{"id":975,"date":"2015-02-17T05:25:40","date_gmt":"2015-02-17T05:25:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/?p=975"},"modified":"2015-02-12T12:01:08","modified_gmt":"2015-02-12T12:01:08","slug":"unidos-pelo-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pastor.adventistas.org\/pt\/unidos-pelo-amor\/","title":{"rendered":"Unidos pelo amor"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><\/style><!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><h3 style=\"text-align: justify;\"><em>A sobrevive&#770;ncia espiritual dos novos crentes muito depende&nbsp;do carinho recebido por eles na congregac&#807;a&#771;o<\/em><\/h3>\n<div class=\"page\" title=\"Page 17\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A igreja do primeiro se&#769;culo e&#769; conhecida por seu companheirismo e crescimento espetacular: mais de um milha&#771;o de crista&#771;os.[1] A raza&#771;o disso e&#769; ter seguido o modelo de amor fraternal e unidade ensinado por Jesus. Uma caracteri&#769;stica da igreja de Antioquia foram &ldquo;as relac&#807;o&#771;es familiares do reino&rdquo;.[2] Essa condic&#807;a&#771;o provia um ambiente equillibrado para o amadurecimento, cuidado mu&#769;tuo, unidade, disciplina, protec&#807;a&#771;o e cura fi&#769;sica.[3] Era um estilo de vida ta&#771;o parecido com o de Cristo, que &ldquo;em Antioquia, foram os disci&#769;pulos, pela primeira vez, chamados crista&#771;os&rdquo; (At 11:26). Sem du&#769;vida, Barnabe&#769;, o &ldquo;filho da consolac&#807;a&#771;o&rdquo; honrou o pro&#769;prio nome, fazendo sentir sua influe&#770;ncia crista&#771; nessa cidade e em toda a igreja primitiva. Ele acreditava nas relac&#807;o&#771;es afetivas do reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, Saulo de Tarso conhecia o proselitismo judeu, mas desconhecia a afetuosa evangelizac&#807;a&#771;o crista&#771;. Finalmente, se deparou com as relac&#807;o&#771;es afetivas do reino, que de forma natural produziam a evangelizac&#807;a&#771;o crista&#771;. As comunidades crista&#771;s, impregnadas do amor de Cristo tinham so&#769; uma ambic&#807;a&#771;o: &ldquo;revelar a semelhanc&#807;a do cara&#769;ter de Cristo, bem como trabalhar pelo desenvolvimento de Seu reino&rdquo;.[4] Isso as colocava naturalmente no caminho certo da missa&#771;o crista&#771;.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Impactos do amor<\/h3>\n<div class=\"page\" title=\"Page 18\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro impacto do amor em Saulo aconteceu quando ele era jovem membro do Sine&#769;drio. Nessa condic&#807;a&#771;o, ele &ldquo;tinha participado de maneira destacada no julgamento e condenac&#807;a&#771;o de Este&#770;va&#771;o, e a impressionante evide&#770;ncia da presenc&#807;a de Deus com o ma&#769;rtir o havia deixado em du&#769;vida quanto a&#768; justic&#807;a da causa que ele havia abrac&#807;ado contra os seguidores de Jesus&rdquo;.[5] Sendo apedrejado, o primeiro ma&#769;rtir crista&#771;o &ldquo;ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, na&#771;o lhes imputes este pecado&rdquo; (At 7:60). Isso causou tal impacto em Saulo que, de perseguidor, chegou a ser disci&#769;pulo de Jesus.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 18\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro impacto da amizade crista&#771; sobre ele aconteceu quando perseguia os crista&#771;os nas casas deles (At 8:3). Pore&#769;m, esse mesmo Saulo logo edificaria a igreja anunciando e ensinando publicamente e de casa em casa (At 20:20). Seguramente, a lembranc&#807;a daquelas comunidades crista&#771;s assoladas por ele fez com que dobrasse os esforc&#807;os evangelizadores, usando a mesma estrate&#769;gia de carinho e de ir pelas casas a fim de fortalecer no amor aquelas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, o impacto por excele&#770;ncia foi o encontro dele com Jesus. Paulo fala disso ao rei Agripa: &ldquo;Ao meio-dia, o&#769; rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no ce&#769;u, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos no&#769;s por terra, ouvi uma voz que me falava em li&#769;ngua hebraica: Saulo, Saulo, por que Me persegues?&rdquo; (At 26:13, 14). Jesus o chamou num idioma familiar. A condescende&#770;ncia, pacie&#770;ncia e longanimidade do Messias lhe falando na linguagem do seu corac&#807;a&#771;o, transformou o perseguidor em disci&#769;pulo. Mais tarde, ele diria: &ldquo;a bondade de Deus e&#769; que te conduz ao arrependimento&rdquo; (Rm 2:4).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 18\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa visa&#771;o, Ananias foi comissionado a visitar Saulo. &ldquo;Ananias, pore&#769;m, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos Teus santos em Jerusale&#769;m; e para aqui trouxe autorizac&#807;a&#771;o dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o Teu nome&rdquo; (At 9:13, 14). Jesus o fez entender que Saulo havia sido transformado e tinha uma missa&#771;o especial entre os gentios. Enta&#771;o, Saulo recebeu o impacto da visita de um dos seus perseguidos, o qual &ldquo;impo&#770;s sobre ele as ma&#771;os, dizendo: Saulo, irma&#771;o, o Senhor me enviou, a saber, o pro&#769;prio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espi&#769;rito Santo&rdquo; (At 9:17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo a perseguida igreja de Damasco devia praticar a evangelizac&#807;a&#771;o do amor para com seu perseguidor. Aquela congregac&#807;a&#771;o celebrou o batismo de Saulo e chegou a ser sua primeira igreja (At 9:19, 20). A conversa&#771;o de Saulo e o carinho da igreja o transformaram em evangelista. &ldquo;Com profundo afeto por quem eram seus irma&#771;os segundo a carne, Saulo se entregou totalmente a&#768; obra de evangelizac&#807;a&#771;o entre eles.&rdquo;[6] O impacto evangelizador foi muito grande, ao ponto de os judeus resolverem matar Saulo. E o carinho da igreja voltou a aflorar. &ldquo;Mas, os seus disci&#769;pulos tomaram-no de noite e, colocando-o num cesto, desceram-no pela muralha&rdquo; (At 9:25).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Barnab&eacute; e Paulo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Tendo chegado a Jerusale&#769;m, procurou juntar-se com os disci&#769;pulos&rdquo; (At 9:26). Ali, conheciam muito bem seu passado e com raza&#771;o supunham que poderia estar querendo infiltrar-se na igreja, para depois causar maior prejui&#769;zo. &ldquo;Mas Barnabe&#769;, tomando-o consigo, levou-o aos apo&#769;stolos; e lhes contou como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus&rdquo; (At 9:27).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus po&#770;s em contato com Paulo um membro da tribo religiosa levita e com experie&#770;ncia transcultural: Jose&#769;, natural de Chipre. Esse disci&#769;pulo vivia a evangelizac&#807;a&#771;o do amor e seguia ta&#771;o de perto o modelo de Cristo que os apo&#769;stolos lhe deram por sobrenome Barnabe&#769;, que significa &ldquo;filho da consolac&#807;a&#771;o&rdquo; (At 4:36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Barnabe&#769;, a amizade crista&#771; na&#771;o era apenas uma estrate&#769;gia proselitista, mas uma realidade experimental, natural em um crista&#771;o. Ele na&#771;o tinha uma fachada de crista&#771;o ao tratar com interessados, e outra forma de ser no trato interno da igreja. Barnabe&#769; sabia que o simples testemunho crista&#771;o levaria o evangelho a todas as etnias. Tambe&#769;m sabia que a amizade crista&#771; era fundamental para o desenvolvimento das comunidades crista&#771;s. Por isso, como resultado de seu ministe&#769;rio em Antioquia, &ldquo;muita gente se uniu ao Senhor&rdquo; (At 11:24), a tal ponto que necessitou ajuda de outros obreiros. Foi assim que Barnabe&#769; buscou Saulo e o integrou ao ministe&#769;rio em Antioquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, Paulo na&#771;o tinha muito clara a forma de viver o cristianismo no ministe&#769;rio, e foi um obsta&#769;culo para que Barnabe&#769; praticasse a amizade crista&#771; com seu sobrinho Marcos (At 15:36-41). Ainda com bastante legalismo proselitista no corac&#807;a&#771;o, a&#768; primeira demonstrac&#807;a&#771;o de desa&#770;nimo por parte de Marcos, Paulo o descartou como inu&#769;til para o trabalho. Para ele, na&#771;o era &ldquo;justo levarem aquele que se afastara desde a Panfi&#769;lia, na&#771;o os acompanhando no trabalho&rdquo; (At 15:38). Fechado em sua atitude, contribuiu para a primeira divisa&#771;o de uma equipe missiona&#769;ria. Mas, Barnabe&#769; esteve disposto a ser criticado por dar uma segunda oportunidade ao parente. E o tempo se encarregou de lhe dar raza&#771;o. Mais tarde, Paulo reconheceu o erro cometido (2Tm 4:11).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Companheiros de lutas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo sempre usa a expressa&#771;o &ldquo;companheiros de lutas&rdquo;. Na primeira vez, ele a usou na carta aos filipenses, referindo-se a Epafrodito &nbsp;(Fp 2:25), cujo nome significa &ldquo;amado&rdquo;, e realmente esse disci&#769;pulo honrou seu nome. Por isso, Paulo tambe&#769;m o chamou de &ldquo;irma&#771;o, coo- perador&rdquo;. Epafrodito expo&#770;s a vida para prestar ao apo&#769;stolo um servic&#807;o sagrado, reverente, obediente, abnegado e de relac&#807;o&#771;es cordiais (Fp 2:30).<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 19\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Paulo enviou a Filipos esse &ldquo;irma&#771;o, colaborador e companheiro&rdquo;, para consolidar a evangelizac&#807;a&#771;o e edificar a nova igreja (Fp 2:25-30; At 16:11- 40). Epafrodito na&#771;o era um caso isolado de amor abnegado dentro do cristianismo primitivo. Tertuliano menciona que os paga&#771;os, maravilhados com o amor sacrifical dos crista&#771;os daquela e&#769;poca, diziam: &ldquo;&rsquo;Vejam como se amam entre si e como esta&#771;o dispostos a morrer uns pelos outros.&rsquo; E Minucio Feliz, disse, ao refletir sobre o ambiente que o amor causava entre os gentios: &lsquo;Amam-se mesmo antes de se conhecerem&rsquo;.&rdquo;[7] Essa evangelizac&#807;a&#771;o pelo testemunho do amor crista&#771;o causou impacto no Impe&#769;rio Romano.<\/p>\n<p>Na segunda vez em que Paulo usou a expressa&#771;o &ldquo;companheiro de lutas&rdquo;, ele se referiu a Arquipo, na carta a Filemom. Essa carta e&#769; uma &ldquo;pequena joia de amor crista&#771;o&rdquo; que trata de &ldquo;um problema dome&#769;stico daqueles dias: a relac&#807;a&#771;o entre o senhor crista&#771;o e um arrependido escravo fugitivo&rdquo;.[8] Os termos da carta transpiram amizade. Notemos as palavras-chave: &ldquo;Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o <span style=\"font-style: italic;\">irma&#771;o <\/span>Timo&#769;teo, ao <span style=\"font-style: italic;\">amado <\/span>Filemom, tambe&#769;m nosso <span style=\"font-style: italic;\">colaborador<\/span>, e a&#768; <span style=\"font-style: italic;\">irma&#771; <\/span>A&#769;fia, e a Arquipo, nosso <span style=\"font-style: italic;\">companheiro de lutas<\/span>, e a&#768; igreja que esta&#769; em tua casa&rdquo; (Fl 1, 2). A fraternidade crista&#771; de irma&#771;s e irma&#771;os amados colaborava e gerava a sinergia necessa&#769;ria para potencializar os resultados da evangelizac&#807;a&#771;o.<\/p>\n<p>Arquipo, Filemom e A&#769;fia, como colaboradores de Paulo, se uniram na evangelizac&#807;a&#771;o de Colossos e na comunha&#771;o da igreja na casa de Filemom (Fl 1, 5, 7, 17, 20). A carta foi escrita a Filemom para que a igreja de sua casa tambe&#769;m fosse lugar de carinho para One&#769;simo, &ldquo;o filho&rdquo; espiritual de Paulo. Segundo a lei romana, um escravo fugitivo merecia a morte.[9] O apo&#769;stolo, fazendo jogo de palavras, disse a Filemom que One&#769;simo (que significa u&#769;til) era algue&#769;m que, &ldquo;antes, te foi inu&#769;til, atualmente, pore&#769;m, e&#769; u&#769;til, a ti e a mim&rdquo;(Fl11). Paulo considerava One&#769;simo fiel e amado irma&#771;o (Cl 4:9), raza&#771;o pela qual pede que fosse recebido, na&#771;o como escravo, mas como &ldquo;irma&#771;o cari&#769;ssimo&rdquo; (Fl 16, 17). Era esse o ni&#769;vel da amizade crista&#771; (<span style=\"font-style: italic;\">koinonia<\/span>) e a principal causa da evangelizac&#807;a&#771;o que resultou na igreja de Colossos.<\/p>\n<h3>Companheiros de pris&atilde;o<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Por tre&#770;s vezes, Paulo usa a expressa&#771;o &ldquo;companheiro de prisa&#771;o&rdquo; ou &ldquo;prisioneiro comigo&rdquo;. E&#769; assim que se refere a Epafras, Aristarco, Andro&#770;nico e Ju&#769;nias (Fl 23, 24; Cl 4:10; Rm 16:7). Epafras e&#769; uma contrac&#807;a&#771;o do nome Epafrodito e significa &ldquo;simpa&#769;tico&rdquo;. Realmente, ele usou simpatia e servic&#807;o de amor na fundac&#807;a&#771;o da igreja de Colossos (Cl 1:7; 4:12). Levou informac&#807;o&#771;es dessa igreja a Paulo com quem compartilhou a prisa&#771;o (Fl 23).<\/p>\n<p>Paulo tambe&#769;m menciona Aristarco, como colaborador. Aristarco aparece enviando saudac&#807;o&#771;es a&#768; igreja de Colossos, e ali Paulo se refere a ele como &ldquo;prisioneiro comigo&rdquo; (Cl 4:10). Sendo romano, Paulo podia ser acompanhado por um me&#769;dico e um servo. Talvez, por isso, dois companheiros crista&#771;os &ndash; Lucas (me&#769;dico) e Aristarco (servo exemplar) &ndash; aliviaram sua dura sorte como prisioneiro durante a viagem a Roma.[10]<\/p>\n<p>Lucas registra que Gaio e Aristarco eram companheiros de viagem de Paulo (At 19:29). Aristarco participou das viagens de Paulo, esteve presente no tumulto de E&#769;feso (At 19:29), na Macedo&#770;nia e Gre&#769;cia (At 20:4), e permaneceu junto a ele durante sua primeira prisa&#771;o em Roma. E&#769;-nos dito que &ldquo;foi por vontade pro&#769;pria que Aristarco partilhou da prisa&#771;o de Paulo, a fim de poder conforta&#769;-lo em suas aflic&#807;o&#771;es&rdquo;.[11] Esses homens leais ate&#769; as u&#769;ltimas conseque&#770;ncias potencializavam o trabalho evangeli&#769;stico do apo&#769;stolo.<\/p>\n<p>Outra refere&#770;ncia aos companheiros de prisa&#771;o esta&#769; ligada a Andro&#770;nico e Ju&#769;nias (Rm 16:7). Paulo apresenta esse casal como &ldquo;muito estimado entre os apo&#769;stolos&rdquo;. O termo grego conte&#769;m a ideia de que sa&#771;o pessoas &ldquo;que levam um sinal&rdquo;. Paulo acrescenta: &ldquo;meus parentes&hellip; e estavam em Cristo antes de mim&rdquo;. O parentesco e companheirismo crista&#771;os resultaram em um apostolado fruti&#769;fero reconhecido pela igreja. Os apo&#769;stolos eram missiona&#769;rios que estabeleciam novas igrejas ou ministe&#769;rios e guiavam essas novas tarefas em suas etapas fundamentais.[12] Esses apo&#769;stolos estavam &ldquo;em Cristo&rdquo; antes de Paulo. Podemos deduzir que bem poderiam ter sido alguns dos fundadores das &ldquo;igrejas nas casas&rdquo; em Roma. Possivelmente, esse casal oferecia a casa para que nela funcionasse uma igreja.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se referir a Ju&#769;nias como nota&#769;vel &ldquo;entre os apo&#769;stolos&rdquo;, Paulo lhe atribui a mesma autoridade de seu esposo e dos outros apo&#769;stolos, incluindo ele mesmo. Clemente de Alexandria dizia que as esposas dos apo&#769;stolos os acompanhavam como co-ministras.[13] Semelhantemente a A&#769;quila e Priscila, esse casal abria igrejas onde quer que fosse. Eram os grupos familiares de homens e mulheres que compunham a equipe de evangelizac&#807;a&#771;o de Paulo, e que tanto fizeram para a evangelizac&#807;a&#771;o durante o primeiro se&#769;culo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Sauda&ccedil;&otilde;es e koinonia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cartas de Paulo esta&#771;o cheias de saudac&#807;o&#771;es para os colaboradores que se encontravam nas igrejas destinata&#769;rias das cartas (Rm 16:3-16; 1Co 16:20; 2Co 13:12; Fp 4:21). Ele manifestava especial interesse em criar lac&#807;os de amizade que uniam as diferentes comunidades crista&#771;s. Isso era muito importante para a evangelizac&#807;a&#771;o de novos lugares e para confirmar igrejas e irma&#771;os que, por diversos motivos, tinham bastante mobilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do trabalho que o apo&#769;stolo pensava realizar na Espanha (Rm 15:24, 28), e&#769; nota&#769;vel ver que a lista de saudac&#807;o&#771;es aos romanos e&#769; a maior de todas. Nela, esta&#771;o inclui&#769;dos amigos, familiares e leais companheiros que potencializariam suas forc&#807;as para a evangelizac&#807;a&#771;o de Roma e Espanha.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 20\">\n<div class=\"section\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>A igreja na casa de A&#769;quila e Priscila era um dos lugares em que os crista&#771;os de Roma se reuniam (Rm 1:7). Ali se manifestavam &ldquo;as relac&#807;o&#771;es familiares do reino&rdquo;.[14] Naquele lar-igreja, possivelmente, se reunisse &ldquo;o cla&#771; dos Prisci&rdquo; da nobreza romana, familiares de Priscila.[15] A mobilidade e os recursos de A&#769;quila e Priscila lhes permitiram patrocinar igrejas dome&#769;sticas em va&#769;rios lugares como E&#769;feso, Corinto e Roma.[16] As igrejas-casas eram grupos fraternos que potencializavam os lac&#807;os familiares e transmitiam as boas-novas do Messias para a salvac&#807;a&#771;o do mundo.<\/p>\n<p>Paulo era defensor da <span style=\"font-style: italic;\">koinonia <\/span>entre as igrejas, especialmente entre gentios e judeus, tanto que arrecadou uma oferta entre os gentios, para as igrejas da Judeia e a chamou de <span style=\"font-style: italic;\">koinonia<\/span>. A palavra &ldquo;oferta&rdquo; (Rm 15:26), originalmente e&#769; <span style=\"font-style: italic;\">koinonia<\/span>. Ale&#769;m disso, era comum o envio de saudac&#807;o&#771;es para os li&#769;deres das igrejas-casas das diversas cidades.<\/p>\n<p>E&#769;-nos dito que, no primeiro se&#769;culo, &ldquo;as igrejas eram fortalecidas na fe&#769; e, dia a dia, aumentavam em nu&#769;mero&rdquo; (At 16:5). Nisto residia o poder da evangelizac&#807;a&#771;o da igreja primitiva: na abertura dia&#769;ria de novas igrejas-casas e no companheirismo natural dos grupos familiares. Segundo Peter Wagner, &ldquo;o me&#769;todo mais efetivo de evangelizac&#807;a&#771;o debaixo do Ce&#769;u, e&#769; o estabelecimento de novas igrejas&rdquo;.[17] A igreja de Roma e outras mencionadas no Novo Testamento se referem a toda comunidade heteroge&#770;nea de crista&#771;os de um lugar, agrupados em igrejas-casas homoge&#770;neas, especialmente de duas grandes etnias: judeus e gentios.<\/p>\n<p>Nessas igrejas-casas de grupos homoge&#770;neos, &ldquo;as relac&#807;o&#771;es familiares do reino&rdquo; bem como a abertura de novas igrejas aconteciam naturalmente. Paulo aconselhou os crista&#771;os romanos: &ldquo;Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram&rdquo; (Rm 12:15). Isso se cumpria nos pequenos grupos. Pore&#769;m, Paulo tambe&#769;m lutou para que na&#771;o houvesse antagonismo entre os diferentes grupos e&#769;tnicos. Ele propiciava a <span style=\"font-style: italic;\">koinonia <\/span>da igreja universal com a repetic&#807;a&#771;o de seu chamado a&#768; unidade, usando a marca distintiva &ldquo;uns aos outros&rdquo;.<\/p>\n<h3>Igrejas-casas em Corinto<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"column\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Tudo indica que houve uma igreja na casa de A&#769;quila e Priscila, em Corinto (At 18:1-4). Pelo menos, Paulo se hospedou com eles e trabalhavam juntos, enquanto evangelizavam Corinto. Escrevendo a carta aos romanos, ele afirmou que todas as igrejas dos gentios e ele agradeciam a A&#769;quila e Priscila, porque estes expuseram a vida para salva&#769;-lo, estabelecendo em sua casa um espac&#807;o de carinho no qual uma congregac&#807;a&#771;o se reunia regularmente (Rm 16:4).<\/p>\n<p>A maioria das igrejas da Gre&#769;cia era composta de gentios, e Paulo transmitiu aos romanos as saudac&#807;o&#771;es de Gaio e de &ldquo;todas as igrejas de Cristo&rdquo; (Rm 16:16, 23). O carinho natural nas relac&#807;o&#771;es familiares do reino foi notado quando Paulo solicitou cuidado especial pela irma&#771; Febe, diaconisa da igreja de Cencreia (Rm 16:1). Febe tinha sido protetora ou defensora do povo, havia ajudado muitas pessoas e ao pro&#769;prio Paulo (Rm 16:2), destacando- se como hospitaleira.[18] Possivelmente, na casa dela tambe&#769;m funcionasse uma igreja. O efeito evangelizador do amor crista&#771;o deve se expandir. Para isso, devemos responder com mais carinho ao afeto crista&#771;o que recebemos; e ate&#769; mesmo devolver com o bem o mal recebido (Rm 12:21).<\/p>\n<p>Os judeus da sinagoga de Corinto rejeitaram o evangelho de Paulo, forc&#807;ando-o a ir a&#768; casa de um gentio &ldquo;chamado Ti&#769;cio Justo&rdquo;, resultando na conversa&#771;o de Crispo (At 18:8). Possivelmente, nas casas de Justo e Crispo tambe&#769;m funcionassem igrejas. Havia tambe&#769;m a fami&#769;lia de Este&#769;fanas (1Co 16:15, 16). O apo&#769;stolo pediu aos cori&#769;ntios que aceitassem a lideranc&#807;a dessa fami&#769;lia, porque ela era dedicada ao servic&#807;o dos santos. Seguramente, a casa de Este&#769;fanas tambe&#769;m serviu como lugar de reunio&#771;es. A importa&#770;ncia dada por Paulo aos que trabalhavam liderando igrejas-casas e o contexto bi&#769;blico (1Co 16; Rm 16:19) confirmam essa possibilidade. Paulo ficou em Corinto por um ano e meio (At 18:4-11), dando origem a&#768; igreja local, seguramente agrupada em casas como as de A&#769;quila e Priscila, Gaio, Febe, Justo, Crispo e Este&#769;fanas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De vez em quando, toda a igreja se reunia em um lugar (1Co 11:20; 14:23), a fim de potencializar a <span style=\"font-style: italic;\">koinonia <\/span>dos crista&#771;os de Corinto. Possivelmente, faziam isso na casa de Gaio (Rm 16:23). Nas igrejas-casas, ministrava-se o cuidado mu&#769;tuo dos membros, como se fossem uma fami&#769;lia ou um corpo (1Co 12:24-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, na&#771;o ha&#769; du&#769;vida de que o verdadeiro companheirismo leva a&#768; valorizac&#807;a&#771;o de todos os grupos humanos e ao cumprimento da missa&#771;o em cada um desses grupos. Dos escritos de Paulo, chegamos a&#768; conclusa&#771;o de que o afeto crista&#771;o da igreja primitiva a distinguiu de outras comunidades do primeiro se&#769;culo. E ainda hoje, a sobrevive&#770;ncia espiritual dos novos crentes muito depende do carinho recebido por eles nas igrejas e nos pequenos grupos. Se faltar o afeto, morrera&#769; a igreja; porque tambe&#769;m morrera&#769; a evangelizac&#807;a&#771;o ensinada pelo Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-style: italic;\">Refere&#770;ncias:<br>\n<\/span>1 Barret, <span style=\"font-style: italic;\">World Christian Encyclopedia<\/span>, v. 4.<br>\n2 Hemphill, <span style=\"font-style: italic;\">El Modelo de Antioquia<\/span>, p. 104.<br>\n3 Ibid., p. 113-128.<br>\n4 Ellen G. White, <span style=\"font-style: italic;\">Atos dos Apo&#769;stolos<\/span>, p. 48.<br>\n5 Ibid., p. 113.<br>\n6 Francis D. Nichol, <span style=\"font-style: italic;\">Comenta&#769;rio Bi&#769;blico Adventista del Se&#769;ptimo Dia<\/span>, v. 6, p. 235.<br>\n7 Manuel De Tuya, <span style=\"font-style: italic;\">Bi&#769;blia Comentada <\/span>(Madri: Biblioteca de Autores Cristianos, 1964), v. 1221.<br>\n8 Francis D. Nichol, <span style=\"font-style: italic;\">Op. Cit.<\/span>, v. 7, p. 390, 391.<br>\n9 Ibid., p. 390.<br>\n10 Ibid., v. 6, p. 439.<br>\n11 Ellen G. White, <span style=\"font-style: italic;\">Atos dos Apo&#769;stolos<\/span>, p. 440.<br>\n12 Robert Clinton, <span style=\"font-style: italic;\">Spiritual Gifts <\/span>(Alberta, Canada&#769;: Horison House Publishers, 1985), p. 75.<br>\n13 Richard Baukham, <span style=\"font-style: italic;\">Gospel Women <\/span>(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2002),, p. 215, 217.<br>\n14 Hemphill, <span style=\"font-style: italic;\">Op. Cit.<\/span>, p. 104.<br>\n15 Francis D. Nichol, <span style=\"font-style: italic;\">Op. Cit.<\/span>. v. 6, p. 355.<br>\n16 Gordon Fee, <span style=\"font-style: italic;\">Primeira Epi&#769;stola a los Cori&#769;ntios <\/span>(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1994), p. 946, 947.<br>\n17 C. Peter Wagner, <span style=\"font-style: italic;\">Plantando Iglesias Para una Maior Cosecha <\/span>(Miami, FL: Unilit, 1997), p. 11.<br>\n18 Ellen G. White, <span style=\"font-style: italic;\">Para&#769;bolas de Jesus<\/span>, p. 570.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sobrevive&#770;ncia espiritual dos novos crentes muito depende&nbsp;do carinho recebido por eles na congregac&#807;a&#771;o A igreja do primeiro se&#769;culo e&#769; conhecida por seu companheirismo e crescimento espetacular: mais de um milha&#771;o de crista&#771;os.[1] A raza&#771;o disso e&#769; ter seguido o modelo de amor fraternal e unidade ensinado por Jesus. 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