&eacute;m mais claramente no contexto do cl&iacute;max do grande conflito descrito em Ap 13 e 16-17. No cap. 13, esse grupo opositor &eacute; representado por dois s&iacute;mbolos: a primeira besta, ent&atilde;o curada de sua ferida mortal, e a besta de dois chifres (ver 13:11-17). No 17, o mesmo grupo &eacute; representado por dois outros s&iacute;mbolos: a meretriz e a besta escarlate juntamente com os &ldquo;dez reis&rdquo;. Do cap&iacute;tulo 13 para o 16-17, h&aacute; uma progress&atilde;o em que a entidade representada pela primeira bes- ta torna-se um poder apenas religioso e se expande para incorporar &ldquo;espiritis- mo&rdquo; e &ldquo;protestantismo&rdquo;, (WHITE, 2008, p. 160-165, 173) como sugerido em 16:13, formando a Babil&ocirc;nia (17:5). Por sua vez, a besta de dois chifres passa a incorporar tamb&eacute;m &ldquo;os reis da terra&rdquo; (16:14; 17:12, 16).<\/p>\n<p>Essa amplia&ccedil;&atilde;o na descri&ccedil;&atilde;o das entidades justifica a mudan&ccedil;a nos s&iacute;mbolos.15 De forma que a besta de sete cabe&ccedil;as (poder religioso) &eacute; mostra- espectro da revela&ccedil;&atilde;o. Em Daniel 2, uma sequ&ecirc;ncia de imp&eacute;rios (Babil&ocirc;nia, P&eacute;rsia, Gr&eacute;cia, Roma e Roma papal) &eacute; representada pela est&aacute;tua de ouro, prata, bronze, ferro e barro. A mesma sequ&ecirc;ncia &eacute; retratada em Daniel 7 por quatro animais: le&atilde;o, urso, leopardo e o quarto animal. J&aacute; em Daniel 8, os tr&ecirc;s &uacute;ltimos poderes s&atilde;o representados por um carneiro, um bode e um &ldquo;chifre pequeno&rdquo;.15 A mudan&ccedil;a de s&iacute;mbolos &eacute; comum na profecia apocal&iacute;ptica, quando se deseja ampliar ou mudar o da em Apocalipse 17 na figura da meretriz, e a besta de dois chifres (poder pol&iacute;tico) &eacute; substitu&iacute;da por outro s&iacute;mbolo: a besta escarlate ou oitavo rei.<\/p>\n<p>Assim, considerando o contexto comum do cl&iacute;max do grande conflito e do Armagedom, em que os inimigos de Deus assumem essa composi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e religiosa, os cap. 13 e 16-17 de Apocalipse podem ser postos em paralelo, de modo que a primeira besta est&aacute; para a meretriz, assim como a besta de dois chifres est&aacute; para a besta escarlate ou oitavo rei, consideradas as mudan&ccedil;as na configura&ccedil;&atilde;o das entidades em quest&atilde;o e as amplia&ccedil;&otilde;es na descri&ccedil;&atilde;o das mesmas. Ver quadro:<\/p>\n<p><strong>Os poderes opositores no cl&iacute;max do conflito<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"465\">\n<table width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"142\"><\/td>\n<td width=\"161\">&nbsp;\n<p>Poderes religiosos<\/p><\/td>\n<td width=\"156\">&nbsp;\n<p>Poderes pol&iacute;ticos<\/p><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Ap 13:11-17, 8: crise final<\/td>\n<td width=\"161\">Primeira besta restaurada<\/td>\n<td width=\"156\">Besta de dois chifres + Terra e seus habitantes<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Ap 16:12-16\n<p>Armagedom<\/p><\/td>\n<td width=\"161\">Drag&atilde;o, besta e falso profeta<\/td>\n<td width=\"156\">Reis do mundo inteiro<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">Ap 17:12-15\n<p>A &uacute;ltima peleja<\/p><\/td>\n<td width=\"161\">Meretriz<\/td>\n<td width=\"156\">Besta: oitavo rei + Dez reis<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os s&iacute;mbolos apocal&iacute;pticos parecem ser usados de forma consistente ao re- presentar os poderes religiosos e os pol&iacute;ticos e militares, no sentido de que os animais ou bestas representam poderes seculares, e animais com caracter&iacute;sticas humanas ou pessoas representam os poderes religiosos. Em Daniel 7, os animais que representam os poderes pol&iacute;ticos babil&ocirc;nico, persa e grego n&atilde;o t&ecirc;m caracte- r&iacute;sticas humanas. J&aacute; o chifre pequeno, do quarto animal, que representa o poder pol&iacute;tico-religioso papal tem &ldquo;olhos, como os de homem&rdquo; e &ldquo;uma boca que fa- lava&rdquo; (Dn 7:8). No Apocalipse, a besta s&iacute;mbolo do poder papal tem uma boca que profere &ldquo;blasf&ecirc;mias contra Deus&rdquo; (Ap 13:6). Mas a segunda besta, s&iacute;mbolo do poder pol&iacute;tico americano, n&atilde;o tem caracter&iacute;sticas humanas. Em Ap 17, uma mulher representa o poder religioso, mas a besta escarlate n&atilde;o exibe nada de humano, o que a relaciona com os poderes pol&iacute;ticos e militares.<\/p>\n<p>O paralelo entre a descri&ccedil;&atilde;o do cl&iacute;max do grande conflito provida por Ap 13 e 16-17 permite avan&ccedil;ar ainda mais na rela&ccedil;&atilde;o entre o oitavo rei e a besta de dois chifres. A besta escarlate &ldquo;leva&rdquo; (17:7; grego <em>bastazw<\/em>, &ldquo;carre- gar&rdquo;, &ldquo;conduzir&rdquo;) a meretriz na qual esta est&aacute; &ldquo;montada&rdquo; (v. 3). A besta de dois chifres faz uma imagem &agrave; primeira besta e restaura sua ferida (Ap 13:14), ou seja, a segunda besta se coloca a servi&ccedil;o da primeira. A besta escarlate, que tamb&eacute;m &eacute; o oitavo rei (17:11), lidera os &ldquo;dez reis&rdquo; (na&ccedil;&otilde;es modernas; conjunto multipolar de povos) em sua investida contra o Cordeiro, na peleja final (17:14). A besta de dois chifres lidera os que &ldquo;habitam na terra&rdquo; (13:14) e os &ldquo;reis do mundo inteiro&rdquo; (16:14) contra Deus e seu povo, no Armage- dom. Assim, nesses dois cen&aacute;rios, h&aacute; a previs&atilde;o de uma &ldquo;grande coaliz&atilde;o&rdquo; de poderes seculares, a serem liderados, segundo o cen&aacute;rio de Ap 13, pela besta de dois chifres e, segundo Ap 17, pela besta escarlate ou o oitavo rei.<\/p>\n<p>Por outro lado, o cl&iacute;max do conflito descrito em Apocalipse 13:11-17 n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem o papel desempenhado pela besta de dois chifres, pois &eacute; ela que restaura o poder da primeira besta, lhe faz uma imagem e imp&otilde;e suas leis sobre a face da Terra. Se a crise final &eacute; desencadeada pelo surgimen- to da besta de dois chifres, em Apocalipse 13, ela precisa necessariamente ser visualizada no cen&aacute;rio da crise final descrito em Apocalipse 17.<\/p>\n<p>O anjo declara ainda que a besta escarlate (poder pol&iacute;tico e militar), apoiada pelos dez reis, destruir&aacute; a meretriz (poder religioso). No desfecho do conflito, a proclama&ccedil;&atilde;o final das tr&ecirc;s mensagens ang&eacute;licas (Ap 14:6-10) por parte do remanescente provocar&aacute; o desmascaramento da meretriz e contribuir&aacute; para sua consequente queda, cujo cl&iacute;max se dar&aacute; na sexta praga. As &ldquo;&aacute;guas&rdquo; que se &ldquo;secam&rdquo; (v. 17:15) apontam para a retirada do apoio das na&ccedil;&otilde;es (13:14; 16:14; 17:12, 13). Assim, as na&ccedil;&otilde;es outrora unidas em favor da Babil&ocirc;nia n&atilde;o s&oacute; deixar&atilde;o de apoi&aacute;-la, mas a destruir&atilde;o (17:16).16&nbsp;Dentre as na&ccedil;&otilde;es seduzidas pela meretriz, a mais forte &eacute; aquela representada pela besta de dois chifres, ou seja os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Deve-se notar tamb&eacute;m que o quadro de Apocalipse 17 de uma besta de sete cabe&ccedil;as mais um oitavo rei permite um paralelo ainda mais claro com Apocalipse 13, em que Jo&atilde;o tamb&eacute;m descreve <em>oito <\/em>reis\/imp&eacute;rios, com o quadro de uma besta de sete cabe&ccedil;as mais uma besta de dois chifres, ou um oitavo poder. Considerando o papel essencial que essa besta desempenha na crise final, era de se esperar que ela fosse referida em Apocalipse 17 cujo foco &eacute; o cl&iacute;max do conflito. Uma vez que os Estados Unidos n&atilde;o s&atilde;o representa- dos numa das sete cabe&ccedil;as da besta principal em Apocalipse 13, &eacute; tamb&eacute;m natural que no cap&iacute;tulo 17 esse poder seja representado como um oitavo, ou um adendo, na sequ&ecirc;ncia dos sete anteriores e distinto deles.<\/p>\n<p>Por outro lado, o que torna os Estados Unidos um poder perseguidor, na crise final, &eacute; o fato de nessa na&ccedil;&atilde;o se reproduzir um fen&ocirc;meno pr&oacute;prio<\/p>\n<p>16&nbsp;A ira de Deus sobre a meretriz ser&aacute; executada por meio de seus pr&oacute;prios aliados que tam- b&eacute;m s&atilde;o inimigos de Deus. No AT, Deus usou a Babil&ocirc;nia antiga para executar Seu ju&iacute;zo sobre Jud&aacute; (2Rs 24:1-20; Jr 20:4), e a P&eacute;rsia, para se vingar de Babil&ocirc;nia (Is 13:19; 34:14).<\/p>\n<p>de uma das cabe&ccedil;as da besta, a s&eacute;tima, que representa um poder terreno for- mado pela uni&atilde;o da Igreja e do Estado. Assim, quando os Estados Unidos formalizarem uma uni&atilde;o da Igreja (protestante) com o Estado (republicano), estar&aacute; ent&atilde;o reproduzida a &ldquo;imagem da besta&rdquo; (Ap 13:14) nessa na&ccedil;&atilde;o pro- testante.17 De modo que o poder que essa na&ccedil;&atilde;o exerce na crise final pode ser adequadamente descrito como uma duplica&ccedil;&atilde;o ou reprodu&ccedil;&atilde;o da s&eacute;tima cabe&ccedil;a. Ent&atilde;o, o oitavo rei n&atilde;o seria um que destruir&aacute; o s&eacute;timo, mas um desdobramento deste. Essa rela&ccedil;&atilde;o entre o oitavo rei e o s&eacute;timo pode jus- tificar a express&atilde;o de que ele &ldquo;&eacute; dos sete&rdquo; (Ap 17:11, KJV, ARC) ou de que ele &ldquo;procede dos sete&rdquo; (ARA). Jo&atilde;o diz que a entidade representada pela se- gunda besta (EUA) &ldquo;exerce todo o poder da primeira besta na sua presen&ccedil;a e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta&rdquo; (Ap 13:12). Assim, uma rela&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o e desdobramento entre os dois supostos &uacute;ltimos reis j&aacute; estava estabelecida em Ap 13.<\/p>\n<p>Sendo que as cabe&ccedil;as da besta escarlate de Apocalipse 17 represen- tam sete reis\/imp&eacute;rios mundiais (Egito, Ass&iacute;ria, Babil&ocirc;nia, P&eacute;rsia, Gr&eacute;cia, Roma e Roma papal), o oitavo rei pode ser, portanto, o poder americano, conforme representado pela besta de dois chifres em Ap 13:11. Nesse caso, o &ldquo;oitavo rei&rdquo; seria o &uacute;ltimo imp&eacute;rio a exercer poder sobre os fi&eacute;is de Deus.18<\/p>\n<p>Essa rela&ccedil;&atilde;o entre o oitavo rei e a besta de dois chifres n&atilde;o descarta a rela&ccedil;&atilde;o entre o oitavo rei e o drag&atilde;o\/besta escarlate, mas procura especificar de que forma e por meio de quem o drag&atilde;o dever&aacute; agir no cl&iacute;max do confli- to. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; condizente com o que a pr&oacute;pria Escritura prov&ecirc; em termos de identifica&ccedil;&atilde;o para os reis\/imp&eacute;rios, ao relacionar o drag&atilde;o com os mesmos. No &ecirc;xodo, o Egito &eacute; o <em>dr&aacute;kon<\/em> que Deus esmagou nas &aacute;guas do Mar Vermelho (LXX: Sl 74:13, 14; Is 51:9; Ez 29:3, 32:2). No cativeiro, Babil&ocirc;nia &eacute; o <em>dr&aacute;kon<\/em> que esmagava Israel (LXX: Jr 51:34). Roma pag&atilde; &eacute; representada pela figura do <em>dr&aacute;kon<\/em> (Ap 12:3, 9). Roma papal recebe poder e trono do <em>dr&aacute;kon<\/em> (Ap 13:2) e a Besta de dois chifres (EUA) fala como o <em>dr&aacute;kon<\/em> (Ap 13:11).<\/p>\n<p>Al&eacute;m de o oitavo rei ser &ldquo;procedente&rdquo; dos sete, todos eles mant&ecirc;m certas rela&ccedil;&otilde;es entre si, o que sugere que, ao longo da hist&oacute;ria, s&atilde;o um poder comum -se em pontos de doutrinas que lhes s&atilde;o comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apoie as institui&ccedil;&otilde;es, a Am&eacute;rica do Norte protestante ter&aacute; ent&atilde;o formado uma imagem da hierarquia romana&rdquo; (WHITE, 1988, p. 445).17&nbsp;Ellen G. White explica que a uni&atilde;o da Igreja com o Estado levar&aacute; os Estados Unidos &agrave; for- ma&ccedil;&atilde;o de uma imagem da besta. &ldquo;Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-<\/p>\n<p>18&nbsp;Sobre o desenvolvimento da interpreta&ccedil;&atilde;o adventista acerca da besta de dois chifres de Ap 13:11 (ver DORNELES, 2012, p. 33-52).<\/p>\n<p>em oposi&ccedil;&atilde;o a Deus,19&nbsp;no sentido de que Satan&aacute;s &eacute; o agente que atua por tr&aacute;s de cada cabe&ccedil;a da besta. Os imp&eacute;rios representados pela besta compartilham s&iacute;mbolos, ideais, mitos, cren&ccedil;as e, sobretudo, uma vis&atilde;o comum de seu pre- tenso papel na manuten&ccedil;&atilde;o da ordem do mundo (DORNELES, 2012, p. 89- 115; HALL, 2008). Por isso, s&atilde;o representados por uma mesma besta de sete cabe&ccedil;as. &ldquo;A imagem de uma besta de sete cabe&ccedil;as representa uma besta que vive, morre e torna a viver sete ou oito vezes&rdquo; (PAULIEN, 2008, p. 211).<\/p>\n<h1>A meretriz<\/h1>\n<p>A mulher pura nas Escrituras aponta para a igreja verdadeira t&atilde;o claramente quanto a vulgar revela a religi&atilde;o corrompida. O s&iacute;mbolo da meretriz desperta menos debates do que o da besta escarlate, sendo relacionado &agrave; religi&atilde;o crist&atilde; apostatada. No entanto, se Apocalipse 17 e 18 apresenta um ju&iacute;zo de investiga- &ccedil;&atilde;o em que a identidade e a obra dos inimigos e Deus s&atilde;o reveladas a fim de se justificar a senten&ccedil;a a ser executada (Ap 18), e sendo que Apocalipse 18:24 diz que a meretriz &eacute; culpada do sangue &ldquo;de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra&rdquo;, ela j&aacute; devia existir antes da era crist&atilde;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, observando os tempos verbais na vis&atilde;o, o anjo diz a Jo&atilde;o que com ela se &ldquo;prostitu&iacute;ram&rdquo; os &ldquo;reis da terra&rdquo; e com seu vinho se &ldquo;embebedaram&rdquo; os que &ldquo;habitam na terra&rdquo; (v. 2). Os verbos conjugados no passa- do, no tempo de Jo&atilde;o, apontam para a rela&ccedil;&atilde;o mantida pela meretriz com os reis\/imp&eacute;rios que tinham existido at&eacute; ent&atilde;o, do Egito at&eacute; Roma.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o viu que a meretriz estava &ldquo;montada&rdquo; na besta escarlate (17:3), e o anjo disse que ela estava &ldquo;sentada&rdquo; sobre muitas &aacute;guas (17:1, 15) as quais repre- sentam povos e na&ccedil;&otilde;es (17:15). Ela tamb&eacute;m est&aacute; &ldquo;sentada&rdquo; nos sete montes, que s&atilde;o os sete imp&eacute;rios. O verbo grego usado nesses versos &eacute; o mesmo: <em>kathemai<\/em>. Para Johnson, &ldquo;Babil&ocirc;nia &eacute; encontrada onde quer que haja engano sat&acirc;nico&rdquo; (JOHNSON, 1981, v. 12, p. 554). A meretriz, nesse caso, revela uma religi&atilde;o evid&ecirc;ncia dessa rela&ccedil;&atilde;o entre os imp&eacute;rios. O selo representa a integra&ccedil;&atilde;o de elementos cul- turais dos imp&eacute;rios eg&iacute;pcio, grego, persa, babil&ocirc;nico e romano no imp&eacute;rio americano. Seus principais itens s&atilde;o: 1) a pir&acirc;mide truncada eg&iacute;pcia muito usada pela ma&ccedil;onaria; 2) o olho da Provid&ecirc;ncia, ou o olho de H&oacute;rus, deus solar filho de Os&iacute;ris e &Iacute;sis, na mitologia eg&iacute;pcia; 3) a &aacute;guia de cabe&ccedil;a branca, que era o p&aacute;ssaro de Zeus na mitologia grega e representava a descida do deus <strong>&agrave; <\/strong>Terra na cren&ccedil;a eg&iacute;pcia; 4) os mottos &ldquo;annuit coeptis&rdquo;, &ldquo;novus ordo seclorum&rdquo; e &ldquo;e pluribus unum&rdquo;, tirados de Virgilio, poeta romano (ver OVASON, 2004). O desenho da &aacute;guia, no selo, faz refer&ecirc;ncia ao chamado &ldquo;Faravahar&rdquo;, uma ef&iacute;gie persa que simbolizava a luz celestial em torno dos reis, her&oacute;is e santos da P&eacute;rsia, e tamb&eacute;m &agrave; &aacute;guia romana.19 &nbsp;O chamado Grande Selo dos Estados Unidos, estampado na c&eacute;dula de um d&oacute;lar &eacute; uma perversa que esteve difundida em todos os imp&eacute;rios, embora tenha sua mani- festa&ccedil;&atilde;o mais plena e final na Babil&ocirc;nia m&iacute;stica dos &uacute;ltimos dias, o que justifica o contexto escatol&oacute;gico em que &eacute; vista pelo profeta. Nesse sentido, a Babil&ocirc;nia m&iacute;stica pode ser considerada como representativa da &ldquo;religi&atilde;o ap&oacute;stata ao longo da hist&oacute;ria&rdquo;, embora &ldquo;Babil&ocirc;nia, a grande, designa em sentido especial as religi- &otilde;es ap&oacute;statas no tempo do fim&rdquo; (NICHOL, 1980, v. 7, p. 851, 852).<\/p>\n<p>O ju&iacute;zo divino traz &agrave; mem&oacute;ria todos os profetas e santos mortos ao longo da hist&oacute;ria e os vinga sobre a meretriz, cujo inc&ecirc;ndio faz prantear os pr&oacute;prios &ldquo;reis da terra&rdquo; (18:9, 10, 18). O anjo diz que a meretriz embebedou os que &ldquo;habi- tam na terra&rdquo; com seu vinho. No AT, o vinho &eacute; um bloqueador do discernimen- to espiritual. Deus ordenou aos sacerdotes que n&atilde;o usassem vinho a fim de que pudessem fazer &ldquo;diferen&ccedil;a entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo&rdquo; e para que fossem capazes de &ldquo;ensinar&rdquo; aos filhos de Israel os &ldquo;estatutos&rdquo; do Se- nhor (Lv 10:9-11). Num tempo de apostasia, Isa&iacute;as diz que sacerdotes e profetas, por causa do &ldquo;vinho&rdquo; e da &ldquo;bebida forte&rdquo;, se desencaminhavam e erravam &ldquo;na vis&atilde;o e trope&ccedil;am no ju&iacute;zo&rdquo; (Is 28:7). Se Jo&atilde;o est&aacute; usando uma met&aacute;fora extra&iacute;da do AT, o vinho de Babil&ocirc;nia deve representar as heresias com as quais ela embo- tou o ju&iacute;zo e desencaminhou os reis e os povos da Terra (ver Jr 51:7).<\/p>\n<p>O culto ao sol e a cren&ccedil;a na imortalidade da alma s&atilde;o encontrados em todos os imp&eacute;rios, desde o Egito. &ldquo;O culto do sol era difundido e sua deifica&ccedil;&atilde;o foi uma fonte de idolatria em cada parte do mundo antigo&rdquo; (OLCOTT, 1914, p. 142). Richard Rives afirma que eg&iacute;pcios, ass&iacute;rios, babil&ocirc;nios, medos e persas, gregos e romanos foram todos adoradores do sol (RIVES, 1999). A proibi&ccedil;&atilde;o feita por Mois&eacute;s atesta da atra&ccedil;&atilde;o desse culto naquele tempo (Dt 4:19). No Egito, o extenso e dispendioso ritual de embalsamamento mostra a vitalidade da cren&ccedil;a na imortalidade nesse primeiro imp&eacute;rio, a qual repor- ta ao &Eacute;den e se difundiu por toda a terra (BACCHIOCCHI, 2012, p. 60).<\/p>\n<p>Assim, o vinho de Babil&ocirc;nia pode ser uma representa&ccedil;&atilde;o da santidade do dia do sol e da imortalidade da alma, a mentira primordial (WHITE, 1988, v. 2, p. 68, 118). Essas duas heresias funcionaram ao longo da hist&oacute;ria como uma po&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica nas m&atilde;os da meretriz para seduzir os &ldquo;reis&rdquo; e os povos da Terra.<\/p>\n<h1>Considera&ccedil;&otilde;es finais<\/h1>\n<p>As vis&otilde;es narradas em Apocalipse 17 e 18 podem ser vistas como reve- la&ccedil;&otilde;es adicionais e explicativas sobre a sexta praga e tratam com a queda da Babil&ocirc;nia m&iacute;stica. H&aacute; uma sequ&ecirc;ncia de ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o (AP 17) segui- do de execu&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a (Ap 18). A meretriz e a besta escarlate parecem revelar entidades diferentes constituintes do grupo dos inimigos de Deus no cl&iacute;max do grande conflito, contra os quais Deus executa ju&iacute;zos. Ap&oacute;s a investiga&ccedil;&atilde;o retratada no cap&iacute;tulo 17, o Apocalipse mostra a execu&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a divina primeiramente sobre a meretriz (18:20), depois sobre a besta (escarlate) e o falso profeta (19:20) e, por fim, sobre o drag&atilde;o (20:10).<\/p>\n<p>As semelhan&ccedil;as entre a besta escarlate, o drag&atilde;o vermelho e a besta se- melhante a leopardo sugere que o diabo &eacute; o poder por tr&aacute;s de todos os imp&eacute;rios que, ao longo da hist&oacute;ria, se opuseram a Deus e a Seu povo. O paralelo entre o cl&iacute;max escatol&oacute;gico descrito em Apocalipse 13 e 16-17 favorece a compara&ccedil;&atilde;o entre a primeira besta e a meretriz, bem como entre a besta de dois chifres e o oitavo rei. Este oitavo rei pode ser visto como um poder pol&iacute;tico e militar es- catol&oacute;gico que, sucedendo os sete primeiros, seria o poder americano. A me- retriz &eacute; culpada do sangue de santos e profetas (18:24) de toda a hist&oacute;ria, e o ju&iacute;zo de investiga&ccedil;&atilde;o retoma seus pecados desde o primeiro imp&eacute;rio, o Egito.<\/p>\n<p>Essa vis&atilde;o do poder imperial como um poder comum que, ao longo da hist&oacute;ria, se op&ocirc;s a Deus, torna bastante apropriadas as palavras de Daniel a Nabucodonozor, acerca da pedra que caiu nos p&eacute;s da est&aacute;tua, sendo <em>ent&atilde;o<\/em> &ldquo;es- miu&ccedil;ado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha&rdquo;, e &ldquo;o vento os levou, e deles n&atilde;o se viram mais vest&iacute;gios&rdquo;. Mas &ldquo;a pedra que feriu a est&aacute;tua se tornou em grande montanha [reino], que encheu toda a terra&rdquo; (Dn 2:35, 45). O reino de Cristo, ao ser estabelecido, n&atilde;o herdar&aacute; nada dos anteriores, mas destruir&aacute; para sempre todas as obras humanas que os diferentes imp&eacute;rios compartilharam ao longo da hist&oacute;ria.<\/p>\n<h1>Refer&ecirc;ncias<\/h1>\n<p>BACCHIOCCHI, S. <strong>Cren&ccedil;as populares<\/strong>. Tatu&iacute;: Casa Publicadora Brasileira, 2012.<\/p>\n<p>DAVIDSON, R. M. Sanctuary Tipology. In HOLBROOK, F. B. (Ed.). <strong>Symposium on Revelation<\/strong>: Introductory and Exegetical Studies. Silver Spring: Biblical Research Institute, 1992. v. 1.<\/p>\n<p>DORNELES, V. <strong>O &Uacute;ltimo Imp&eacute;rio<\/strong>. Tatu&iacute;: Casa Publicadora Brasileira, 2012. HALL, M. <strong>The secret destiny of America<\/strong>. New York: Penguin, 2008.<\/p>\n<p>HASEL, G. F. Ju&iacute;zo Divino. In: DEDEREN, R. <strong>Tratado <\/strong><strong>de Teologia Adventista do S&eacute;timo Dia<\/strong>. Tatu&iacute;: Casa Publicadora Brasileira, 2011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/deptos.adventistas.org\/ministerial\/portal-pastor\/pt\/Artigos\/O%20oitavo%20imp%C3%A9rio-%20novas%20hip%C3%B3teses%20para%20os%20s%C3%ADmbolos%20de%20Apocalipse%2017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Download em PDF<\/a><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O oitavo imp&eacute;rio: novas hip&oacute;teses para os s&iacute;mbolos de Apocalipse 17 Vanderlei Dorneles &nbsp; Este artigo analisa os s&iacute;mbolos prof&eacute;ticos de Apocalipse 17 com o objetivo de explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre a besta escarlate, a primeira besta de Apo- calipse 13 e o drag&atilde;o de Apocalipse 12. O estudo &eacute; feito &agrave; luz do contexto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6354,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3778],"tags":[],"class_list":["post-6353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-god"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O oitavo imp&eacute;rio: novas hip&oacute;teses para os s&iacute;mbolos de Apocalipse 17 Vanderlei Dorneles &nbsp; Este artigo analisa os s&iacute;mbolos prof&eacute;ticos de Apocalipse 17 com o objetivo de explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre a besta escarlate, a primeira besta de Apo- calipse 13 e o drag&atilde;o de Apocalipse 12. O estudo &eacute; feito &agrave; luz do contexto...\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pastor Adventista\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/pastoradv\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-10-05T12:36:03+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-10-05T13:07:17+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"5760\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"3840\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@pastorAdv\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@pastorAdv\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"38 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\"},\"author\":{\"name\":\"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705\"},\"headline\":\"O Oitavo Imp\u00e9rio\",\"datePublished\":\"2020-10-05T12:36:03+00:00\",\"dateModified\":\"2020-10-05T13:07:17+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\"},\"wordCount\":7573,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg\",\"articleSection\":[\"Art - Teologia B\u00edblica\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\",\"url\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\",\"name\":\"O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg\",\"datePublished\":\"2020-10-05T12:36:03+00:00\",\"dateModified\":\"2020-10-05T13:07:17+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg\",\"width\":5760,\"height\":3840},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O Oitavo Imp\u00e9rio\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/\",\"name\":\"Pastor Adventista\",\"description\":\"Site do Pastor | Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705\",\"name\":\"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0fddd0154d1f535e92b122441494ba8e2edb8e724c89c93e17e0b23b366f8590?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0fddd0154d1f535e92b122441494ba8e2edb8e724c89c93e17e0b23b366f8590?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial\"},\"sameAs\":[\"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista","og_description":"O oitavo imp&eacute;rio: novas hip&oacute;teses para os s&iacute;mbolos de Apocalipse 17 Vanderlei Dorneles &nbsp; Este artigo analisa os s&iacute;mbolos prof&eacute;ticos de Apocalipse 17 com o objetivo de explorar as rela&ccedil;&otilde;es entre a besta escarlate, a primeira besta de Apo- calipse 13 e o drag&atilde;o de Apocalipse 12. O estudo &eacute; feito &agrave; luz do contexto...","og_url":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/","og_site_name":"Pastor Adventista","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/pastoradv","article_published_time":"2020-10-05T12:36:03+00:00","article_modified_time":"2020-10-05T13:07:17+00:00","og_image":[{"width":5760,"height":3840,"url":"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@pastorAdv","twitter_site":"@pastorAdv","twitter_misc":{"Escrito por":"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial","Est. tempo de leitura":"38 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/"},"author":{"name":"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705"},"headline":"O Oitavo Imp\u00e9rio","datePublished":"2020-10-05T12:36:03+00:00","dateModified":"2020-10-05T13:07:17+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/"},"wordCount":7573,"image":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg","articleSection":["Art - Teologia B\u00edblica"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/","url":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/","name":"O Oitavo Imp\u00e9rio - Pastor Adventista","isPartOf":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg","datePublished":"2020-10-05T12:36:03+00:00","dateModified":"2020-10-05T13:07:17+00:00","author":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#primaryimage","url":"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg","contentUrl":"https:\/\/files.adventistas.org\/pastor.adventistas.org\/pt\/2020\/10\/podr%C3%A1-5-oct.jpg","width":5760,"height":3840},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/o-oitavo-imperio-novas-hipoteses-para-os-simbolos-de-apocalipse-17\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O Oitavo Imp\u00e9rio"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#website","url":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/","name":"Pastor Adventista","description":"Site do Pastor | Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/b62975631befbf27a50ed5a16aaa9705","name":"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0fddd0154d1f535e92b122441494ba8e2edb8e724c89c93e17e0b23b366f8590?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0fddd0154d1f535e92b122441494ba8e2edb8e724c89c93e17e0b23b366f8590?s=96&d=mm&r=g","caption":"Associa\u00e7\u00e3o Ministerial"},"sameAs":["http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/"]}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6353"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6356,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6353\/revisions\/6356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}