{"id":6891,"date":"2021-05-19T16:55:01","date_gmt":"2021-05-19T19:55:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=6891"},"modified":"2021-05-28T11:31:02","modified_gmt":"2021-05-28T14:31:02","slug":"evangelho-da-prosperidade-breve-analise-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/evangelho-da-prosperidade-breve-analise-critica\/","title":{"rendered":"Evangelho da Prosperidade: Breve An\u00e1lise Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: center;\"><strong>Evangelho da Prosperidade: Breve An&aacute;lise Cr&iacute;tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Alberto R. Timm<\/p>\n<p>Muitos pregadores pentecostais t&ecirc;m arrecadado grandes somas de dinheiro atrav&eacute;s de tentadoras promessas de prosperidade material aos seus doadores. Baseado nas palavras de Malaquias 3:10 (&ldquo;Trazei todos os d&iacute;zimos&hellip;, e provai-Me nisto&hellip;&rdquo;),1 um desses pregadores costuma assegurar aos seus telespectadores que, se forem realmente generosos em suas d&aacute;divas, eles poder&atilde;o at&eacute; escolher antecipadamente as &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os&rdquo; a serem reivindicadas de Deus. Entre as v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es est&atilde;o o tipo espec&iacute;fico de casa que desejam ter, a marca de carro que gostariam de possuir, e mesmo o saldo da conta banc&aacute;ria que mais lhes agrada. Tudo isso, e muito mais, eles receber&atilde;o se t&atilde;o somente forem generosos, e ent&atilde;o &ldquo;provarem&rdquo; a Deus no cumprimento de Suas promessas!<\/p>\n<p>O Bispo Edir Macedo, fundador e l&iacute;der da Igreja Universal do Reino de Deus, &eacute; outro destacado pregador contempor&acirc;neo do Evangelho da Prosperidade. Em seu livro Vida com Abund&acirc;ncia, Macedo argumenta que<br>\nDar o d&iacute;zimo &eacute; candidatar-se a receber b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os sem medida, de acordo com o que diz a B&iacute;blia, sob os aspectos f&iacute;sicos, espiritual e financeiro.<br>\nQuando pagamos o d&iacute;zimo a Deus, Ele fica na obriga&ccedil;&atilde;o (por que prometeu) de cumprir a Sua Palavra, repreendendo os esp&iacute;ritos devoradores que desgra&ccedil;am a vida do homem, atuando nas doen&ccedil;as, nos acidentes, nos v&iacute;cios, na degrada&ccedil;&atilde;o social e em todos os<br>\nsetores de atividade humana, fazendo com que o homem sofra eternamente. Quando somos fi&eacute;is no d&iacute;zimo, al&eacute;m de nos vermos livres desses sofrimentos, passamos a gozar de toda a plenitude da Terra, tendo Deus a nosso lado nos aben&ccedil;oando em todas as coisas.2<\/p>\n<p>Na obra O Poder Sobrenatural da F&eacute;, o mesmo autor acrescenta:<br>\n&Eacute; claro tamb&eacute;m que os que s&atilde;o fi&eacute;is nos d&iacute;zimos t&ecirc;m o privil&eacute;gio de poderem exigir de Deus o cumprimento da Sua promessa em suas vidas e, obrigatoriamente, o Senhor tem de cumpri-la. &hellip;<br>\nPessoalmente acho mais do que justa a contribui&ccedil;&atilde;o, quer de d&iacute;zimos ou de ofertas, porque quanto mais n&oacute;s damos, mais Deus nos devolve multiplicado. 3<\/p>\n<p>Enquanto Macedo procura endosso b&iacute;blico para suas ideias, Kenneth E. Hagin (1917- 2003), pai do Movimento Palavra de F&eacute;, at&eacute; mesmo reivindica revela&ccedil;&otilde;es para seus pr&oacute;prios pontos de vista. Em seu panfleto Como Deus Me Ensinou a Respeito da Prosperidade, Hagin<br>\ndeclara, &ldquo;O pr&oacute;prio Senhor me ensinou a respeito da prosperidade. Eu nunca li a respeito de ela num livro. Eu a recebi diretamente do C&eacute;u.&rdquo;4<\/p>\n<p>As ambi&ccedil;&otilde;es financeiras do movimento do evangelho da prosperidade5 s&atilde;o bem expressas por Bill Hamon em seu livro Profetas e Profecia Pessoal. Ele argumenta, &ldquo;o Esp&iacute;rito Santo tornou conhecido que agora &eacute; o tempo para o ex&eacute;rcito do Senhor se levantar e possuir a riqueza do mundo.&rdquo; De acordo com Hamon, este alvo deveria ser alcan&ccedil;ado com a assist&ecirc;ncia dos profetas modernos, que podem revelar &ldquo;palavras concernentes a problemas que est&atilde;o impedindo um neg&oacute;cio, bem como novas dire&ccedil;&otilde;es, atividades, e alvos. Muitos homens de<br>\nneg&oacute;cio procuram o profeta para confirma&ccedil;&atilde;o antes de tomarem decis&otilde;es importantes em seus empreendimentos.&rdquo;6<\/p>\n<p>De qualquer forma, se tais declara&ccedil;&otilde;es est&atilde;o corretas, ent&atilde;o tornar-se rico &eacute; muito f&aacute;cil! Basta dar o d&iacute;zimo e ofertas generosas para os cofres das igrejas desses pregadores, e o suposto &ldquo;retorno financeiro&rdquo; ser&aacute; bem mais rendoso do que os juros da caderneta de poupan&ccedil;a<br>\nou de quaisquer outras aplica&ccedil;&otilde;es no mercado financeiro! Agora, se a tal &ldquo;devolu&ccedil;&atilde;o multiplicada&rdquo; n&atilde;o acontece como prometida, a culpa &eacute; sempre atribu&iacute;da aos pr&oacute;prios doadores que n&atilde;o exerceram a &ldquo;f&eacute;&rdquo; necess&aacute;ria para receber a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. Milhares t&ecirc;m crido nesse tipo de interpreta&ccedil;&atilde;o das b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os que Deus prometeu dar aos que Lhe s&atilde;o fi&eacute;is (ver Ml 3:10). Mas existem, por outro lado, tamb&eacute;m aqueles que, antes de acreditar em promessas humanas, preferem examinar acuradamente a Palavra de Deus para ver se as coisas s&atilde;o &ldquo;de fato assim&rdquo; (At 17:11). Estes &uacute;ltimos costumam justificar a sua atitude n&atilde;o apenas no ensino apost&oacute;lico de que &ldquo;antes, importa obedecer a Deus do que aos homens&rdquo; (At 5:29), mas tamb&eacute;m nas advert&ecirc;ncias de Cristo a respeito dos falsos pregadores que falam em nome de Cristo sem que seus ensinos estejam em plena conformidade com a Palavra de Deus (ver Mt 4:4; 7:20-23; ver tamb&eacute;m Gl 1:8, 9; Ap 22:18, 19).<\/p>\n<p>O prop&oacute;sito do presente artigo &eacute; analisar criticamente os postulados b&aacute;sicos do Evangelho da Prosperidade &agrave; luz das Escrituras.7 O conte&uacute;do desta mat&eacute;ria est&aacute; dividido em&nbsp; duas partes distintas. A primeira delas consta de uma breve exposi&ccedil;&atilde;o sobre Malaquias 3:7-12, em cujo texto s&atilde;o mencionadas as principais b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os prometidas aos que forem fi&eacute;is na devolu&ccedil;&atilde;o dos d&iacute;zimos e das ofertas. Na segunda parte, &eacute; apresentada uma breve an&aacute;lise cr&iacute;tica do Evangelho da Prosperidade e de suas implica&ccedil;&otilde;es sobre alguns dos ensinos fundamentais<br>\ndas Escrituras.<\/p>\n<p>Maldi&ccedil;&otilde;es e B&ecirc;n&ccedil;&atilde;os em Malaquias 3:7-12<\/p>\n<p>O livro do profeta Malaquias foi escrito aproximadamente no ano 425 a.C.,8 numa &eacute;poca caracterizada por um significativo decl&iacute;nio espiritual entre os israelitas que haviam retornado do ex&iacute;lio babil&ocirc;nico e entre os seus descendentes. Nessa &eacute;poca &ldquo;o santu&aacute;rio do Senhor&rdquo; estava<br>\nsendo profanado tanto pelos sacerdotes (1:6-2:9) como pelo povo (2:11). Haviam aqueles que se casavam com mulheres pag&atilde;s (2:11) e os que eram infi&eacute;is &ldquo;para com a mulher da sua mocidade&rdquo; (2:14, 15). Alus&otilde;es s&atilde;o feitas tamb&eacute;m &agrave; exist&ecirc;ncia de feiticeiros e de pessoas que defraudavam &ldquo;o sal&aacute;rio do jornaleiro&rdquo;, que oprimiam &ldquo;a vi&uacute;va e o &oacute;rf&atilde;o&rdquo; e que torciam &ldquo;o direito do estrangeiro&rdquo;&nbsp; (3:3). O povo n&atilde;o guardava os &ldquo;estatutos&rdquo; divinos (3:7), chegando at&eacute; mesmo a roubar a Deus &ldquo;nos d&iacute;zimos e nas ofertas&rdquo; (3:8).<\/p>\n<p>Maldi&ccedil;&otilde;es decorrentes da infidelidade<\/p>\n<p>O afastamento de Deus e a infidelidade generalizada nos d&iacute;zimos e nas ofertas acarretaram grandes maldi&ccedil;&otilde;es para o povo. O profeta Malaquias assevera em seu livro: &ldquo;Com maldi&ccedil;&atilde;o sois amaldi&ccedil;oados, porque a Mim Me roubais, v&oacute;s, a na&ccedil;&atilde;o toda&rdquo; (3:9). Entre as<br>\nmaldi&ccedil;&otilde;es estavam o &ldquo;devorador&rdquo; que consumia &ldquo;o fruto da terra&rdquo; e a &ldquo;vide no campo&rdquo; que se tornara &ldquo;est&eacute;ril&rdquo; (3:11).<br>\nAs colheitas estavam sendo frustradas, n&atilde;o como resultante de dist&uacute;rbios clim&aacute;ticos acidentais ou de qualquer infertilidade natural do solo, mas em decorr&ecirc;ncia da atrevida desobedi&ecirc;ncia do povo aos mandamentos e estatutos divinos (ver Dt 11:16, 17; 28:15-68; 1Rs<br>\n8:35). O povo era indesculp&aacute;vel, pois, h&aacute; quase mil anos, vinham sendo ecoados os castigos que o povo receberia por sua infidelidade ao concerto com Deus, registrados em Deuteron&ocirc;mio 11:16e 17:<\/p>\n<p>Guardai-vos n&atilde;o suceda que o vosso cora&ccedil;&atilde;o se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; que a ira do Senhor se acenda contra v&oacute;s outros, e feche Ele os c&eacute;us, e n&atilde;o haja chuva, e a terra n&atilde;o d&ecirc; a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos d&aacute;.<\/p>\n<p>Igualmente conhecidas eram as admoesta&ccedil;&otilde;es de Deuteron&ocirc;mio 28:15-68, onde aparecem as seguintes palavras: Ser&aacute;, por&eacute;m, que, se n&atilde;o deres ouvidos &agrave; voz do Senhor, teu Deus, n&atilde;o cuidando em cumprir todos os Seus mandamentos e os Seus estatutos que, hoje, te ordeno, ent&atilde;o, vir&atilde;o todas estas maldi&ccedil;&otilde;es sobre ti e te alcan&ccedil;ar&atilde;o; maldito ser&aacute;s tu na cidade e maldito ser&aacute;s no campo. [&hellip;] Os teus c&eacute;us sobre a tua cabe&ccedil;a ser&atilde;o de bronze; e a terra debaixo de ti ser&aacute; de ferro. Por chuva da tua terra, o Senhor te dar&aacute; p&oacute; e cinza; dos c&eacute;us, descer&aacute; sobre ti, at&eacute; que sejas destru&iacute;do. [&hellip;]<br>\nLan&ccedil;ar&aacute;s muita semente ao campo; por&eacute;m colher&aacute;s pouco, porque o gafanhoto a consumir&aacute;. Plantar&aacute;s e cultivar&aacute;s muitas vinhas, por&eacute;m do seu vinho n&atilde;o beber&aacute;s, nem colher&aacute;s as uvas, porque o verme as devorar&aacute;. Em todos os teus limites ter&aacute;s oliveiras;<br>\npor&eacute;m n&atilde;o te ungir&aacute;s com azeite, porque as tuas azeitonas cair&atilde;o. [&hellip;] Todo o teu arvoredo e o fruto da tua terra o gafanhoto os consumir&aacute;. [&hellip;]<br>\nTodas estas maldi&ccedil;&otilde;es vir&atilde;o sobre ti e te perseguir&atilde;o, e te alcan&ccedil;ar&atilde;o, at&eacute; que sejas destru&iacute;do, porquanto n&atilde;o ouviste a voz do Senhor, teu Deus, para guardares os mandamentos e os estatutos que te ordenou.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio conte&uacute;do do livro de Malaquias deixa claro que tais &ldquo;maldi&ccedil;&otilde;es&rdquo; estavam sobrevindo aos israelitas daquela &eacute;poca, n&atilde;o apenas por roubarem a Deus &ldquo;nos d&iacute;zimos e nas ofertas&rdquo; (v. 8) mas tamb&eacute;m por haverem se desviado de outros &ldquo;estatutos&rdquo; divinos (v. 7; cf. 1:6-<br>\n3:5). Dada &agrave; magnitude do problema, a mera restitui&ccedil;&atilde;o dos d&iacute;zimos e ofertas n&atilde;o seria suficiente para remediar o desfavor divino. Aos escribas e fariseus, que dizimavam fielmente a hortel&atilde;, o endro e o cominho, Cristo declarou que deveriam observar tamb&eacute;m &ldquo;os preceitos mais importantes da lei: a justi&ccedil;a, a miseric&oacute;rdia e a f&eacute;&rdquo; (Mt 23:23; cf. Lc 11:42). &Agrave; semelhan&ccedil;a destes, tamb&eacute;m os contempor&acirc;neos de Malaquias necessitavam uma reconsagra&ccedil;&atilde;o completa e incondicional da vida a Deus e aos seus estatutos.<\/p>\n<p>B&ecirc;n&ccedil;&atilde;os resultantes da obedi&ecirc;ncia<br>\nMas se os israelitas do tempo de Malaquias abandonassem os seus maus caminhos,&nbsp; voltando-se incondicionalmente para Deus, sendo fi&eacute;is tamb&eacute;m nos d&iacute;zimos e nas ofertas, o Senhor abriria &ldquo;as janelas do c&eacute;u&rdquo; e derramaria sobre eles &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o sem medida&rdquo; (3:10).<br>\nEnvolvido na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o estava a promessa de que o Senhor repreenderia &ldquo;o devorador&rdquo; para que n&atilde;o mais consumisse &ldquo;o fruto da terra&rdquo;, bem como a certeza de que a &ldquo;vide no campo&rdquo; n&atilde;o mais seria &ldquo;est&eacute;ril&rdquo; (3:11). Consequentemente, a terra dos israelitas seria &ldquo;uma terra deleitosa&rdquo; e &ldquo;todas as na&ccedil;&otilde;es&rdquo; os chamariam de &ldquo;felizes&rdquo; (3:12).<\/p>\n<p>Tais b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os refletem claramente as recompensas da obedi&ecirc;ncia ao concerto mencionadas em Deuteron&ocirc;mio 11:13 e 14:<br>\nSe diligentemente obedecerdes a Meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar o&nbsp; Senhor, vosso Deus, e de O servir de todo o vosso cora&ccedil;&atilde;o e de toda a vossa alma, darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as &uacute;ltimas, para que recolhais o<br>\nvosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite. B&ecirc;n&ccedil;&atilde;os semelhantes s&atilde;o tamb&eacute;m prometidas em Deuteron&ocirc;mio 28:1-14, dentre as<br>\nquais destacamos as seguintes:<\/p>\n<p>Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os Seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltar&aacute; sobre todas as na&ccedil;&otilde;es da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, vir&atilde;o sobre ti e te alcan&ccedil;ar&atilde;o todas estas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os: Bendito ser&aacute;s tu na cidade e bendito ser&aacute;s no campo. [&hellip;]<br>\nO Senhor determinar&aacute; que a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o esteja nos teus celeiros e em tudo o que colocares am&atilde;o; e te aben&ccedil;oar&aacute; na terra que te d&aacute; o Senhor, teu Deus.<br>\nO Senhor te constituir&aacute; para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares osmandamentos do Senhor, teu Deus, e andares nos Seus caminhos. [&hellip;]<br>\nO Senhor te abrir&aacute; o Seu bom tesouro, o c&eacute;u, para dar chuva &agrave; tua terra no seu tempo epara aben&ccedil;oar toda obra das tuas m&atilde;os; emprestar&aacute;s a muitas gentes, por&eacute;m tu n&atilde;o tomar&aacute;s emprestado.<\/p>\n<p>Tanto o livro de Deuteron&ocirc;mio como o de Malaquias deixam claro que as maldi&ccedil;&otilde;es e as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os acima mencionadas eram resultantes da atitude negativa ou positiva do povo para com as expectativas do concerto de &ldquo;servir a Deus&rdquo; e de &ldquo;guardar os Seus preceitos&rdquo; (Ml 3:14). Mas<br>\nas pr&oacute;prias calamidades naturais decorrentes da desobedi&ecirc;ncia tinham o prop&oacute;sito redentivo de levar o povo de volta a Deus (ver Am 4:6-11; comparar com Jr 18:7, 8; Ap 3:19).<\/p>\n<p>Embora Deus prometesse aben&ccedil;oar, inclusive materialmente, aos que Lhe fossem fi&eacute;is (Ml 3:10-12), a evid&ecirc;ncia do favor divino n&atilde;o pode ser restrita a essa esfera, pois a prosperidade material parece ser mais comum entre os &iacute;mpios do que entre os justos. Os israelitas da &eacute;poca<br>\nde Malaquias reconheceram esse fato ao declarar: &ldquo;Ora, pois, n&oacute;s reputamos por felizes os soberbos; tamb&eacute;m os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao Senhor e escapam&rdquo; (Ml 3:15). E o Salmo 73 trata especificamente dessa mesma realidade:<br>\nQuanto a mim, por&eacute;m, quase me resvalaram os p&eacute;s; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles n&atilde;o h&aacute; preocupa&ccedil;&otilde;es, o seu corpo &eacute; sadio e n&eacute;dio. [&hellip;]<br>\nEis que s&atilde;o estes os &iacute;mpios; e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o cora&ccedil;&atilde;o e lavei as m&atilde;os na inoc&ecirc;ncia. Pois de cont&iacute;nuo sou afligido e cada manh&atilde;, castigado.<\/p>\n<p>A realidade aparentemente antit&eacute;tica da prosperidade dos perversos e da afli&ccedil;&atilde;o dos<br>\njustos s&oacute; foi esclarecida para o salmista quando ele entrou &ldquo;no santu&aacute;rio de Deus&rdquo; e entendeu qual seria &ldquo;o fim&rdquo; dos &iacute;mpios (Sl 73:17). O livro de Malaquias, por sua vez, esclarece que essa realidade s&oacute; seria completamente revertida por ocasi&atilde;o do &ldquo;grande e terr&iacute;vel Dia do Senhor&rdquo;<br>\n(4:5), quando os justos seriam preservados como &ldquo;particular tesouro&rdquo; para o Senhor (3:17, 18; 4:2, 3) e os soberbos e os perversos seriam completamente abrasados, sem lhes ser deixado &ldquo;nem raiz nem ramo&rdquo; (4:1).<\/p>\n<p>Mas, a despeito dos ensinamentos b&iacute;blicos anteriormente apresentados, existem aqueles que ainda assim continuam insistindo que Deus deve recompensar &ldquo;obrigatoriamente&rdquo; com prosperidade material e financeira a todos aqueles que forem fi&eacute;is no pagamento dos seus d&iacute;zimos e ofertas. Diante disso, passaremos a considerar criticamente o Evangelho da Prosperidade &agrave; luz de alguns dos ensinamentos b&aacute;sicos da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>O Evangelho da Prosperidade e Suas Implica&ccedil;&otilde;es<br>\nExistem s&eacute;rias tens&otilde;es entre o Evangelho da Prosperidade, como ensinada por muitos pregadores populares contempor&acirc;neos, e algumas das doutrinas fundamentais das Escrituras. Analisaremos, a seguir, cinco aspectos nos quais essa teologia distorce os ensinamentos b&iacute;blicos.<\/p>\n<p>1. O Evangelho da Prosperidade Distorce o Car&aacute;ter de Deus.<br>\nAs Escrituras revelam a Deus como Algu&eacute;m imparcial em Seu trato com os seres humanos, que &eacute; misericordioso e justo inclusive para com aqueles que n&atilde;o O amam. Com respeito ao plano de salva&ccedil;&atilde;o, sabemos que &ldquo;Deus amou ao mundo&rdquo; (Jo 3:16) ao ponto de dar o<br>\nSeu pr&oacute;prio Filho para morrer por n&oacute;s quando ainda &eacute;ramos &ldquo;pecadores&rdquo; e &ldquo;inimigos&rdquo; Seus (Rm 5:8, 10). A mesma imparcialidade &eacute; manifesta tamb&eacute;m na forma como Deus preserva ainda hoje as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a vida neste planeta (ver Gn 8:22), a despeito das consequ&ecirc;ncias degradantes do pecado (ver Gn 3). Cristo mesmo disse que Deus &ldquo;faz nascer o Seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos&rdquo; (Mt 5:45).<\/p>\n<p>Devemos reconhecer tamb&eacute;m que, dentro da grande moldura do trato imparcial de Deus com os seres humanos, Ele precisa, muitas vezes, punir os &iacute;mpios e castigar os professos crist&atilde;os por permitirem que o pecado os afaste dEle (Is 59:2). Mas mesmo esse processo<br>\npunitivo est&aacute; impregnado pelo amor redentivo que busca conduzir o pecador de volta a uma vida de plena comunh&atilde;o com Deus e obedi&ecirc;ncia &agrave; Sua vontade. A despeito de ser um &ldquo;fogo consumidor&rdquo; para o pecado (Hb 12:29), Deus continua amando os pecadores ao ponto de n&atilde;o<br>\nquerer &ldquo;que nenhum pere&ccedil;a, sen&atilde;o que todos cheguem ao arrependimento&rdquo; (2Pe 3:9). O mesmo Cristo que sempre amou os Seus inimigos e que ofereceu o Seu perd&atilde;o at&eacute; aos que O haviam crucificado (Lc 23:34), ainda continua concedendo o dom da vida e muitas outras d&aacute;divas para milh&otilde;es e milh&otilde;es de pessoas que n&atilde;o O amam e que at&eacute; zombam do Seu nome.<\/p>\n<p>Desconhecendo o car&aacute;ter de Deus revelado nas Escrituras, muitos pregadores do Evangelho da Prosperidade n&atilde;o se constrangem em apresentar &agrave;s pessoas um deus caricaturizado pelo nepotismo e por grandes barganhas financeiras com seus seguidores. Um<br>\ndeus mais interessado em possuir os recursos financeiros dos seus adoradores, do que em conduzi-los a uma vida de plena e incondicional conformidade com &ldquo;toda a palavra que procede da boca de Deus&rdquo; (Mt 4:4). Um deus capaz at&eacute; de aceitar propostas agiotas como as do tipo:<br>\n&ldquo;N&oacute;s lhe emprestaremos tanto, na condi&ccedil;&atilde;o de que voc&ecirc; nos devolva essa quantia &lsquo;multiplicada&rsquo;!&hellip;&rdquo; Por mais tentadoras que possam parecer, tais barganhas representam uma clara distor&ccedil;&atilde;o populista do car&aacute;ter santo e imaculado de Deus como revelado nas Escrituras.<\/p>\n<p>2. O Evangelho da Prosperidade Apresenta uma Imagem Ut&oacute;pica da Exist&ecirc;ncia Humana no<br>\nContexto do Grande Conflito C&oacute;smico.<\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria humana &eacute; um longo processo dram&aacute;tico, que iniciou com os seres humanos se afastando de Deus e que terminar&aacute; com o escatol&oacute;gico reencontro deles com Deus. Cada passo desse processo tem sido caracterizado por um ininterrupto conflito entre as for&ccedil;as do bem e os poderes do mal. Paulo referiu-se a esse conflito ao afirmar que a &ldquo;nossa luta n&atilde;o &eacute; contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as for&ccedil;as espirituais do mal, nas regi&otilde;es celestes&rdquo; (Ef 6:12). E Cristo declarou que os agentes do mal buscam &ldquo;enganar, se poss&iacute;vel, os pr&oacute;prios eleitos&rdquo; (Mt 24:24).<\/p>\n<p>Satan&aacute;s, qualificado nas Escrituras como &ldquo;pai da mentira&rdquo; (Jo 8:44) e &ldquo;acusador de nossos irm&atilde;os&rdquo; (Ap 12:10), n&atilde;o mede esfor&ccedil;os para denegrir o car&aacute;ter de Deus e para dificultar a vida dos filhos de Deus. J&oacute;, a despeito de ser um homem &iacute;ntegro e temente a Deus, sofreu<br>\npriva&ccedil;&otilde;es e padeceu injustamente, n&atilde;o porque houvesse pecado, mas para que o nome de Deus fosse glorificado (ver J&oacute; 2). Em rela&ccedil;&atilde;o com o &ldquo;homem cego de nascen&ccedil;a&rdquo;, Cristo esclareceu que &ldquo;nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus&rdquo; (Jo 9:2,<\/p>\n<p>3). E o pr&oacute;prio Cristo nasceu em uma humilde manjedoura (Lc 2:7) e viveu uma vida humilde, de<br>\nsofrimento e de priva&ccedil;&atilde;o dos bens materiais (ver Mt 8:20; Lc 9:58).<\/p>\n<p>A despeito disso, os adeptos do Evangelho da Prosperidade continuam pregando que aqueles que possuem genu&iacute;na f&eacute; e que entregam as suas posses sem reservas aos cofres da igreja receber&atilde;o um retorno material e financeiro multiplicado. Se esse &eacute; realmente o caso, por<br>\nque ent&atilde;o Deus n&atilde;o concedeu uma dessas grandes &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os financeiras&rdquo; tamb&eacute;m ao Seu pr&oacute;prio Filho, mas acabou deixando-O mesmo sem ter &ldquo;onde reclinar a cabe&ccedil;a&rdquo; (Mt 8:20; Lc 9:58)? Por que Deus permitiu que o ap&oacute;stolo Pedro chegasse ao ponto de ter de confessar que<br>\nn&atilde;o possu&iacute;a mais &ldquo;nem prata nem ouro&rdquo; (At 3:6)? Por que o consagrado e dedicado ap&oacute;stolo Paulo foi deixado a passar por tamanhas &ldquo;priva&ccedil;&otilde;es&rdquo; que outros tinham que suprir, por vezes, o que lhe &ldquo;faltava&rdquo; (2Co 11:9)? Ser&aacute; que o deus do Evangelho da Prosperidade &eacute; mais generoso do que o Deus da igreja apost&oacute;lica (cf. Tg 1:17)?<\/p>\n<p>Alguns pregadores do Evangelho da Prosperidade ensinam que a doen&ccedil;a e a pobreza s&atilde;o causadas por dem&ocirc;nios que podem ser expulsos definitivamente da vida, de forma que o crist&atilde;o passe a gozar de plena sa&uacute;de e prosperidade material. &Eacute; certo que a doen&ccedil;a e a mis&eacute;ria<br>\nnunca foram parte do plano de Deus para a ra&ccedil;a humana. Mas essa esp&eacute;cie de &ldquo;exorcismo&rdquo; da doen&ccedil;a e da pobreza, advogada pelos pregadores da prosperidade, sugerem inegavelmente uma esp&eacute;cie de evangelho sem cruz (cf. Mt 10:38; 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; 14:27). Se as coisas s&atilde;o realmente t&atilde;o f&aacute;ceis assim, por que o pr&oacute;prio ap&oacute;stolo Paulo n&atilde;o conseguiu que o seu &ldquo;espinho na carne&rdquo; fosse removido (2Co 12:7-10)?<\/p>\n<p>A B&iacute;blia &eacute; clara em afirmar que os conflitos com os poderes das trevas jamais cessar&atilde;o para o crist&atilde;o enquanto ele estiver neste mundo de pecado e de priva&ccedil;&otilde;es (ver Ef 6:10-18; 1Pe 5:8, 9). &Eacute;, portanto, uma grande utopia afirmar: &ldquo;Aceite a Cristo, e todos os seus problemas v&atilde;o<br>\nacabar!&rdquo; Cristo mesmo declarou que os Seus seguidores passariam por muitas dificuldades (ver Mt 10:34-39). E o ap&oacute;stolo Paulo tamb&eacute;m advertiu que &ldquo;todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus ser&atilde;o perseguidos&rdquo; (2Tm 3:12). A realidade, como disse algu&eacute;m,<br>\n&eacute; que &ldquo;Cristo n&atilde;o prometeu remover todas as tempestades da nossa vida, e sim, estar conosco em meio &agrave;s tempestades&rdquo; (cf. Mt 8:23-27; Mc 4:35-41; Lc 8:22-25).<\/p>\n<p>3. O Evangelho da Prosperidade Distorce a Pr&oacute;pria Ess&ecirc;ncia dos Ensinos de Cristo.<\/p>\n<p>A ess&ecirc;ncia do verdadeiro cristianismo &eacute; a convers&atilde;o que resulta da nega&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio eu e da entrega completa da vida a Cristo (Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23). Nessa experi&ecirc;ncia os pecadores, naturalmente egoc&ecirc;ntricos (centralizados em si mesmos), s&atilde;o transformados em<br>\ncrist&atilde;os alteroc&ecirc;ntricos (centralizados em Deus e no pr&oacute;ximo). Em Filipenses 3:4-9, Paulo fala da transforma&ccedil;&atilde;o ocorrida em sua pr&oacute;pria vida:<\/p>\n<p>Bem que eu poderia confiar tamb&eacute;m na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto &agrave; lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da<br>\nIgreja; quanto &agrave; justi&ccedil;a que h&aacute; na lei, irrepreens&iacute;vel.<br>\nMas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para<br>\nconseguir Cristo e ser achado nEle, n&atilde;o tendo justi&ccedil;a pr&oacute;pria, que procede de lei, sen&atilde;o a que &eacute; mediante a f&eacute; em Cristo, a justi&ccedil;a que procede de Deus, baseada na f&eacute;.<\/p>\n<p>Os pregadores do Evangelho da Prosperidade pretendem levar seus ouvintes a uma vida altru&iacute;sta por meio de verdadeiros sacrif&iacute;cios financeiros. Mas essa inten&ccedil;&atilde;o altru&iacute;sta &eacute; completamente neutralizada pelas constantes promessas de prosperidade material feitas por<br>\nesses mesmos pregadores. Como resultado dessa motiva&ccedil;&atilde;o ego&iacute;stica, os fi&eacute;is acabam dando d&iacute;zimos e ofertas generosos porque creem que quanto mais derem, maior ser&aacute; o retorno financeiro &ldquo;multiplicado&rdquo; que acabar&atilde;o recebendo!<\/p>\n<p>Al&eacute;m dessa motiva&ccedil;&atilde;o ego&iacute;stica, &eacute; importante ressaltarmos tamb&eacute;m que o ego dos doadores acaba sendo exaltado ainda mais por meio de testemunhos p&uacute;blicos a respeito dos donativos efetuados e da consequente prosperidade recebida. (N&atilde;o podemos nos olvidar de que<br>\nmuitos dos testemunhos divulgados pela m&iacute;dia s&atilde;o depoimentos remunerados financeiramente!) Por tr&aacute;s de tudo isso pode estar a melhor das inten&ccedil;&otilde;es, mas uma coisa &eacute; certa: essa pr&aacute;tica est&aacute; em direta oposi&ccedil;&atilde;o ao exemplo de Cristo e aos Seus ensinos! No relato da oferta da vi&uacute;va<br>\npobre (ver Mc 12:41-44; Lc 21:1-4) e na par&aacute;bola do fariseu e do publicano (ver Lc 18:9-14) Cristo reprovou claramente esse tipo de &ldquo;testemunhos&rdquo; exibicionistas. O mesmo princ&iacute;pio da doa&ccedil;&atilde;o discreta &eacute; tamb&eacute;m enaltecido por Cristo em Mateus 6:2-4:<\/p>\n<p>Quando, pois, deres esmola, n&atilde;o toques trombeta diante de ti, como fazem os hip&oacute;critas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles j&aacute; receberam a recompensa. Tu, por&eacute;m, ao dares a esmola, ignore a tua m&atilde;o esquerda o que faz a tua m&atilde;o direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que v&ecirc; em secreto, te recompensar&aacute;.<\/p>\n<p>4. O Evangelho da Prosperidade Aplica &agrave; Igreja do Novo Testamento Muitas das<br>\nPromessas de Prosperidade Teocr&aacute;tica do Antigo Testamento.<\/p>\n<p>Para entendermos melhor o assunto da prosperidade material nas Escrituras, devemos fazer uma clara distin&ccedil;&atilde;o entre a natureza mission&aacute;ria centr&iacute;peta da Teocracia-Monarquia do Antigo Testamento e o prop&oacute;sito mission&aacute;rio centr&iacute;fugo da Igreja do Novo Testamento.9 No<br>\nper&iacute;odo do Antigo Testamento, Deus escolhera a Abra&atilde;o e aos seus descendentes para fazer&nbsp; deles uma na&ccedil;&atilde;o pr&oacute;spera e exemplar, que atra&iacute;sse centripetamente os demais povos e na&ccedil;&otilde;es &agrave; adora&ccedil;&atilde;o ao verdadeiro Deus (ver Gn 12:1-3; 15:13, 14; 22:16-18). Israel chegou perto de atingir esse ideal durante os reinados pr&oacute;speros de Davi e Salom&atilde;o (ver 1Rs 4 e 10), mas acabou se afastando desse mesmo ideal com as crescentes manifesta&ccedil;&otilde;es de apostasia e idolatria que culminaram na queda do Reino do Norte (2Rs 17) e no ex&iacute;lio do Reino do Sul (2Rs<br>\n25; 2Cr 36:17-21; Jr 39 e 52).<\/p>\n<p>J&aacute; sob o Novo Testamento, encontramos a Igreja de Cristo com a miss&atilde;o centr&iacute;fuga de sair para pregar o evangelho do reino a todo o mundo (ver Mt 24:14; 28:18-20; Mr 16:15, 16; Lc 24:45-49; At 1:8). Essa &eacute; uma miss&atilde;o deveras desafiadora, pois o &ldquo;campo &eacute; o mundo&rdquo; (Mt 13:38)<br>\ne &ldquo;os trabalhadores&rdquo; continuam sendo proporcionalmente poucos (Mt 9:37; Lc 10:2). Em face dessa realidade, devemos considerar como pertinentes, ainda hoje, as cl&aacute;ssicas palavras de Cristo registradas em Mateus 6:19-21:<\/p>\n<p>N&atilde;o acumuleis para v&oacute;s outros tesouros sobre a terra, onde a tra&ccedil;a e a ferrugem corroem e onde ladr&otilde;es escavam e roubam; mas ajuntai para v&oacute;s outros tesouros no c&eacute;u, onde tra&ccedil;a nem ferrugem corr&oacute;i, e onde ladr&otilde;es n&atilde;o escavam, nem roubam; porque, onde est&aacute;<br>\no teu tesouro, a&iacute; estar&aacute; tamb&eacute;m o teu cora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; certo que os pregadores da prosperidade buscam, por um lado, fazer com que as<br>\npessoas se desfa&ccedil;am dos seus bens materiais, em favor da Igreja. Mas, por outro lado, eles prometem aos fi&eacute;is grande prosperidade material e financeira nesta vida. Tais promessas ignoram a realidade do grande conflito e o fato que mesmo o justo pode experimentar sofrimento e priva&ccedil;&atilde;o, como demonstrado na experi&ecirc;ncia de J&oacute;.<\/p>\n<p>5. O Evangelho da Prosperidade Desvirtua o Amplo Espectro da Obedi&ecirc;ncia Crist&atilde;.<\/p>\n<p>Tanto no livro de Malaquias quanto no do Deuteron&ocirc;mio (caps. 11 e 28), a condicionalidade para o recebimento das b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os divinas est&aacute; relacionada n&atilde;o apenas com a fidelidade nos d&iacute;zimos e ofertas (Ml 3:10-12), mas tamb&eacute;m com a dedica&ccedil;&atilde;o da vida a Deus, em plena obedi&ecirc;ncia &agrave; Sua vontade. Cristo referiu-Se &agrave; essa mesma realidade em Mateus 5:21-23, quando disse:<\/p>\n<p>Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrar&aacute; no reino dos c&eacute;us, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que est&aacute; nos c&eacute;us. Muitos, naquele dia, h&atilde;o de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, n&atilde;o temos n&oacute;s profetizado em Teu nome, e em Teu nome n&atilde;o expulsamos dem&ocirc;nios, e em Teu nome n&atilde;o fizemos muitos milagres? Ent&atilde;o, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.<\/p>\n<p>Embora Cristo enfatize reiteradas vezes, ao longo dos Seus ensinos, que &eacute; muito mais importante ser do que ter, os pregadores do Evangelho da Prosperidade colocam, de acordo com Caio F&aacute;bio, mais &ecirc;nfase no ter do que no ser.<br>\n10 A maior preocupa&ccedil;&atilde;o deles, n&atilde;o &eacute; saber se os crentes est&atilde;o mantendo limpas as m&atilde;os e puro o cora&ccedil;&atilde;o (ver Sl 24:3-5), nem se est&atilde;o vivendo em conformidade com &ldquo;toda palavra que procede da boca de Deus&rdquo; (Mt 4:4) e nem mesmo se est&atilde;o permitindo que o verdadeiro Esp&iacute;rito Santo os guie &ldquo;a toda a verdade&rdquo; (Jo 16:13; cf. 1Jo 4:1; At 5:32); mas sim, se estes conseguiram falar em l&iacute;nguas estranhas, se em sua vida ocorreu algum milagre sobrenatural e se eles est&atilde;o multiplicando as suas posses materiais.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, a religi&atilde;o ensinada por muitos dos pregadores da prosperidade n&atilde;o passa de uma religi&atilde;o de marketing populista para conseguir aumentar, a qualquer custo, o n&uacute;mero de adeptos e os recursos financeiros de suas respectivas denomina&ccedil;&otilde;es. O falar em l&iacute;nguas estranhas &eacute; encarado, por grande n&uacute;mero deles, como muito mais importante do que conter a pr&oacute;pria l&iacute;ngua (ver Tg 3:1-12; 1Co 14:18, 19); as curas por meio de milagres sobrenaturais, como muito mais relevantes do que viver preventivamente em conformidade com os princ&iacute;pios b&iacute;blicos de sa&uacute;de (ver 1Co 3:16, 17; 6:19, 20); e a prega&ccedil;&atilde;o da prosperidade temporal, como bem mais importante do que conduzir os pecadores &agrave; &ldquo;heran&ccedil;a dos santos na luz&rdquo; (Cl 1:12). Esses pregadores se entusiasmam bem mais em serem capazes de ordenar como Pedro: &ldquo;levanta-te e anda&rdquo; (At 3:6, ARC), e bem menos em advertir como Cristo: &ldquo;vai e n&atilde;o peques mais&rdquo; (Jo 8:11; cf. 5:14).<\/p>\n<p>Resumo e Conclus&otilde;es<\/p>\n<p>Tanto o livro de Malaquias como o de Deuteron&ocirc;mio deixam claro que in&uacute;meras b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os ou maldi&ccedil;&otilde;es resultariam da atitude positiva ou negativa do povo para com as expectativas do concerto de &ldquo;servir a Deus&rdquo; e de &ldquo;guardar os Seus preceitos&rdquo; (Ml 3:14). Embora Deus prometesse aben&ccedil;oar, inclusive materialmente, aos que Lhe fossem fi&eacute;is (Ml 3:10-12), a evid&ecirc;ncia do favor divino n&atilde;o pode ser restrita a essa esfera, pois a prosperidade material parece ser mais comum entre os &iacute;mpios do que entre os justos (ver Ml 3:15; Sl 73:2-17).<\/p>\n<p>O Evangelho da Prosperidade, ensinada hoje por muitos pregadores populares, (1) distorce o car&aacute;ter de Deus, (2) apresenta uma imagem ut&oacute;pica da exist&ecirc;ncia humana no contexto do Grande Conflito C&oacute;smico, (3) distorce a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia dos ensinos de Cristo, (4) aplica &agrave;<br>\nIgreja do Novo Testamento muitas das promessas de prosperidade teocr&aacute;tica do Antigo Testamento e (5) desvirtua o amplo espectro da obedi&ecirc;ncia crist&atilde;.<\/p>\n<p>Uma vez que &ldquo;o amor do dinheiro &eacute; raiz de todos os males&rdquo; (1Tm 6:10) e que os crist&atilde;os s&atilde;o aconselhados pelo pr&oacute;prio Cristo a n&atilde;o acumularem para si &ldquo;tesouros sobre a terra&rdquo; (Mt 6:19), cremos que os postulados do Evangelho da Prosperidade distorcem os ensinos do Novo Testamento sobre o relacionamento do crist&atilde;o com os bens materiais. Se a dedica&ccedil;&atilde;o da vida a Deus sempre resulta na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da &ldquo;prosperidade financeira&rdquo;, por que ent&atilde;o nem Cristo e nem os ap&oacute;stolos foram agraciados com essa b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o? Ser&aacute; que nenhum deles cumpriu as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que isso ocorresse?<\/p>\n<p>Os pregadores da prosperidade procuram levar os crentes a se tornarem cada vez mais altru&iacute;stas em seus donativos em favor da Igreja. Mas a motiva&ccedil;&atilde;o empregada para atingir esse fim acaba refor&ccedil;ando ainda mais o instinto ego&iacute;sta dos crentes. As pessoas acabam dando grandes donativos, n&atilde;o por um amor desinteressado pela causa do evangelho, mas porque creem que com tais donativos conseguir&atilde;o um retorno financeiro altamente lucrativo (&ldquo;multiplicado&rdquo;). Esse tipo de incentivo egoc&ecirc;ntrico &agrave; prosperidade, pregado em nome de Deus (cf. Mt 7:21-23), nega a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia dos ensinos de Cristo (ver Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23).<br>\n______________________<br>\n1 Todas as refer&ecirc;ncias b&iacute;blicas sem a indica&ccedil;&atilde;o de uma tradu&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica foram extra&iacute;das da Vers&atilde;o<br>\nRevista e Atualizada no Brasil (2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o), de Jo&atilde;o Ferreira de Almeida. 2 Bispo Macedo, Vida com Abund&acirc;ncia, 12&ordf; ed. (Rio de Janeiro: Editora Gr&aacute;fica Universal, 1996), 79, grifos<br>\nacrescentados. 3 Bispo Macedo, O Poder Sobrenatural da F&eacute;, 3&ordf; ed. (Rio de Janeiro: Editora Gr&aacute;fica Universal, 1997), 145-<br>\n146, 147, grifos acrescentados. 4 Kenneth E. Hagin, How God Taught Me About Prosperity (Tulsa, OK: Kenneth Hagin Ministries, 1985), 1. 5 Para uma hist&oacute;ria abrangente do evangelho da prosperidade Americano, veja Kate Bowler, Blessed: A<br>\nHistory of the American Prosperity Gospel (New York, NY: Oxford University Press, 2013). Para uma vista geral da<br>\nriqueza e r&aacute;pido crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus no Brasil, veja Leonildo Silveira Campos, Teatro,<br>\nTemplo e Mercado: Organiza&ccedil;&atilde;o e Marketing de um Empreendimento Neopentecostal, 2&ordf; ed. (Petr&oacute;polis, RJ, Brasil:<br>\nVozes; S&atilde;o Paulo, Brasil: Simp&oacute;sio Editora; S&atilde;o Bernardo do Campo, SP, Brasil: Unesp, 1999). 6 Bill Hamon, Prophets and Personal Prophecy: God&rsquo;s Prophetic Voice Today: Guidelines for Receiving,<br>\nUnderstanding, and Fulfilling God&rsquo;s Personal Word to You (Shippensburg, PA: Destiny Image, 1987), 124, 126. 7 Para uma an&aacute;lise cr&iacute;tica detalhada do evangelho da prosperidade, veja e.g., Gordon D. Fee, The Disease<br>\nof the Health &amp; Wealth Gospels (Vancouver, British Columbia: Regent College Publishing, 2006); David W. Jones<br>\nand Russell S. Woodbridge, Health, Wealth &amp; Happiness: Has the Prosperity Gospel Overshadowed the Gospel of<br>\nChrist? (Grand Rapids, MI: Kregel, 2011). Veja tamb&eacute;m Bruce Shelley and Marshall Shelley, Consumer Church: Can<br>\nEvangelicals Win the World Without Losing Their Souls? (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1992), 109&ndash;121. 8 Francis D. Nichol, ed., Coment&aacute;rio B&iacute;blico Adventista do S&eacute;timo Dia, ed. rev. (Tatu&iacute;, SP, Casa<br>\nPublicadora Brasileira, 2013), vol. 4, p. 1121. 9 Para um estudo mais detalhado do assunto, veja e.g., Johannes Blauw, The Missionary Nature of the<br>\nChurch: A Survey of the Biblical Theology of Mission (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1974). 10 Veja Caio F&aacute;bio, A Crise de Ser e de Ter, ed. rev. e au. ([Rio de Janeiro]: Vinde, 1995).<\/p>\n<p>Copyright &copy; Biblical Research Institute General Conference of Seventh-day Adventists&reg;<\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evangelho da Prosperidade: Breve An&aacute;lise Cr&iacute;tica Alberto R. Timm Muitos pregadores pentecostais t&ecirc;m arrecadado grandes somas de dinheiro atrav&eacute;s de tentadoras promessas de prosperidade material aos seus doadores. 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